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	<title>Arquivo de Crónicas de Opinião - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de Crónicas de Opinião - Duas Linhas</title>
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		<title>A SOLIDÃO INFINITA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 19:27:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[cartas de Rainer Maria Rilke]]></category>
		<category><![CDATA[Franz Kappus]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na capa do livro vem escrito: "um dos melhores livros de todosos tempos"</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A coisa passou-se assim: Franz Xaver Kappus escrevinhava uns versos e decidiu enviar alguns ao consagrado poeta Rainer Maria Rilke. Foi o início de uma troca de correspondência que, 20 anos depois, foi transformada neste livro.</p>



<p>Pelo que se depreende da leitura, o poeta Rilke não gostava de enganar ninguém. Logo na primeira carta, desencoraja o jovem poeta, recusa avaliar os poemas enviados, e escreveu isto: “não me pergunte se os seus versos são bons; pergunte antes se conseguiria viver sem os escrever. Se a resposta for sim, então não deve ser poeta. Se for não, então deve organizar toda a sua vida em torno dessa necessidade interior.”</p>



<p>A segunda carta aprofunda essa ideia. Diz Rilke que à excepção da Bíblia e da poesia de Jens Peter Jacobsen, os livros de outros autores podem ser interessantes, mas não fundamentais.</p>



<p>Há um aparente paradoxo nesta história, se por um lado Rilke parece desencorajar o jovem, por outro está a tentar salvá-lo de uma motivação errada. Não lhe diz &#8220;não escreva&#8221;. Diz-lhe: só escreva se escrever for tão inevitável como respirar.</p>



<p>O resultado foi que Franz Xaver Kappus nunca se dedicou à poesia. Acabou por seguir a carreira militar e publicou estas cartas apenas depois da morte de Rilke. É interessante notar que Kappus optou por não publicar as suas próprias cartas. Apenas conhecemos as perguntas e inquietações que dirigiu a Rilke através das respostas deste. Isso faz com que o livro tenha uma estrutura muito particular: lemos apenas metade da conversa, mas a outra metade é suficientemente sugerida para percebermos o diálogo.</p>



<p>Sem Kappus nunca conheceríamos estas cartas. Consciente do seu valor preservou-as durante mais de duas décadas. Acabou por desempenhar um papel decisivo na história da literatura, embora permaneça quase invisível na obra que tornou célebre.</p>



<p>Há uma ideia de que não gosto, mas que considero muito forte, quando Rilke afirma que as obras de arte &#8220;são de uma solidão infinita&#8221;. É demasiada angústia, demasiado sofrimento, e creio que não precisa de ser assim. O criador pode ser uma pessoa feliz.</p>



<p>  </p>
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		<title>MIGUEL MORGADO E A TENTAÇÃO DE JULGAR À DISTÂNCIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João de Deus]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 23:00:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Domingos Simões Pereira]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Morgado]]></category>
		<category><![CDATA[SIC]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>existe uma diferença entre denúncias da defesa e da família e factos comprovados</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há questões legítimas a discutir: a legalidade da prisão preventiva, a competência do Tribunal Militar para julgar um civil, o respeito pelos direitos de defesa, o acesso a advogados, familiares e assistência médica. Se esses direitos estiverem a ser violados, as autoridades guineenses têm o dever de corrigir a situação e de prestar esclarecimentos.</p>



<p>Mas existe uma diferença entre denúncias da defesa e da família e factos comprovados. Um comentador não deve apresentar como certezas acusações que ainda carecem de verificação independente, nem substituir-se aos tribunais na apreciação da legalidade do processo.</p>



<p>Também o percurso académico e político de Domingos Simões Pereira não constitui prova da sua inocência. Num Estado de Direito, ninguém deve ser perseguido por razões políticas, mas também ninguém deve estar acima da lei por ter exercido altas funções ou beneficiar de prestígio internacional.</p>



<p>Particularmente discutível foi a ideia de que Domingos Simões Pereira representa &#8220;a única esperança&#8221; da Guiné-Bissau. Nenhuma democracia saudável depende de um homem providencial, e nenhum comentador estrangeiro pode escolher quem encarna o futuro de um povo soberano.</p>



<p>Igualmente problemática foi a defesa de uma intervenção das autoridades portuguesas sobre um processo judicial interno. Portugal pode acompanhar a situação e defender o respeito pelos direitos humanos, mas a Guiné-Bissau é um Estado soberano. A cooperação internacional não deve transformar-se numa relação paternalista em que Lisboa surge como tutora de uma antiga colónia.</p>



