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	<title>Vítor Fonseca, autor em Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Vítor Fonseca, autor em Duas Linhas</title>
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		<title>OVAS DE BACALHAU OU CAVIAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Aug 2026 09:00:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cozinhar ovas de bacalhau e fazê-las passar por caviar.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A questão, afinal, não está em saber se uma coisa pode ocupar o lugar de outra, está em perceber se essa substituição altera a substância ou se apenas troca a aparência, mantendo a lógica de fundo.</p>



<p>É essa a tese que aqui importa analisar: após o 25 de Abril, surgiram novos personagens na cena política. Entre esses personagens tivemos o exemplo claro do conceito de caviar em política: qualidade, pensamento, cultura, coragem.</p>



<p>A metáfora culinária permite, assim, formular uma pergunta: quando se troca o nome do ingrediente, muda-se também a receita? A teoria da substituição é aplicável à política?</p>



<p>Com a Revolução do 25 de Abril, parte da classe política do regime derrubado não desapareceu: reposicionou-se, adaptou o discurso e diluiu-se pelos diversos partidos. A mudança de embalagem partidária não implicou, por si só, uma ruptura total com os hábitos, os interesses e os mecanismos de influência que já estruturavam o poder.</p>



<p>Pelo contrário, conseguiu-se assegurar que o corporativismo, pedra basilar do Estado Novo, tivesse continuidade com uma concepção diferente, mas estruturalmente semelhante. Esse conceito foi assimilado pela nova classe política como uma forma de corporação solidária, independente da ligação partidária, à qual só ascendiam os escolhidos.</p>



<p>Com excepção do período posterior ao 25 de Abril, marcado pela consolidação dos partidos políticos, a ascensão política iniciou-se nas juventudes partidárias, que abriam caminho até ao topo da pirâmide. A meritocracia foi liminarmente afastada da vida política e o caviar foi desaparecendo.</p>



<p>A integração deste conceito estrutural do anterior regime na nova ordem política terá sido um dos maiores erros da Revolução dos Cravos: os militares e os partidos políticos que se instalaram no País não conseguiram cortar a ligação umbilical entre a democracia nascente, o corporativismo e o sistema político-administrativo que diziam ter derrubado. E as ovas de bacalhau foram crescendo, substituindo o caviar.</p>



<p>O corporativismo permaneceu como cimento invisível do novo regime e permitiu que uma nova elite controlasse o Estado, à medida que a democracia se consolidava.</p>



<p>Os detentores da superestrutura do Estado passaram a assumir-se como caviar, apesar de, na sua maioria, não passarem de ovas de bacalhau. Esta é a desgraça deste País, como escrevia Sebastião da Gama: “Meu país desgraçado! &#8230; E no entanto há Sol a cada canto e não há Mar tão lindo noutro lado”.</p>



<p>Um País perdido no passado e longe de um futuro que nunca terá, apenas por um motivo, a total incapacidade de transformar ovas de bacalhau em caviar. A festa do PSD, no fim-de-semana no Pontal, foi o espelho da incapacidade de, em tempo algum, cozinhar ovas de bacalhau e fazê-las passar por caviar.</p>
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		<title>A EMPREGADA DA LIMPEZA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Aug 2026 10:24:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[gabinete de André Ventura vandalizado]]></category>
		<category><![CDATA[segurança na Assembleia da República]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Maldita empregada da limpeza, maldito proletariado que já estava quase convencido a votar nele.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na loucura do dia-a-dia em que vivemos, entre a guerra na Ucrânia, a guerra no Médio Oriente e outras crises, nunca pensámos que Portugal voltasse a ser o lugar de um novo sinal da Virgem Maria para o Mundo. Mas, naquele dia, aconteceu o que ficará marcado, para sempre, no historial da Wikipédia do Palácio de São Bento.</p>



<p>Vejamos os factos: na madrugada de 28 de Julho, um ser misterioso, esvoaçava pelos largos corredores do Palácio. E, tal como Augusto Gil, o guardião-mor do Palácio, um frade beneditino que de noite vigiava o velho Mosteiro interrogou-se<em>: “Será chuva? Será gente? Gente não é, certamente, e a chuva não bate assim… É talvez a ventania, mas há pouco, há poucochinho, nem uma agulha bulia na quieta melancolia<br>dos pinheiros do caminho”.</em></p>



