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	<title>Arquivo de NA OUTRA MARGEM - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de NA OUTRA MARGEM - Duas Linhas</title>
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		<title>ATRÁS DOS TEMPOS OUTROS TEMPOS VIRÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 21:17:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>os ‘sonhos molhados’ de alguns sectores da comunicação social e do comentariado apontam para uma vitória do Chega e André Ventura como primeiro-ministro</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/atras-dos-tempos-outros-tempos-virao/">ATRÁS DOS TEMPOS OUTROS TEMPOS VIRÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Durante 15 dias, o <em>wokismo</em> da direita radical dominou o panorama político, os jornais e as pantalhas. Foram momentos de delírio.  Momentos de uma verborreia infindável, uma alegria incontida. A ‘Nova Ordem’ estaria de regresso.</p>



<p>O entusiamo crescia com a certeza da vitória, na Suécia, do partido conservador aliado ao partido da extrema-direita. Seria a confirmação da onda ultraconservadora que se anuncia, empoderada, na Europa. Com os resultados das eleições na Suécia, ficaram com azia. O partido social-democrata ganhou as eleições e vai regressar ao poder, depois de quatro anos de uma experiência falhada do partido conservador. As notícias sobre esta eleição perderam interesse para os media.</p>



<p>A excitação voltou com a ‘vitória de Pirro’ num outro pequeno estado federado na Alemanha. Uma vitória pequena, mas que mantém o SPD no governo, em coligação com os verdes e outras forças de esquerda. Apesar desta crua realidade, os arautos da ‘nova ordem’ mantêm a narrativa da ‘estrondosa vitória da extrema-direita’.&nbsp;</p>



<p>Para os saudosistas existe outra sondagem que os anima, a que leva Marine Le Pen ao Eliseu. É evidente que não se pode enfiar a cabeça na areia e fingir que não existem condições objectivas e subjectivas para um crescimento das forças radicais de direita, como alternativa aos partidos democratas tradicionais. Mas também é notória a pulsão de direita radical, que anima a generalidade dos donos dos media e uma considerável lista de comentadores políticos. Será que o fazem em defesa das suas opções ideológicas ou por interesse meramente económico? E, quando fazem a propaganda da direita radical, apresentam propostas para os problemas sociais, habitacionais, económicos e securitários da Europa e do nosso País? Claro que não. Porque não possuem soluções e porque não querem.</p>



<p>O único objectivo é criar o caos e alcançar o poder para impor o fim do Estado de Direito e uma autocracia. A única solução que apresentam é a deportação em massa dos emigrantes, sem explicar as consequências que tal terá para a economia.</p>



<p>A verdade é que os problemas existem, são graves e a responsabilidade é de todos os governos e da total incapacidade da Europa para dar resposta a uma questão: como conciliar crescimento económico, necessidade de mão-de-obra numa Europa em declínio demográfico, fluxos migratórios, multiculturalismo, ecumenismo, falta de habitação digna, lucros das empresas e concorrência de algumas das potências que integram os BRICS e que possuem factores de produção bem mais baixos.</p>



<p>Dito isto, admito que não será fácil resolver esta quadratura do círculo. Tem solução? Tem, mas será necessária coragem política e vontade dos cidadãos europeus para entenderem que o mundo mudou, as circunstâncias mudaram, e que é necessário sacrificar algum do bem-estar alcançado nos últimos 70 anos, à custa dos salários baixos dos países do terceiro-mundo. A China lidera o processo de mudança mundial, ancorada num regime autocrático que impede qualquer contestação. A generalidade dos países dos BRICS são regimes autocráticos ou com democracias formais. A alternativa para os cidadãos Europeus será a de perderem o Estado de Direito e o bem-estar económico.</p>



<p>A coragem política dos dirigentes é coisa que não abunda, nem em Portugal, nem, com algumas excepções, na generalidade da Europa. A vontade dos europeus em encararem a realidade muito menos. E, sem coragem e sem vontade para tanto, o resultado será inevitável. Como já escrevi no <em>Duas Linhas</em>, <em>‘</em>chegados aqui, a pergunta clara é esta, os europeus querem uma Europa forte, num Mundo multipolar, um espaço de liberdade e de democracia e um dos vectores e ponto de equilibro desse multipolarismo, ou querem uma Europa autocrática, dividida e refém dos Estados Unidos, num Mundo bipolar, com dois centros de poder, um em Pequim e outro em Washington?’</p>



<p>A escolha não é fácil, uma vez que a Europa atravessa uma forte crise social, económica, moral e cultural, e está dilacerada por pulsões radicais, o que impede um debate com racionalidade e objectividade.</p>