<p>A posição responsável é outra: exigir um processo justo, respeito integral pelas garantias constitucionais e transparência das autoridades, sem transformar suspeitos em culpados nem arguidos em intocáveis. Defender o Estado de Direito significa proteger os direitos fundamentais, mas também respeitar a independência dos tribunais e evitar que a convicção política substitua a prova.</p>
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		<title>O DISCURSO DE PAULO RANGEL MUDOU. A DIPLOMACIA RARAMENTE MUDA POR ACASO.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 19:36:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[crise na CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[crise nas relações entre Portugal e Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau corta com CPLP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Paulo Rangel afirma que "a Guiné-Bissau faz parte do ADN da CPLP."</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há poucas semanas, o chefe da diplomacia portuguesa colocava a tónica na necessidade de restaurar a normalidade democrática, defendia novas eleições e enquadrava a posição portuguesa nas decisões da CPLP, da CEDEAO e da União Africana. O discurso era essencialmente jurídico e institucional, assente na defesa da ordem constitucional.</p>



<p>Hoje, porém, sem renunciar a esses princípios, Paulo Rangel afirma algo politicamente muito significativo: &#8220;A Guiné-Bissau faz parte do ADN da CPLP.&#8221; Esta frase não é um simples exercício de cortesia diplomática.</p>



<p>É o reconhecimento de uma evidência histórica e política: não existe CPLP sem a Guiné-Bissau. O país participou na fundação da organização, desempenhou um papel determinante na afirmação do espaço lusófono e continua a ser uma referência incontornável da história comum dos povos de língua portuguesa.</p>



<p>Mais importante ainda, o ministro acrescenta que todos os Estados-membros desejam ultrapassar rapidamente a atual situação. Esta mensagem revela que a preocupação deixou de ser apenas a aplicação de sanções ou a reafirmação de princípios. Passou também a ser a procura de uma solução política que permita restabelecer a normalidade das relações entre a Guiné-Bissau e a CPLP.</p>



<p>Isto demonstra que a diplomacia portuguesa entrou numa nova fase. Os princípios permanecem os mesmos, mas o método evoluiu. Portugal percebe que um isolamento prolongado dificilmente contribuirá para estabilizar a Guiné-Bissau. Pelo contrário, o diálogo, a cooperação e a reaproximação institucional podem criar melhores condições para que o país reencontre um quadro de normalidade política.</p>



<p>Também merece destaque outro aspeto: Paulo Rangel passou a enfatizar o respeito pela soberania do povo guineense. Esta referência afasta qualquer ideia de soluções impostas do exterior e aproxima Portugal de uma lógica de facilitação diplomática, em vez de uma postura predominantemente sancionatória.</p>



<p>Naturalmente, esta mudança de tom não significa que Portugal tenha reconhecido automaticamente todas as opções políticas das atuais autoridades de transição. Também não significa que tenham desaparecido as reservas relativamente ao processo político guineense. Significa, isso sim, que Lisboa parece reconhecer uma realidade incontornável: nenhuma solução será duradoura sem diálogo, sem inclusão e sem um entendimento progressivo entre a Guiné-Bissau e os seus parceiros internacionais.</p>



<p>A diplomacia vive de sinais. E quando um ministro afirma que um país suspenso faz parte do &#8220;ADN&#8221; da organização que o suspendeu, está a enviar um sinal político muito claro: existe vontade de reconstruir pontes.</p>



<p>Cabe agora às autoridades guineenses corresponder a esse sinal, criando condições que reforcem a confiança internacional, consolidem as instituições e permitam que a Guiné-Bissau volte a ocupar plenamente o lugar que historicamente lhe pertence na CPLP. Em política externa, tão importante como ter razão é saber criar as condições para transformar essa razão em entendimento.</p>
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		<title>O Calvário das Três Assinaturas (Cartão de Cidadão)</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/o-calvario-das-tres-assinaturas-cartao-de-cidadao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2026 23:00:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[burocracia digital]]></category>
		<category><![CDATA[digitalização dos serviços públicos]]></category>
		<category><![CDATA[renovação do cartão de cidadão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao Cuidado do Conselho de Sábios Analógicos da ARTE (Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, I.P.)</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao Cuidado do Conselho de Sábios Analógicos da ARTE (Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, I.P.)</p>



<p>Ao Excelentíssimo Senhor Presidente do Conselho Diretivo, Engenheiro Manuel Dias. À Vogal das Linhas Tortas, Mónica Letra, ao Vogal do Bloqueio Permanente, João Roque Fernandes</p>