<p>A noite era tropical, seca, serena e quente. Nada bulia e, ao ouvir o barulho, o frade perguntou: Quem és tu? Ninguém! foi a resposta. Erros meus, má fortuna, era a empregada da limpeza que iniciava a sua jorna. Com ela não contavam os criadores do milagre de São Bento.</p>



<p>Por azar dos Távoras, iniciou a sua função pelo gabinete do deputado André Ventura cuja porta estava aberta e não trancada, como era comum, e deparou-se com papéis espalhados pelo chão, sem sentido. Chamou de imediato a segurança que procedeu ao isolamento do local e foi feita a comunicação à Polícia Judiciária.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="680" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-1024x680.jpg" alt="" class="wp-image-50642" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-1024x680.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-300x199.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-768x510.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-696x462.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4-1068x709.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-4.jpg 1074w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gabinete do deputado Ventura &#8220;desarrumado&#8221;, imagens partilhadas das redes sociais</figcaption></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="682" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-50643" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-1024x682.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2-1068x711.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-2.jpg 1072w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Pelas 7:00 entrou o deputado Francisco Gomes. Bom dia, o que se passa? Houve um assalto no gabinete do deputado André Ventura! O que faz por aqui a esta hora? Vinha fazer um <em>tik-tok</em>. Os seguranças ficaram estupefactos, mas nem comentaram.</p>



<p>O deputado afastou-se, retirou um telemóvel descartável da algibeira e fez uma chamada: a empregada da limpeza veio mais cedo e deu o alerta. Mas ela não começava às 7:30? Perguntaram do outro lado. Sim, mas hoje veio mais cedo, estamos tramados. E a moldura estava bem? Sim, tudo certo. Bem, deixa-me pensar e não voltes a ligar.</p>



<p>A Polícia Judiciária entrou no gabinete para efectuar a perícia e uma das imagens que espantou os agentes foi a da moldura de Nossa Senhora de Fátima, no chão, incólume, com um crucifixo cuidadosamente colocado sobre o vidro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-50644" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-1024x683.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/ventura-gab-3.jpg 1069w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">&#8221; um novo sinal da Virgem Maria para o Mundo&#8221;, imagem partilhada das redes sociais</figcaption></figure></div>


<p>No meio da tempestade de papéis, a moldura e o crucifixo estavam intactos. Milagre! Gritou a empregada de limpeza que tinha ficado por ali. Só pode ser milagre. O deputado Francisco Gomes ajoelhou-se e exclamou ‘o milagre de São Bento’, vai já para o <em>tik-tok</em>.</p>



<p>Entretanto, a trama adensa-se. A notícia correu célere e o criador de factos recebeu um telefonema de um dos patrocinadores. O que se passa? Está tudo controlado, a empregada da limpeza começou a trabalhar antes da hora prevista, mas está tudo controlado. Vê lá o que arranjas, se isto correr mal temos de encontrar uma alternativa para ti, precisamos de controlar a arraia-miúda enquanto é tempo.</p>



<p>O criador dos factos alternativos telefonou a alguns amigos que o projectavam nos <em>media</em>, aos comentadores próximos do partido e depois marcou a sua declaração política. Tinha de seguir em frente, sabia que se falhasse os patrocinadores não lhe perdoariam e seria substituído sem dó, nem piedade. Eles queriam que ele acabasse com o partido do governo e desse cabo do outro partido da oposição. E o criador de factos alternativos tinha garantido que conseguiria os dois objectivos. Por causa da empregada da limpeza tudo correu mal e agora não sabia como descalçar essa bota.</p>



<p>Todos os momentos seguintes à declaração que fez foram confrangedores. O desastre da operação ‘vandalismo na madrugada’ era evidente. Percebeu que a sua carreira de manipulador da verdade poderia estar a acabar. Os dias subsequentes foram ainda mais demolidores com deputados que queriam o seu lugar a exigir explicações. Os patrocinadores, inquietos, não o largavam. Só se lembrava da conhecia frase de Lenine, ‘O que fazer?’ Maldita empregada da limpeza, maldito proletariado que já estava quase convencido a votar nele.</p>
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		<title>O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 23:10:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O último debate sobre o Estado da Nação foi confrangedor.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-debate-sobre-o-estado-da-nacao/">O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O País era governado pela segunda maioria absoluta do PSD, sendo primeiro-ministro Cavaco Silva. Alguns dirigentes daquele partido entendiam que era necessário dar um forte impulso à liderança e à imagem do governo. Pacheco Pereira, segundo consta, terá sugerido a criação do debate sobre o Estado da Nação. Pretendia dar-se uma imagem diferente da tradicional austeridade de Cavaco Silva. Simultaneamente, o primeiro-ministro, no final da sessão legislativa, elencaria os feitos de um ano de trabalho e perspetivava o novo ano político. A ideia de Pacheco Pereira, era criar um momento semelhante ao <em>discurso do trono</em>, do Parlamento do Reino Unido.</p>