<p>No nosso País, os ‘sonhos molhados’ de alguns sectores da comunicação social e do comentariado apontam para uma vitória do Chega e André Ventura como primeiro-ministro. As entrevistas ao líder daquele partido, em horário nobre, são quase diárias. Em todos os canais televisivos, o espaço noticioso é controlado e dominado pelos adeptos do partido radical de direita e o alinhamento das notícias não é inocente. Até nos programas de entretenimento, em manhãs com o público-alvo da chamada terceira-idade, se acentua um aumento da criminalidade e da violência, como se Portugal vivesse um clima de impunidade sem controlo. A motivação é evidente, causar pânico, acentuar a necessidade de ‘mão de ferro’ e do reforço dos poderes dos órgãos de polícia criminal.</p>



<p>O caminho está a ser feito, aberto à descarada para levar ao poder o Chega e André Ventura. O desastre para o nosso País será tenebroso. Cabe, a quem discorda, chamar os ‘bois pelos nomes’, porque ‘enquanto houver estrada pra andar a gente vai continuar, enquanto houver ventos e marés, a gente não vai parar’.</p>
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		<title>COMIDO DE CEBOLADA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Sep 2026 23:02:46 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Chega apresenta moção de censura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O grande derrotado desta moção de censura foi o Chega</p>
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<p>O grande derrotado desta moção de censura, contrariamente ao que quase todos os comentadores proclamavam, foi o Chega. Vejamos: durante a audição de Luís Neves os deputados daquele partido exibiram a sua total incompetência.</p>



<p>Depois da tradicional palhaçada e do rol da mercearia, em que uma deputada, que mal sabia ler, elencou os crimes da CMTV, incluindo os de violência doméstica, como fundamento para justificar o aumento da criminalidade em resultado da imigração, os deputados perderam o gás e desinteressaram-se da coisa. O número para as televisões já estava feito. Os seus putativos eleitores ficaram satisfeitos e, à tarde, pensavam continuar o circo.</p>



<p>Seguiu-se a discussão da moção de censura e o Chega foi comido de cebolada pelo governo. Do subsídio extraordinário à redução do IRS até ao 6º escalão, Luís Montenegro usou todos os truques para segurar a sua principal base eleitoral, os idosos e a função pública, e esvaziar a moção de censura.</p>



<p>André Ventura aos gritos, completamente desnorteado, foi esmagado por Paulo Rangel, sem dó, nem piedade. Naturalmente, a cena não ficaria completa sem a berraria final.</p>



<p>Num País normal, este seria o princípio do fim do Chega. Lamentavelmente vivemos num País em que a educação regrediu 20 anos e cerca de&nbsp;46 por cento dos adultos, entre os 25 e os 64 anos, situam-se nos níveis mais baixos da literacia.&nbsp;Ou seja, quase metade da população adulta apenas consegue interpretar, compreender e processar textos curtos, simples e lineares.</p>



<p>Uma boa parte da nossa juventude vive no Tik-Tok, campo fértil para a expansão de partidos como o Chega. Esta realidade vai aguentando aquele partido. Sem esquecer uma boa parte do comentário político e comunicacional que dá um forte impulso a André Ventura. As televisões, na véspera do debate da moção de censura, foram inundadas pelos elogios, as proclamações laudatórias da genialidade de André Ventura e a certeza da estrondosa vitória com a apresentação da moção. O falhanço foi total. A incapacidade de análise da realidade, o hábito de andar há anos e anos a construir uma realidade alternativa, sem verem para lá da bolha em que vivem, ficou exposta na passada terça-feira.</p>



<p>A terça-feira, dia 8 de Setembro de 2026, deveria ser lembrada como o momento de viragem na vida pública portuguesa. Podem continuar a manipular tudo, mas uma coisa é certa: o Chega e André Ventura atingiram o seu apogeu e podem ter iniciado a queda.</p>



<p>NOTA: Há meses escrevi que o Chega poderia ocupar o espaço do PSD, rebentar com este partido, sendo o eleitorado que vota na AD dividido entre o PS e o próprio Chega. Foi uma provocação e um alerta para os efeitos da promoção que andavam a dar à extrema-direita, numa vertigem que empurrava muitos para a destruição dos princípios basilares do Estado de Direito. Espero que tenham compreendido que esta gente é o grau zero da política. Se não o compreenderam paciência. Sejam felizes.</p>
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		<title>O ALVO, O RATO E A RATOEIRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Sep 2026 23:00:22 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Luís Neves]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A destruição do titular do Ministério da Administração Interna</p>
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<p>Sem querer alimentar a questão de Luís Neves, importa tentar entender as motivações que animam algumas ‘almas’, umas bem-intencionadas, outras ingénuas e ainda outras mal-intencionadas, a alinhar na destruição pessoal do titular do Ministério da Administração Interna, bem como na reputação da Polícia Judiciária.</p>