<p><em>Exmos. Senhores,</em></p>



<p><em>É com o dedo indicador esquerdo a tremer de indignação &#8211; uma vez que o direito foi sacrificado no altar da vossa transição digital &#8211; que a recém-eleita direção do F.O.D.A.S.E.(Federação de Organizações de Demagogia e Alianças Secretas Eleitorais), toma a palavra. Acabámos de receber o vosso pedido de &#8220;averiguação forense&#8221;, onde solicitam o número de telefone que originou a chamada para a vossa linha de apoio (21 048 9010).</em></p>



<p><em>A vossa capacidade de transformar um problema técnico num mistério digno de Agatha Christie é, de facto, assinalável. Pedem o número de telemóvel para investigar por que razão um cidadão tem de assinar três vezes o mesmo documento? Se o vosso sistema informático exige um código por página, não precisam de um detetive privado; precisam de um programador que não tenha aprendido a codificar numa máquina de calcular de 1982.</em></p>



<p><em>Como o meu telemóvel original explodiu devido à radiação térmica de tanto receber SMS de validação, deixo-vos o contacto alternativo da sede do F.O.D.A.S.E. No entanto, alerto-vos: a nossa linha só atende se digitarem o código PIN ao ritmo do hino nacional.</em></p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>O Triunfo do Masoquismo Estatal</em></strong></h4>



<p><em>A liderança de António Cadabulho assume-se profundamente fascinada pelo vosso trabalho. O Engenheiro Manuel Dias, com o seu passado na Microsoft, conseguiu o impensável: injetar o conceito de &#8220;Ecrã Azul da Morte&#8221; diretamente no sistema nervoso dos portugueses.</em></p>



<p><em>O vosso fluxo de trabalho digital superou a genialidade de Franz Kafka. Dividir a assinatura de um relatório de três páginas num sofrimento em três atos é puro sadismo burocrático:</em></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong><em>Ato I (A Ilusão):</em></strong><em> O cidadão digita o PIN da Chave Móvel Digital. Espera pelo SMS. O código chega. A primeira página está assinada. Há um brinde mental à modernização do país.</em></li>



<li><strong><em>Ato II (O Castigo):</em></strong><em> O sistema apaga o sorriso da cara do utilizador. Avança para a página dois e exige&#8230; tudo de novo. Novo PIN. Novo SMS. O suor frio começa a descer pela espinha.</em></li>



<li><strong><em>Ato III (O Colapso):</em></strong><em> Terceira página. Terceiro SMS. O cidadão já não usa os dedos; bate com a testa no teclado, chora copiosamente e pede perdão por crimes que não cometeu.</em></li>
</ul>



<h4 class="wp-block-heading"><strong><em>O Novo Plano Estratégico proposto pelo F.O.D.A.S.E.</em></strong></h4>



<p><em>Como a ARTE parece empenhada em fazer o país regressar ao ano de 1995 com internet discada, António Cadabulho propõe formalmente a fusão da vossa agência com o F.O.D.A.S.E. Para o próximo plano de desmaterialização, sugerimos a implementação imediata das seguintes medidas:</em></p>



<ol class="wp-block-list">
<li><strong><em>Autenticação por Espirro:</em></strong><em> Para assinar a página quatro, o utilizador deve gravar um áudio a espirrar três vezes para provar que está vivo.</em></li>



<li><strong><em>O Selo Branco Digital:</em></strong><em> Após a introdução do quinto SMS de validação, o cidadão deve lamber o ecrã do computador para selar o documento com ADN.</em></li>



<li><strong><em>Burocracia Circular:</em></strong><em> Um sistema revolucionário onde, após assinar digitalmente, o utilizador recebe um e-mail a ordenar que imprima o PDF, o assine à mão, o digitalize e o envie por telebip.</em></li>
</ol>



<p><em>Parabéns à Troika da Ineficiência: Manuel Dias, Mónica Letra e João Roque Fernandes. Os senhores conseguiram provar que, em Portugal, a fibra ótica serve perfeitamente para nos enforcar em alta definição.</em></p>



<p><em>Com os meus mais sinceros votos de que o vosso servidor mude de PIN a cada cinco segundos,</em></p>



<p><em>António Cadabulho</em></p>



<p><em>Presidente do F.O.D.A.S.E. (Federação de Organizações de Demagogia e Alianças Secretas Eleitorais)</em></p>



