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	<title>Arquivo de Destaques - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Destaques - Duas Linhas</title>
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		<title>O HOMEM QUE RECUSOU A REFORMA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Roger Waters]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É um manifesto contra a indiferença</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-homem-que-recusou-a-reforma/">O HOMEM QUE RECUSOU A REFORMA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há qualquer coisa de desconcertante em Roger Waters. Aos 82 anos, quando poderia viver confortavelmente da herança dos Pink Floyd, reaparece para reescrever <em>Comfortably Numb</em>, uma das canções mais emblemáticas do século XX. Não para a atualizar musicalmente, não para explorar a nostalgia de uma geração, mas para lhe dar uma nova vida política. Desta vez, a canção é dedicada ao povo palestiniano e à destruição de Gaza.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Entorpecimento" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/q78VGGlLzzQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p>Não deixa de ser um gesto curioso. A versão original, integrada em <em>The Wall</em> (1979), era uma viagem ao interior de um homem emocionalmente anestesiado. A &#8220;dormência confortável&#8221; era uma metáfora para a alienação, para o trauma, para o isolamento de quem já não consegue sentir plenamente o mundo à sua volta.</p>



<p>Na nova versão, a anestesia muda de destinatário. Já não é um indivíduo que perdeu a capacidade de sentir. É uma sociedade inteira que parece habituar-se às imagens da guerra, aos escombros, às crianças mortas, aos hospitais destruídos e à normalização do horror. A insensibilidade deixa de ser psicológica para se tornar moral.</p>



<p>É uma inversão forte. Em 1979, a pergunta era: &#8220;Como é que um homem chega a este estado?&#8221; Em 2026, a pergunta é: &#8220;Como é que nós chegámos a este estado?&#8221; A intenção de Waters é clara: impedir que a repetição das imagens produza indiferença. Recordar que a capacidade humana de se habituar ao sofrimento alheio pode ser uma das mais perigosas formas de anestesia coletiva.</p>



<p>Mas também é interessante tentarmos perceber o que leva um octogenário recusar a tranquilidade da reforma para continuar a meter-se em batalhas que dividem a opinião pública e lhe garantem mais críticas do que aplausos? A resposta não está no dinheiro. Nem na fama. Nada disso é preocupação para um homem com a carreira feita há muito tempo.</p>



<p>Há pessoas para quem a arte nunca foi um lugar de conforto. Sempre foi um lugar de combate. Quem se lembrar de outras músicas de Roger Waters talvez perceba que o músico sempre fez da música um instrumento de confronto com a guerra, o poder, a propaganda e os mecanismos de manipulação. Há nisto uma coerência rara num artista que, mais de cinquenta anos depois, continua a correr riscos para defender aquilo em que acredita.</p>



<p>Na verdade, para além de coragem e coerência, a idade deu-lhe também essa liberdade. Quando já não existe uma carreira para proteger, uma editora para agradar ou um mercado para conquistar, desaparece também uma parte significativa do medo. A proximidade do fim da vida não leva necessariamente à resignação. Em alguns casos, produz exatamente o contrário: a urgência de dizer aquilo que sempre se considerou essencial.</p>



<p>Há quem procure paz. Outros procuram sentido. E há pessoas que nunca se reformam daquilo que são. Um professor continua a ensinar, mesmo sem sala de aula. Um cientista continua a fazer perguntas. Um escritor continua a escrever. Um músico continua a compor. Gente que teima em tentar mudar o mundo e que nunca se reconheceriam no espelho se deixassem de tentar.</p>



<p>A nova <em>Comfortably Numb</em> acaba por ser mais do que uma canção sobre Gaza. É um manifesto contra a indiferença. Neste tempo em que a informação circula à velocidade da luz e a emoção dura apenas alguns segundos, o maior risco não é a violência. É habituarmo-nos a ela.</p>



<p>Roger Waters parece acreditar que o pior destino não é sentir demasiado. É deixarmos de sentir. E essa continua a ser, quase meio século depois, a verdadeira mensagem de <em>Comfortably Numb</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1024x577.png" alt="" class="wp-image-50530" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1024x577.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1536x865.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1392x784.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio.png 1918w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Roger Waters com a cantora palestiniana Mona Miari (fotograma do videoclip)</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-homem-que-recusou-a-reforma/">O HOMEM QUE RECUSOU A REFORMA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/bruxelas-empenhada-em-reduzir-a-cultura-europeia-a-instrumento-de-guerra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 23:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Bienal de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[duplo critério da Comissão Europeia]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Europa deve olhar para os seus povos, não para os seus generais. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/bruxelas-empenhada-em-reduzir-a-cultura-europeia-a-instrumento-de-guerra/">BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dois milhões de euros, ninharia para os cofres opulentos de Bruxelas, mas cifra vital para a alma de uma Bienal que sempre se quis universal, ficaram suspensos por um capricho geopolítico. A senhora comissária, Henna Virknen, brande o seu telemóvel como outrora se brandia uma espada, anunciando na efémera praça digital que a cultura deve pagar o preço da desobediência. Eis o primeiro sintoma da bílis de que fala o povo: a razão turva-se quando o poder resolve vestir a farda do moralismo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="785" height="295" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg" alt="" class="wp-image-50501" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg 785w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-300x113.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-768x289.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-696x262.jpg 696w" sizes="(max-width: 785px) 100vw, 785px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.dn.pt/cultura/ue-anuncia-fim-de-subsdio-de-dois-milhes-de-euros-bienal-de-veneza-devido-participao-da-rssia#goog_rewarded">UE cancela subsídio de dois milhões de euros à Bienal de Veneza devido à participação da Rússia</a></figcaption></figure></div>