<p>De acordo com a letra da Lei, já na versão actual, o debate sobre o Estado da Nação na&nbsp;Assembleia da República&nbsp;tem como objetivos principais:&nbsp;<strong>prestar contas </strong>sobre a acção governativa,&nbsp;<strong>avaliar</strong>&nbsp;as políticas públicas e os resultados económicos,&nbsp;<strong>discutir</strong>&nbsp;os desafios do país e&nbsp;<strong>definir </strong>prioridades para o futuro.</p>



<p>A verdade é que, por falta de cultura democrática e de tradição, nunca os objectivos foram cumpridos e, ao longo dos anos, foi-se degradando e perdeu, por completo, o fim que se pretendia alcançar.</p>



<p>A responsabilidade pelo falhanço cabe aos governos e aos partidos da oposição que, por oportunismo político, na procura de um <em>sound bite</em> para a época estival, nunca entenderam o alcance desta iniciativa, rapidamente transformado num debate quinzenal, igual a tantos outros.</p>



<p>E chegámos ao último debate sobre o Estado da Nação, que foi confrangedor.</p>



<p>O governo e os partidos da oposição entretiveram-se a discutir a incompetência do ministro da Educação e as trapalhadas da Administração Interna. O debate foi um repositório de insultos, sem qualquer proposta para o País. &nbsp;O confronto apenas teve por objectivo obter alguns ganhos políticos para alimentar os media e as redes socias.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1024x576.png" alt="" class="wp-image-50435" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/min-educacao.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ministro da Educação</figcaption></figure></div></div>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1024x576.png" alt="" class="wp-image-50436" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/luis-neves.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ministro da Administração Interna</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>A incompetência do ministro da Educação deve ser escrutinada, as trapalhadas que envolveram o ministro da Administração Interna, que tem o pecado original de afrontar os sectores mais radicais da política portuguesa, devem igualmente ser escrutinadas. Mas, para isso, existem os mecanismos próprios, previstos no Regimento da AR. Usar aquele tempo no Parlamento para discutir aqueles dois temas, sem a preocupação de fazer a autópsia do cadáver ambulante em que se transformou este governo, é uma perda de tempo. O debate sobre o Estado da Nação é mais do que isto. E, enquanto os partidos não entenderem esta realidade, a democracia sai prejudicada.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/o-debate-sobre-o-estado-da-nacao/">O DEBATE SOBRE O ESTADO DA NAÇÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>REFLEXÕES SOBRE A (in)JUSTIÇA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 23:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/reflexoes-sobre-a-injustica/">REFLEXÕES SOBRE A (in)JUSTIÇA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que é a Justiça dos homens? Quanto à justiça divina, sabemos que a mesma existe para quem acredita e tem a fé suficiente para interiorizar que, numa outra dimensão, será, sempre, feita.</p>



<p>O pior é com a Justiça dos homens, até porque ela é feita por homens, algumas vezes com o desvario de estarem ungidos do poder divino de aplicar na Terra o que Deus aplica no Céu.</p>



<p>E esses homens que governam e aplicam a Justiça, que nunca erram, que se deitam sem dúvidas existenciais quanto à sua actuação em defesa da sociedade, quando chegarem lá, onde todos nós, quer acreditemos, quer não, teremos de pagar a conta final, qual será o seu saldo? Terão um saldo credor ou devedor?</p>



<p>Quando o Mundo atravessa uma crise de valores tão profunda, em que a vida humana deixou de ter qualquer significado, não será tempo de parar para pensar qual a essência que se deve proteger? A vida ou o património? Os valores que podem fazer renascer a sociedade, potenciar um desenvolvimento harmonioso dos nossos jovens ou os bens materiais? Será justa uma lei que privilegia o património à vida, ou que lhe dá a mesma relevância?</p>



<p>Já pensaram porque é que aumentou a violência nas escolas? Porque é que os crimes violentos, típicos de uma sociedade desenraizada, como a dos Estados Unidos, se transportam para a ‘velha Europa’, a tal de uma cultura secular?</p>



