<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de HISTÓRIAS... - Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/historias/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/historias/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Nov 2026 22:31:09 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.11</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de HISTÓRIAS... - Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/historias/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>A NOZ</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/11/a-noz/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/11/a-noz/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2026 10:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Birre]]></category>
		<category><![CDATA[comer nozes]]></category>
		<category><![CDATA[nogueira]]></category>
		<category><![CDATA[noz]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=52236</guid>

					<description><![CDATA[<p>Achava estranho como daquelas bolas verdes, tão redondinhas e lisas, vinham depois a sair nozes de casca castanha, rugosa e rija.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/11/a-noz/">A NOZ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Admirava-a. Nunca vira uma árvore tão grande, não em altura, mas em corpo, dir-se-ia. Uma copa enorme.  E eu gostava de a ver carregada. Achava estranho como daquelas bolas verdes, tão redondinhas e lisas, vinham depois a sair nozes de casca castanha, rugosa e rija. Ficava com inveja &#8211; era moço pequeno, de 7, 8 anos… – do Ti Silvino Capelas ter uma nogueira assim. Creio que nunca me deu uma noz da sua nogueira gigante. Também eu tinha vergonha de lha pedir.</p>



<p>Hoje, em seu lugar, à entrada de Birre, há um daqueles prontos-a-comer rápidos, com fruta bem diferentes. Fica num baixo, por onde (lembro-me bem!) corria no inverno uma ribeira, que ia dar lá abaixo ao Rio dos Mochos. E, do outro lado da estrada para a Torre, havia a eira dos Calçà-botas…</p>



<p>O Birre saloio d’outrora que inevitavelmente me ocorre, sempre que me lembro de, antes do almoço, ir ao cesto buscar duas ou três nozes. Dizem que faz bem em jeito de aperitivo: “aumenta a proteção cardiovascular, contribui para a melhoria da função cerebral e o controlo do açúcar no sangue”&#8230;</p>



<p>Agrada-me procurar o melhor jeito de a partir. Quebra-nozes deste lado. Resiste. Rolo-a devagar, numa voluptuosa carícia quase, qual convite a deixar-se romper, a brindar-me com aquele estalo seco, doloroso. Cede agora à violência do aperto. Há, porém, que apanhar-lhe o jeito para meigamente nos oferecer o saboreio do miolo.</p>



<p>Guardo religiosamente uma rolha de garrafa de vinho onde está escrito <strong>FEITO DEVAGAR </strong><em>NO ALENTEJO</em>. E lembro-me sempre desta frase, ao descascar a noz. Tem de ser devagar, &nbsp;sobretudo se se quiser admirar, depois, pelo menos uma das metades inteirinha, ciosa das suas circunvoluções.</p>



<p>Desta vez não resisti e depositei-a no granito negro do poial para uma fotografia. Assim. No intrincado das suas rugosidades. Que bem encaixadas elas estavam, a aproveitar ao milímetro o espaço disponível!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-1024x576.png" alt="" class="wp-image-52239" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/partir-noz.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Admiro as romãs, cujos grãos tão harmoniosamente se encostam uns aos outros, naqueles que imaginaríamos serem lençóis de seda. Na noz, os lençóis são mais rijos. Aliás, tudo ali regurgita força e trincar o miolo é uma conquista, após se haverem derrubado à força as agrestes muralhas do castelo.</p>



<p>A meio da manhã, comera um abrunho. Nada que se compare à noz: o seu prazer é refrescar-nos com doçura. Nem o pelei – que dá gosto o contraste entre a relativa rijeza da pele e o carácter sumarento do seu corpo.</p>



<p>Que diversidade de formas e de sabores! Quanta sabedoria ali plasmada, sedenta quiçá da nossa contemplação, pois que, na quotidiana correria, mal saboreamos a fresca macieza do abrunho e – muito menos! – nos quedamos admirar a sapiente forma como o miolo da noz milagrosamente consegue aconchegar-se nos difíceis meandros que a rija casca lhes reserva. Eloquência divina!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="388" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-1024x388.png" alt="" class="wp-image-52241" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-1024x388.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-300x114.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-768x291.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-1536x582.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-696x264.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-1392x528.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-1068x405.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes-1320x501.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/11/nozes.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/11/a-noz/">A NOZ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/11/a-noz/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">52236</post-id>	</item>
		<item>
		<title>INCURSÕES</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/10/incursoes/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/10/incursoes/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2026 10:00:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Alte]]></category>
		<category><![CDATA[o interior de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[serra algarvia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=52029</guid>

					<description><![CDATA[<p>Chegámos a Alte, sede de freguesia do concelho de Loulé.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/incursoes/">INCURSÕES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Inesperadamente, o motorista:</p>



<p>– Vamos, então, sair daqui!</p>



<p>Deixámos a autoestrada e os 45 minutos seguintes foram um percurso, com guia ‘turístico’, a explicar-me singularidades das aldeias por onde passávamos.</p>



<p>Chegámos a Alte, sede de freguesia do concelho de Loulé. De Alte só me lembrava daquela frase do corridinho dançado pelo Grupo Folclórico da Casa do Povo: «Tem cuidado com a moça, não bata com o cu no chão!» – &nbsp;a azougada malícia brejeira típica das gentes do Barrocal Algarvio…</p>



<p>O que me encantou, porém, porque surpreendente, foram as Fontes, a Grande e a Pequena, com as suas piscinas de água límpida corrente. Quem diria, em pleno coração da Serra Algarvia? Nunca de tal ouvira sequer falar nem da enorme Bandeira de Portugal pintada na encosta. Evoco a inesperada sensação agradável perante uma paisagem algarvia, mas essa mesma sensação estou a sentir amiúde, ao ver séries televisivas como a Repovoadores, a mostrar-nos o que de melhor – e muito é! – com que o interior do País nos pode presentear. Do Norte ao Sul.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="580" height="769" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/chafariz.jpg" alt="" class="wp-image-52036" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/chafariz.jpg 580w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/chafariz-226x300.jpg 226w" sizes="(max-width: 580px) 100vw, 580px" /><figcaption class="wp-element-caption">Chafariz de S. António na Fonte Pequena</figcaption></figure></div>


<p>Também me falou, o motorista, de Pedralva, no concelho algarvio de Vila do Bispo, experiência ímpar levada a cabo por universitários que arriscaram inovar; mas quantas outras iniciativas, de elevado merecimento, há por esse País afora?</p>