<p>Ora, independentemente do xadrez económico e político que se joga na Ucrânia, essa pobre terra transformada em cavalo de Troia dos grandes estrategas globais, uma coisa se nos afigura cristalina. A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico: um continente que inventou a universidade, a sinfonia e a declaração dos direitos do homem reduz-se agora à retórica do bombardeiro e ao gesto do diplomata que só conhece a provocação como forma de diálogo. O poder, nessa Bruxelas asfixiante, parece ter esquecido todas as línguas, excepto a do dinheiro e a da sanção. Impõem-se “valores subversivos” contra “valores sagrados”, mas ninguém se dá ao trabalho de definir quais são uns e outros, porque, neste conflito surdo contra o povo europeu e contra o povo russo, parece reger o argumento cínico do tudo vale.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="506" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg" alt="" class="wp-image-50507" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-300x148.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-768x380.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-696x344.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1068x528.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-648x320.jpg 648w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte.jpg 1183w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Escutemos, com atenção, os hinos do fanatismo contemporâneo. Lá longe, do outro lado do Atlântico, ouvimos o eco gutural de “América acima de tudo”. Aqui, no velho continente, respondemos com o timbre melífluo, mas igualmente vazio de “Valores democráticos da Europa acima de tudo”. É a mesma moeda, cunhada em lados diferentes, servindo o mesmo espírito do globalismo que sopra das torres de marfim financeiras para as planícies do sofrimento real. Cada vez se tem mais a impressão, e o senso comum, esse bem raro, teima em confirmá-lo, de que a grandeza das potências tem como condição necessária a humilhação metódica do cidadão comum. A dissidência, nessa Europa embriagada de si mesma, é simplesmente pensar de forma diferente; a heresia, hoje, é querer a paz sem submeter a alma ao dogma.</p>



<p>É preciso, pois, que o povo desperte. Não o povo abstracto dos discursos oficiais, mas a carne e o osso que pagam impostos e criam os filhos. Bruxelas estende-se como um polvo de braços tecnocráticos, avassalando até os sagrados espaços da cultura, transformando a arte num campo de batalha rasteiro. A Bienal de Veneza, que devia ser um oásis de contemplação, arrisca-se a tornar-se um museu da censura. E esta é a maior tragédia: quando os burocratas se arrogam o direito de definir o que é ou não “democrático” na paleta de um pintor ou na música de um compositor, estamos a trocar a utopia pela polícia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="556" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg" alt="" class="wp-image-50506" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-300x163.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-768x417.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-696x378.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1068x580.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca.jpg 1158w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O humanismo, esse velho amigo esquecido, dita que a cultura não é instrumento de guerra, mas trégua. A cultura não é arma de arremesso, mas ponte. Se a Europa quer verdadeiramente rejuvenescer, que olhe para os seus filhos, não para os seus generais; que se inspire nos seus filósofos e teólogos, não nos seus comissários. Que guarde o cinismo para a política, que é, afinal, a sua matéria-prima e a generosidade para a arte. Caso contrário, a Bienal de Veneza não será a única a afogar-se nas suas águas turvas; afogar-se-á a própria ideia de Europa, vítima da sua própria bílis, sufocada pelo polvo que criou para a defender.</p>



<p>E quando isso acontecer, não digam que o povo não avisou.</p>



<p><sup>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11163" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11163">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/bruxelas-empenhada-em-reduzir-a-cultura-europeia-a-instrumento-de-guerra/">BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>REVELAÇÕES &#038; OUTRAS MERDAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 23:00:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Jean-Jacques Rousseau]]></category>
		<category><![CDATA[Michel Foucault]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolau Maquiavel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>... o guião escrito por três fantasmas que gerem a nossa existência.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Porque a Sua Abnegação é uma Ratoeira</strong></h4>



<p>Tentar abnegar o sistema político atual é um exercício de uma ingenuidade comovente. O leitor acredita piamente que, ao cruzar os braços e recusar o jogo, está a ser um rebelde original. Na verdade, está apenas a cumprir, à risca, o guião escrito por três fantasmas que gerem a sua existência.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>1. A Gargalhada de Maquiavel: A Abnegação como Submissão Voluntária</strong></h4>