<p>Luís Neves, para o bem e para o mal, está ligado, nos últimos 15 anos, ao combate à criminalidade violenta. Liderou, igualmente, o combate às forças radicais de direita em Portugal. E, num ambiente político em que se acentua uma viragem para a direita radical, alguma comunicação social dá acolhimento a essa mudança. O ministro seria, sempre, um dos alvos a abater, mesmo que tivesse continuado na PJ. O outro alvo seria a própria Instituição. Acresce que o ex-director Nacional da Judiciária teve o ‘descaramento’ de contradizer as posições do Chega e da comunicação social populista quanto à criminalidade derivada do aumento da imigração. E esta posição é-lhe fatal. Ao aceitar ser ministro, meteu a cabeça no cepo. Recordemos a reacção de Passos Coelho à nomeação de Luís Neves, coincidente com o ataque de André Ventura. Sem esquecer a tentativa de colagem ao Partido Socialista que foi alvitrada.</p>



<p>Luís Neves, que até tinha uma ‘boa imprensa’, falhou estrondosamente, diante da pressão mediática a que, até ser ministro, não estava sujeito. É claro que cometeu erros e teve comportamentos que merecem censura, cuja legalidade está a ser apurada. Mas o essencial do ataque passa por dois vectores: a ambição de controlar a Instituição por parte da direita radical e impedir que se saiba que o assalto ao gabinete de André Ventura foi uma patranha e um ataque ao Estado de Direito Democrático.</p>



<p>O Chega e os seus amigos já conseguiram retirar da agenda o assalto. Agora querem que a investigação fique escondida. Luís Neves desafiou Ventura para um duelo às <em>Las cinco de la tarde en punto</em> e voltou a errar. Ou, quem sabe, tudo se insere numa estratégia de Luís Montenegro para obrigar o Chega a apresentar a moção de censura e, após o chumbo da mesma, a AD vitimizar-se e tentar a mesma jogada ‘spinumviva’, que lhe permitiu ganhar as últimas eleições. &nbsp;</p>



<p>Este desafio a Ventura, poder-se-ia chamar de estratégia de ‘meter o rato na ratoeira’, para o aniquilar. Montenegro conta com a lassidão dos eleitores portugueses quanto a fenómenos de corrupção e de falhas éticas. E anseia por uma maioria absoluta, precisa dela para continuar a desmantelar o SNS, para entregar a segurança social aos seus financiadores e para controlar todas as situações complexas que envolvem outos membros do governo. Na verdade, precisa dessa maioria para sobreviver. Luís Neves aceitou, por algum motivo, ser usado como alvo de André Ventura. Aceitou ser a ratoeira para entalar o Chega, que caiu nela. Alguma comunicação social e as redes sociais chacinaram Luís Neves violentamente. O Chega, como se esperava, apresentou uma moção de censura ao governo, sabendo que não será aprovada.</p>



<p>A AD ensaia a estratégia de vitimização, a mesma de há um ano, acreditando que obterá a tão desejada maioria absoluta, num quadro de anormal funcionamento das instituições. Irá, pois, avançar com a impossibilidade de governar nestas condições, com a tese das forças de bloqueio e com a necessidade de se legitimar para continuar a ‘obra feita’.&nbsp; Aposta tudo, como se a política fosse um casino, em rebentar com o Chega e recuperar o eleitorado que votou em Ventura. Aposta que o Presidente da República opte pela dissolução da Assembleia da República, num quadro de crise e lhe ofereça o <em>jackpot</em> das eleições antecipadas. Mas, tal como nos jogos da sorte e de azar, por vezes, na maior parte das vezes, o azar bate à porta.</p>



<p>Tranquilamente, António José Seguro, em Belém, gere a crise com um enorme silêncio. Como escreveu Artur Portela Filho, e cito de cor, ‘se um dia o governo de Balsemão cair, iremos ver a sombra de Marcelo Rebelo de Sousa (à data Ministro dos Assunto Parlamentares) a pairar em São Bento e a dar uma enorme gargalhada’. António José Seguro, limitar-se-á, a sorrir e a preparar o caminho para o próximo governo.</p>
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		<title>OVAS DE BACALHAU OU CAVIAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 09:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[corporativismo ou meritocracia]]></category>
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		<category><![CDATA[verdadeiro ou falso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cozinhar ovas de bacalhau e fazê-las passar por caviar.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A questão, afinal, não está em saber se uma coisa pode ocupar o lugar de outra, está em perceber se essa substituição altera a substância ou se apenas troca a aparência, mantendo a lógica de fundo.</p>