<p>Também à imprensa local e regional compete mostrar que setembro não deve ser apenas o mês de rememorar férias passadas na estranja; importa que volte a ser, cada vez mais, o reportório bem nosso do que muito nos honra e cumpre divulgar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="380" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-1024x380.jpg" alt="" class="wp-image-52033" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-1024x380.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-300x111.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-768x285.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-1536x570.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-696x258.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-1392x517.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-1068x396.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros-1320x490.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/laranjais-e-abacateiros.jpg 1582w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Laranjais e plantações de abacate pela encosta além…</figcaption></figure></div>


<p>Acolá, a par dos tradicionais laranjais, vicejam agora as plantações de abacate; aqui, até se logrou recuperar o forno comunitário e cozer o pão à moda tradicional. Os acepipes próprios e tradicionais de cada região identificados com palavras portuguesas. A responsabilidade maior dos cronistas locais a inspirarem-se no que é nosso, com palavras nossas. Cobre degraus de escadaria, em Fontes (Alte), o soneto do poeta altense Cândido Guerreiro, que termina assim:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="615" height="706" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/soneto.jpg" alt="" class="wp-image-52030" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/soneto.jpg 615w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/soneto-261x300.jpg 261w" sizes="auto, (max-width: 615px) 100vw, 615px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p></p>



<p></p>



<p></p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;E vejo a fonte-grande, o sítio lindo </p>



<p class="has-text-align-center">onde eu compuz os meus primeiros versos </p>



<p class="has-text-align-center">e de que o povo conta ingénuas lendas. </p>



<p class="has-text-align-center">Janeiro. As amendoeiras vão florindo…   </p>



<p class="has-text-align-center">Da Serra até ao mar fluem, dispersos,  </p>



<p class="has-text-align-center">Sonhos, noivas, luar e espúmeas rendas…&#8221;</p>
</div>
</div>



<p>Completam estes versos as quadras exaradas no tampo da mesa do António Aleixo, na esplanada do Calcinha em Loulé. Uma delas:</p>



<pre class="wp-block-verse">O homem sonha acordado;<br>Sonhando a vida percorre…<br>E desse sonho dourado<br>Só acorda quando morre!</pre>



<p>O país, de Norte a Sul, do Litoral para o Interior. Riqueza a potenciar. Uma fuga que importa prosseguir. Por uma descentralização cada vez menos deserta!</p>



<p>Aquele moinho outrora de muito bom trigo e de onde também saía farinha para bem nutritivo pão de rolão, esventrado agora e poiso desviante, quanto não daria para, ali alcandorado, ser ponto de outro poiso obrigatório a desfrutar da paisagem, na dolência do pôr-do-sol!&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="821" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-1024x821.jpg" alt="" class="wp-image-52032" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-1024x821.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-300x241.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-768x616.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-696x558.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-1392x1116.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-1068x856.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho-1320x1058.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/O-moinho.jpg 1473w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/incursoes/">INCURSÕES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/10/incursoes/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">52029</post-id>	</item>
		<item>
		<title>UM MOMENTO IRREPETÍVEL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/10/um-momento-irrepetivel/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/10/um-momento-irrepetivel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 08:12:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Auditório Senhora da Boa Nova – São João do Estoril]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem a Piñeiro Nagy]]></category>
		<category><![CDATA[música clássica]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=52060</guid>

					<description><![CDATA[<p>O concerto de homenagem a José António Piñeiro Nagy encheu-nos as medidas, lavou-nos a alma.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/um-momento-irrepetivel/">UM MOMENTO IRREPETÍVEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Somos, amiúde, avessos a usar lugares-comuns, porque sabemos como despidos andam do seu significado próprio. Ouso, porém, usar um deles: saímos «de alma lavada». Na verdade, essa foi, sem dúvida, a agradável sensação de quantos lotaram o Auditório Senhora da Boa Nova, na Galiza – São João do Estoril, no final da tarde de domingo, 25: o concerto de homenagem a José António Piñeiro Nagy encheu-nos as medidas, lavou-nos a alma.</p>



<p>Acrescente-se que a imagem do homenageado projetada em fundo, como que a integrar o lote de músicos, proporcionou um sentido ambiente de bem-estar, também proporcionado inclusive pela manifesta dedicação de todos e cada um dos membros da orquestra, onde o renomado clarinetista António Saiote literalmente se integrou. Realce -se que o facto de Nikolay Lalov se haver auto-dispensado de dirigir o espetáculo, deixando tal função a um primeiro-violino e ao próprio António Saiote – que muito discretamente a souberam exercer – contribuiu eficazmente para a criação dum clima de homenagem bonita, tranquila, cativante, a que todos os executantes (sentíamos) gostosamente se associaram.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="380" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-1024x380.png" alt="" class="wp-image-52066" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-1024x380.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-300x111.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-768x285.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-1536x569.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-696x258.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-1392x516.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-1068x396.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x-1320x489.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-2x.png 1578w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Foi bonito, Piñeiro Nagy merecia!</p>



<p>Abriu a sessão Nikolay Lalov, que emotivamente historiou o seu relacionamento com Piñeiro Nagy e o grande mérito da actividade ímpar desenvolvida pelo homenageado. No final, também o músico convidado, António Saiote, se referiu elogiosamente ao que Nagy, com tenacidade e enorme carácter inovador, lograra levar a bom termo.</p>



<p>Ouvimos, na primeira parte do espectáculo, o 2º andamento do Concerto para Clarinete e Cordas, do compositor e pianista lisboeta Armando Mota; uma ária de Joly Braga Santos (1924-1998), com extraordinário arranjo de Eduardo Seabra, pleno de delicadeza e suavidade; a bem conhecida Canção do Mar, de Ferrer Trindade, num bonito arranjo do bracarense Artur Caldeira; a eterna «Sol de Inverno», de Nóbrega e Sousa, em espetacular arranjo de Pedro Ramos e, a finalizar, Temas Portugueses para Clarinete e Cordas, de Artur Caldeira, em que diálogo entre o clarinete e as cordas, diga-se de passagem, foi verdadeiramente excepcional.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Concerto de homenagem a Piñeiro Nagy" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/q81Vee7UAaw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>