<p>O velho Nicolau Maquiavel observa a sua &#8220;plena diferença&#8221; e sorri com um cinismo paternalista. Para o Príncipe moderno, o cidadão abnegado é o maior milagre administrativo de sempre. Ao retirar-se da ágora por uma questão de pureza moral, o leitor não está a boicotar o poder; está a limpá-lo de obstáculos.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A lição maquiavélica:</strong> O poder detesta o vácuo. Se o leitor abdica do seu espaço por &#8220;nojo&#8221; do sistema, a única consequência real é que o seu vizinho menos escrupuloso passa a governar a sua vida. A sua abnegação não é um protesto; é uma rendição disfarçada de superioridade intelectual. O Príncipe agradece o seu silêncio oportuno.</li>
</ul>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>2. A Ratoeira de Rousseau: O Contrato que Nunca Assinou, Mas Paga</strong></h4>



<p><strong>O leitor pergunta:</strong> &#8220;Como poderei fazer parte dum sistema se o abnego veemente?&#8221; Jean-Jacques Rousseau responde-lhe com a cláusula mais leonina da história da humanidade: o Contrato Social. O leitor nunca assinou este contrato, não leu as letras miúdas, mas nasceu carimbado por ele.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A lição rousseauísta:</strong> Segundo Rousseau, para ser livre, o indivíduo deve alienar-se totalmente a favor da comunidade (a &#8220;Vontade Geral&#8221;). Se o leitor tenta ser &#8220;totalmente diferente&#8221;, o sistema considera-o um erro de digitação social. A democracia rousseauísta tem um<strong> </strong>requinte satírico: ela obriga-o a ser livre nos termos dela. Se recusar ser livre dentro do rebanho, será &#8220;forçado a ser livre&#8221; através da<strong> </strong>exclusão, do ostracismo ou do manicómio.<strong> </strong>A sua vontade individual é um luxo que a Vontade Geral consome ao pequeno-almoço.</li>
</ul>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>3. A Jaula de Foucault: A Biopolítica do Corpo Abnegado</strong></h4>



<p>Aqui reside o golpe de misericórdia na sua revolta. Michel Foucault entra na sala para lhe explicar que a sua &#8220;abnegação&#8221; chega atrasada: o sistema já se apropriou de si antes mesmo de o leitor aprender a dizer &#8220;não&#8221;.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>A lição foucaultiana:</strong> O leitor acha que o poder é um político num palácio. Foucault ri-se. O poder é a clínica que o registou ao nascer, a escola que moldou a sua postura, o hospital que vigia a sua saúde e o algoritmo que prevê a sua depressão. A sua &#8220;abnegação&#8221; ocorre dentro de uma linguagem e de um corpo que o próprio Estado produziu. Mesmo quando o leitor se isola na sua total interdição, está a usar os conceitos de &#8220;liberdade&#8221; e &#8220;diferença&#8221; que o próprio poder normalizou. O leitor não está fora do sistema; o leitor é a parede da ala psiquiátrica do sistema.</li>
</ul>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Resposta à Pergunta Proibida</strong></h4>



<p><em>Qual é a alternativa para o atual sistema político?</em></p>



<p>A alternativa, vista pelos olhos deste trio, é de um niilismo sublime. Não há alternativa externa, porque não há &#8220;fora&#8221;. A única alternativa é aceitar a esquizofrenia política:</p>



<p>Viver como um Príncipe Sem Trono (Maquiavel), que finge obedecer ao Contrato Sagrado (Rousseau), enquanto sabota subtilmente as Métricas dos Corpos (Foucault). É a resistência não através do isolamento, mas através da ironia absoluta: cumprir todas as regras de forma tão literal e robótica que o próprio sistema acabe por entrar em curto-circuito por excesso de zelo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="862" height="540" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/3-mestres.jpg" alt="" class="wp-image-50454" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/3-mestres.jpg 862w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/3-mestres-300x188.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/3-mestres-768x481.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/3-mestres-696x436.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 862px) 100vw, 862px" /></figure></div></div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/revelacoes-outras-merdas/">REVELAÇÕES &amp; OUTRAS MERDAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O CAPITAL HUMANO ESQUECIDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 23:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O verdadeiro capital de uma sociedade não está apenas nas infraestruturas, na tecnologia ou nos recursos financeiros. Está, acima de tudo, nas pessoas.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-capital-humano-esquecido/">O CAPITAL HUMANO ESQUECIDO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>Vivemos numa época em que o conhecimento é apresentado como o recurso mais valioso para o desenvolvimento económico, científico e social. Fala-se da economia do conhecimento, da inovação e do talento como os motores do futuro. Contudo, quando milhões de pessoas atingem a idade da maior maturidade intelectual e profissional, deixam de ser vistas como um ativo e passam a ser tratadas como um custo.<br>É um paradoxo difícil de compreender.</p>



<p>Uma sociedade investe durante décadas na formação dos seus cidadãos. Acompanha-os desde a escola até à universidade, promove especializações, incentiva a aprendizagem ao longo da vida e beneficia da experiência que cada profissão vai acumulando. Mas, precisamente quando esse património humano atinge o seu ponto mais elevado de conhecimento, muitas dessas pessoas são empurradas para a margem.<br>Não porque perderam competência.<br>Não porque deixaram de pensar.<br>Não porque deixaram de criar.<br>Apenas porque envelheceram.</p>



