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	<title>Arquivo de Lifestyle &amp; Gadgets - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Lifestyle &amp; Gadgets - Duas Linhas</title>
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		<title>PULHÍTICOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 23:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[descredibilização da política]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Alfredo Quintas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ide-vos foder, então, com a vossa retórica oca</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading"><strong>PULHÍTICOS</strong></h4>



<p>Ide-vos foder<br>pela vossa ideação que é nada,<br>um vácuo ornado de fausto e de gravata,<br>onde o pensamento morre antes da rima<br>e a ética é uma velha que vos chateia a lata.<br>Por sigma de tudo o que dizeis soberano<br>— esse cálculo frio de quem subtrai o humano —<br>ide-vos foder, sim, mas com decoro,<br>para que o vosso brio não manche o vosso tesouro.</p>



<p>Deixem, porém, o estigma da República intacto,<br>essa ferida aberta que é o nosso único pacto.<br>E de acto instado, sem demora ou prece,<br>ide-vos foder antes que o sol arrefeça.</p>



<p>Acometam minorias com o vosso desprezo eleito,<br>e maiorias com o pão que lhes tirais do peito.<br>Diverti-vos no circo que vós mesmos montais,<br>onde o palhaço é o povo e os donos são os animais.<br>Congeminem leis, parideiras de nenhures,<br>para que a grei se perca em labirintos escuros,<br>entre cortes de verbas e recortes de jornais,<br>onde a verdade é o que menos nos dizeis, ou jamais.</p>



<p>Ó vós, arquitetos do lodo e do engodo,<br>que pensais que o mundo é o vosso prato de lodo!<br>Se a ontologia vos desse um espelho de frente,<br>veríeis apenas o verso de um ente ausente.<br>Filosofais sobre o bem enquanto o mal vos assiste,<br>numa dialética de dar dó, de tão triste.<br>É o ser contra o parecer, o nada contra a massa,<br>e no intervalo do vosso ego, a decência passa.</p>



<p>Fazei das vossas sedes catedrais do vazio,<br>onde a honra naufraga num copo de rio.<br>Mas deixem o estigma da República intacto,<br>não por respeito, que isso é termo abstrato,<br>mas porque até o parasita precisa do hospedeiro,<br>e sem a república, não sois mais que o nevoeiro.</p>



<p>Ide-vos foder, então, com a vossa retórica oca,<br>onde a mentira é a língua que vos move a boca.<br>Mas ide-vos foder com a consciência (se houver)<br>de que a História vos cospe quando vos vê passar, ou sequer.</p>
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		<title>O GUIA DE SOBREVIVÊNCIA URBANA: COMO NÃO SE PASSAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 11:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[crónicas sarcásticas]]></category>
		<category><![CDATA[idiotas]]></category>
		<category><![CDATA[sátira social]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A estupidez humana é a única energia renovável que o planeta ainda não aprendeu a explorar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A estupidez humana é a única energia renovável que o planeta ainda não aprendeu a explorar. Como ela é abundante e gratuita, o melhor que tem a fazer é proteger-se. Siga este protocolo rigoroso:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li><strong>Olhar de Peixe Morto:</strong> Quando alguém começar a explicar uma teoria da conspiração baseada num vídeo de três segundos, não discuta. Fixe os olhos num ponto invisível atrás da pessoa e acene lentamente. A ausência de atividade cerebral recíproca costuma afugentá-los.</li>



<li><strong>O Truque do Telemóvel Fantasma:</strong> Sinta o seu telemóvel vibrar a cada cinco minutos. Peça desculpa com uma cara de profunda preocupação financeira e afaste-se a dizer: <em>&#8220;Sim, chefe? Outra vez o reator nuclear?&#8221;</em></li>



<li><strong>Fones de Ouvido Gigantes:</strong> Use fones de ouvido que pareçam duas fatias de melancia coladas às orelhas. Mesmo que não esteja a ouvir nada, eles funcionam como um sinal universal de <em>&#8220;Não existo para o mundo&#8221;</em>. Se alguém insistir em falar consigo, aponte para os fones, abane a cabeça com tristeza e continue a andar.</li>