<p>Quem tem a culpa desta situação? Serão os pais? Os governantes? Os detentores do poder económico? Os detentores do poder judicial?</p>



<p>Qual a solução? Entregar o poder aos magistrados, como aplicadores e garantes da Lei? E quem é que passaria a fazer as leis?</p>



<p>Será que o poder corrompe? E a impunidade? E a impunidade total? Vejam o que se passou no Campeonato do Mundo dos Estados Unidos com a impunidade da despenalização de um jogador a pedido de Trump. E a irresponsabilidade é um valor ou uma forma de exercício do poder total?</p>



<p>Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?</p>



<p>A resposta para todas estas questões pode não ser politicamente correcta e, essencialmente, desagradar às corporações de interesses que se instalaram no Estado e que não vivem preocupadas com os cidadãos, mas tão somente com os seus mesquinhos poderes fácticos.</p>



<p>Eu, por mim, confesso que não sei se vale a pena encontrar essas respostas.</p>
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		<title>VOLTEMOS AO BÁSICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 00:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[economia de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[imigração em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[lei da imigração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/voltemos-ao-basico/">VOLTEMOS AO BÁSICO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Portugal, a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD. Veja-se a intervenção do novo porta-voz do PSD, um dos elementos radicais mais próximo do Chega, na senda de um populismo sem freio. Sebastião Bugalho disse que o PSD “quer chamar ao Parlamento os governantes do PS responsáveis pela entrada desenfreada de migrantes”.</p>



<p>E a desorientação do PSD deriva da correcção do PIB, na sequência dos dados do INE, quanto à população residente em Portugal, uma vez que, com o aumento do número de habitantes, a riqueza <em>per capita</em> baixa e comprova-se que o crescimento económico do nosso País, apesar do contributo dos migrantes, não é o que o governo <em>apregoava. </em>Comprova-se, pois, que as opções tomadas de política económica são profundamente erradas. Fica, com esta redução, demonstrado que não crescemos em relação à média europeia e existe uma forte redução do investimento empresarial e público.</p>



<p>Em contraciclo destas posições radicais, o Fórum BCE, que reuniu em Sintra, vem dizer que os picos de imigração e políticas mais abertas têm impacto positivo na economia.</p>



<p>Por tudo isto, talvez tenha chegado o tempo de dizer ‘basta’. De dizer que não há cidadãos de primeira, os puros e imaculados, e os de segunda. Os puros, mas que anseiam por pecar, estão cada vez mais sequiosos de mergulhar nesse lado das trevas, que eles criaram para exorcizar os seus próprios fantasmas. Por isso, é primordial voltar aos princípios, <em>back to basics</em>, reconquistar a sociedade, os cidadãos e motivá-los. Revejam <em>Casablanca</em>. É tudo tão simples. Rick e Ilsa ainda tinham Paris. Nós, qualquer dia, não temos memória do passado, nem ideia do presente.</p>
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		<title>O ORIGINAL E A CÓPIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 17:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Chega e PSD]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento da extrema-direita em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>AD radicaliza o seu discurso na tentativa de ocupar o espaço do Chega.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ventura foi candidato autárquico pelo PSD à Câmara de Loures, descobrindo, nessa candidatura, um ‘nicho de mercado eleitoral’, o ódio contra os ciganos, que levou o CDS, de Assunção Cristas a abandonar a coligação CDS/PSD, mas que mereceu o apoio do seu protector e mentor, Passos Coelho.</p>



<p>Com a saída daquele da liderança do PSD, André Ventura lançou-se por conta própria, juntou os restos do MDLP, um movimento de direita radical, responsável por diversos atentados bombistas, após o 25 de Abril, o lixo do PSD e do CDS, uns milhares de descontentes pertencentes ao lúmpen-proletariado e criou o Chega.</p>



<p>Com o apoio de um grupo de empresários, que odeiam a democracia, e com a conivência de alguns sectores da comunicação social, foi ganhando notoriedade, sem qualquer ideia para o País, mas na gritaria permanente, típica dos debates televisivos do comentário futebolístico, ao nível da tasca, mas que encantam uma boa parte do eleitorado português.</p>