<p>É essa a tese que aqui importa analisar: após o 25 de Abril, surgiram novos personagens na cena política. Entre esses personagens tivemos o exemplo claro do conceito de caviar em política: qualidade, pensamento, cultura, coragem.</p>



<p>A metáfora culinária permite, assim, formular uma pergunta: quando se troca o nome do ingrediente, muda-se também a receita? A teoria da substituição é aplicável à política?</p>



<p>Com a Revolução do 25 de Abril, parte da classe política do regime derrubado não desapareceu: reposicionou-se, adaptou o discurso e diluiu-se pelos diversos partidos. A mudança de embalagem partidária não implicou, por si só, uma ruptura total com os hábitos, os interesses e os mecanismos de influência que já estruturavam o poder.</p>



<p>Pelo contrário, conseguiu-se assegurar que o corporativismo, pedra basilar do Estado Novo, tivesse continuidade com uma concepção diferente, mas estruturalmente semelhante. Esse conceito foi assimilado pela nova classe política como uma forma de corporação solidária, independente da ligação partidária, à qual só ascendiam os escolhidos.</p>



<p>Com excepção do período posterior ao 25 de Abril, marcado pela consolidação dos partidos políticos, a ascensão política iniciou-se nas juventudes partidárias, que abriam caminho até ao topo da pirâmide. A meritocracia foi liminarmente afastada da vida política e o caviar foi desaparecendo.</p>



<p>A integração deste conceito estrutural do anterior regime na nova ordem política terá sido um dos maiores erros da Revolução dos Cravos: os militares e os partidos políticos que se instalaram no País não conseguiram cortar a ligação umbilical entre a democracia nascente, o corporativismo e o sistema político-administrativo que diziam ter derrubado. E as ovas de bacalhau foram crescendo, substituindo o caviar.</p>



<p>O corporativismo permaneceu como cimento invisível do novo regime e permitiu que uma nova elite controlasse o Estado, à medida que a democracia se consolidava.</p>



<p>Os detentores da superestrutura do Estado passaram a assumir-se como caviar, apesar de, na sua maioria, não passarem de ovas de bacalhau. Esta é a desgraça deste País, como escrevia Sebastião da Gama: “Meu país desgraçado! &#8230; E no entanto há Sol a cada canto e não há Mar tão lindo noutro lado”.</p>



<p>Um País perdido no passado e longe de um futuro que nunca terá, apenas por um motivo, a total incapacidade de transformar ovas de bacalhau em caviar. A festa do PSD, no fim-de-semana no Pontal, foi o espelho da incapacidade de, em tempo algum, cozinhar ovas de bacalhau e fazê-las passar por caviar.</p>
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		<title>A EMPREGADA DA LIMPEZA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 10:24:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[gabinete de André Ventura vandalizado]]></category>
		<category><![CDATA[segurança na Assembleia da República]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maldita empregada da limpeza, maldito proletariado que já estava quase convencido a votar nele.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na loucura do dia-a-dia em que vivemos, entre a guerra na Ucrânia, a guerra no Médio Oriente e outras crises, nunca pensámos que Portugal voltasse a ser o lugar de um novo sinal da Virgem Maria para o Mundo. Mas, naquele dia, aconteceu o que ficará marcado, para sempre, no historial da Wikipédia do Palácio de São Bento.</p>



<p>Vejamos os factos: na madrugada de 28 de Julho, um ser misterioso, esvoaçava pelos largos corredores do Palácio. E, tal como Augusto Gil, o guardião-mor do Palácio, um frade beneditino que de noite vigiava o velho Mosteiro interrogou-se<em>: “Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente, e a chuva não bate assim… É talvez a ventania, mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia<br>dos pinheiros do caminho”.</em></p>



<p>A noite era tropical, seca, serena e quente. Nada bulia e, ao ouvir o barulho, o frade perguntou: Quem és tu? Ninguém! foi a resposta. Erros meus, má fortuna, era a empregada da limpeza que iniciava a sua jorna. Com ela não contavam os criadores do milagre de São Bento.</p>