<li><strong>Concordância Absoluta e Absurda:</strong> Se o confrontarem com uma idiotice monumental, não tente educar a pessoa. Diga apenas: <em>&#8220;Tens toda a razão, e acho que o governo devia proibir os pássaros porque são todos drones das secretas.&#8221;</em> O estúpido ficará confuso ou validado, mas a conversa acabará mais depressa.</li>
</ul>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="798" height="607" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/arvore-da-decisao.jpg" alt="" class="wp-image-50539" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/arvore-da-decisao.jpg 798w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/arvore-da-decisao-300x228.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/arvore-da-decisao-768x584.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/arvore-da-decisao-696x529.jpg 696w" sizes="(max-width: 798px) 100vw, 798px" /></figure></div></div></div>
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		<title>O TRIÂNGULO ISÓSCELES*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 23:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crimes sexuais]]></category>
		<category><![CDATA[Donald Trump]]></category>
		<category><![CDATA[Julian Assange]]></category>
		<category><![CDATA[justiça e política]]></category>
		<category><![CDATA[Karim Khan]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>a justiça pode ser usada como arma política</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Karim Khan caiu. Oficialmente, por alegada &#8220;má conduta grave&#8221;. Politicamente, há uma coincidência que merece reflexão. O procurador do Tribunal Penal Internacional que ousou pedir a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/06/criminosos-de-guerra/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2024/06/criminosos-de-guerra/">detenção de Benjamin Netanyahu</a></strong> acabou afastado na sequência de acusações de abuso sexual. Não cabe discutir aqui a sua culpa ou inocência. Mas é impossível ignorar o momento em que tudo aconteceu.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="792" height="935" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/khan.png" alt="" class="wp-image-50546" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/khan.png 792w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/khan-254x300.png 254w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/khan-768x907.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/khan-696x822.png 696w" sizes="(max-width: 792px) 100vw, 792px" /><figcaption class="wp-element-caption">Karim khan, procurador-geral do Tribunal Penal Internacional</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>É inevitável recordar Julian Assange. Também ele foi acusado de crimes sexuais pouco depois de revelar documentos que expunham crimes de guerra cometidos pelos Estados Unidos no Iraque e no Afeganistão. As acusações acabariam arquivadas, mas serviram para o manter privado da liberdade durante anos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="726" height="893" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/assange.png" alt="" class="wp-image-50549" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/assange.png 726w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/assange-244x300.png 244w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/assange-324x400.png 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/assange-696x856.png 696w" sizes="(max-width: 726px) 100vw, 726px" /><figcaption class="wp-element-caption">Julian Assange, jornalista, fundador do site Wikileaks</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não afirmo que as denúncias contra Khan ou <strong><a href="https://duaslinhas.pt/tag/julian-assange/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/tag/julian-assange/">Assange</a></strong> fossem falsas. Afirmo apenas que, nos dois casos, o debate deixou de ser os crimes de guerra para passar a ser a vida privada dos seus protagonistas. A atenção pública mudou de alvo.</p>



<p>Curiosamente, a regra parece deixar de funcionar quando o visado é <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/as-farras-de-trump/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/02/as-farras-de-trump/">Donald Trump</a></strong>. Também ele enfrentou uma sucessão de processos judiciais e acusações pessoais. A diferença é que nunca foi politicamente neutralizado. Pelo contrário: transformou os tribunais em palco eleitoral e regressou à Casa Branca.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="799" height="949" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/trump-3.png" alt="" class="wp-image-50551" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/trump-3.png 799w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/trump-3-253x300.png 253w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/trump-3-768x912.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/trump-3-696x827.png 696w" sizes="auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption">Donald Trump, Presidente dos EUA</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Este triângulo Assange &#8211; Khan &#8211; Trump mostra como a justiça pode ser usada como arma política. Mas a sua eficácia depende de quem ocupa o banco dos réus. Assange denunciou crimes de guerra e acabou a defender-se de acusações sexuais. Karim Khan investigou crimes de guerra e vai ter de se defender de acusações sexuais. Trump foi acusado de crimes sexuais e acabou a denunciar perseguição política. Por estas trajetórias adivinhamos como a justiça não consegue permanecer imune às disputas de poder.</p>



<p><sub>*O triângulo isósceles é aquele que tem dois lados iguais. Ou o que tem um lado desigual.</sub> </p>
</div></div>
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		<title>CAMILO E A INFLUÊNCIA FRANCESA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/camilo-e-a-influencia-francesa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 09:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Camilo Castelo Branco]]></category>
		<category><![CDATA[Henri Heyne]]></category>
		<category><![CDATA[Manon Lescaut]]></category>
		<category><![CDATA[Stendhal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A influência da cultura francesa na sociedade e na literatura portuguesas da 2ª metade do século XIX</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p>A leitura de <em><strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/a-mulher-fatal/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/07/a-mulher-fatal/">A Mulher Fatal</a></strong> </em>deixou-me uma curiosidade por resolver: a reconhecida influência da cultura francesa na sociedade e na literatura portuguesas da 2ª metade do século XIX. E decidi ilustrar-me com a integração no seu tempo de três das passagens que recortara.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"><div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="293" height="494" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/prevost.jpg" alt="" class="wp-image-50515" style="width:303px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/prevost.jpg 293w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/prevost-178x300.jpg 178w" sizes="auto, (max-width: 293px) 100vw, 293px" /></figure></div>


<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Manon Lescaut</strong></em></h4>



<p>«Imaginei que ele estivesse alapado na tulha das Açudes, lendo alguns capítulos paradoxais de Manon Lescaut, ou quejando romance justificativo das paixões ignóbeis!» (p. 62).</p>



<p>Refere-se Camilo ao célebre romance de Antoine François Prévost, <em>Histoire du chevalier des Grieux et de Manon Lescaut</em> (1731), cuja heroína é precisamente Manon Lescaut, romance citado habitualmente apenas como <em>Manon Lescaut</em>.</p>



<p>Trata-se de um romance muito polémico , dado que &nbsp;Abade Prévost faz o leitor sentir enorme simpatia por duas personagens que, objetivamente, vivem fora da moral tradicional: Des Grieux mente, joga, rouba; Manon aceita presentes de amantes ricos; ambos vivem uma paixão que desafia a ordem social e religiosa. Muitos moralistas do século XVIII e do XIX censuraram precisamente isso: o romance parecia justificar o vício pela força do amor.</p>