<p>Após o intervalo, ouviu-se Serenata para Cordas em Dó Maior, Opus 48, do compositor russo Pyotr Ilyich Tchaikovsky, nos seus quatro andamentos (sonatina, valsa, elegia e final).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-1024x576.png" alt="" class="wp-image-52068" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/nagy-concerto.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Recebemos, na ocasião, o livro <em>Prima la Musica dopo le Parole</em> («primeiro, a Música; depois, as Palavras») que reúne, nas suas 244 páginas, toda a documentação referente aos 50 anos dos festivais de música, a que o homenageado esteve intrinsecamente ligado. Acompanhou-o bonita colecção dos 50 respectivos cartazes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="819" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/livro-nagy-crop-819x1024.png" alt="" class="wp-image-52071" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/livro-nagy-crop-819x1024.png 819w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/livro-nagy-crop-240x300.png 240w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/livro-nagy-crop-768x960.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/livro-nagy-crop-696x870.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/livro-nagy-crop.png 864w" sizes="auto, (max-width: 819px) 100vw, 819px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/um-momento-irrepetivel/">UM MOMENTO IRREPETÍVEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/10/um-momento-irrepetivel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">52060</post-id>	</item>
		<item>
		<title>FANAR E METER A UNHA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/10/fanar-e-meter-a-unha/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/10/fanar-e-meter-a-unha/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 18:35:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[comércio de Portugal com o Oriente nos séculos XV e XVI]]></category>
		<category><![CDATA[moeda fanão]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51823</guid>

					<description><![CDATA[<p>Os vice-reis da Índia portuguesa recebiam fanões em pagamento de direitos tributários</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/fanar-e-meter-a-unha/">FANAR E METER A UNHA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vai-se ao Dicionário da Academia e, aí, sem aparentemente qualquer sombra de dúvida, se aponta, entre outros significados mais correntes, o de «fazer perder ou perder a energia, a frescura, o viço», indicando-se como sinónimo «murchar». Essa conotação prende-se com o verbo francês ‘faner’, que detém, originalmente, o significado de ‘desfalecer’, donde deriva, por exemplo, a expressão «deu-lhe um fanico», desmaiou, ainda que haja dicionários onde se aponta, logo em primeiro lugar, a ideia de «remexer a erva (para a deixar secar)».</p>



<p>Quanto a meter a unha é a expressão coloquial, quase de calão, para eufemisticamente expressar a ideia de ‘roubar’, explorar, vender caro. Aliás, em calão, fanar é exactamente o sinónimo de ‘roubar’.</p>



<p>Estávamos, portanto, muito longe de imaginar que verbo e expressão tivessem uma origem bem concreta, a remontar ao período em que Portugueses andavam, pelos séculos XV e XVI, em negociatas orientais. Negócio implica compra e venda, implica pagamento de impostos, implica moedas. E é aí que entra o fanão, pequenina moeda de ouro, com o peso aproximado de meio grama (0,37/0,54 g), uma ninharia!</p>



<p>Conta Rainer Daehnhart que os nossos vice-reis da Índia recebiam fanões em pagamento de direitos tributários. «Embora batidos no Indostão e no Ceilão, os fanões», acrescenta Rainer, «correram durante perto de um milénio em todos os portos, desde a ilha de Moçambique até Malaca».</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="270" height="340" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanao-do-indico.jpg" alt="" class="wp-image-51863" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanao-do-indico.jpg 270w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanao-do-indico-238x300.jpg 238w" sizes="auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px" /><figcaption class="wp-element-caption">moeda fanão do Índico</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="492" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-1024x492.jpg" alt="" class="wp-image-51864" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-1024x492.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-300x144.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-768x369.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-696x334.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho-1068x513.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/fanar-capa-do-livrinho.jpg 1099w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">capa do livro Fanar Fanões</figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>E, afinal, qual é essa história do meter a unha e do fanar?</p>



<p>Muito simples: pagavam-se impostos com uma boa porção dessas moedinhas minúsculas. Por conseguinte, foi necessário engendrar uma forma expedida de as contar. Inventou-se, por isso, uma tábua com um certo número de concavidades (50, 100 ou 200). Despejava-se a bolsinha por cima da tábua e, com gesto firme, rasoirava-se a superfície, a fim de que todos os buraquinhos ficassem ocupados. &nbsp;E é aqui que entra a unha, porque o funcionário encarregado da tarefa (dizem as más-línguas…) deixava, de propósito, crescer a unha do dedo mindinho, preciosa ajuda para que alguns fanhões deslizassem sorrateiramente para outro sítio, que não o buraquinho apropriado!… Excelente, pois, eficaz o papel da unha grandinha!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="598" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-1024x598.jpg" alt="" class="wp-image-51867" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-1024x598.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-300x175.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-768x449.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-1536x898.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-696x407.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-1392x813.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-1068x624.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1-1320x771.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/despejando-1-1.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Assim se fanava, assim se metia a unha! Assim se ajuntavam sub-repticiamente bem apetitosos fanões de ouro. Eu tenho um, mas foi oferta!&#8230;</p>



<p>Bem andou, pois, Rainer Daehnhart em dedicar algum do seu precioso tempo (não é lugar-comum, é precioso mesmo!) a explicar minuciosamente como tudo se passou.</p>



<p>O livrinho tem a data de 26 de Julho de 2004 e chama-se <em>Fanar Fanões</em>. Cláudio Alves aí ilustrou o ato de despejar os fanões e o outro, malicioso, de meter unha com as unhas mais crescidas.</p>



<p>E conta, no final, Rainer Daehnhart como uma dessas moedinhas lhes salvou a vida, a ele e à avó, quando se dispunham a atravessar a fronteira (estava-se em plena Segunda Grande Guerra!), vindos da Alemanha de Leste. Os soldados americanos não os deixavam passar e, aí, a avó não esteve com meias medidas: descoseu a borda da saia de chita onde escondera – junto aos habituais pequenos pesos do chumbo destinados a manter a saia esticada – um punhado de fanões de ouro, com que alegremente subornou a vigilância. Os militares trincaram; viram que era mesmo ouro de lei e… cá temos, ainda hoje, Rainer Daehnhart, são e salvo, para nos contar a história!</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/fanar-e-meter-a-unha/">FANAR E METER A UNHA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/10/fanar-e-meter-a-unha/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51823</post-id>	</item>
		<item>
		<title>MAÇONS BENEMÉRITOS E DESPEJOS ODIOSOS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/10/macons-benemeritos-e-despejos-odiosos/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/10/macons-benemeritos-e-despejos-odiosos/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 09:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Camarate]]></category>
		<category><![CDATA[edifícios inacabados]]></category>
		<category><![CDATA[Francisco de Almeida Grandella]]></category>
		<category><![CDATA[Lar Panorâmico]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51691</guid>