<p>Este é um dos maiores desperdícios do nosso tempo.<br>O verdadeiro capital de uma sociedade não está apenas nas infraestruturas, na tecnologia ou nos recursos financeiros. Está, acima de tudo, nas pessoas. E entre essas pessoas encontram-se milhares de homens e mulheres que acumularam décadas de experiência, de capacidade de decisão, de memória institucional, de sentido crítico e de sabedoria prática.<br>Ignorar esse património é desperdiçar riqueza.</p>



<p>As sociedades mais inteligentes serão aquelas que souberem criar novas formas de participação para quem continua a querer contribuir. Não se trata de impedir reformas nem de obrigar ninguém a trabalhar para além da sua vontade. Trata-se de abrir portas a quem deseja continuar a ensinar, a orientar, a inovar, a aconselhar ou simplesmente a colocar a sua experiência ao serviço da comunidade.<br>A longevidade alterou profundamente a condição humana. Hoje, muitas pessoas chegam aos setenta ou oitenta anos com saúde, lucidez e uma enorme capacidade de intervenção. Persistir em modelos sociais construídos para uma realidade demográfica do século passado significa desperdiçar um dos maiores recursos do século XXI.</p>



<p>O futuro não depende apenas da energia dos mais jovens. Depende também da inteligência coletiva que nasce quando a juventude e a experiência trabalham lado a lado.<br>Precisamos de abandonar a ideia de que a idade marca o fim da utilidade social. Pelo contrário, pode representar o início de uma nova forma de participação, menos condicionada pela carreira e mais orientada para a transmissão de conhecimento, para a mentoria, para o voluntariado qualificado e para a construção de projetos com significado.<br>Nenhum país se pode dar ao luxo de desperdiçar o seu capital humano mais experiente.<br>Valorizar esse património não é um gesto de solidariedade para com os mais velhos. É um investimento inteligente no futuro de toda a sociedade.<br>Porque uma nação que esquece os seus cidadãos mais experientes não perde apenas memória. Perde capacidade de construir o amanhã.</p>



<ol start="9" class="wp-block-list">
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		<title>O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 23:10:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[combate político]]></category>
		<category><![CDATA[debate sobre o Estado da Nação]]></category>
		<category><![CDATA[demagogia política]]></category>
		<category><![CDATA[Estado da Nação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O último debate sobre o Estado da Nação foi confrangedor.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O País era governado pela segunda maioria absoluta do PSD, sendo primeiro-ministro Cavaco Silva. Alguns dirigentes daquele partido entendiam que era necessário dar um forte impulso à liderança e à imagem do governo. Pacheco Pereira, segundo consta, terá sugerido a criação do debate sobre o Estado da Nação. Pretendia dar-se uma imagem diferente da tradicional austeridade de Cavaco Silva. Simultaneamente, o primeiro-ministro, no final da sessão legislativa, elencaria os feitos de um ano de trabalho e perspetivava o novo ano político. A ideia de Pacheco Pereira, era criar um momento semelhante ao <em>discurso do trono</em>, do Parlamento do Reino Unido.</p>



<p>De acordo com a letra da Lei, já na versão actual, o debate sobre o Estado da Nação na&nbsp;Assembleia da República&nbsp;tem como objetivos principais:&nbsp;<strong>prestar contas </strong>sobre a acção governativa,&nbsp;<strong>avaliar</strong>&nbsp;as políticas públicas e os resultados económicos,&nbsp;<strong>discutir</strong>&nbsp;os desafios do país e&nbsp;<strong>definir </strong>prioridades para o futuro.</p>



<p>A verdade é que, por falta de cultura democrática e de tradição, nunca os objectivos foram cumpridos e, ao longo dos anos, foi-se degradando e perdeu, por completo, o fim que se pretendia alcançar.</p>



<p>A responsabilidade pelo falhanço cabe aos governos e aos partidos da oposição que, por oportunismo político, na procura de um <em>sound bite</em> para a época estival, nunca entenderam o alcance desta iniciativa, rapidamente transformado num debate quinzenal, igual a tantos outros.</p>



<p>E chegámos ao último debate sobre o Estado da Nação, que foi confrangedor.</p>