<p>Mas&#8230; por que razão fala Camilo em «capítulos paradoxais»? Decertoaqueles em que Prévost consegue levar o leitor a admirar personagens moralmente condenáveis. Quiçá, uma irónica crítica, aqui, aos moralistas, que, por esse motivo, consideravam tais &nbsp;capítulos &#8220;paradoxais”.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Henri Heyne</strong></em></h4>



<p>«Que anjo naquele homem &nbsp;restituiria a Deus a sociedade, se ela não fosse em toda a parte, o inferno dos anjos e o paraíso dos demónios, como, da de Paris, dizia Henri Heyne! (p. 63).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="390" height="518" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Heinrich_Heine.png" alt="" class="wp-image-50517" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Heinrich_Heine.png 390w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Heinrich_Heine-226x300.png 226w" sizes="auto, (max-width: 390px) 100vw, 390px" /><figcaption class="wp-element-caption">Um quadro de Heine, por Moritz Daniel Oppenheim</figcaption></figure></div>


<p>A frase citada é, na verdade, frequentemente atribuída ao alemão Heinrich Heine (Henri Heyne na grafia francesa do apelido). Trata-se seguramente de uma paráfrase do pensamento de Heine sobre Paris, uma citação apócrifa que se não encontra <em>ipsis verbis</em> na sua obra, nomeadamente em<em> Französische Zustände</em> («Situação da França»), em <em>Lutetia</em> ou na correspondência. Heine viveu em Paris de 1831 até à morte; para ele, Paris era o centro da inteligência, da liberdade e da modernidade, mas também um lugar de corrupção moral e de tentações. De resto, a antítese «o paraíso de&#8230; / o inferno de&#8230;» foi um recurso retórico muito usado no século XIX.</p>



<p>Poder-se-á acrescentar que, não sendo uma citação literal, e como Camilo lia abundantemente jornais e revistas francesas e recorria frequentemente a florilégios de citações e como, por outro lado, Heine era um dos autores mais citados nesses repertórios da década de 1850-1870, tal é bem provável. Aliás, Heine morreu em 1856 e, entre 1856 e 1870, publicaram-se em França numerosas edições póstumas, colectâneas e memórias sobre ele:<em> Pensées de Henri Heine</em>, <em>L&#8217;Esprit de Henri Heine</em>, <em>Œuvres choisies</em>. Camilo podia muito bem ter lido uma dessas obras, em que Heine descreve a vida social parisiense, sobretudo os salões, a aristocracia, os meios literários e políticos.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p></p>



<p></p>



<h4 class="wp-block-heading has-text-align-left"><em><strong>Stendhal</strong></em></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="425" height="718" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Stendhal_L_Amour.jpg" alt="" class="wp-image-50519" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Stendhal_L_Amour.jpg 425w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Stendhal_L_Amour-178x300.jpg 178w" sizes="auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px" /></figure></div>


<p>«Na verdade, eu havia apostolado tão incompetente quanto inconvenientemente a contrição dos pecados. Demasiei-me, talvez, em desluzir-lhe as cristalizações do amor, formadas naquela alma, ramo desflorido e seco, submerso no lago congelado, conforme a teoria de Stendhal. A meu ver, cristalizações de lágrimas só o calor da mortalha as degela (p. 118).</p>



<p>Deveras curiosa a alusão à «teoria de Stendhal». A ideia é uma das mais célebres de Stendhal e encontra-se no capítulo II, sobre o nascimento do Amor, do ensaio <em>De l&#8217;Amour,</em> publicado em 1822. A imagem não é, porém, a de um lago gelado, mas a de um ramo seco mergulhado nas minas de sal de Salzburgo, onde fica revestido de cristais brilhantes:</p>



<p>«Nas minas de sal de Salzbourg, deita-se, pelo Inverno, nas profundezas abandonadas da mina um desfolhado ramo de árvore, dois ou três meses depois, retira-se recoberto de cristalizações brilhantes [&#8230;]. Já não é possível reconhecer o ramo primitivo», escreveu Stendhal.</p>



<p>Não pode, porém, deixar de apreciar-se como, aparentemente, singelos e despretensiosos apontamentos encerram em si tamanha densidade ideológica.</p>



<p>Camilo Castelo Branco é isso mesmo: uma fonte de saber inesgotável. Escrevia romances para economicamente sobreviver; mas é na análise miúda do que escreveu que reside a razão da sua sobrevivência como um escritor de todos os tempos.</p>
</div></div>
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		<title>O HOMEM QUE RECUSOU A REFORMA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[crimes de guerra de Israel]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio do povo palestiniano]]></category>
		<category><![CDATA[Mona Miari]]></category>
		<category><![CDATA[Roger Waters]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É um manifesto contra a indiferença</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há qualquer coisa de desconcertante em Roger Waters. Aos 82 anos, quando poderia viver confortavelmente da herança dos Pink Floyd, reaparece para reescrever <em>Comfortably Numb</em>, uma das canções mais emblemáticas do século XX. Não para a atualizar musicalmente, não para explorar a nostalgia de uma geração, mas para lhe dar uma nova vida política. Desta vez, a canção é dedicada ao povo palestiniano e à destruição de Gaza.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Entorpecimento" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/q78VGGlLzzQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<p>Não deixa de ser um gesto curioso. A versão original, integrada em <em>The Wall</em> (1979), era uma viagem ao interior de um homem emocionalmente anestesiado. A &#8220;dormência confortável&#8221; era uma metáfora para a alienação, para o trauma, para o isolamento de quem já não consegue sentir plenamente o mundo à sua volta.</p>