<p>Desde a criação do Chega até aos dias de hoje, tivemos quatro eleições legislativas, num quadro de crise económica global, derivada da pandemia e da guerra na Ucrânia, a par de um clima de suspeição em relação aos políticos, o que alargou o espectro dos apoiantes do Chega, tendo como resultado o seu crescimento eleitoral, traduzido num grupo parlamentar de 60 deputados. Curiosamente, as autárquicas não reflectiram este crescimento, o que deriva das especificidades destas eleições.</p>



<p>A AD ganhou as eleições legislativas de 2024 e 2025, formou um governo minoritário e tem vindo a radicalizar o seu discurso, ultramontano, numa tentativa de ocupar o espaço do Chega, na direita radical, na ilusão de que a cópia pode derrotar o original. Nada de mais errado.</p>



<p>Como escreveu António Barreto, ‘o bom governo exige tempo e serenidade, não sofreguidão e artimanha. Os arranjinhos poderão disfarçar o inevitável, mas não conseguirão evitá-lo (<em>in</em> Público 13/6/2026).<br>O que o governo está a fazer é a lançar o País no abismo, no radicalismo, no confronto, na ânsia de novas eleições que permitam à AD uma maioria absoluta. Os dirigentes do PSD, e não refiro o CDS que é uma caricatura de partido, ainda não perceberam o que está a acontecer. O resvalar do PSD para a direta radical, disputando o espaço com o Chega, apenas vai fortalecer este partido e ajudar à trânsfuga de apoiantes, militantes e quadros para a direita radical e original. Se até aqui saíram, principalmente, segundas linhas do PSD para o Chega, bem como alguns quadros que não conseguiam sair da sombra e encontraram na direita radical o porto de abrigo para alcançarem os seus objectivos, com a proximidade do poder haverá outras deslocações que irão esvaziar o PSD. </p>



<p>Entre um partido sem convicções, a navegar ao sabor de uma prática errática, que atira borda-fora o património político dos fundadores do PPD, que era o cimento de ligação das diversas faccões, com o único fim de subsistir na ‘grade farra’ do Orçamento do Estado, e um partido populista, demagógico, agregador dos descamisados e dos ressabiados, a escolha da maior parte dos eleitores é clara, como temos  assistido na Europa, optam pelo original, pelo mais radical e demagógico, porque não têm nada a perder, sem se aperceberem que estão a defender os interesses de grandes grupos económicos. </p>



<p>O que está a acontecer é a aplicação prática da teoria da substituição política, em que o Chega vai substituir o PSD. Contrariamente à tese de Miguel Para Roque, de que o PSD é barriga de aluguer do Chega, o que se passa é que o partido dito social-democrata está a esvaziar-se para o partido de direita radical, nos princípios e a ser sugado dos seus militantes e eleitores.</p>



<p>O esgotamento do PSD pode ser inevitável, tendo como consequência o regresso à bipolarização entre o Chega e PS.</p>



<p></p>
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		<title>REGRESSO AO PASSADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 23:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[direitos dos trabalhadores]]></category>
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		<category><![CDATA[revolução tecnológica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>os novos proletários nascidos da revolução tecnológica</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/regresso-ao-passado/">REGRESSO AO PASSADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje, no século XXI, num Mundo em transformação tecnológica, em que o desemprego na classe média – trabalhadores qualificados –, irá, inevitavelmente, aumentar. Por força do recurso, crescente, à IA regressam os conceitos de colaborador das empresas e do capital, como se o conceito trabalhador fosse um anátema e um obstáculo ao desenvolvimento económico das empresas e dos Países.</p>



<p>Por outro lado, inversamente ao desemprego entre os trabalhadores qualificados, os trabalhadores indiferenciados poderão ter um acréscimo de emprego, uma vez que, no emprego indiferenciado, a IA não terá qualquer interferência.</p>



<p>Neste quadro, complexo, podemos assistir a uma inversão económica do conceito de classe média, que deixa de ser preenchida por trabalhadores qualificados – os novos proletários nascidos da revolução tecnológica – &nbsp;e passa a ser preenchida por trabalhadores indiferenciados. Alguns defensores do regresso ao passado, ao fim da luta de classes e do papel dos sindicatos na defesa dos direitos dos trabalhadores, tentam reintroduzir o conceito de colaboradores, em substituição do de trabalhadores e a ideia de que todos eles, os colaboradores e as entidades patronais, convergem no mesmo sentido, ou seja, para o crescimento dos lucros das empresas, numa ‘saudável harmonia’, sem confronto e sem divergência e interesses, em nome da nação, para a realização ‘do máximo de produção e riqueza socialmente útil e estabelecer uma vida colectiva de que resulte poderio para o Estado’ (artigo 2º do Estatuto do Trabalho Nacional). Estes neocorporativistas defendem a ideologia estruturante do anterior regime, decalcada do corporativismo italiano criado por Benito Mussolini.</p>