					<description><![CDATA[<p>Sem a ajuda de Jorge Afonso, mui prestável técnico do arquivo da Câmara Municipal de Loures, &#160;esta crónica jamais teria sido escrita e, por isso, deveria ser também assinada por ele, pois Jorge Afonso teve a gentileza de me ajudar cabalmente a pôr os pontos nos is. Quem mandou construir os edifícios inacabados existentes na [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/macons-benemeritos-e-despejos-odiosos/">MAÇONS BENEMÉRITOS E DESPEJOS ODIOSOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sem a ajuda de Jorge Afonso, mui prestável técnico do arquivo da Câmara Municipal de Loures, &nbsp;esta crónica jamais teria sido escrita e, por isso, deveria ser também assinada por ele, pois Jorge Afonso teve a gentileza de me ajudar cabalmente a pôr os pontos nos is.</p>



<p>Quem mandou construir os edifícios inacabados existentes na vetusta Quinta do Guarda-Mor foi o proprietário dos Armazéns Grandella, o empresário e filantropo Francisco de Almeida Grandella (1853-1934)?</p>



<p>Saíram os seus projectos da prancheta do célebre arquitecto Rosendo Carvalheira (1861-1919), a quem se ficaria também a dever o então chamado Sanatório de Santana, na Parede (Cascais), de magnífica traça arquitetónica?</p>



<p>Grandella deixou muitos edifícios por acabar. Já aqui contámos a fabulosa história do <strong><a href="https://duaslinhas.pt/tag/cabeco-de-montachique/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/tag/cabeco-de-montachique/">Sanatório Albergaria</a></strong> para tuberculosos no Cerro de Montachique, no mesmo concelho de Loures.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="606" height="211" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cabeco-de-montachique.jpg" alt="" class="wp-image-51697" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cabeco-de-montachique.jpg 606w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cabeco-de-montachique-300x104.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 606px) 100vw, 606px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/tag/cabeco-de-montachique/">Arquivo de Cabeço de Montachique &#8211; Duas Linhas</a></figcaption></figure></div>


<p>O que se passou em Camarate foi um tudo-nada diferente. A primeira pedra dos edifícios de Camarate deve ter sido lançada no início do século XX. Ou, talvez, nos finais do século XIX.</p>



<p>A ideia de Grandella seria instituir ali uma casa de repouso. Por alguma razão a obra não foi concluída. Mas, segundo rezam os documentos arquivados na Câmara Municipal de Loures, ter ali uma casa de repouso voltou a ser ideia dos proprietários que sucederam a Grandella.</p>



<p>Em 1974, José Maria Gonçalves, na qualidade de “proprietário” da Fundação Santa Maria da Silva apresenta novos pedidos de alteração à propriedade, acrescentando um edifício de traça semelhante ao alterado e um, mais baixo, para garagem de ambulâncias e instalação do pessoal afecto à, agora, clínica, que aí se propunha edificar.</p>



<p>Mesmo sem terem sido concluídos, os edifícios foram utilizados pelo IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais) em 1975, para receber “retornados” das colónias africanas que se tornaram independentes. Seiscentas pessoas viveram ali, em edifícios inacabados, não sabemos em que condições sanitárias, até meados dos anos de 1990.</p>



<p>Em 1993, o tribunal decide a desocupação total dos edifícios. Os ocupantes são despejados com alguma violência e forte presença policial, despejo que teve larga repercussão na Comunicação Social, houve quem lhe chamasse “O escândalo de Camarate”, aliás, <strong><a href="https://arquivos.rtp.pt/conteudos/tribunal-ordena-despejo-de-camarate/" type="link" id="https://arquivos.rtp.pt/conteudos/tribunal-ordena-despejo-de-camarate/">reportagens televisivas</a></strong> foram várias. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="213" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1024x213.png" alt="" class="wp-image-51694" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1024x213.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-300x63.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-768x160.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1536x320.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-696x145.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1392x290.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1068x223.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1320x275.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">imagens relativas a reportagens da RTP em 1993 sobre os despejos de Camarate</figcaption></figure>



<p>A Fundação Santa Maria da Silva recupera a posse da propriedade e, até ao momento (Outubro de 2026), não foi realizada qualquer obra de recuperação.</p>



<p>Embora localizados numa das várias quintas nobres existentes nos arredores da capital, os edifícios degradados que parecem vigiar o campo santo de Camarate nada têm de sacrossanto histórico que remonte a prístinos séculos. São, como vimos, obras inacabadas, com pouco mais de um século, e a intenção de virem a constituir um «Lar Panorâmico» (de facto, a vista dali é deveras panorâmica), com vertente de lar, um, e de residência de pessoal, o outro, não se insere numa lógica predominante de benemerência. Hoje, o lar ao lado do cemitério seria uma oportunidade rara de rentabilizar o negócio&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51701" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Os edifícios e o cemitério, fotografia de outubro de 2026</figcaption></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/macons-benemeritos-e-despejos-odiosos/">MAÇONS BENEMÉRITOS E DESPEJOS ODIOSOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/10/macons-benemeritos-e-despejos-odiosos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51691</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O QUE PAREDES ANTIGAS ESCONDEM</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/09/o-que-paredes-antigas-escondem/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/09/o-que-paredes-antigas-escondem/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 10:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Abrantes]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia em Abrantes]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia urbana]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo em Abrantes]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51597</guid>

					<description><![CDATA[<p> «A Arqueologia Urbana ao Serviço da Comunidade»</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/o-que-paredes-antigas-escondem/">O QUE PAREDES ANTIGAS ESCONDEM</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim, a arqueóloga Célia Silva – que já descobrira, num buraco de parede, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/recado-escondido-no-interior-de-uma-parede/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/09/recado-escondido-no-interior-de-uma-parede/">uma carta de 1721 a encomendar coelhos</a></strong> – encontrou,  no forro desse mesmo edifício, um carrinho de linhas de madeira, tampas de publicidade redigida em francês (!) a uma pomada da marca ELGA – «pomada superior de cera sem ácido para calçado» –  e a uma outra, essa portuguesa, pois que a legenda proclama: «Só a Rosinha dá brilho assim!!».</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="267" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1024x267.png" alt="" class="wp-image-51606" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1024x267.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-300x78.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-768x200.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1536x401.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-696x182.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1392x363.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1068x279.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1320x345.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4.png 1582w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="567" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carrinho.png" alt="" class="wp-image-51607" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carrinho.png 588w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carrinho-300x289.png 300w" sizes="auto, (max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p> </p>