<p>Na nova versão, a anestesia muda de destinatário. Já não é um indivíduo que perdeu a capacidade de sentir. É uma sociedade inteira que parece habituar-se às imagens da guerra, aos escombros, às crianças mortas, aos hospitais destruídos e à normalização do horror. A insensibilidade deixa de ser psicológica para se tornar moral.</p>



<p>É uma inversão forte. Em 1979, a pergunta era: &#8220;Como é que um homem chega a este estado?&#8221; Em 2026, a pergunta é: &#8220;Como é que nós chegámos a este estado?&#8221; A intenção de Waters é clara: impedir que a repetição das imagens produza indiferença. Recordar que a capacidade humana de se habituar ao sofrimento alheio pode ser uma das mais perigosas formas de anestesia coletiva.</p>



<p>Mas também é interessante tentarmos perceber o que leva um octogenário recusar a tranquilidade da reforma para continuar a meter-se em batalhas que dividem a opinião pública e lhe garantem mais críticas do que aplausos? A resposta não está no dinheiro. Nem na fama. Nada disso é preocupação para um homem com a carreira feita há muito tempo.</p>



<p>Há pessoas para quem a arte nunca foi um lugar de conforto. Sempre foi um lugar de combate. Quem se lembrar de outras músicas de Roger Waters talvez perceba que o músico sempre fez da música um instrumento de confronto com a guerra, o poder, a propaganda e os mecanismos de manipulação. Há nisto uma coerência rara num artista que, mais de cinquenta anos depois, continua a correr riscos para defender aquilo em que acredita.</p>



<p>Na verdade, para além de coragem e coerência, a idade deu-lhe também essa liberdade. Quando já não existe uma carreira para proteger, uma editora para agradar ou um mercado para conquistar, desaparece também uma parte significativa do medo. A proximidade do fim da vida não leva necessariamente à resignação. Em alguns casos, produz exatamente o contrário: a urgência de dizer aquilo que sempre se considerou essencial.</p>



<p>Há quem procure paz. Outros procuram sentido. E há pessoas que nunca se reformam daquilo que são. Um professor continua a ensinar, mesmo sem sala de aula. Um cientista continua a fazer perguntas. Um escritor continua a escrever. Um músico continua a compor. Gente que teima em tentar mudar o mundo e que nunca se reconheceriam no espelho se deixassem de tentar.</p>



<p>A nova <em>Comfortably Numb</em> acaba por ser mais do que uma canção sobre Gaza. É um manifesto contra a indiferença. Neste tempo em que a informação circula à velocidade da luz e a emoção dura apenas alguns segundos, o maior risco não é a violência. É habituarmo-nos a ela.</p>



<p>Roger Waters parece acreditar que o pior destino não é sentir demasiado. É deixarmos de sentir. E essa continua a ser, quase meio século depois, a verdadeira mensagem de <em>Comfortably Numb</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1024x577.png" alt="" class="wp-image-50530" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1024x577.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1536x865.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1392x784.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/roger-water-com-mona-miari-no-estudio.png 1918w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Roger Waters com a cantora palestiniana Mona Miari (fotograma do videoclip)</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-homem-que-recusou-a-reforma/">O HOMEM QUE RECUSOU A REFORMA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A MULHER FATAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 08:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura de Camilo Castelo Branco]]></category>
		<category><![CDATA[livro A Mulher Fatal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O protagonista vai de amor em amor, sofredor e desastrado a maior parte das vezes e cai, por fim, mas mãos peçonhentas de Cassilda Arcourt.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/a-mulher-fatal/">A MULHER FATAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não fiquei desiludido, porque o retrato se me antojava, mais ou menos, como Camilo o descreve, com ares respirados em Paris, vestindo-o de roupagens voluptuosas, atraentes, perfumes fortes, olhar felino. E, por outro lado, insaciável devoradora de fortunas, depois que a tal a obrigava a sua intensa vida social no meio da burguesia lisboeta ou da fidalguia que não hesitava em arruinar-se em vassalagem à Beleza.</p>



<p>O protagonista, Carlos Pereira, vai de amor em amor, sofredor e desastrado a maior parte das vezes e cai, por fim, mas mãos peçonhentas de Cassilda Arcourt, mesmo depois de – na verdade – ter logrado uma existência aparentemente viável.</p>



<p>Mais do que uma vida campestre, o narrador – amigo e confidente do protagonista – delicia-se a contar das desgraças alheias no ambiente que apresenta como sendo o da Lisboa desses meados do século XIX.</p>



<p>Recorde-se que Camilo Castelo Branco nasceu em 1825 e este livro foi publicado em 1870, ou seja, quando o autor se considerava já velho de 45 anos.</p>