<p>O governo e os partidos da oposição entretiveram-se a discutir a incompetência do ministro da Educação e as trapalhadas da Administração Interna. O debate foi um repositório de insultos, sem qualquer proposta para o País. &nbsp;O confronto apenas teve por objectivo obter alguns ganhos políticos para alimentar os media e as redes socias.</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1024x576.png" alt="" class="wp-image-50435" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ministro da Educação</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1024x576.png" alt="" class="wp-image-50436" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ministro da Administração Interna</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>A incompetência do ministro da Educação deve ser escrutinada, as trapalhadas que envolveram o ministro da Administração Interna, que tem o pecado original de afrontar os sectores mais radicais da política portuguesa, devem igualmente ser escrutinadas. Mas, para isso, existem os mecanismos próprios, previstos no Regimento da AR. Usar aquele tempo no Parlamento para discutir aqueles dois temas, sem a preocupação de fazer a autópsia do cadáver ambulante em que se transformou este governo, é uma perda de tempo. O debate sobre o Estado da Nação é mais do que isto. E, enquanto os partidos não entenderem esta realidade, a democracia sai prejudicada.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-debate-sobre-o-estado-da-nacao/">O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>DIREITOS HUMANOS OU CONTA BANCÁRIA?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 23:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BAZUKA]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça para ricos]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Salgado condenado]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Salgado não vai cumprir pena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>o Tribunal Central Criminal de Lisboa determinou a suspensão da pena única de 13 anos de prisão aplicada a Ricardo<br />
Salgado</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/direitos-humanos-ou-conta-bancaria/">DIREITOS HUMANOS OU CONTA BANCÁRIA?</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A 2 de junho de 2026, o Tribunal Central Criminal de Lisboa determinou a suspensão da pena única de 13 anos de prisão aplicada a Ricardo<br>Salgado em cúmulo jurídico (referente às condenações nos processos EDP e Operação Marquês). Esta decisão foi tomada após ter sido dado como provado que o ex-banqueiro sofre de doença de Alzheimer e de uma &#8220;anomalia psíquica&#8221;, o que o impede de compreender o alcance da pena.</p>



<p>A suspensão da execução da pena está sujeita à apresentação de relatórios médicos semestrais que documentem a evolução da sua condição. Esta decisão resultou do cúmulo jurídico que englobou as condenações anteriores (6 anos e 3 meses no caso EDP e 8 anos na Operação Marquês). </p>



<p>Este é o teor de uma notícia, veiculada por toda a Comunicação Social e recebida com espanto e muitas reservas. Desde logo porque falamos de casos relacionados com a insolvência de um Banco com administração presidida, com mão de ferro, por este condenado e que causou prejuízos de vários milhares de milhões de euros. Há quem diga que os números ultrapassam o valor dos crimes cometidos por todos os reclusos nas nossas 49 cadeias.<br>Depois porque as penas só podem ser suspensas quando não ultrapassarem os cinco anos. E treze quase triplicam esse número. A decisão, segundo os juízes, baseia-se no agravamento da doença de Alzheimer do ex-banqueiro, concluindo o tribunal que este não tem capacidade para compreender o alcance da pena. Uma decisão que se baseia na defesa dos Direitos Humanos, o que qualquer cidadão deve apoiar sem reservas.<br>A pena de prisão tem como base a reabilitação do condenado e a sua punição. Num país onde não há prisão perpétua nem, muito menos, pena de morte, a reabilitação tem de ter o papel principal para se assegurar que o condenado sairá da prisão se não totalmente recuperado pelo menos melhor do que quando entrou.</p>



<p>A punição servirá para que este e a comunidade percebam que não se sai incólume de um crime. Porém, como reabilitar um recluso que não tem noção do local onde se encontra, não percebe o que faz num local que lhe é estranho, não tem, sequer, noção de que está a ser punido por delitos cometidos e que não recorda? Qualquer defensor do respeito pelos Direitos Humanos, como é o meu caso, estará de acordo com esta decisão.</p>



<p>Mas…<br>E os juízes do Colectivo que o julgou, estarão? A pergunta parece descabida porque foram estes que a tomaram mesmo sabendo que seria, por muitos, contestada. No entanto eu tenho essa dúvida. Porquê só agora, porquê só neste caso, porquê só com este arguido? Nas nossas cadeias há centenas e centenas de reclusos condenados por delitos de muito menor importância, muitos deles a menos de treze anos, muitos deles com penas inferiores a cinco anos (o que permitiria que a pena fosse suspensa sem qualquer reserva) com doença idêntica à de Ricardo Salgado e alguns com situação clínica incomparavelmente mais grave.</p>



<p>Porquê, então, esta preocupação com os Direitos Humanos num único caso? Será para servir de exemplo e levar os Tribunais de Execução de Penas a analisar os casos de reclusos com Alzheimer e cancro, por exemplo, muitos em estado terminal, para que as suas penas passem a suspensas ou, no mínimo, a prisão domiciliária?<br>E os inimputáveis que estão nas nossas prisões, sem fazerem noção de onde se encontram? Serão mandados para casa, ou para hospitais indicados para a sua doença?<br>O que levou, realmente, à decisão no Acórdão de Sentença de que estou a falar? Ricardo Salgado ficou livre da cadeia pelo respeito aos Direitos Humanos ou pelo saldo das suas contas bancárias? Penso ser uma pergunta legítima e não sou eu a ter de lhe dar resposta.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/direitos-humanos-ou-conta-bancaria/">DIREITOS HUMANOS OU CONTA BANCÁRIA?</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>AS FOTOGRAFIAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 14:29:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Epstein Files]]></category>
		<category><![CDATA[Jean Carroll]]></category>
		<category><![CDATA[pedofilia]]></category>
		<category><![CDATA[Trump condenado por abuso sexual]]></category>
		<category><![CDATA[Trump e Epstein]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não sabemos a idade das meninas, sabemos que parecem crianças.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/as-fotografias-que-continuam-sem-resposta/">AS FOTOGRAFIAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Donald Trump foi condenado por um tribunal norte-americano a indemnizar Jean Carroll em cerca de cinco milhões de dólares por abuso sexual e difamação. Não se trata de um rumor das redes sociais nem de uma acusação política. Trata-se de uma decisão judicial.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="836" height="612" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/jean-carroll.jpg" alt="" class="wp-image-50335" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/jean-carroll.jpg 836w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/jean-carroll-300x220.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/jean-carroll-768x562.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/jean-carroll-696x510.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 836px) 100vw, 836px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://edition.cnn.com/2026/07/14/politics/e-jean-carroll-payment-from-trump">E. Jean Carroll officially receives more than $5M from Trump in sexual abuse and defamation judgment | CNN Politics</a></figcaption></figure></div>