<p>Este carrinho de linhas de madeira levou-me aos meus tempos de menino e, confesso, acabei por não seguir com a devida atenção a brilhante exposição da Dra. Célia Silva.</p>



<p>E que a um carrinho de linhas assim, nós, moços pequenos, cortávamos as extremidades de modo a ficarem em jeito de rodas dentada e imaginávamo-las rodas dos tanques de guerra, que fazíamos movimentar à força de elásticos enrolados no sítio da linha e que, desenrolando-se devagar, faziam o ‘blindado’ avançar. Por vezes, até canhão lhe púnhamos: um pau de fósforo servia às mil maravilhas para o efeito!</p>



<p>Pode acontecer que haja desses brinquedos imaginados em Museus de Brinquedos ou em imagens de livros infantis. Adorava saber!</p>
</div>
</div>



<p>Aliás, no decorrer do colóquio organizado, no passado dia 26 pela Câmara Municipal intitulado «A Arqueologia Urbana ao Serviço da Comunidade», Célia Silva mostrou tábuas com inscrições deveras curiosas, como esta em que se lê:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="350" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1024x350.png" alt="" class="wp-image-51603" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1024x350.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-300x103.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-768x262.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1536x525.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-696x238.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1392x476.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1068x365.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1320x451.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3.png 1867w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Realizado no auditório do Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, este primeiro Colóquio da série prevista para mostrar a cidade na sua relação com o rio ao longo dos séculos – «Abrantes, o Tejo e o Tempo» – teve por objectivo mostrar como as intervenções arqueológicas levadas a efeito no âmbito da própria cidade, além de não serem “empatas” do desenvolvimento urbano, acabam por enriquecer o património, inclusivamente dos prédios que vão ser renovados ou dos novos que aí virão a ser construídos.</p>



<p>Daí que se fale em “serviço da comunidade”, porque, tal como as árvores necessitam das suas raízes para se alimentarem, assim a população duma cidade carece de saber de onde veio, das fases por que passou, para melhor compreender o seu presente.</p>



<p>Deu-se conta, pois, das intervenções feitas no centro histórico de Abrantes, cujos conventos e colégios foram sendo paulatinamente adaptados a outras funcionalidades. Luis Peri e André Freitas (da empresa Gestcult) mostraram, por exemplo, as fases por que passou a transição do antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança para o Colégio de Nossa Senhora de Fátima.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="477" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1024x477.png" alt="" class="wp-image-51613" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1024x477.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-300x140.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-768x358.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1536x715.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-696x324.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1392x648.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1068x497.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1320x615.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Por outro lado, a cidade de Abrantes deteve – e continua a deter – uma posição estratégica, tanto do ponto de vista militar (veja-se o papel que desempenhou no quadro das invasões francesas) como económico, pela sua proximidade do Tejo (ia-se por via fluvial de Lisboa a Abrantes!&#8230;). Haja em vista que os trabalhos de reabilitação do Cineteatro São Pedro permitiram concluir que o local fora utilizado como cemitério entre 1810 e 1811, ou seja, precisamente por altura das referidas invasões.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-4.jpg" alt="" class="wp-image-51614" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-4.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-4-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-4-696x928.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-3.jpg" alt="" class="wp-image-51615" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-3.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-3-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-3-696x928.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-rotated.jpg" alt="" class="wp-image-51616" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-rotated.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-696x928.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>
</div>
</div>



<p>A cidade careceu, por conseguinte, de estar bem defendida e não deixou de ser curioso que, ao se proceder a escavações nos edifícios pertença da Misericórdia local, se haja encontrado um pouco da linha defensiva militar da cidade. Por seu turno, o Convento de São Domingos estudado por Filomena Gaspar e Vânia Janeirinho também sofreu alterações, de modo que as investigadores apontam para o local a seguinte trilogia em sequência: convento, quartel e necrópole!</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51617" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51618" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">imagens partilhadas de https://jornaldeabrantes.sapo.pt/cultura/descobertas-arqueologicas-atrasam-cineteatro-s-pedro-c-audio-e-fotos </figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>Esse, de resto, o espírito que preside às intervenções no âmbito da Arqueologia Urbana: na sua estrutura urbana, a cidade está viva e, por isso, o que se vai modificando não pode destruir, mas reabilitar, o que está para trás, como memória a preservar. Nesse aspecto e também para esse efeito, Abrantes dispõe já de uma notável rede museológica, de que podem citar-se o referido Museu de Arte Contemporânea e o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, galardoado este, pela Associação Portuguesa de Museologia, em 2023, com o prémio &#8220;Museu do Ano&#8221;.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/o-que-paredes-antigas-escondem/">O QUE PAREDES ANTIGAS ESCONDEM</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/09/o-que-paredes-antigas-escondem/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51597</post-id>	</item>
		<item>
		<title>QUEREMOS O FESTIVAL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/09/queremos-o-festival/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/09/queremos-o-festival/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2026 08:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Música Estoril Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[música clássica]]></category>
		<category><![CDATA[Piñeiro Nagy]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51541</guid>

					<description><![CDATA[<p>o criador do Festival Estoril-Lisboa</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/queremos-o-festival/">QUEREMOS O FESTIVAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Faleceu José António Piñeiro Nagy em julho passado. Nascera em Lisboa, filho de pai galego e mãe húngara. As notícias – inclusive as veiculadas por um departamento camarário – salientavam que fora o criador e diretor do Festival Estoril-Lisboa e que, devido ao seu falecimento, se cancelavam todas as iniciativas previstas para 2026. O tema desta 52ª edição cancelada era «Celebramos Património».</p>



<p>Poder-se-ia historiar o que foi a ação do músico, desde que, na década de 60, veio para Cascais com a sua guitarra clássica, a sua ampla cabeleireira a emoldurar-lhe o rosto, e ousou propor a realização de concertos seus, numa altura em que este instrumento não era popular nem concitava grande interesse, mesmo por parte dos artistas. Recordo-o, tímido, na Sala de Música do Condes de Castro Guimarães, o dedilhar a fazer-se eco da suavidade das ondas a espraiar-se sob a ponte da Praia de Santa Marta…</p>