<p>Por azar dos Távoras, iniciou a sua função pelo gabinete do deputado André Ventura cuja porta estava aberta e não trancada, como era comum, e deparou-se com papéis espalhados pelo chão, sem sentido. Chamou de imediato a segurança que procedeu ao isolamento do local e foi feita a comunicação à Polícia Judiciária.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="680" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-1024x680.jpg" alt="" class="wp-image-50642" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-1024x680.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-300x199.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-768x510.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-696x462.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-1068x709.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4.jpg 1074w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gabinete do deputado Ventura &#8220;desarrumado&#8221;, imagens partilhadas das redes sociais</figcaption></figure>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="682" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-50643" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-1024x682.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-1068x711.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2.jpg 1072w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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<p>Pelas 7:00 entrou o deputado Francisco Gomes. Bom dia, o que se passa? Houve um assalto no gabinete do deputado André Ventura! O que faz por aqui a esta hora? Vinha fazer um <em>tik-tok</em>. Os seguranças ficaram estupefactos, mas nem comentaram.</p>



<p>O deputado afastou-se, retirou um telemóvel descartável da algibeira e fez uma chamada: a empregada da limpeza veio mais cedo e deu o alerta. Mas ela não começava às 7:30? Perguntaram do outro lado. Sim, mas hoje veio mais cedo, estamos tramados. E a moldura estava bem? Sim, tudo certo. Bem, deixa-me pensar e não voltes a ligar.</p>



<p>A Polícia Judiciária entrou no gabinete para efectuar a perícia e uma das imagens que espantou os agentes foi a da moldura de Nossa Senhora de Fátima, no chão, incólume, com um crucifixo cuidadosamente colocado sobre o vidro.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-50644" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-1024x683.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3.jpg 1069w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8221; um novo sinal da Virgem Maria para o Mundo&#8221;, imagem partilhada das redes sociais</figcaption></figure></div>


<p>No meio da tempestade de papéis, a moldura e o crucifixo estavam intactos. Milagre! Gritou a empregada de limpeza que tinha ficado por ali. Só pode ser milagre. O deputado Francisco Gomes ajoelhou-se e exclamou ‘o milagre de São Bento’, vai já para o <em>tik-tok</em>.</p>



<p>Entretanto, a trama adensa-se. A notícia correu célere e o criador de factos recebeu um telefonema de um dos patrocinadores. O que se passa? Está tudo controlado, a empregada da limpeza começou a trabalhar antes da hora prevista, mas está tudo controlado. Vê lá o que arranjas, se isto correr mal temos de encontrar uma alternativa para ti, precisamos de controlar a arraia-miúda enquanto é tempo.</p>



<p>O criador dos factos alternativos telefonou a alguns amigos que o projectavam nos <em>media</em>, aos comentadores próximos do partido e depois marcou a sua declaração política. Tinha de seguir em frente, sabia que se falhasse os patrocinadores não lhe perdoariam e seria substituído sem dó, nem piedade. Eles queriam que ele acabasse com o partido do governo e desse cabo do outro partido da oposição. E o criador de factos alternativos tinha garantido que conseguiria os dois objectivos. Por causa da empregada da limpeza tudo correu mal e agora não sabia como descalçar essa bota.</p>



<p>Todos os momentos seguintes à declaração que fez foram confrangedores. O desastre da operação ‘vandalismo na madrugada’ era evidente. Percebeu que a sua carreira de manipulador da verdade poderia estar a acabar. Os dias subsequentes foram ainda mais demolidores com deputados que queriam o seu lugar a exigir explicações. Os patrocinadores, inquietos, não o largavam. Só se lembrava da conhecia frase de Lenine, ‘O que fazer?’ Maldita empregada da limpeza, maldito proletariado que já estava quase convencido a votar nele.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/a-empregada-da-limpeza/">A EMPREGADA DA LIMPEZA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 23:10:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Estado da Nação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O último debate sobre o Estado da Nação foi confrangedor.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-debate-sobre-o-estado-da-nacao/">O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O País era governado pela segunda maioria absoluta do PSD, sendo primeiro-ministro Cavaco Silva. Alguns dirigentes daquele partido entendiam que era necessário dar um forte impulso à liderança e à imagem do governo. Pacheco Pereira, segundo consta, terá sugerido a criação do debate sobre o Estado da Nação. Pretendia dar-se uma imagem diferente da tradicional austeridade de Cavaco Silva. Simultaneamente, o primeiro-ministro, no final da sessão legislativa, elencaria os feitos de um ano de trabalho e perspetivava o novo ano político. A ideia de Pacheco Pereira, era criar um momento semelhante ao <em>discurso do trono</em>, do Parlamento do Reino Unido.</p>



<p>De acordo com a letra da Lei, já na versão actual, o debate sobre o Estado da Nação na&nbsp;Assembleia da República&nbsp;tem como objetivos principais:&nbsp;<strong>prestar contas </strong>sobre a acção governativa,&nbsp;<strong>avaliar</strong>&nbsp;as políticas públicas e os resultados económicos,&nbsp;<strong>discutir</strong>&nbsp;os desafios do país e&nbsp;<strong>definir </strong>prioridades para o futuro.</p>