<p>Esse facto não prova que Trump tenha cometido outros abusos. Mas transporta a certeza de que qualquer suspeita nesta matéria não deve ser afastada.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>É por isso que continuam a suscitar inquietação as fotografias antigas em que Trump surge ao lado de Jeffrey Epstein rodeado por jovens cuja aparência é marcadamente juvenil. Essas imagens circulam há anos, foram reproduzidas milhares de vezes e acabaram por perder, em muitos casos, a sua origem documental.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-1024x576.png" alt="" class="wp-image-45444" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/epstein-files-capa.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/pedofilia-mais-suspeitas-envolvem-trump/">PEDOFILIA: MAIS SUSPEITAS ENVOLVEM TRUMP</a></figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43104" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/07/trump-com-meninas-capa.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/fotos-de-trump-com-meninas/">FOTOS DE TRUMP COM MENINAS</a></figcaption></figure></div></div>
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<p>Legalmente, uma fotografia não demonstra um crime. Mesmo que seja autêntica, prova apenas que determinadas pessoas estiveram juntas num determinado lugar e num determinado momento. Para sustentar uma acusação seriam necessários outros elementos: a identificação das pessoas retratadas, a confirmação da idade que tinham, testemunhos, documentos ou outros meios de prova.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Mas também seria intelectualmente desonesto fingir que essas fotografias nada significam. Constituem, no mínimo, um motivo legítimo para fazer perguntas. Quem eram aquelas jovens? Que idade tinham? Quem tirou as fotografias? Em que circunstâncias? Porque nunca foram plenamente contextualizadas?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47471" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/trump-pedo-capa.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/as-farras-de-trump/">AS FARRAS DE TRUMP</a></figcaption></figure>



<p>Não sabemos responder a essas perguntas. Também não sabemos, apenas olhando para as imagens, se aquelas jovens eram menores de idade. Sabemos apenas aquilo que qualquer pessoa vê: parecem crianças.</p>



<p>E enquanto ninguém responder às perguntas essenciais, continuará a existir uma diferença entre aquilo que um tribunal pode dar como provado e aquilo que a opinião pública considera profundamente perturbador.</p>
</div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/as-fotografias-que-continuam-sem-resposta/">AS FOTOGRAFIAS QUE CONTINUAM SEM RESPOSTA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O DISCURSO DE PAULO RANGEL MUDOU. A DIPLOMACIA RARAMENTE MUDA POR ACASO.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 19:36:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[crise na CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[crise nas relações entre Portugal e Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau corta com CPLP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Rangel afirma que "a Guiné-Bissau faz parte do ADN da CPLP."</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há poucas semanas, o chefe da diplomacia portuguesa colocava a tónica na necessidade de restaurar a normalidade democrática, defendia novas eleições e enquadrava a posição portuguesa nas decisões da CPLP, da CEDEAO e da União Africana. O discurso era essencialmente jurídico e institucional, assente na defesa da ordem constitucional.</p>



<p>Hoje, porém, sem renunciar a esses princípios, Paulo Rangel afirma algo politicamente muito significativo: &#8220;A Guiné-Bissau faz parte do ADN da CPLP.&#8221; Esta frase não é um simples exercício de cortesia diplomática.</p>



<p>É o reconhecimento de uma evidência histórica e política: não existe CPLP sem a Guiné-Bissau. O país participou na fundação da organização, desempenhou um papel determinante na afirmação do espaço lusófono e continua a ser uma referência incontornável da história comum dos povos de língua portuguesa.</p>



<p>Mais importante ainda, o ministro acrescenta que todos os Estados-membros desejam ultrapassar rapidamente a atual situação. Esta mensagem revela que a preocupação deixou de ser apenas a aplicação de sanções ou a reafirmação de princípios. Passou também a ser a procura de uma solução política que permita restabelecer a normalidade das relações entre a Guiné-Bissau e a CPLP.</p>



<p>Isto demonstra que a diplomacia portuguesa entrou numa nova fase. Os princípios permanecem os mesmos, mas o método evoluiu. Portugal percebe que um isolamento prolongado dificilmente contribuirá para estabilizar a Guiné-Bissau. Pelo contrário, o diálogo, a cooperação e a reaproximação institucional podem criar melhores condições para que o país reencontre um quadro de normalidade política.</p>