<p>Pouco e pouco, porém, os concertos e, de modo especial, os cursos que ministrou acabaram por suscitar entusiasmo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="859" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-859x1024.jpg" alt="" class="wp-image-51544" style="width:599px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-859x1024.jpg 859w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-252x300.jpg 252w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-768x915.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-696x829.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-1068x1272.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1.jpg 1149w" sizes="auto, (max-width: 859px) 100vw, 859px" /><figcaption class="wp-element-caption">Piñeiro Nagy</figcaption></figure></div>


<p>Pelo seu dinamismo, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/partiu-pineiro-nagy/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/07/partiu-pineiro-nagy/">Piñeiro Nagy</a></strong> começou a integrar a equipa responsável dos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/07/festival-antigo-bem-vivo/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2023/07/festival-antigo-bem-vivo/">Cursos Internacionais de Música do Estoril</a></strong> que, desde 1962, traziam à então Costa do Sol, com o apoio da Junta de Turismo, presidida pela clarividência de Joaquim Miguel de Serra e Moura, mestres conceituados das mais variadas latitudes. Recordo a pianista Helena Sá e Costa, o violinista Sándor Vegh, o maestro Manuel Ivo Cruz (um dos grandes responsáveis pela iniciativa), a maestrina Nadia Boulanger, o violoncelista Maurice Eisenberg. Não será nada despiciendo lembrar que aí foram alunos a pianista Maria João Pires e o maestro Álvaro Cassuto (falecido a 6 de Abril, p. p.)</p>



<p>Essa mesma equipa tornou possível o Festival Internacional de Música, numa altura em que – importa frisá-lo – apenas o Festival de Sintra, no então Carlos Manuel, estava presente num calendário das iniciativas musicais do País. O Festival foi fundado em 1975, no seio da Junta de Turismo da Costa do Sol, com o nome Festival de Música da Costa do Sol, sob proposta de Piñeiro Nagy e o aval do compositor Fernando Lopes-Graça, do musicólogo João de Freitas Branco e da pianista Helena de Sá e Costa, em complemento dos Cursos Internacionais de Música. Em 1981 é assinado o protocolo que confere a organização e gestão do Festival à Associação Internacional de Música da Costa do Estoril, criada exclusivamente para esse efeito, e altera o nome para Festival de Música da Costa do Estoril.</p>



<p>Hoje, que os festivais de música (mas não de música clássica) pululam por Portugal de lés a lés, não se faz a mínima ideia do que era propor superiormente, e ver aprovada, a realização de um Festival de Música! Primeiro, porque se partia do princípio de que não haveria público, o que depressa se revelou falacioso; segundo, porque, ainda não estando em clima revolucionário (o 25 de Abril viria depois) a Música Clássica era ainda vista como destinada a uma elite endinheirada – outra falácia! E não será de somenos assinalar que por cá, nesse âmbito, estiveram o bailarino Rudolfo Nureyev e o mimo Marcel Marceau!</p>



<p>Vale, pois, voltar atrás, ao que ficou cancelado: o 52º Festival Internacional de Música. Façam-se, então, as contas: 2026-52 = 1964! Piñeiro Nagy sempre presente, lutando contra tudo e contra todos. Sempre ansioso se os prometidos apoios não chegavam… Tanta vez o entrevistei, inclusive na esperança de virem a desatar-se os cordões às bolsas!&#8230;</p>



<p>Extinta a Junta de Turismo – cuja atividade cultural ainda não terá sido devidamente posta em relevo, quiçá por essa sua atividade ser considerada direta emanação do poder político central (puro engano!) – foi preciso bater a muitas incrédulas portas e também por isso se tornou necessário estender a Lisboa o Festival, dado que os responsáveis pelos organismos locais não estavam ainda devidamente consciencializados da sua importância. Uma história por fazer!&#8230; </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="316" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1024x316.png" alt="" class="wp-image-51551" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1024x316.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-300x93.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-768x237.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1536x474.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-696x215.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1392x430.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1068x330.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1320x408.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Sangrou-se-me, pois, o coração com o silêncio autárquico, aquando do passamento do Professor, a total ausência de eleitos, no seu funeral, a 4 de Julho, em Alcabideche. Piñeiro Nagy não merecia. Esteve apenas – e a título particular, de amizade – Catarina Roquette, da Casa-Museu Verdades de Faria, uma das joias que Piñeiro Nagy tanto prezou, o Museu da Música Portuguesa. O silencioso e significativo abraço que trocámos entre nós e com Dulce Nagy (a viúva) e os familiares simbolizou o que ambos desejaríamos ter sido um outro abraço maior.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/queremos-o-festival/">QUEREMOS O FESTIVAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/09/queremos-o-festival/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51541</post-id>	</item>
		<item>
		<title>ABRAÇADEIRA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/09/abracadeira/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/09/abracadeira/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 10:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[falar português]]></category>
		<category><![CDATA[gramática da língua portuguesa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51492</guid>

					<description><![CDATA[<p>O "Dr. Serálhe"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/abracadeira/">ABRAÇADEIRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Guardei religiosamente o papelinho no porta-moedas. Quando cheguei à drogaria, dei-o ao Ricardo:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="477" height="56" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira.jpg" alt="" class="wp-image-51493" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira.jpg 477w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-300x35.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px" /></figure></div>


<p>Eu trouxe o papelinho na mesma, não fosse haver engano. Não houve. Era mesmo disso que o Chico canalizador precisava para acabar de vez com a história do entupimento que nos massacrara a cabeça. E mostrou-me como é que tudo ficara. A água começou a correr normalmente. Eficaz fora a solução adoptada.</p>



<p>Quando, no entanto, me dispunha a pôr o recado no cesto dos papéis, hesitei, “não ponho” e cá está ele a servir-me para a conversa de hoje.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="400" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1024x400.jpg" alt="" class="wp-image-51494" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1024x400.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-300x117.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-768x300.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-696x272.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1068x417.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1320x516.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda.jpg 1331w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Primeiro: eu diria ‘braçadeira’, que me parecia o termo correcto. Não é. O Chico Castro tem razão: abraçadeira está bem, porque, de facto, abraça. Faltou o ‘s’ do plural, mas… ninguém repara!</p>



<p>Segundo: &nbsp;o Chico pôs todas as palavras com inicial maiúscula. Escreveu-as assim, decerto, sem motivo especial; o normal seria pôr todas as palavras em minúscula. Recordo-me, no entanto, do Celestino Costa, canteiro: quando, no cemitério, lhe encomendavam um letreiro, ele escrevia tudo em maiúsculas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="622" height="80" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-2.jpg" alt="" class="wp-image-51495" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-2.jpg 622w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-2-300x39.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 622px) 100vw, 622px" /></figure></div>