<p class="has-text-align-center">Para os que preferem ver bonecos:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="576" height="864" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png" alt="" class="wp-image-50288" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png 576w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/image-1-200x300.png 200w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-calvario-das-tres-assinaturas-cartao-de-cidadao/">O Calvário das Três Assinaturas (Cartão de Cidadão)</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PARTILHEM, O SILÊNCIO É CÚMPLICE</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/partilhem-o-silencio-e-cumplice/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2026 09:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[crimes de guerra de Israel]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio do povo palestiniano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Israel pode ter eleições, mas não é uma dmocracia. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/partilhem-o-silencio-e-cumplice/">PARTILHEM, O SILÊNCIO É CÚMPLICE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Israel ainda há quem tente salvar a face do Estado, perante os crimes de guerra e o genocídio dos palestinianos em curso. São casos raros, mas de gente corajosa. Para tentar contornar os filtros censórios não escrevo nem falo o nome dessa pessoa. É um jornalista que tem alguma notoriedade noutras redes sociais. O nome dele vem escrito na imagem, em cima à direita.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id=""><iframe title="Israelitas contra o genocídio" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/IGFRq7IpFgw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p>O sistema carcerário e penal israelita deve ser dos mais brutais e injustos em todo o mundo. Não se percebe como os regimes democráticos convivem com isso. Por estes dias, o caso do médico Abu Safiya tornou-se num símbolo da luta pela justiça e liberdade.</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Libertem os Prisioneiros" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/ZPfXlbsMWVY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p>Fiz reportagens em Israel, Cisjordânia e Gaza nos anos de 1989 e 2013. O intervalo temporal entre as duas viagens permitiu-me perceber que a política israelita de asfixia dos territórios ocupados era sistemática e cada vez mais severa. O tempo mudou a natureza do conflito, que começou por ser de ocupação territorial para, agora, ser de extermínio da população palestiniana.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Gaza e Palestina, reportagem de 2014" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/tJUrgEjVTms?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/partilhem-o-silencio-e-cumplice/">PARTILHEM, O SILÊNCIO É CÚMPLICE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>MILITARIZAÇÃO EM CURSO EM UNIVERSIDADES ALEMÃS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[indústria de armamento da Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[militarismo]]></category>
		<category><![CDATA[rearmamento da Alemanha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chaminés da Rheinmetall e da KNDS Deutschland exalam o aço frio dos tanques e das munições que a Europa novamente reclama</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há cidades cuja geografia é marcada pelo rio, pela serra ou pelo mar. Kassel, no coração da Alemanha, também tem o rio Fulda, mas nela vê-se a marca da cinza. Quem percorre as suas ruas da cidade baixa, mesmo nas manhãs mais límpidas, sente um peso na terra um eco subterrâneo de 1943, quando 75% da cidade ruíram sob o fogo dos Aliados, pagando o preço de ser, já nessa altura, um bastião da indústria bélica. Hoje, as chaminés da Rheinmetall e da KNDS Deutschland não fumegam pólvora, mas exalam o aço frio dos tanques e das munições que a Europa novamente reclama. E é precisamente nesta cidade, tão linda e com tantos parques, onde a História parece ter-se esquecido de sarar, que se trava uma batalha silenciosa, mas fundamental, pelo futuro da razão académica.</p>



<p>Em causa está a revogação da chamada «Zivilkausel», a cláusula civil de paz, na Universidade de Kassel. Setenta instituições de ensino superior alemãs subscreveram, outrora, o compromisso de que a investigação científica se consagraria, exclusivamente, a fins pacíficos. Kassel era uma dessas vozes éticas no deserto do progresso técnico. Contudo, a nova vaga de rearmamento que varre a Alemanha, esse <em>Zeitenwende</em> que tantos aplaudem como necessidade geopolítica, ameaça agora transformar os laboratórios em extensões dos quartéis. A ciência, que deveria ser o farol da humanidade, corre o risco de se tornar a bússola da artilharia.</p>



<p>O problema não reside na pureza abstrata da investigação, sabemos que o conhecimento é, por natureza, ambivalente e que os frutos da física podem alimentar hospitais ou mísseis. A questão crucial é a <em>intencionalidade</em> e a <em>influência.</em> Quando a maior concentração de indústria armamentista do país se instala à porta da universidade, abolir a cláusula de paz não é um gesto de transparência; é um convite aberto para que o dinheiro sujo da guerra dite as prioridades científicas. E a tragédia anuncia-se em dois atos: em primeiro lugar, os fundos públicos, que deveriam nutrir o espírito crítico e a coesão social, poderiam ser desviados para financiar a morte. Em segundo lugar, e mais sinistro, a universidade deixaria de ser o templo do debate para se tornar o escritório de projetos das multinacionais do aço.</p>



