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	<title>Vera Nobre, autor em Duas Linhas</title>
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	<title>Vera Nobre, autor em Duas Linhas</title>
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		<title>O ESCRAVO DE MAGALHÃES QUE A HISTÓRIA ESQUECEU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 09:00:06 +0000</pubDate>
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<p>A história de Henrique começa muito antes da partida da armada espanhola em 1519. Em 1511, durante a conquista portuguesa de Malaca, Fernão de Magalhães participou na campanha militar que levou à tomada daquele importante entreposto comercial do Sudeste Asiático. Foi nesse contexto que adquiriu um jovem de cerca de doze anos, que passou a acompanhá-lo como escravo e intérprete.</p>



<p>Durante quase uma década, Henrique viveu entre mundos. Acompanhou Magalhães a Portugal, tornando-se provavelmente o primeiro malaio a pisar solo europeu. Aprendeu línguas, costumes e formas de navegação que o transformariam numa figura singular da expansão marítima. Quando Magalhães rompeu com a Coroa portuguesa e se colocou ao serviço de Carlos I de Espanha para procurar uma rota ocidental para as Ilhas das Especiarias, levou consigo Henrique.</p>



<p>A presença do jovem revelou-se fundamental. Mais do que simples servo, Henrique desempenhou um papel decisivo como mediador linguístico e cultural. O cronista italiano Antonio Pigafetta refere-o diversas vezes ao longo da viagem, destacando a sua capacidade de comunicação com diversos povos encontrados no percurso.</p>



<p>Foi precisamente quando a expedição alcançou Cebu, nas Filipinas, em março de 1521, que Henrique se tornou uma figura central. Pigafetta relata que os habitantes locais compreendiam a língua por ele falada, um facto que continua a alimentar debates historiográficos sobre a sua origem. Seria natural das Filipinas? De Sumatra? De Malaca? Ou de alguma outra região do vasto mundo malaio?</p>



<p>A resposta permanece incerta. Alguns investigadores defendem uma origem filipina; outros apontam para Sumatra, apoiando-se em referências documentais contemporâneas. O próprio Henrique surge designado em algumas fontes como &#8220;Henrique de Taprobana&#8221;, um termo cuja interpretação varia entre Sumatra, Ceilão ou outras regiões asiáticas.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A morte de Magalhães, em Mactan, alterou radicalmente a situação do seu escravo. Apesar de o capitão ter determinado no seu testamento, datado de 24 de agosto de 1519, que Henrique fosse libertado após a sua morte, os novos comandantes continuaram a exigir os seus serviços. Segundo Pigafetta, Henrique recusou obedecer e foi ameaçado com castigos. Poucos dias depois, ocorreu o chamado massacre de Cebu, durante o qual morreram vinte e quatro europeus.</p>



<p>O cronista italiano insinuou que Henrique teria participado numa conspiração contra os espanhóis. Contudo, essa acusação nunca pôde ser comprovada. Muitos historiadores contemporâneos consideram-na uma interpretação enviesada dos acontecimentos, influenciada pelo ressentimento dos sobreviventes.</p>



<p>Depois desse episódio, Henrique desaparece completamente dos registos históricos.</p>



<p>É precisamente este desaparecimento que transformou a sua figura numa das mais intrigantes da história da navegação. No último momento em que é mencionado pelas fontes, Henrique encontrava-se vivo em Cebu, a cerca de dois mil quilómetros de Malaca. A expedição, por sua vez, ainda teria de percorrer mais de quinze mil quilómetros para regressar a Espanha.</p>
</div></div>



<p>Teria Henrique regressado à sua terra natal? Teria completado, antes de Juan Sebastián Elcano, a primeira circum-navegação do globo? Não sabemos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O historiador John Sailors considera essa hipótese plausível, embora impossível de comprovar. O que se pode afirmar com segurança é que Henrique realizou aquilo que Sailors designa como uma &#8220;circum-navegação linguística&#8221;: regressou a um espaço onde a sua língua materna era compreendida e falada.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="676" height="124" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors.jpg" alt="" class="wp-image-49803" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors.jpg 676w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors-300x55.jpg 300w" sizes="(max-width: 676px) 100vw, 676px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="http://www.enriqueofmalacca.com/p/enrique-of-malaccas-voyage-profiles.html?m=0">Enrique of Malacca&#8217;s Circumnavigation: Enrique of Malacca&#8217;s Voyage: Profiles</a></figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ao longo dos séculos, a sua história foi apropriada por diferentes tradições culturais. Na Malásia, o romance histórico <em>Panglima Awang</em>, de Harun Aminurrashid, transformou-o num herói nacional e num símbolo da resistência ao colonialismo europeu. Nas Filipinas, vários autores reivindicaram a sua origem filipina. Na Indonésia, a sua figura também integra debates sobre identidade e memória regional.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="613" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1024x613.png" alt="" class="wp-image-49798" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1024x613.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-768x460.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1536x920.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-696x417.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1392x833.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1068x639.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1320x790.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes.png 1804w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Mais recentemente, o artista malaio Ahmad Fuad Osman recuperou Henrique através do projeto <em>Enrique de Malacca Memorial Project</em>, apresentado na Bienal de Singapura e posteriormente na Galeria Nacional de Arte da Malásia. Misturando documentos históricos, artefactos, escultura e vídeo, Osman criou um espaço de reflexão sobre aquilo que os arquivos silenciam.</p>