<p>Confusão tem, contudo, muita gente no uso das maiúsculas. Não se estuda Gramática (ponho Gramática com g grande para chamar a atenção) e desconhece-se a função da maiúscula como elemento atribuidor de importância especial ao significado da palavra. Por exemplo, Igreja (com maiúscula) refere-se a uma confissão religiosa; já igreja matriz é com minúscula, um substantivo comum.</p>



<p>Tanto o Ricardo como o Chico sabiam exatamente o que ali estava escrito. Sabiam o que era uma ‘abraçadeira de espigão’; o que era um ‘tubo P.V.C. (que é habitual escrever-se PVC, siglas do policloreto de vinila); sabiam o que significava 40 (seguramente, digo eu, 40 milímetros de diâmetro)…</p>



<p>Como sói dizer-se: «Cada macaco no seu galho». O político, nomeadamente, deve saber falar; saber distinguir ‘sob’ de ‘sobre’ (e, aí, as asneiras diárias são muitas!&#8230;); conhecer a conjugação pronominal dos verbos… Tenho um colega que sistematicamente se refere a um senhor ministro chamando-lhe «Dr. Serálhe»; compreende-se porquê: sai-se, de vez em quando, com «será-lhe entregue…».</p>



<p>O Ricardo trabalha na drogaria; o Chico Castro é canalizador. Conhecem ambos, como a palma das mãos, os nomes das ferramentas do seu dia-a-dia. Fale-lhes eu, epigrafista, em ‘campo epigráfico,’ ‘estela’, ‘cipo’ – e olharão para mim a sorrir. Como eu, ao princípio das andanças na pedreira, em miúdo, sabia lá o que era uma bujarda, o forro-a-melão, um camartelo!&#8230;</p>



<p>Todavia, voltando atrás: político que se preze não pode arriscar-se a dizer «será-lhe». Se não sabe distinguir ‘Igreja’ de ‘igreja’, vá que não vá, o Povo perdoa; mas «será-lhe entregue…», senhor ministro?!&#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/abracadeira/">ABRAÇADEIRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/09/abracadeira/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51492</post-id>	</item>
		<item>
		<title>TANTO CORAÇÃO DE MÁRMORE</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:25:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[campas fúnebres]]></category>
		<category><![CDATA[cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[corações de pedra]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51394</guid>

					<description><![CDATA[<p>O campo santo acabou por ficar pintalgado de corações marmóreos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/">TANTO CORAÇÃO DE MÁRMORE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Campas a perder de vista, quase a invadir a paisagem envolvente! Saudades, lamentos, esperanças, datas de nascimento e morte, «ETERNA SAUDADE», «TÃO CEDO QUE TU PARTISTE» – tudo isso viria a ser gravado no mármore pela perícia do canteiro. Era preciso um canteiro. Ou mais. O pessoal do Marmorista do Lumiar, por exemplo, foi um dos que viria a pontificar no mester. Cruz, sim, poderia gravar-se ou mesmo esculpir. «Mas, senhora, não lhe parece que um coração ficava bem? A mostrar a todos quanto amor ali para sempre ficava perpetuado?»… E o campo santo acabou por ficar pintalgado de corações marmóreos, polidos, exultando na brancura do mármore de Estremoz/Vila Viçosa. Sensibilizaram-me esses corações.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>– Que horas são, meu senhor?</p>



<p>A inesperada pergunta fez-me voltar à realidade do mundo de cá. Surgira, quase a medo, de uma das duas ciganas integralmente revestidas da negridão da partida, decerto há uns dias, de um dos familiares. Ali estavam, seguramente, desde que o guarda lhes franqueara o portão. Sentadas na berma da avenida central, à sombra fresca de uma das poucas árvores subsistentes.</p>



<p>– São quase 11, Amiga!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="338" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1024x338.png" alt="" class="wp-image-51398" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1024x338.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-300x99.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-768x253.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1536x506.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-696x229.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1392x459.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1068x352.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1320x435.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Cemitério Municipal de Camarate</figcaption></figure></div>


<p>Olharam uma para a outra, sem comentários. A fazerem contas, porventura, do tempo que ainda ali estariam. Se alguém mais do seu clã viria fazer-lhes companhia e chorar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Minutos após minutos, rompia o silêncio o forte roncar esforçado de um avião a descolar. Recordei 4 de dezembro de 1980, trágico, ocorrido a dois passos dali, justamente após a descolagem. Tal como nesse dia, também agora um som forte era portador de sonhos, vontades de mudança, amores, tristezas… E lá se perderam todos na lonjura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="287" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1024x287.png" alt="" class="wp-image-51400" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1024x287.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-300x84.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-768x215.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1536x430.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-696x195.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1392x390.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1068x299.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1320x370.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Chegou o carro funerário.</p>



<p>A barreira ergueu-se. Entrou. Seguimos em silenciosa marcha lenta até ao crematório. Último olhar ao caixão, na recordação – para mim – da camaradagem, das cumplicidades, das peripécias por que ambos, colegas de curso há 50 anos, havíamos passado. A vénia ritual aquiescente da viúva e, devagar, a urna deslizou para o seu destino.</p>



<p>A saudade viera para ficar. Os aviões continuaram a descolar. As ciganas ainda lá estavam, em silêncio. </p>



<p>Desse triste arrabalde de Lisboa vou querer recordar, acima de tudo, aqueles corações de mármore. Muito mais fortes, dolorosos e sinceros que os emojis perturbadores do meu cotidiano…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="265" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1024x265.png" alt="" class="wp-image-51401" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1024x265.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-300x78.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-768x199.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1536x398.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-696x180.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1392x360.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1068x276.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1320x342.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/">TANTO CORAÇÃO DE MÁRMORE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51394</post-id>	</item>
		<item>
		<title>PERGUNTAR PORQUÊ</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/09/perguntar-porque/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/09/perguntar-porque/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2026 09:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[citações fora do contexto]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=51242</guid>