<p>Perante este cenário, o Senado da Universidade hesita. Composto por apenas três estudantes, nove professores, três académicos e dois administrativos, este órgão reflete um desequilíbrio de poder gritante, a voz dos que aprendem é abafada pelos que já decidiram. Após três horas de discussão, o Conselho Académico adiou a decisão. Mas o adiamento, longe de ser uma vitória, cheira a tática de dilação. A sugestão de criar uma comissão de ética é, no limite, uma manobra burocrática, uma cortina de fumo para ganhar tempo e esvaziar a resistência que, entretanto, se ergue com cartazes e gritos do lado de fora do campus. A ASTA, representação estudantil, apela a uma votação geral, um gesto democrático que a razão louva, mas que a urgência do momento condena – porque, enquanto se contam votos, os canhões continuam a ser forjados.</p>



<p>Mas o que está em jogo transcende as fronteiras do estado do Hesse. A Alemanha, pela sua força económica e moral, é um modelo. E quando a Alemanha se militariza, todo o continente estremece. Países como Portugal, situados na margem atlântica, sentem a pressão tectónica deste rearmamento. Num país que deveria semear o espírito social, a cultura de paz e a resiliência comunitária, a onda belicista germânica ameaça impor uma lógica de subalternidade: “Se a Alemanha se rearma, nós também temos de o fazer.” Mas esta é uma falácia perigosa. A Europa não precisa de mais exércitos; precisa de mais pedagogia. Precisa de dominar a arte da diplomacia e da fraternidade, em vez de competir na corrida ao armamento.</p>



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</div>



<p>A vontade militar e o delírio belicista avançam a passos largos na sociedade germânica, infiltrando o discurso político, a imprensa e agora a academia. Para onde caminha a Alemanha dos nobres poetas e dos pensadores? Mas as universidades devem ser os baluartes contra essa maré. Criar espaços de guerra dentro dos muros onde se cultiva o saber é uma contradição tão absurda como cultivar espinhos num jardim de flores. O exército já tem os seus quartéis onde pode ter os seus laboratórios; a ciência deve ter os seus laboratórios de paz.</p>



<p>A memória de Kassel, essa cidade arrasada até aos alicerces, deve servir de advertência. Os fantasmas de 1943 não pedem vingança; pedem memória. Revogar a cláusula de paz agora, quando o dinheiro manda e a Europa rearma, não é apenas um precedente perigoso para outras universidades que observam este caso; é uma traição àqueles que, sobre os escombros, juraram que nunca mais.</p>



<p>Apelamos, pois, à razão e ao coração de cada cidadão europeu. A razão diz-nos que a investigação civil e a ética não são obstáculos ao progresso, mas a sua única garantia de sustentabilidade. O coração diz-nos que os jovens que hoje protestam em Kassel são a consciência viva de um continente que já se despedaçou duas vezes. Não os deixemos sós. Que a Europa não se deixe cegar pelo brilho efémero do aço. Que a cláusula de paz não seja um papel rasgado ao vento, mas o alicerce sobre o qual construímos, finalmente, uma cultura de paz duradoura. Porque, se a universidade deixar de ser o lugar onde se sonha com um mundo melhor, quem o fará por nós?</p>
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		<title>O KARMA É LIXADO!…</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 18:37:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[BAZUKA]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[ex-diretor da PJ apanhado em escutas judiciais]]></category>
		<category><![CDATA[fugas de informação]]></category>
		<category><![CDATA[Luís Neves]]></category>
		<category><![CDATA[Ministro da Administração Interna apanhado em escutas judiciais]]></category>
		<category><![CDATA[segredo de Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A divulgação sistemática de informações que deveriam estar no segredo de Justiça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A divulgação sistemática de informações que deveriam estar no segredo de Justiça, não só para garantir que a investigação possa prosseguir sem alertar os possíveis infractores, mas também, e principalmente, para que estes não possam ser incriminados pela população antes de julgados, e condenados, não é um problema exclusivo dos portugueses. Acontece um pouco por todo o mundo, mas obviamente com mais frequência nos países latinos e de terceiro mundo.</p>



<p>A diferença, em Portugal, é que estas informações são cirurgicamente usadas para atacar e destruir adversários ou derrubar um concorrente directo quer na política quer na profissão. E são conseguidas com uma facilidade que nos deveria preocupar.</p>



<p>Todos vimos, já, nos diversos canais de televisão, as gravações da audição de arguidos, em primeiro interrogatório pelo Ministério Público, por vezes na presença do Juiz. O caso do ex-Primeiro Ministro José Sócrates é um desses exemplos.</p>



<p>É rara a semana sem “fuga de informações em segredo de Justiça”, que serão amplamente usadas pela Comunicação Social. Não havendo qualquer preocupação dos responsáveis no sentido de detectar os autores desse crime. Porque é um crime.</p>



<p>A verdade é que esta realidade é da conveniência de muitos. A acusação deixa passar as informações que lhe interessam sejam conhecidas, de modo que a “opinião publicada” influencie a opinião pública condenando, antecipadamente, os arguidos. Principalmente aqueles contra os quais não haja provas concludentes da sua culpabilidade.</p>