<p>A verdade é que, por falta de cultura democrática e de tradição, nunca os objectivos foram cumpridos e, ao longo dos anos, foi-se degradando e perdeu, por completo, o fim que se pretendia alcançar.</p>



<p>A responsabilidade pelo falhanço cabe aos governos e aos partidos da oposição que, por oportunismo político, na procura de um <em>sound bite</em> para a época estival, nunca entenderam o alcance desta iniciativa, rapidamente transformado num debate quinzenal, igual a tantos outros.</p>



<p>E chegámos ao último debate sobre o Estado da Nação, que foi confrangedor.</p>



<p>O governo e os partidos da oposição entretiveram-se a discutir a incompetência do ministro da Educação e as trapalhadas da Administração Interna. O debate foi um repositório de insultos, sem qualquer proposta para o País. &nbsp;O confronto apenas teve por objectivo obter alguns ganhos políticos para alimentar os media e as redes socias.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1024x576.png" alt="" class="wp-image-50435" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ministro da Educação</figcaption></figure></div></div>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1024x576.png" alt="" class="wp-image-50436" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ministro da Administração Interna</figcaption></figure></div></div>
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<p>A incompetência do ministro da Educação deve ser escrutinada, as trapalhadas que envolveram o ministro da Administração Interna, que tem o pecado original de afrontar os sectores mais radicais da política portuguesa, devem igualmente ser escrutinadas. Mas, para isso, existem os mecanismos próprios, previstos no Regimento da AR. Usar aquele tempo no Parlamento para discutir aqueles dois temas, sem a preocupação de fazer a autópsia do cadáver ambulante em que se transformou este governo, é uma perda de tempo. O debate sobre o Estado da Nação é mais do que isto. E, enquanto os partidos não entenderem esta realidade, a democracia sai prejudicada.</p>
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		<title>REFLEXÕES SOBRE A (in)JUSTIÇA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 23:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que é a Justiça dos homens? Quanto à justiça divina, sabemos que a mesma existe para quem acredita e tem a fé suficiente para interiorizar que, numa outra dimensão, será, sempre, feita.</p>



<p>O pior é com a Justiça dos homens, até porque ela é feita por homens, algumas vezes com o desvario de estarem ungidos do poder divino de aplicar na Terra o que Deus aplica no Céu.</p>



<p>E esses homens que governam e aplicam a Justiça, que nunca erram, que se deitam sem dúvidas existenciais quanto à sua actuação em defesa da sociedade, quando chegarem lá, onde todos nós, quer acreditemos, quer não, teremos de pagar a conta final, qual será o seu saldo? Terão um saldo credor ou devedor?</p>



<p>Quando o Mundo atravessa uma crise de valores tão profunda, em que a vida humana deixou de ter qualquer significado, não será tempo de parar para pensar qual a essência que se deve proteger? A vida ou o património? Os valores que podem fazer renascer a sociedade, potenciar um desenvolvimento harmonioso dos nossos jovens ou os bens materiais? Será justa uma lei que privilegia o património à vida, ou que lhe dá a mesma relevância?</p>



<p>Já pensaram porque é que aumentou a violência nas escolas? Porque é que os crimes violentos, típicos de uma sociedade desenraizada, como a dos Estados Unidos, se transportam para a ‘velha Europa’, a tal de uma cultura secular?</p>



<p>Quem tem a culpa desta situação? Serão os pais? Os governantes? Os detentores do poder económico? Os detentores do poder judicial?</p>



<p>Qual a solução? Entregar o poder aos magistrados, como aplicadores e garantes da Lei? E quem é que passaria a fazer as leis?</p>



<p>Será que o poder corrompe? E a impunidade? E a impunidade total? Vejam o que se passou no Campeonato do Mundo dos Estados Unidos com a impunidade da despenalização de um jogador a pedido de Trump. E a irresponsabilidade é um valor ou uma forma de exercício do poder total?</p>



<p>Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?</p>



<p>A resposta para todas estas questões pode não ser politicamente correcta e, essencialmente, desagradar às corporações de interesses que se instalaram no Estado e que não vivem preocupadas com os cidadãos, mas tão somente com os seus mesquinhos poderes fácticos.</p>



<p>Eu, por mim, confesso que não sei se vale a pena encontrar essas respostas.</p>
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		<title>VOLTEMOS AO BÁSICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 00:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
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		<category><![CDATA[imigração em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[lei da imigração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/voltemos-ao-basico/">VOLTEMOS AO BÁSICO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Portugal, a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD. Veja-se a intervenção do novo porta-voz do PSD, um dos elementos radicais mais próximo do Chega, na senda de um populismo sem freio. Sebastião Bugalho disse que o PSD “quer chamar ao Parlamento os governantes do PS responsáveis pela entrada desenfreada de migrantes”.</p>