<p>Também merece destaque outro aspeto: Paulo Rangel passou a enfatizar o respeito pela soberania do povo guineense. Esta referência afasta qualquer ideia de soluções impostas do exterior e aproxima Portugal de uma lógica de facilitação diplomática, em vez de uma postura predominantemente sancionatória.</p>



<p>Naturalmente, esta mudança de tom não significa que Portugal tenha reconhecido automaticamente todas as opções políticas das atuais autoridades de transição. Também não significa que tenham desaparecido as reservas relativamente ao processo político guineense. Significa, isso sim, que Lisboa parece reconhecer uma realidade incontornável: nenhuma solução será duradoura sem diálogo, sem inclusão e sem um entendimento progressivo entre a Guiné-Bissau e os seus parceiros internacionais.</p>



<p>A diplomacia vive de sinais. E quando um ministro afirma que um país suspenso faz parte do &#8220;ADN&#8221; da organização que o suspendeu, está a enviar um sinal político muito claro: existe vontade de reconstruir pontes.</p>



<p>Cabe agora às autoridades guineenses corresponder a esse sinal, criando condições que reforcem a confiança internacional, consolidem as instituições e permitam que a Guiné-Bissau volte a ocupar plenamente o lugar que historicamente lhe pertence na CPLP. Em política externa, tão importante como ter razão é saber criar as condições para transformar essa razão em entendimento.</p>
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		<title>O KARMA É LIXADO!…</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 18:37:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BAZUKA]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[ex-diretor da PJ apanhado em escutas judiciais]]></category>
		<category><![CDATA[fugas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Ministro da Administração Interna apanhado em escutas judiciais]]></category>
		<category><![CDATA[segredo de Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A divulgação sistemática de informações que deveriam estar no segredo de Justiça</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-karma-e-lixado/">O KARMA É LIXADO!…</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A divulgação sistemática de informações que deveriam estar no segredo de Justiça, não só para garantir que a investigação possa prosseguir sem alertar os possíveis infractores, mas também, e principalmente, para que estes não possam ser incriminados pela população antes de julgados, e condenados, não é um problema exclusivo dos portugueses. Acontece um pouco por todo o mundo, mas obviamente com mais frequência nos países latinos e de terceiro mundo.</p>



<p>A diferença, em Portugal, é que estas informações são cirurgicamente usadas para atacar e destruir adversários ou derrubar um concorrente directo quer na política quer na profissão. E são conseguidas com uma facilidade que nos deveria preocupar.</p>



<p>Todos vimos, já, nos diversos canais de televisão, as gravações da audição de arguidos, em primeiro interrogatório pelo Ministério Público, por vezes na presença do Juiz. O caso do ex-Primeiro Ministro José Sócrates é um desses exemplos.</p>



<p>É rara a semana sem “fuga de informações em segredo de Justiça”, que serão amplamente usadas pela Comunicação Social. Não havendo qualquer preocupação dos responsáveis no sentido de detectar os autores desse crime. Porque é um crime.</p>



<p>A verdade é que esta realidade é da conveniência de muitos. A acusação deixa passar as informações que lhe interessam sejam conhecidas, de modo que a “opinião publicada” influencie a opinião pública condenando, antecipadamente, os arguidos. Principalmente aqueles contra os quais não haja provas concludentes da sua culpabilidade.</p>



<p>Isto porque, se o arguido chegar ao Tribunal fragilizado “pela certeza absoluta da sua culpabilidade” por parte dos seus conterrâneos, envenenados durante meses e meses com informações falsas, ou deturpadas, ou incompletas (o que acaba por dar no mesmo) as probabilidades de dali sair absolvido são mínimas.</p>



<p>E nas poucas vezes em que tal acontece continuará a ser, para a imensa maioria da população, culpado (como aconteceu no caso recente do desaparecimento de uma mulher grávida, na Murtosa, com o homem acusado de a ter assassinado apesar de ter sido absolvido por um Tribunal de Júri e pelo Tribunal da Relação).</p>



<p>E porquê? Porque sim. Porque toda a gente sabe o que os jornais, as estações de rádio e os canais de televisão disseram. Porque toda a gente ouviu os ilustres comentadores a garantir essa culpabilidade. Para a comunicação social estas fugas são um maná. O aumento de vendas de jornais e de audiências nas rádios e televisões é, atualmente, para muitos desses órgãos, o grande objectivo. Maior do que escrever textos isentos.</p>



<p>Também por isso, o grande poder em Portugal pertence, hoje, aos representantes da justiça. Os magistrados e autoridades policiais têm mais força e influência do que qualquer político porque este estará, a qualquer momento, sujeito a uma devassa total à sua vida incluindo escutas telefónicas que podem durar anos.</p>



<p>Isso mesmo é reconhecido, e aceite, por todos. Como se prova pelo facto de os magistrados auferirem ordenados muito superiores aos principais políticos do país. É rara a semana em que um destes não seja alvo de ataques, vindos muitas vezes de quem menos esperam.</p>



<p>O mais recente exemplo (ia escrevendo “o último exemplo”, mas corrigi a tempo) é o do actual Ministro da Administração Interna, Dr. Luís Neves, que deixou o cargo de Director-Nacional da Polícia Judiciária, onde tinha feito um trabalho por muitos elogiado.</p>