<p>Isto porque, se o arguido chegar ao Tribunal fragilizado “pela certeza absoluta da sua culpabilidade” por parte dos seus conterrâneos, envenenados durante meses e meses com informações falsas, ou deturpadas, ou incompletas (o que acaba por dar no mesmo) as probabilidades de dali sair absolvido são mínimas.</p>



<p>E nas poucas vezes em que tal acontece continuará a ser, para a imensa maioria da população, culpado (como aconteceu no caso recente do desaparecimento de uma mulher grávida, na Murtosa, com o homem acusado de a ter assassinado apesar de ter sido absolvido por um Tribunal de Júri e pelo Tribunal da Relação).</p>



<p>E porquê? Porque sim. Porque toda a gente sabe o que os jornais, as estações de rádio e os canais de televisão disseram. Porque toda a gente ouviu os ilustres comentadores a garantir essa culpabilidade. Para a comunicação social estas fugas são um maná. O aumento de vendas de jornais e de audiências nas rádios e televisões é, atualmente, para muitos desses órgãos, o grande objectivo. Maior do que escrever textos isentos.</p>



<p>Também por isso, o grande poder em Portugal pertence, hoje, aos representantes da justiça. Os magistrados e autoridades policiais têm mais força e influência do que qualquer político porque este estará, a qualquer momento, sujeito a uma devassa total à sua vida incluindo escutas telefónicas que podem durar anos.</p>



<p>Isso mesmo é reconhecido, e aceite, por todos. Como se prova pelo facto de os magistrados auferirem ordenados muito superiores aos principais políticos do país. É rara a semana em que um destes não seja alvo de ataques, vindos muitas vezes de quem menos esperam.</p>



<p>O mais recente exemplo (ia escrevendo “o último exemplo”, mas corrigi a tempo) é o do actual Ministro da Administração Interna, Dr. Luís Neves, que deixou o cargo de Director-Nacional da Polícia Judiciária, onde tinha feito um trabalho por muitos elogiado.</p>



<p>Acusam-no, poucos meses depois de tomar posse, de tirar proveito da ligação com um empreiteiro (e divulgam gravações telefónicas entre ambos), que teria conseguido dez por cento de todas as obras levadas a cabo por aquela polícia, quando dos seus mandatos, para conseguir, posteriormente, algum proveito em obras numa (ou duas) casa(s) sua(s) num monte alentejano. E colocam em causa a legitimidade nalgumas daquelas empreitadas pagas pela Polícia Judiciária.</p>



<p>Divulgam, agora. Agora que já não é o Director-Nacional da Polícia Judiciária. Agora que é Ministro. Agora que é político. A imensa maioria das pessoas que conheço poem as mãos no fogo pela honestidade e integridade do Dr. Luís Neves. Nem me atrevo a duvidar da mesma. Todavia… o Karma é lixado.</p>



<p>Fosse hoje e talvez tivesse, no seu antigo posto, lutado com mais convicção contra aqueles que beneficiam deste nojo que são as fugas de informação.</p>
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		<title>A SOLIDÃO DOS COMPETENTES</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/a-solidao-dos-competentes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 23:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[TEMPO de PENSAR]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento ativo]]></category>
		<category><![CDATA[experiênciaprofissional]]></category>
		<category><![CDATA[saber fazer]]></category>
		<category><![CDATA[velhos são os trapos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma sociedade que afasta os seus competentes não os torna menos competentes. Torna-se apenas mais pobre.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao longo da vida, algumas pessoas acumulam conhecimento, experiência, capacidade de análise e sentido de responsabilidade. Aprendem a resolver problemas, a antecipar dificuldades, a tomar decisões em momentos complexos e a assumir consequências. Esse percurso não acontece de um dia para o outro. É construído através de anos de trabalho, de erros corrigidos, de sucessos alcançados e de fracassos superados. Mas existe um momento em que muitos desses homens e mulheres descobrem algo inesperado. Quanto mais sabem, menos são ouvidos. Quanto mais experiência acumulam, menos espaço lhes é concedido para a utilizar.</p>



<p>A sociedade contemporânea valoriza frequentemente a novidade acima da profundidade. O imediato acima do duradouro. A aparência da inovação acima da substância do conhecimento.<br>Quem alerta para os riscos é muitas vezes visto como pessimista. Quem recorda experiências anteriores é acusado de estar preso ao passado. Quem procura ponderação é considerado lento num mundo que vive obcecado pela velocidade.</p>