<p>Confesso que, sendo eu epigrafista e estudar epitáfios romanos em que se lavra a idade em que a morte ocorreu, esse foi o primeiro aspecto que mais me impressionou. Camilo, aos 45 anos, considerava-se velho, dando a entender ser mesmo essa a percepção das pessoas nessa altura. E o protagonista, Carlos Pereira, que ele diz ter conhecido em 1849, tinha 32 anos em 1857. «Em vinte anos», comenta Camilo, «enfolha, enflora, fruteia e fenece uma geração [&#8230;] E alguns tinham pavor da velhice dos 40 anos!» (p. 22 – estou a seguir a edição de Livros de Bolso Europa-América, nº 292).</p>



<p>Do ambiente burguês da capital os traços camilianos são os costumados: alojamento em hotéis, recepções em casa de amigos, noites de tavolagem, uma sociedade de expedientes, em que se antoja amiúde a compra de um título de Conde ou Marquês. Em relação à província, a figura que não se oblitera é a do padre sempre ganancioso, frequentemente a quebrar as juras do celibato.</p>



<p>Enganar-me-ia, contudo, se não alvitrasse ter sido a sua linguagem tersa, riquíssima, incisiva e pura o que mais me encantou, não só porque não hesitou em dar conta, aqui e ali, dos livros que se liam (que ele lia), sobretudo franceses, como se sabe, mas, de modo especial, pela sua exemplar sujeição à vernaculidade:</p>



<p>«Um homem que saíra em rapaz para África e lá vivera em navios, e sertões, e portos de mar, veniagando as suas mercadorias de carne viva com alma e feitio à semelhança do Criador» (p. 27).</p>



<p>&nbsp;Quase se esquece, por detrás das palavras, o seu significado: o homem foi… um negreiro!</p>



<p>«O milionário que se dói do ultraje compra diplomas de estima pública; isso é fácil: dê banquetes, embriague os convivas para a vertigem do baile; lá irá tudo, desde a honra que se vendeu até à honra que se almoeda» (p. 29).</p>



<p>Só esmiuçando se enxerga bem o que ele quer dizer: corrupção!</p>



<p>Aqui e além, uma nota erudita, não desprovida de carga irónica:</p>



<p>«Imaginei que ele estivesse alapado na tulha das Açudes, lendo alguns capítulos paradoxais de Manon Lescaut, ou quejando romance justificativo das paixões ignóbeis! (p. 62).</p>



<p>Ou ainda:</p>



<p>«Que anjo naquele homem &nbsp;restituiria a Deus a sociedade, se ela não fosse em toda a parte, o inferno dos anjos e o paraíso dos demónios, como, da de Paris, dizia Henri Heyne! (p. 63).</p>



<p>O toque crítico à mudança da toponímia das cidades por razões políticas:</p>



<p>«Quem se lembra já hoje da Rua do Coruche? Há doze anos que passou por ela o Progresso, esse iconoclasta implacável que subverte as coisas santas da religião artística de antiquários e poetas. O Progresso é barrigudo, não cabe em ruas estreitas. Aquela, a do Coruche, levou-a ele diante de si; e, como às cavaleiras desse pujante demolidor andem os bons progressistas para darem o seu nome às empresas que ele comete, aquela rua das minhas saudades ficou-se chamando do Visconde da Luz» (p. 64).</p>



<p>Neste caso, é de Coimbra que se fala, mas tal visconde teve nome de rua um pouco por toda a parte.</p>



<p>Não falta uma crítica que, de repente, té poderia arvorar-se agora:</p>



<p>«Não se restauram patrimónios a estudar: extinguem-se. E, concluída uma formatura em Portugal, quem a comprou com o seu trabalho e todo o seu haver, sente-se apenas habilitado para ir mendigar um ofício de quatro libras mensais às portas das secretarias» (p. 68).</p>



<p>É bem conhecido o hábito, no século XIX, mormente na sua segunda metade, de os burgueses comprarem títulos de nobreza. Falando em cem contos, declara o protagonista:</p>



<p>«A &nbsp;mim convinha me possuí-los, para comprar um título de marquesa para Estela» (p. 69).</p>



<p>Voltando à vernaculidade da linguagem, não hesito a transcrever mais uma passagem em que a negativa está presente de forma, a meu ver, bem airosa: o uso corrente do prefixo des-, patente, noutras passagens, em despenar, desvalidar, desafecto e que – disso nem sempre nos damos conta – também existe em despedir e desconfiar. Ora veja-se:</p>



<p>«Na verdade, eu havia apostolado tão incompetente quanto inconvenientemente a contrição dos pecados. Demasiei-me, talvez, em desluzir-lhe as cristalizações do amor, formadas naquela alma, ramo desflorido e seco, submerso no lago congelado, conforme a teoria de Stendhal. A meu ver, cristalizações de lágrimas só o calor da mortalha as degela (p. 118).</p>



<p>Tudo imagens para se declarar arrependido de haver incitado Carlos a largar a amante e a voltar para a mulher que, no final de contas, ainda amava.</p>