<p>E a desorientação do PSD deriva da correcção do PIB, na sequência dos dados do INE, quanto à população residente em Portugal, uma vez que, com o aumento do número de habitantes, a riqueza <em>per capita</em> baixa e comprova-se que o crescimento económico do nosso País, apesar do contributo dos migrantes, não é o que o governo <em>apregoava. </em>Comprova-se, pois, que as opções tomadas de política económica são profundamente erradas. Fica, com esta redução, demonstrado que não crescemos em relação à média europeia e existe uma forte redução do investimento empresarial e público.</p>



<p>Em contraciclo destas posições radicais, o Fórum BCE, que reuniu em Sintra, vem dizer que os picos de imigração e políticas mais abertas têm impacto positivo na economia.</p>



<p>Por tudo isto, talvez tenha chegado o tempo de dizer ‘basta’. De dizer que não há cidadãos de primeira, os puros e imaculados, e os de segunda. Os puros, mas que anseiam por pecar, estão cada vez mais sequiosos de mergulhar nesse lado das trevas, que eles criaram para exorcizar os seus próprios fantasmas. Por isso, é primordial voltar aos princípios, <em>back to basics</em>, reconquistar a sociedade, os cidadãos e motivá-los. Revejam <em>Casablanca</em>. É tudo tão simples. Rick e Ilsa ainda tinham Paris. Nós, qualquer dia, não temos memória do passado, nem ideia do presente.</p>
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		<title>O ORIGINAL E A CÓPIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/06/o-original-e-a-copia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 17:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Chega e PSD]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento da extrema-direita em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>AD radicaliza o seu discurso na tentativa de ocupar o espaço do Chega.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/o-original-e-a-copia/">O ORIGINAL E A CÓPIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ventura foi candidato autárquico pelo PSD à Câmara de Loures, descobrindo, nessa candidatura, um ‘nicho de mercado eleitoral’, o ódio contra os ciganos, que levou o CDS, de Assunção Cristas a abandonar a coligação CDS/PSD, mas que mereceu o apoio do seu protector e mentor, Passos Coelho.</p>



<p>Com a saída daquele da liderança do PSD, André Ventura lançou-se por conta própria, juntou os restos do MDLP, um movimento de direita radical, responsável por diversos atentados bombistas, após o 25 de Abril, o lixo do PSD e do CDS, uns milhares de descontentes pertencentes ao lúmpen-proletariado e criou o Chega.</p>



<p>Com o apoio de um grupo de empresários, que odeiam a democracia, e com a conivência de alguns sectores da comunicação social, foi ganhando notoriedade, sem qualquer ideia para o País, mas na gritaria permanente, típica dos debates televisivos do comentário futebolístico, ao nível da tasca, mas que encantam uma boa parte do eleitorado português.</p>



<p>Desde a criação do Chega até aos dias de hoje, tivemos quatro eleições legislativas, num quadro de crise económica global, derivada da pandemia e da guerra na Ucrânia, a par de um clima de suspeição em relação aos políticos, o que alargou o espectro dos apoiantes do Chega, tendo como resultado o seu crescimento eleitoral, traduzido num grupo parlamentar de 60 deputados. Curiosamente, as autárquicas não reflectiram este crescimento, o que deriva das especificidades destas eleições.</p>



<p>A AD ganhou as eleições legislativas de 2024 e 2025, formou um governo minoritário e tem vindo a radicalizar o seu discurso, ultramontano, numa tentativa de ocupar o espaço do Chega, na direita radical, na ilusão de que a cópia pode derrotar o original. Nada de mais errado.</p>



<p>Como escreveu António Barreto, ‘o bom governo exige tempo e serenidade, não sofreguidão e artimanha. Os arranjinhos poderão disfarçar o inevitável, mas não conseguirão evitá-lo (<em>in</em> Público 13/6/2026).<br>O que o governo está a fazer é a lançar o País no abismo, no radicalismo, no confronto, na ânsia de novas eleições que permitam à AD uma maioria absoluta. Os dirigentes do PSD, e não refiro o CDS que é uma caricatura de partido, ainda não perceberam o que está a acontecer. O resvalar do PSD para a direta radical, disputando o espaço com o Chega, apenas vai fortalecer este partido e ajudar à trânsfuga de apoiantes, militantes e quadros para a direita radical e original. Se até aqui saíram, principalmente, segundas linhas do PSD para o Chega, bem como alguns quadros que não conseguiam sair da sombra e encontraram na direita radical o porto de abrigo para alcançarem os seus objectivos, com a proximidade do poder haverá outras deslocações que irão esvaziar o PSD. </p>



