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	<title>Arquivo de a tradição já não é o que era - Duas Linhas</title>
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		<title>Garlic Farofa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Aug 2024 23:00:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Não temos eco do que terá sido no dia a dia a reacção dos indígenas à ‘ocupação’ romana, iniciada, no território actualmente português, pelos finais do século II antes de Cristo. Os testemunhos epigráficos dão-nos, porém, uma ideia de… convivialidade. E, na verdade, são as inscrições o mais credível tipo de documento para nos contarem [&#8230;]</p>
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<p>Não temos eco do que terá sido no dia a dia a reacção dos indígenas à ‘ocupação’ romana, iniciada, no território actualmente português, pelos finais do século II antes de Cristo. Os testemunhos epigráficos dão-nos, porém, uma ideia de… convivialidade.</p>



<p>E, na verdade, são as inscrições o mais credível tipo de documento para nos contarem como tudo se passou. E o que vemos? Os indígenas parece que não terão hesitado em deixar latinizar os seus nomes e os nomes dos seus deuses; os monumentos passaram a ser feitos segundo os modelos romanos; até as fórmulas como se dirigiam às divindades indígenas se pautaram pelos cânones vindos de Roma e os próprios romanos não hesitaram em prestar culto às divindades indígenas.</p>



<p>Sim, as narrativas da altura falam da luta sem tréguas dos Lusitanos, chefiados, primeiro, por Viriato e, mais tarde, por Sertório, a quem, aliás, a tradição atribui também uma notável acção cultural, situando-a mesmo na cidade de Évora. Uma coisa é, todavia, a guerra, outra o contacto diário das populações da mais diversa origem e dos mais diferenciados costumes.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não estamos, nesta 2ª década do século XXI a sentir isso mesmo? Toda a gente a vestir segundo modelos estranhos. As lojas portuguesas a fecharem e a darem lugar a estabelecimentos geridos por gente do Médio Oriente. A não termos empregados de mesa que falem com acento português mas sim uma espécie de português com acento alheio. Inclusive os programas televisivos, mesmo os dos da que suporíamos portuguesíssima RTP 1 a serem baptizados com nomes estranhos, como se a língua portuguesa não dispusesse de vocabulário bastante.</p>



<p>No âmbito das comidas, o movimento vai em dois sentidos opostos: por um lado, as regiões a propagandearem os seus pratos típicos, a dieta mediterrânica, um jantarinho de grão, a organizarem semanas gastronómicas; e, por outro, os <em>chefs</em> (sim, tem de se escrever assim, à estrangeira!&#8230;) a proporem iguarias de estranhos nomes obrigatoriamente englobados no conceito de… como é? ah! É <em>gourmet,</em> palavra francesa que significa ‘gastrónomo’, ‘provador de vinhos’, mas a que se atribuiu um significado de ‘algo de delicioso’, ‘especial’.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="947" height="561" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/diario-do-alentejo-facebook.png" alt="" class="wp-image-35919" style="width:559px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/diario-do-alentejo-facebook.png 947w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/diario-do-alentejo-facebook-300x178.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/diario-do-alentejo-facebook-768x455.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/diario-do-alentejo-facebook-696x412.png 696w" sizes="(max-width: 947px) 100vw, 947px" /><figcaption class="wp-element-caption">Diário do Alentejo no Facebook</figcaption></figure></div>


<p>Vem esta charla a propósito do editorial de sexta-feira (16 de Agosto de 2024), do <em>Diário do Alentejo,</em> assinado pelo seu director, Marco Cândido. Para descontrair na viagem aérea de regresso das férias, Marco pegou numa das revistas de bordo e parou na publicidade a um desses novos restaurantes lisboetas. E pasmou, ao ler que o <em>chef,</em> devidamente galardoado com estrelas Michelin, garantia que o menu se focava «nos sabores clássicos, em que se poderão encontrar o porco alentejano cozinhado lentamente, com coentros, <em>garlic farofa</em> e feijões pretos cozidos». Claro, Marco indagou logo se aquilo seriam migas. Ou será açorda de alho?</p>



<p>Pois.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Nas páginas de uma revista que, em princípio, deveria pugnar – pensávamos nós – por aquilo que nos distingue. Sim, de facto, a <em>garlic farofa </em>distingue-nos. E se for bem condimentada, como costuma ser em lídimo ambiente alentejano, uma maravilha! Umas migas com carne de alguidar, amigo, acompanhadas com um dos nossos aveludados tintos, há aí petisco melhor? Sempre gostarei de saber se o tal <em>chef </em>também as proporá. O busílis será como há de chamar à carne de alguidar. Amigo, chame-lhe <em>pork in the pan </em>– e verá o sucesso que vai ter, entre ohs da maior admiração!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/V2f8nWd.jpeg" alt="" class="wp-image-35927"/><figcaption class="wp-element-caption">recorte do editorial do Diário do Alentejo de 16 de agosto de 2024 publicado no Facebook</figcaption></figure></div></div></div>



<p></p>
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