<p>Camilo, um Mestre!</p>
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		<title>BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 23:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Bienal de Veneza]]></category>
		<category><![CDATA[duplo critério da Comissão Europeia]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Europa deve olhar para os seus povos, não para os seus generais. </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dois milhões de euros, ninharia para os cofres opulentos de Bruxelas, mas cifra vital para a alma de uma Bienal que sempre se quis universal, ficaram suspensos por um capricho geopolítico. A senhora comissária, Henna Virknen, brande o seu telemóvel como outrora se brandia uma espada, anunciando na efémera praça digital que a cultura deve pagar o preço da desobediência. Eis o primeiro sintoma da bílis de que fala o povo: a razão turva-se quando o poder resolve vestir a farda do moralismo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="785" height="295" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg" alt="" class="wp-image-50501" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg 785w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-300x113.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-768x289.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-696x262.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 785px) 100vw, 785px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.dn.pt/cultura/ue-anuncia-fim-de-subsdio-de-dois-milhes-de-euros-bienal-de-veneza-devido-participao-da-rssia#goog_rewarded">UE cancela subsídio de dois milhões de euros à Bienal de Veneza devido à participação da Rússia</a></figcaption></figure></div>


<p>Ora, independentemente do xadrez económico e político que se joga na Ucrânia, essa pobre terra transformada em cavalo de Troia dos grandes estrategas globais, uma coisa se nos afigura cristalina. A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico: um continente que inventou a universidade, a sinfonia e a declaração dos direitos do homem reduz-se agora à retórica do bombardeiro e ao gesto do diplomata que só conhece a provocação como forma de diálogo. O poder, nessa Bruxelas asfixiante, parece ter esquecido todas as línguas, excepto a do dinheiro e a da sanção. Impõem-se “valores subversivos” contra “valores sagrados”, mas ninguém se dá ao trabalho de definir quais são uns e outros, porque, neste conflito surdo contra o povo europeu e contra o povo russo, parece reger o argumento cínico do tudo vale.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="506" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg" alt="" class="wp-image-50507" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-300x148.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-768x380.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-696x344.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1068x528.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-648x320.jpg 648w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte.jpg 1183w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Escutemos, com atenção, os hinos do fanatismo contemporâneo. Lá longe, do outro lado do Atlântico, ouvimos o eco gutural de “América acima de tudo”. Aqui, no velho continente, respondemos com o timbre melífluo, mas igualmente vazio de “Valores democráticos da Europa acima de tudo”. É a mesma moeda, cunhada em lados diferentes, servindo o mesmo espírito do globalismo que sopra das torres de marfim financeiras para as planícies do sofrimento real. Cada vez se tem mais a impressão, e o senso comum, esse bem raro, teima em confirmá-lo, de que a grandeza das potências tem como condição necessária a humilhação metódica do cidadão comum. A dissidência, nessa Europa embriagada de si mesma, é simplesmente pensar de forma diferente; a heresia, hoje, é querer a paz sem submeter a alma ao dogma.</p>



<p>É preciso, pois, que o povo desperte. Não o povo abstracto dos discursos oficiais, mas a carne e o osso que pagam impostos e criam os filhos. Bruxelas estende-se como um polvo de braços tecnocráticos, avassalando até os sagrados espaços da cultura, transformando a arte num campo de batalha rasteiro. A Bienal de Veneza, que devia ser um oásis de contemplação, arrisca-se a tornar-se um museu da censura. E esta é a maior tragédia: quando os burocratas se arrogam o direito de definir o que é ou não “democrático” na paleta de um pintor ou na música de um compositor, estamos a trocar a utopia pela polícia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="556" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg" alt="" class="wp-image-50506" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-300x163.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-768x417.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-696x378.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1068x580.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca.jpg 1158w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O humanismo, esse velho amigo esquecido, dita que a cultura não é instrumento de guerra, mas trégua. A cultura não é arma de arremesso, mas ponte. Se a Europa quer verdadeiramente rejuvenescer, que olhe para os seus filhos, não para os seus generais; que se inspire nos seus filósofos e teólogos, não nos seus comissários. Que guarde o cinismo para a política, que é, afinal, a sua matéria-prima e a generosidade para a arte. Caso contrário, a Bienal de Veneza não será a única a afogar-se nas suas águas turvas; afogar-se-á a própria ideia de Europa, vítima da sua própria bílis, sufocada pelo polvo que criou para a defender.</p>



<p>E quando isso acontecer, não digam que o povo não avisou.</p>



<p><sup>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11163" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11163">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>
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		<title>O CARACOL É MARROQUINO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cristina Oliveira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 08:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[festas populares]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Caracol Saloio]]></category>
		<category><![CDATA[Guiness Book of Records]]></category>
		<category><![CDATA[Loures]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>o (pobre do) caracol passou a saber o que é levar com temperos de toda a ordem</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A imaginação não tem limites e o (pobre do) caracol passou a saber o que é levar com temperos de toda a ordem, aparecer nos pratos dos gulosos escondido em fofos e pataniscas e, até, ser apresentado como um (quase) afilhado do <strong><a href="https://expresso.pt/boa-cama-boa-mesa/restaurantes-gastronomia/aberturas-novidades/2026-05-18-omelete-patanisca-a-bulhao-pato-ou-a-bras--siga--sem-pressas--esta-rota-do-caracol-saloio-0745ecda" type="link" id="https://expresso.pt/boa-cama-boa-mesa/restaurantes-gastronomia/aberturas-novidades/2026-05-18-omelete-patanisca-a-bulhao-pato-ou-a-bras--siga--sem-pressas--esta-rota-do-caracol-saloio-0745ecda">Bulhão Pato</a></strong>. E mais, muito mais. A competição estimula a criatividade dos cozinheiros para além do simples ato de cozer o caracol, bem temperado com orégãos. Que o caracol pode ser fraco, mas o molho é ótimo!</p>