<p>De forma evidente, este retorno a uma ideologia corporativa, fortemente antiliberal e antiparlamentar, com uma intensa intervenção do Estado, autocrático e musculado, está a crescer numa Europa desestruturada e em que se vão perdendo valores e o comodismo de muitos dos eleitores é a tónica dominante. A Europa não possui dirigentes políticos respeitáveis, os cidadãos sentem-se abandonados, a crise social é uma realidade e tudo isto se transforma num caldo cultural que abre caminho a estas pulsões autoritárias.</p>



<p>Talvez por isso, Vitor Gaspar, o ex-ministro das Finanças de Passos Coelho, veio dizer, sem pudor: ‘Há uma direita aproximando-se do padrão vigente pela Europa. Portugal abandonou a situação anormal criada pelos dias madrugadores de Abril’ (<em>in</em> Expresso, 05/06/2026). Nesta declaração está tudo dito, a raiva contra a democracia e a defesa desta nova direita neocorporativa. A partir daqui confirma-se que as alterações à Legislação Laboral são parte de um projecto ideológico de mudança de regime e compreende-se a defesa de conceitos do século passado quanto às relações laborais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="885" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-885x1024.png" alt="" class="wp-image-49765" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-885x1024.png 885w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-259x300.png 259w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-768x889.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-696x806.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber.png 933w" sizes="auto, (max-width: 885px) 100vw, 885px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/regresso-ao-passado/">REGRESSO AO PASSADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PEGAR O TOURO PELOS CORNOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 23:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[justiça e política]]></category>
		<category><![CDATA[justiça em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A sensação de que existe uma agenda política na acção de alguns sectores da Justiça.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para que não se coloque qualquer dúvida, os partidos políticos devem ser o exemplo do correcto funcionamento das instituições, assim como ter uma cultura de rigor e de qualidade nos seus quadros. A democracia fortalece-se com partidos e a sociedade exige que eles estejam acima de suspeitas. Se tal não acontecer, os eleitores encarregam-se de os mudar, a bem ou mal, como venho a escrever desde há cerca de 20 anos. E podem ser mudados de duas formas, os eleitores optarem por novos partidos, que lhes garantam uma governação sem mácula, ou escolherem uma opção musculada de governação que restrinja os direitos, liberdades e garantias.</p>



<p>Por outro lado, a Justiça deve ser independente, justa, célere, cega, visando a protecção de bens jurídicos que tenham dignidade penal, sem pulsões de interferência na vida política.</p>



<p>Lamentavelmente, por um ‘azar dos Távoras’, ficamos com a sensação de que existe uma agenda política na acção de alguns sectores da Justiça. E, como dizia Salazar, ‘em política, o que parece, é’. Vejamos alguns factos: a 7 de Novembro de 2023, o MP efectuou buscas em diversos locais, nomeadamente no Gabinete do então Primeiro-Ministro, no Ministério das Infraestruturas, no Ministério do Ambiente e Acção Climática, na Câmara Municipal de Sines e na sede do Partido Socialista.</p>



<p>Foram emitidos mandados de detenção para diversos arguidos, os quais acabaram por ficar em liberdade, depois de dias detidos, tendo sido aplicadas medidas de coação não privativas da liberdade.</p>



<p>Na sequência desta acção do MP, a PGR emitiu um comunicado, em que admitia que o António Costa estaria a ser investigado, o que levou à dissolução da Assembleia da República e à queda do Governo.</p>



<p>Em 24 de Janeiro de 2024, o país tomou conhecimento de uma megaoperação policial que levou para a Madeira, num avião da Força Aérea, 140 inspetores da PJ e 10 peritos da polícia científica aos quais se juntaram dezenas de inspetores da Judiciária local, para realizarem centenas de buscas. Da operação resultaram três detidos.</p>



<p>O processo viria a ter como quarto arguido o próprio presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que não foi detido pela imunidade parlamentar conferida pelo cargo.</p>



<p>Realizaram-se, na sequência desta investigação, eleições regionais e Miguel Albuquerque voltou a vencer, sem maioria absoluta.</p>