<p>Muitos profissionais experientes conhecem bem esta realidade. São chamados para cerimónias, homenagens e discursos. Mas raramente são integrados nos processos onde poderiam continuar a contribuir. São respeitados simbolicamente, mas ignorados na prática. É uma forma subtil de exclusão.</p>



<p>A competência continua a ser reconhecida. O problema é que deixou de ser utilizada. E quando isso acontece surge uma sensação difícil de explicar. A pessoa continua capaz. Continua lúcida. Continua disponível. Mas percebe que o seu conhecimento deixou de ser procurado. Não porque tenha perdido valor. Mas porque a sociedade se habituou a procurar respostas rápidas em vez de reflexão aprofundada.</p>



<p>Esta solidão não afeta apenas os mais velhos. Também atinge profissionais de diferentes idades que recusam o facilitismo, que procuram fazer bem o seu trabalho e que mantêm um forte sentido de exigência consigo próprios. Em muitos ambientes, a competência pode tornar-se desconfortável. Porque questiona. Porque exige rigor. Porque desmonta ilusões. Porque lembra que os resultados dependem de esforço, preparação e responsabilidade. Por isso, os competentes encontram-se frequentemente isolados. Não por escolha. Mas porque a mediocridade organizada tende a proteger-se de quem expõe as suas fragilidades.</p>



<p>A história mostra, contudo, que as sociedades avançam graças a pessoas que persistem apesar desse isolamento. Investigadores, professores, médicos, engenheiros, artistas, empresários, trabalhadores anónimos e cidadãos comuns que continuaram a fazer o que acreditavam ser correto, mesmo quando o reconhecimento tardava. A verdadeira competência raramente é ruidosa. Não procura aplausos permanentes. Procura utilidade. Procura contribuir. Procura deixar algo melhor do que encontrou.</p>



<p>Talvez por isso a sociedade tenha o dever de prestar mais atenção aos seus competentes. Não para os transformar em figuras intocáveis.<br>Mas para aproveitar aquilo que sabem. Porque quando os competentes se calam, perde-se mais do que conhecimento. Perde-se discernimento. Perde-se memória. Perde-se capacidade de antecipar erros. Perde-se inteligência coletiva.</p>



<p>Uma sociedade que afasta os seus competentes não os torna menos competentes. Torna-se apenas mais pobre. E talvez uma das grandes tarefas do nosso tempo seja precisamente esta: criar condições para que o conhecimento, a experiência e a competência continuem a ter voz. Porque o futuro constrói-se com inovação. Mas sustenta-se sempre sobre aquilo que os competentes aprenderam antes de nós.</p>



<p><br></p>
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		<title>A ROMARIA DE NOSSO SENHOR DOS CAMINHOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 09:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[a vida na aldeia]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de infância]]></category>
		<category><![CDATA[Rãs]]></category>
		<category><![CDATA[romaria]]></category>
		<category><![CDATA[romaria de Nosso Senhor dos Caminhos]]></category>
		<category><![CDATA[Sátão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>quando era criança eu ia com meus pais à romaria de Nosso Senhor dos Caminhos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ano a ano, quando era criança, no último dia de Maio, eu ia com meus pais, todos os anos, à romaria de Nosso Senhor dos Caminhos, que tinha a sua Capela nas Rãs, uma pequena povoação do concelho do Sátão a que se associam hoje as povoações de Romãs e Decermilo. Beira Alta plena.</p>



<p>Partíamos às seis horas, ainda manhã alta e sonolenta, na camioneta da carreira e, trinta quilómetros andados, estávamos nas Rãs. Descíamos agora a pé, meia hora a bom andar, até ao Santuário do Senhor dos Caminhos, levantado num chão com cercania de pinheiros, não longe do curso do rio Vouga, que tem nascente perto, a dois passos da Senhora da Lapa e que ali corre ainda devagar.</p>



<p>Havia já tendas armadas no lugar, ouvia-se o bru-á-á da gente em rodopio, romeiros que, de joelhos, davam voltas à capela e outros, como nós, entrando na capela, davam as três voltas rituais em redor do altar-mor, que isso permitia a arquitectura do lugar. Meu pai entregava umas moedas, por esmola, ao mordomo sentado numa mesa ali ao pé e trazia para casa o “registo” do Senhor dos Caminhos no seu altar, impresso em cor azul que minha mãe, ao chegar a casa, colava no frontal com massa de pão e ali ficava até à próxima romaria.</p>