<p>Acusam-no, poucos meses depois de tomar posse, de tirar proveito da ligação com um empreiteiro (e divulgam gravações telefónicas entre ambos), que teria conseguido dez por cento de todas as obras levadas a cabo por aquela polícia, quando dos seus mandatos, para conseguir, posteriormente, algum proveito em obras numa (ou duas) casa(s) sua(s) num monte alentejano. E colocam em causa a legitimidade nalgumas daquelas empreitadas pagas pela Polícia Judiciária.</p>



<p>Divulgam, agora. Agora que já não é o Director-Nacional da Polícia Judiciária. Agora que é Ministro. Agora que é político. A imensa maioria das pessoas que conheço poem as mãos no fogo pela honestidade e integridade do Dr. Luís Neves. Nem me atrevo a duvidar da mesma. Todavia… o Karma é lixado.</p>



<p>Fosse hoje e talvez tivesse, no seu antigo posto, lutado com mais convicção contra aqueles que beneficiam deste nojo que são as fugas de informação.</p>
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		<title>A SOLIDÃO DOS COMPETENTES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 23:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[TEMPO de PENSAR]]></category>
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		<category><![CDATA[experiênciaprofissional]]></category>
		<category><![CDATA[saber fazer]]></category>
		<category><![CDATA[velhos são os trapos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma sociedade que afasta os seus competentes não os torna menos competentes. Torna-se apenas mais pobre.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao longo da vida, algumas pessoas acumulam conhecimento, experiência, capacidade de análise e sentido de responsabilidade. Aprendem a resolver problemas, a antecipar dificuldades, a tomar decisões em momentos complexos e a assumir consequências. Esse percurso não acontece de um dia para o outro. É construído através de anos de trabalho, de erros corrigidos, de sucessos alcançados e de fracassos superados. Mas existe um momento em que muitos desses homens e mulheres descobrem algo inesperado. Quanto mais sabem, menos são ouvidos. Quanto mais experiência acumulam, menos espaço lhes é concedido para a utilizar.</p>



<p>A sociedade contemporânea valoriza frequentemente a novidade acima da profundidade. O imediato acima do duradouro. A aparência da inovação acima da substância do conhecimento.<br>Quem alerta para os riscos é muitas vezes visto como pessimista. Quem recorda experiências anteriores é acusado de estar preso ao passado. Quem procura ponderação é considerado lento num mundo que vive obcecado pela velocidade.</p>



<p>Muitos profissionais experientes conhecem bem esta realidade. São chamados para cerimónias, homenagens e discursos. Mas raramente são integrados nos processos onde poderiam continuar a contribuir. São respeitados simbolicamente, mas ignorados na prática. É uma forma subtil de exclusão.</p>



<p>A competência continua a ser reconhecida. O problema é que deixou de ser utilizada. E quando isso acontece surge uma sensação difícil de explicar. A pessoa continua capaz. Continua lúcida. Continua disponível. Mas percebe que o seu conhecimento deixou de ser procurado. Não porque tenha perdido valor. Mas porque a sociedade se habituou a procurar respostas rápidas em vez de reflexão aprofundada.</p>



<p>Esta solidão não afeta apenas os mais velhos. Também atinge profissionais de diferentes idades que recusam o facilitismo, que procuram fazer bem o seu trabalho e que mantêm um forte sentido de exigência consigo próprios. Em muitos ambientes, a competência pode tornar-se desconfortável. Porque questiona. Porque exige rigor. Porque desmonta ilusões. Porque lembra que os resultados dependem de esforço, preparação e responsabilidade. Por isso, os competentes encontram-se frequentemente isolados. Não por escolha. Mas porque a mediocridade organizada tende a proteger-se de quem expõe as suas fragilidades.</p>



<p>A história mostra, contudo, que as sociedades avançam graças a pessoas que persistem apesar desse isolamento. Investigadores, professores, médicos, engenheiros, artistas, empresários, trabalhadores anónimos e cidadãos comuns que continuaram a fazer o que acreditavam ser correto, mesmo quando o reconhecimento tardava. A verdadeira competência raramente é ruidosa. Não procura aplausos permanentes. Procura utilidade. Procura contribuir. Procura deixar algo melhor do que encontrou.</p>



<p>Talvez por isso a sociedade tenha o dever de prestar mais atenção aos seus competentes. Não para os transformar em figuras intocáveis.<br>Mas para aproveitar aquilo que sabem. Porque quando os competentes se calam, perde-se mais do que conhecimento. Perde-se discernimento. Perde-se memória. Perde-se capacidade de antecipar erros. Perde-se inteligência coletiva.</p>



<p>Uma sociedade que afasta os seus competentes não os torna menos competentes. Torna-se apenas mais pobre. E talvez uma das grandes tarefas do nosso tempo seja precisamente esta: criar condições para que o conhecimento, a experiência e a competência continuem a ter voz. Porque o futuro constrói-se com inovação. Mas sustenta-se sempre sobre aquilo que os competentes aprenderam antes de nós.</p>



<p><br></p>
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