<p>Porém, neste início de século, a aventura do caracol ainda mal tinha começado. Empenharam-se, um dia, as vontades, na concretização de algo inédito que foi conceber e concretizar um tacho gigante, bem como respetiva colher à medida, para mexer os tantos, os muitos, os…, enfim, os imensos quilos de caracóis cozinhados numa única empreitada. Para a história ficaram os números, 1.111 Kg de caracóis, um tacho de 3 metros de diâmetro e 1 metro de altura. A tampa pesava 200 quilos e era necessária a ajuda de uma grua, para a abrir. </p>



<p>Para o interior do caldeirão foi deitada mais de uma tonelada de caracóis, vindos de Marrocos. Para completar a receita, entraram para o tacho gigante 40 quilos de alhos, 30 de cebola e outros tantos de sal, 13,5 quilos de caldos de carne, 20 quilos de chouriço, quatro quilos de orégãos e cinquenta malaguetas. Tudo isto regado por muitos litros de água despejada por uma mangueira dos bombeiros.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="591" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-1024x591.jpg" alt="" class="wp-image-50462" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-1024x591.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-300x173.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-768x443.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-696x401.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2-1068x616.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-6-copia-2.jpg 1302w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>À boleia do caracol, em 2009, o município de Loures candidatou-se ao recorde mundial do Guinness para o “Maior Tacho de Caracóis do Mundo”. E atingiu o seu propósito. O tacho magnífico está exposto no Parque Adão Barata, na extremidade sul da cidade de Loures, no que se interpreta como um ato de partilha com a comunidade. Uma memória, ao orgulho coletivo local. Exibe detalhes inesperados, a tampa, que, por segurança, está fixada ao recipiente, ou o engenho adaptado para servir o produto cozinhado…</p>



<p>Também, o historial do Festival do Caracol Saloio e o devido destaque para o recorde do Guinness. Os registos fotográficos que fiz em 2023 assumem um valor documental, que não estava à espera.<br>Voltei a fotografá-lo agora e vejam-se as diferenças… </p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="514" height="329" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-10-copia.jpg" alt="" class="wp-image-50464" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-10-copia.jpg 514w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-10-copia-300x192.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 514px) 100vw, 514px" /></figure>
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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="546" height="413" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-7-copia.jpg" alt="" class="wp-image-50465" style="width:427px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-7-copia.jpg 546w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/fig-7-copia-300x227.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 546px) 100vw, 546px" /></figure></div></div>
</div>



<p>O tempo já se encarregou de fazer desaparecer boa parte da informação alusiva ao evento e ao recorde alcançado, estando o tacho magnífico em risco de ser apenas, e só, um tacho. O que me dá que pensar. Símbolo de um entusiasmo local, coletivo, marca de uma prática que reúne um número sempre crescente deapreciadores, o tacho dir-se-ia abandonado… O Festival do Caracol Saloio conquistou um espaço no município, tem uma história e adquiriu um valor cultural. A equipa terá deitado fora o emblema?</p>



<p>No ano que corre, a propósito de mais uma edição do Festival que, por sinal, já terminou, as surpresas continuam a acontecer. Em maio passado, na Revista do Expresso, um dos Flashes do Planetário de João Pacheco, “Loures-Paris”, sugeria ao leitor a aventura do Caminho das Estrelas pelo concelho de Loures e pelos restaurantes participantes na Rota do Caracol Saloio. Já em Paris, o caminho levaria o leitor a ver “uma secção de escada de caracol da Torre Eiffel, de 1889”.<br>O caracol, entre Loures e Paris, como traço de união ou como denominador comum. Certamente, uma inspiração.</p>
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		<title>FALTA DE AR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 16:00:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[escutar rádio]]></category>
		<category><![CDATA[rádio]]></category>
		<category><![CDATA[rádio Oxigénio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A rádio vive em comunhão comigo, É minha companhia diária. É perfeita.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/falta-de-ar/">FALTA DE AR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>Não posso crer. A Oxigénio deixou de dar-me música para respirar. O botão do play fica ali a rodar a rodar, mas a música não arranca. Nem um pio. Apenas o irritante barulho da vida lá fora.</p>



<p>Envio uma mensagem ao Paulo, tranquilamente diz-me que a ouve “na boa”, irrita-me a tranquilidade da escrita. Ainda acrescenta que o Benfica está a ganhar, como nesse momento isso me servisse de consolo. Além de já saber que o Benfica ganha sempre, desde que eu não assista ao jogo. Ele mora na Amadora eu em Lisboa, portanto o problema é local. Óbvio!</p>



<p>A rádio vive em comunhão comigo, é exclusiva, não precisa de cama, comida ou roupa lavada. É minha companhia diária. É perfeita. Fui à procura de uma solução chamada João e o seu o rol de hipóteses técnicas.<br>Here we go! Vai a definições, som, saída, desliga e liga a coluna Bluetooth, liga e desliga o Mac, qual é o modelo da coluna, qual o modelo do Mac, a versão do MacOS, abre outro navegador, fecha o navegador. Abre uma janela privada. Talvez o navegador esteja a bloquear a reprodução automática, ou então a rádio utiliza um formato de streaming AAC ou HLS que está a falhar no navegador, ou ainda há um problema específico do navegador, o Safari pode ocasionalmente ter este comportamento com alguns streams!</p>