<p>A procissão vinha da aldeia, Santo Lenho sob o pálio, a banda seguindo a tocar, foguetes no ar a estralejar, anjinhos no seu lento caminhar, um mar de gente e os andores com imagens que pareciam naturais e que contavam a caminhada de Cristo para o Calvário, imagens de uma cenografia exemplar a deslumbrar meus olhos de criança. Havia, depois, aquela longa cerimónia, a missa e o sermão, missa cantada com a banda a acompanhar. Gente apertada na capela. Incenso perfumando o ar. Ao findar da cerimónia, meio-dia já passado, voltava o alegre vozear da gente.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="571" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1024x571.png" alt="" class="wp-image-50157" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1024x571.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-300x167.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-768x428.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1536x857.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-696x388.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1392x777.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1068x596.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x-1320x736.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/romaria-n-s-dos-caminhos-2x.png 1814w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
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<p>A gente sentava-se numa mesa de taberna improvisada. Cheirava bem, ao abrir-se uma bolsa de retalhos, onde vinha o galo assado, o salpicão, pastéis de bacalhau e as fritas que hoje chamamos rabanadas. Comprava-se ao vendeiro o vinho que (supostamente) era do Dão e os pães de trigo de quatro quartos, que, ainda hoje, comprados na Lapa, sabem bem.</p>



<p>Demorava-se a gente no terreiro. Encontravam-se por lá amigos certos com os quais os adultos se entretinham a falar. Armados numa vara, um homem circulava vendendo os eternos “moinhos de papel”, de cores vistosas, que nós chamávamos “ventoinhas” e que uma brisa leve fazia rodopiar. Em tendas pequeninas, que os mordomos deixavam armar em lugar já marcado por velha tradição, as doceiras vendiam confeitos e beijinhos, rebuçados, doce da Teixeira, cavacas e santinhas doces com imagem de papel.</p>



<p>E, quando a tarde caía, demorada, subíamos a ladeira por onde toda a gente vinha a pé e esperávamos, na estrada, a meio da aldeia, a paragem da camioneta que vinha de Viseu e nos levava.</p>



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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="605" height="406" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao.jpg" alt="" class="wp-image-50150" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao.jpg 605w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px" /><figcaption class="wp-element-caption">Santuário de Nosso Senhor dos Caminhos. Rãs. Sátão.</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="603" height="340" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-2.jpg" alt="" class="wp-image-50151" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-2.jpg 603w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/santuario-satao-2-300x169.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 603px) 100vw, 603px" /><figcaption class="wp-element-caption">Santuário de Nosso Senhor dos Caminhos (1905). Rãs. Sátão. A colunata visível, à esquerda, construída em desconhecida data para abrigo de romeiros, roubada a cobertura, nunca chegou a ser utilizada como tal. Permanece como poética memória na paisagem.</figcaption></figure></div></div>
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		<title>O PAÍS ENCALHADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Martins]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 08:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[economia de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[modelo de desenvolvimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os países que lideram o desenvolvimento científico e industrial não afastam investigadores nem atrasam pagamentos aos bolseiros da investigação…</p>
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<p>Os países que lideram o desenvolvimento científico e industrial não afastam investigadores nem atrasam pagamentos aos bolseiros da investigação…</p>



<p>Mas Portugal continua a privilegiar o sector do turismo e dos serviços, como se daí conseguissemos dar emprego decente aos nossos jovens.</p>



<p>O que dizem as parangonas sobre o nosso crescimento do PIB, não nos leva para perto, sequer, dos parceiros europeus. É um crescimento sempre abaixo dos 70% da média europeia.</p>



<p>A nossa dívida externa, que não é para pagar mas para gerir (ouvi dizer), esmaga a  possibilidade de subirmos no <em>ranking</em> europeu. O tecido empresarial é maioritariamente de micro, pequenas e médias empresas e quase todas viradas para os serviços e para o turismo.</p>



<p>Produz-se pouco e estamos sempre, mas sempre, dependentes dos fundos estruturais.</p>



<p>O investimento externo não vem, porque a justiça é lenta e o fisco injusto. O que vemos é um marcar passo permanente porque continuamos com mão de obra de baixos salários, tão baixos que nem servem para animar o mercado interno.</p>



<p>Como é que se passa para uma economia que tem a sua estrutura no conhecimento e inovação, se se aposta no imobiliário, turismo, serviços…?</p>



<p>Pagamos caro as formações dos nossos jovens e eles, findo os cursos, não vêm hipótese nenhuma em conseguir empregos capazes por cá. Emigram para os países que não gastaram um cêntimo nessas formações.</p>



<p>Mas que atraso de vida.</p>



<p>E a música deste fado que não nos larga:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="589" height="81" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fado.jpg" alt="" class="wp-image-50217" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fado.jpg 589w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fado-300x41.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-pais-encalhado/">O PAÍS ENCALHADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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