<p>A todos os arguidos, após passarem alguns dias detidos, foram aplicadas medidas de coação não privativas da liberdade.</p>



<p>No dia 28 de Maio, o Ministério Público, com o recurso a 400 inspectores e a sete magistrados do Ministério Público, desencadeou uma enorme operação, à qual as televisões deram um destaque permanente, com buscas em Juntas de Freguesia, residências particulares e na sede do Partido Socialista.</p>



<p>Foram detidas cinco pessoas, uma delas nem passou uma noite no estabelecimento prisional, tal a imbecilidade da sua detenção, e as outras quatro saíram a meio da tarde do dia 29 de Maio, com a medida de coação mais leve, a do termo de identidade e residência.</p>



<p>Esta decisão do Juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa comprovou a fragilidade dos indícios e das provas cotejadas.</p>



<p>A operação mediática do Ministério Público borregou, foi cilindrada pelo Magistrado Judicial, obrigando a que se pense quais os verdadeiros objectivos desta intervenção musculada, os custos da mesma, sem que, na verdade, houvesse grandes elementos de prova além das notícias que, há cerca de quatro anos, foram objecto de um artigo na revista Sábado.</p>



<p>As televisões, que no dia da operação já pré-anunciavam a prisão preventiva dos detidos, diante do cardápio dos crimes apresentado pelo DIAP, ficaram sem voz, logo que as medidas de coação foram anunciadas.</p>



<p>No dia seguinte à operação, ainda houve uma tentativa, de algumas televisões, em repescar a notícia, pífia, mas acabou logo ali. Morreu de morte súbita e até se ficou com a sensação de que a coisa foi de tal forma leviana que havia a preocupação de fingir que não acontecera.</p>



<p>O que está em causa deixa de ser a investigação a actividades, eventualmente criminosas, de algumas pessoas no âmbito do poder autárquico ligado ao PS e passa a ser a motivação de uma acção investigatória, desproporcionada e sem factualidade evidente que justifique a mesma. O Ministério Público não é um agente político, não pode agir como tal e tem obrigações de cumprimento da legalidade democrática. É isto que se espera de uma magistratura que, enquanto instituição, com autonomia consagrada constitucionalmente, tem uma subordinação hierárquica, igualmente com consagração constitucional.</p>



<p>Tudo isto sem esquecer que os actos, eventualmente praticados, podem não constituir crimes, mas são eticamente reprováveis e, de uma vez por todas, não podem acontecer, porque é a própria democracia que fica em causa.</p>
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		<title>MARIA E A BALA PERDIDA*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 05:50:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[criança baleada]]></category>
		<category><![CDATA[Pedreira dos Húngaros]]></category>
		<category><![CDATA[polícia aos tiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passados 40 anos, Maria ‘apresentou uma queixa na Provedoria de Justiça</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/maria-e-a-bala-perdida/">MARIA E A BALA PERDIDA*</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os factos remontam a ‘Outubro de 1987, no <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/">antigo bairro da Pedreira dos Húngaros</a></strong>, um território difícil onde a pobreza se misturava com injustiça social e discriminação, mistura fértil para o surgimento de muitos pequenos criminosos, bandidos pilha galinhas, tráfico e consumo de droga’. </p>



<p>Assim, começa a saga de Maria com ‘a bala nunca foi extraída do corpo. A criança sobreviveu, mas tem tido uma vida com a saúde fragilizada.</p>



<p>Os relatos publicados confirmam que foram os agentes da Polícia Judiciária que levaram a criança para o hospital. Os mesmos relatos falam da responsabilidade da polícia, que, frequentemente, entrava no bairro já de pistola na mão’.</p>



<p>Ora, passados 40 anos, Maria ‘apresentou uma queixa na Provedoria de Justiça. Quer que o Estado assuma a responsabilidade que tem pelo peso de uma bala cravada no peito desde criança’. Na Provedoria de Justiça, Maria espera encontrar alento para uma luta contra o Estado que se adivinha difícil.</p>



<p>Estes os factos que mudaram a vida de Maria, menina/mulher, uma menina que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/">há 40 anos vive com uma bala no corpo</a></strong>, de um tiro perdido, de uma intervenção musculada da Polícia Judiciária num dos Bairros mais perigosos da periferia de Lisboa.</p>