<p>João, deixa-me enrolar um cigarro, isto é um stress. Nunca aconteceu antes… Primeira vez? Ok, espera. Experimenta abrir a rádio no teu telemóvel. Usa o WiFi. Nada? E com os dados móveis? Nada também? E, vamos tentar perceber outra coisa: abre a Radar no Mac e no telemóvel, são ambas rádios do mesmo grupo económico. Não dá também? Voilá!!! O problema não está no teu equipamento, está no streaming das rádios. Se a rádio toca na Amadora, não toca em nenhum dos teus dispositivos, a solução paira no ar! Envia já um email a explicar tudinho.</p>



<p>Ok, João vou enviar já. Mais uma vez obrigada pela persistência. Um beijo grande. Dois. Queres vir cá jantar amanhã? Ok, desta vez para outra caldeirada, vale?</p>



<p>Olho de novo para o site com o botão irritante a rodar e nenhum som. Preciso tanto da Oxigénio para respirar, tanto. Acendo outro cigarro e vou digerindo a aventura.<br>Às vezes não vale de nada reiniciar a vida, às vezes não somos nós que temos de nos formatar, a resolução está lá fora. Às vezes focamo-nos tanto nos nossos defeitos, limitações, nas dúvidas, nos receios, no nosso umbigo, que não percebemos que a solução está mesmo à frente nariz.</p>



<p>Abro o site da RTP, quero ver o que se passou no mundo enquanto nada se passou nada por aqui. Trump, Irão, exames nacionais, Venezuela… está tudo na mesma.<br>Volto, por mera teimosia, ao <strong><a href="https://www.oxigenio.fm/" type="link" id="https://www.oxigenio.fm/">site da Oxigénio</a></strong>. Envio um sms: João Voltou!<br>Levanto o volume. Levanto a atitude. Já não me falta ar</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="897" height="99" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/oxigenio.jpg" alt="" class="wp-image-50483" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/oxigenio.jpg 897w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/oxigenio-300x33.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/oxigenio-768x85.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/oxigenio-696x77.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 897px) 100vw, 897px" /><figcaption class="wp-element-caption"><a href="https://www.oxigenio.fm/">OXIGÉNIO 102 6 FM | Música para respirar | Novas tendências musicais</a></figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/falta-de-ar/">FALTA DE AR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>OS ROMANOS EM CASCAIS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2026 10:56:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia em Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[arqueólogos]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Cardoso]]></category>
		<category><![CDATA[José d&#039;Encarnação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>essencial para compreender a identidade e as raízes do território.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/os-romanos-em-cascais/">OS ROMANOS EM CASCAIS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A história de Cascais conta com um novo e valioso capítulo. Os conceituados arqueólogos Guilherme Cardoso e José d’Encarnação lançaram o livro <em>&#8220;A Presença Romana em Cascais: Um Território da Lusitânia Ocidental&#8221;</em>. Editada pela Associação Cultural de Cascais, a obra sintetiza mais de 20 anos de rigorosa investigação arqueológica sobre o concelho.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="709" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-1024x709.png" alt="" class="wp-image-50492" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-1024x709.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-300x208.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-768x532.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-1536x1063.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-218x150.png 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-696x482.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-1392x964.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-1068x739.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4-1320x914.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-4.png 1560w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>
</div>



<p>A sessão de lançamento decorreu no Casal Saloio de Outeiro de Polima (Centro de Interpretação do Espaço Rural de Cascais). O evento reuniu amigos, admiradores e estudiosos, servindo também de palco para celebrar o Dia Internacional da Arqueologia.</p>



<p>Esta publicação reveste-se de um duplo significado. Por um lado, celebra os 50 anos de atividade da Associação Cultural de Cascais em prol do património local. Por outro, reforça o compromisso contínuo dos autores com a partilha do conhecimento, um trabalho de proximidade que ambos mantêm também no espaço de opinião <em>Duas Linhas</em>, onde <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d’Encarnação</a></strong> assume uma presença proeminente e de referência.</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="635" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-1024x635.png" alt="" class="wp-image-50493" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-1024x635.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-300x186.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-768x476.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-1536x952.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-696x432.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-1392x863.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-1068x662.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5-1320x818.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-5.png 1742w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="666" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-1024x666.png" alt="" class="wp-image-50494" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-1024x666.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-300x195.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-768x499.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-1536x999.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-696x453.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-1392x905.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-1068x694.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6-1320x858.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-6.png 1661w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Mais do que um registo científico, este livro é um património de todos os cascalenses, essencial para compreender a identidade e as raízes do território.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="851" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-7-851x1024.png" alt="" class="wp-image-50495" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-7-851x1024.png 851w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-7-249x300.png 249w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-7-768x924.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-7-696x837.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/a-presenca-romana-7.png 898w" sizes="auto, (max-width: 851px) 100vw, 851px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/os-romanos-em-cascais/">OS ROMANOS EM CASCAIS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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