<p>Entre um partido sem convicções, a navegar ao sabor de uma prática errática, que atira borda-fora o património político dos fundadores do PPD, que era o cimento de ligação das diversas faccões, com o único fim de subsistir na ‘grade farra’ do Orçamento do Estado, e um partido populista, demagógico, agregador dos descamisados e dos ressabiados, a escolha da maior parte dos eleitores é clara, como temos  assistido na Europa, optam pelo original, pelo mais radical e demagógico, porque não têm nada a perder, sem se aperceberem que estão a defender os interesses de grandes grupos económicos. </p>



<p>O que está a acontecer é a aplicação prática da teoria da substituição política, em que o Chega vai substituir o PSD. Contrariamente à tese de Miguel Para Roque, de que o PSD é barriga de aluguer do Chega, o que se passa é que o partido dito social-democrata está a esvaziar-se para o partido de direita radical, nos princípios e a ser sugado dos seus militantes e eleitores.</p>



<p>O esgotamento do PSD pode ser inevitável, tendo como consequência o regresso à bipolarização entre o Chega e PS.</p>



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		<title>REGRESSO AO PASSADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 23:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>os novos proletários nascidos da revolução tecnológica</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/regresso-ao-passado/">REGRESSO AO PASSADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Hoje, no século XXI, num Mundo em transformação tecnológica, em que o desemprego na classe média – trabalhadores qualificados –, irá, inevitavelmente, aumentar. Por força do recurso, crescente, à IA regressam os conceitos de colaborador das empresas e do capital, como se o conceito trabalhador fosse um anátema e um obstáculo ao desenvolvimento económico das empresas e dos Países.</p>



<p>Por outro lado, inversamente ao desemprego entre os trabalhadores qualificados, os trabalhadores indiferenciados poderão ter um acréscimo de emprego, uma vez que, no emprego indiferenciado, a IA não terá qualquer interferência.</p>



<p>Neste quadro, complexo, podemos assistir a uma inversão económica do conceito de classe média, que deixa de ser preenchida por trabalhadores qualificados – os novos proletários nascidos da revolução tecnológica – &nbsp;e passa a ser preenchida por trabalhadores indiferenciados. Alguns defensores do regresso ao passado, ao fim da luta de classes e do papel dos sindicatos na defesa dos direitos dos trabalhadores, tentam reintroduzir o conceito de colaboradores, em substituição do de trabalhadores e a ideia de que todos eles, os colaboradores e as entidades patronais, convergem no mesmo sentido, ou seja, para o crescimento dos lucros das empresas, numa ‘saudável harmonia’, sem confronto e sem divergência e interesses, em nome da nação, para a realização ‘do máximo de produção e riqueza socialmente útil e estabelecer uma vida colectiva de que resulte poderio para o Estado’ (artigo 2º do Estatuto do Trabalho Nacional). Estes neocorporativistas defendem a ideologia estruturante do anterior regime, decalcada do corporativismo italiano criado por Benito Mussolini.</p>



<p>De forma evidente, este retorno a uma ideologia corporativa, fortemente antiliberal e antiparlamentar, com uma intensa intervenção do Estado, autocrático e musculado, está a crescer numa Europa desestruturada e em que se vão perdendo valores e o comodismo de muitos dos eleitores é a tónica dominante. A Europa não possui dirigentes políticos respeitáveis, os cidadãos sentem-se abandonados, a crise social é uma realidade e tudo isto se transforma num caldo cultural que abre caminho a estas pulsões autoritárias.</p>



<p>Talvez por isso, Vitor Gaspar, o ex-ministro das Finanças de Passos Coelho, veio dizer, sem pudor: ‘Há uma direita aproximando-se do padrão vigente pela Europa. Portugal abandonou a situação anormal criada pelos dias madrugadores de Abril’ (<em>in</em> Expresso, 05/06/2026). Nesta declaração está tudo dito, a raiva contra a democracia e a defesa desta nova direita neocorporativa. A partir daqui confirma-se que as alterações à Legislação Laboral são parte de um projecto ideológico de mudança de regime e compreende-se a defesa de conceitos do século passado quanto às relações laborais.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="885" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-885x1024.png" alt="" class="wp-image-49765" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-885x1024.png 885w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-259x300.png 259w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-768x889.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-696x806.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber.png 933w" sizes="auto, (max-width: 885px) 100vw, 885px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/regresso-ao-passado/">REGRESSO AO PASSADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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