					<description><![CDATA[<p>"Em ciência, não são as respostas que são importantes, as perguntas é que o são"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/perguntar-porque/">PERGUNTAR PORQUÊ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De sabonete na mão (teria aí uns três aninhos), eu soletrava:<br>– FENO DE PORI U GAL.<br>E voltei-me para a minha mãe:<br>– Ó mãe, o que é PORI U GAL?<br>– Não é PORI U GAL, filho, é PORTUGAL! Não vês que tem um travessãozinho lá em cima? É Portugal.</p>



<p>O que me chamara a atenção fora a estranheza do nome, porque ‘feno’ eu sabia bem o que era. Dava-o, às vezes, eu à burra da tia Chica e o Ti Zé Romão dava-o aos machos que tinha. Era seco. Portanto, não me passou pela ideia indagar a razão por que se havia de ter dado o nome de ‘feno’ a sabonete tão bem cheiroso. Que relação podia haver entre o sabonete e o feno?</p>



<p>Ainda em clave de recordações, lembro-me, como se fosse hoje, da cara espantada do Dr. Sanches e Brito, meu professor de Matemática, logo na 2ª aula do ano lectivo de 1956-1957, ao ver-me o caderno diário, leu que eu escrevera, como sumário da lição passada, «Revisão da materidade». Também aí eu ouvira materidade, escrevi materidade – e nem me pus a questão do que é que aquilo significava.</p>



<p>– É matéria dada, Zé Manel, matéria dada!</p>



<p>Jamais me esqueci! Nem da expressão que, depois, como docente, também usei, nem da observação do Dr. Brito.</p>



<p>Recordei-me, agora, dessa cena do <em>poriugal </em>e dessoutra da <em>materidade, </em>quando se me pôs a questão de importância de levantar os problemas. Aliás, posta a questão do ‘feno’, decidi-me a ir procurar a razão da nomenclatura. Achei-a: a designação «feno» foi pensada e adoptada pela Fábrica Santa Clara, a empresa que o criara, nos anos 30 do século passado, para destacar a fragrância fresca, herbáceo-verde e natural a feno cortado que distinguia o sabonete.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="648" height="464" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/FENO-DE-PORTUGAL.jpg" alt="" class="wp-image-51243" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/FENO-DE-PORTUGAL.jpg 648w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/FENO-DE-PORTUGAL-300x215.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 648px) 100vw, 648px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Nessa altura, importa frisá-lo, esse cheiro a feno cortado de fresco faria parte do quotidiano de larga percentagem dos Portugueses; raro seria aquele que, um dia, não tivesse parado, pela manhã, junto a seara acabada de ceifar, a haurir esse odor de restolho ainda com resquícios da brandura da noite: um cheirinho mesmo bom!&#8230;</p>



<p>Hoje, claro, «feno» é vocábulo que só nas aldeias se ouve. E esse cheiro é natural que seja ínfima a parcela da população portuguesa actual que, alguma vez, o tenha sentido.</p>



<p>Seja como for, é de aplaudir a empresa que soube manter a designação, no convite (raramente escutado, mas real), a um regresso aos bons e fortes odores campestres.</p>



<p>O sabonete contribuiu agora, no entanto, para chamar a atenção para uma frase – essa, sim, assaz sentida no dia-a-dia: «Tem piada, nunca tinha pensado nisso!». Sintoma evidente de que boa parte do nosso quotidiano se reveste de forte dose de passividade e distracção.</p>



<p>Escreva-me assim de repente o nome da rua onde mora, tal e qual ele está gravado na placa. Mais: a sua rua tem uma ou duas placas toponímicas? De mármore ou de azulejo? O mais normal é a resposta: «Tem piada, olhe, não sei, nunca tinha pensado nisso!».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Lembro-me sempre de ter entrado num café em Salamanca e ter perguntado ao proprietário: </p>



<p>&#8211; Desculpe: esta igrejinha aqui em frente do café é a de Santa Madalena?</p>



<p>O proprietário não me soube responder. E, por sinal, também nenhum dos clientes de ocasião tinha a menor ideia do nome da igreja.</p>



<p>Cito frequentemente, sem me preocupar muito, a propósito deste tema, a frase que li na nota 1 da pág. 14 do livro <em>Génesis – A Origem do Homem e do Universo, </em>de John Gribbin (Mem Martins, PEA, 1988), aí atribuída a Sir Fred Hoyle: </p>



<p>«As respostas não são importantes, as perguntas é que o são».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Desta feita, porém, quis ir mais além. Primeiro, quem fora Sir Fred Hoyle, de que deJohn Gribbin citava duas obras na bibliografia do seu livro – e fiquei a saber tratar-se de um astrónomo britânico (1915-2001). Tentaria, pois, descobrir em qual das duas a frase estaria consignada e em que contexto; preferia não continuar a fazer uma citação indirecta, como tem acontecido até aqui.</p>



<p>As primeiras diligências levaram-me a conhecer a frase no inglês original:</p>



<p>“In science answers are not important, it is the questions that are important.”</p>



<p>Por conseguinte, o autor situa-se no domínio da Ciência – eu é que ousei atirá-la para todos os domínios do conhecimento. E não estou arrependido, porque se me afigura ser essa uma legítima transposição.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A questão de saber do contexto da frase era, todavia, também importante para mim, que vejo, com demasiada frequência, frases de autores célebres citadas fora do contexto, nomeadamente como ‘epígrafes’ de livros – e, sabe-se, o contexto é fundamental para se ajuizar do real sentido duma afirmação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="778" height="477" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes.jpg" alt="" class="wp-image-51244" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes.jpg 778w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes-300x184.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes-768x471.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes-696x427.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px" /></figure></div>


<p>A frase já aparecia outras vezes citada, sempre referida ao astrónomo, mas sem indicação de proveniência, referindo, porém, Philip Morrison como fonte. De facto, num artigo publicado, em 1964, na revista American Journal of Physics, Morrison explica que Sir Fred Hoyle proferira a frase, no decorrer duma reunião científica: «Estávamos juntos na assistência de uma reunião e, em resposta a uma observação feita da tribuna, ele deu-me um toque com o cotovelo e disse que estava errada. O orador tinha dito: «Estas são questões a que não podemos responder; não sabemos como lhes responder.» Hoyle sussurrou-me: «Em ciência, não são as respostas que são importantes, as perguntas é que o são» (p. 442).</p>



<p>Possam estas reflexões servir para que, pouco a pouco, todos saibamos pôr as questões nos seus parâmetros adequados, a fim de também se lograr obter, assim, a resposta mais lúcida.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/perguntar-porque/">PERGUNTAR PORQUÊ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/09/perguntar-porque/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">51242</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