<p>Chegados aqui, encontramos várias camadas jurídicas: responsabilidade do agente policial, responsabilidade do Estado, eventual responsabilidade médica/hospitalar e o papel institucional da Provedoria de Justiça.</p>



<p>Sem entrar na análise concreta destas camadas jurídicas, porque não se conhecem elementos para tal, importa dissecar o que pode hoje fazer a Provedoria de Justiça.</p>



<p>Neste sentido, pode solicitar processos clínicos, explicações técnicas, pareceres fundamentados da não extração. De posse destes poderá recomendar a reavaliação clínica, uma junta médica, a observação em centro especializado ou a reapreciação do caso. Em todo o caso, as recomendações não são vinculativas, mas têm peso institucional e político.</p>



<p>A Provedoria de Justiça poderá, igualmente, identificar se houve um mau funcionamento administrativo, nomeadamente desleixo, falta de resposta, ausência de acompanhamento, num quadro em que deve realçar o direito à saúde e à dignidade da pessoa.</p>



<p>O mais provável é que a&nbsp;Provedoria de Justiça&nbsp;possa pressionar para reavaliação médica especializada, recomendar uma junta médica independente, sendo altamente improvável que consiga impor o pagamento de indemnização ou obrigar a uma cirurgia, a qual deverá ser ponderada diante da situação concreta da paciente.</p>



<p>Maria, menina/mulher, nunca poderá ter a vida que uma bala perdida lhe roubou, nem tão pouco ser indemnizada.</p>



<p><sub>*Vítor Fonseca, autor deste artigo, é advogado</sub></p>
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		<title>O EFEITO TRUMP NO COMENTÁRIO POLÍTICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 21:42:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Defender que o Chega e o Partido Socialista são, no essencial, a mesma coisa constitui uma simplificação abusiva.</p>
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<p>À moda de Trump, apresenta-se uma teoria simplista e coloca-se alguns comentadores a replicar a mesma, para ver se pega. Defender que o Chega e o Partido Socialista são, no essencial, a mesma coisa constitui uma simplificação abusiva e, em termos argumentativos, uma falácia. Essa tese ignora, objetivamente, diferenças estruturais de matriz ideológica, de prioridades programáticas e de linguagem política. Embora em democracia possa haver convergências ocasionais em votos, medidas avulsas ou táticas parlamentares, isso não basta para concluir que dois partidos são equivalentes. Confundir coincidências pontuais com identidade política é apagar aquilo que realmente distingue projetos partidários: a forma como encaram o Estado, a economia, a comunidade nacional, os direitos sociais e o lugar de Portugal no mundo.</p>



<p>As diferenças entre ambos são evidentes, desde logo na visão do Estado e da sociedade. O Partido Socialista inscreve-se, historicamente, numa tradição social-democrata e reformista, defendendo um Estado social forte, a protecção dos serviços públicos e uma lógica de redistribuição com preocupação de coesão social, como se reflecte na valorização do SNS, da escola pública e da segurança social no seu programa eleitoral de 2025. Já o Chega apresenta-se como uma força de rutura com o chamado ‘sistema’, combinando propostas de endurecimento penal, discurso securitário, controlo mais restritivo da imigração e uma retórica de confronto com instituições e elites políticas; o seu programa de 2025 enfatiza precisamente uma justiça mais punitiva, imigração controlada, soberania nacional e reforço da autoridade do Estado. Mesmo quando ambos falam de crescimento económico, fazem-no a partir de pressupostos distintos: o PS tende a articular competitividade com proteção social, enquanto o Chega procura associar a crítica fiscal e burocrática a uma narrativa de ordem, identidade e combate à corrupção.</p>



<p>Também no plano discursivo a distância é significativa. O PS usa, em regra, uma linguagem institucional, moderada e centrada na administração gradual das políticas públicas; o Chega mobiliza uma retórica mais polarizadora, assente na denúncia, na dramatização do conflito e na oposição entre ‘povo’ e ‘sistema’. Por isso, dizer que são iguais não é uma análise séria, mas antes uma forma de desvalorizar distinções fundamentais do debate democrático. Pode ser legítimo criticar ambos, apontar incoerências ou denunciar aproximações pontuais em certos momentos. O que não é intelectualmente rigoroso é apagar as diferenças de orientação ideológica, programática e retórica que os separam. Se a discussão quiser ser honesta, deve começar justamente por dissecar essas diferenças, e não por anulá-las numa equivalência apressada.</p>
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