<p>Talvez nunca saibamos se foi efetivamente o primeiro homem a circum-navegar o mundo. Mas sabemos que foi uma testemunha privilegiada do nascimento da globalização moderna, um mediador entre civilizações e um dos protagonistas invisíveis da grande aventura marítima do século XVI.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A sua história recorda-nos que o passado não pertence apenas aos vencedores. Pertence também aos esquecidos, aos silenciados e àqueles cuja voz nunca chegou aos arquivos.</p>



<p>Foi precisamente nesse espaço de silêncio deixado pela História que nasceu <em>A História de Panglima, o Escravo de Magalhães</em>. Foi a ausência de Henrique &#8211; da sua voz, dos seus pensamentos e do seu destino &#8211; que despertou a minha imaginação de escritora.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="330" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1024x330.jpg" alt="" class="wp-image-49801" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1024x330.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-300x97.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-768x247.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-696x224.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1068x345.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima.jpg 1072w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-historia-de-panglima-o-escravo-de-fernao-de-magalhaes-vera-nobre/29734237">A História de Panglima, o Escravo de Fernão de Magalhães, de Vera Nobre &#8211; Livro</a></figcaption></figure></div>


<p>Este pequeno livro é, acima de tudo, uma homenagem a Henrique de Malaca e uma tentativa de lhe devolver humanidade. É também uma forma de recordar que, por detrás das grandes epopeias, existem vidas que a memória oficial escolheu não preservar.</p>
</div></div>
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		<title>500 ANOS DO CASAMENTO DA INFANTA D. ISABEL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 09:00:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Academia Portuguesa de História recriou o casamento da Infanta isabel com o Imperador Carlos V</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>As celebrações focaram-se no Itinerário da Infanta Isabel, refazendo os passos da comitiva real que, no início de 1526, partiu de Lisboa (local de nascimento da princesa) em direção a Espanha, onde se casou com o Imperador Carlos V. Um encontro de linhagens que foi desenhado muito antes de se realizar. </p>



<p>De facto, pressentindo o fim da vida, D. Manuel I acrescentou ao seu testamento (1521) um codicilo com uma tarefa imperativa para o príncipe D. João: <em>“Item muito rogo e encomendo ao dito Príncipe meu filho, que tome grande e especial lembrança e cuidado de se acabar o cazamento da infante D. Izabel sua Irmaã com o Emperador no qual elle sabe quanto tenho athe aqui trabalhado, e quanto o dezejo [&#8230;]”</em> Mais do que uma aliança afetiva, tratava-se de um movimento estratégico para consolidar a hegemonia das coroas ibéricas num mundo em expansão.</p>



<p>Em 1526, a promessa cumpriu-se. Após o casamento por procuração no Paço Real de Almeirim, Isabel iniciou a sua jornada rumo à fronteira. O itinerário &#8211; que passou por Torres Novas, Chamusca, Ponte de Sor, Alter do Chão e Monforte &#8211; culminou em Elvas, o último solo português que a Infanta pisaria antes de se tornar Imperatriz. Foi ali, sob o olhar das muralhas que vigiam a fronteira, que a Infanta se despediu do reino do seu irmão D. João III.</p>



<p>No passado dia 19 de abril, Elvas recuou no tempo para homenagear este legado. As celebrações incluíram recriações históricas com trajes de época, banquetes e danças de corte, evocando a opulência da comitiva original que impressionou as crónicas do século XVI. O som das gaitas de foles, o restolhar dos trajes de seda e o bater dos cascos dos cavalos no empedrado anunciaram a recriação do cortejo da Infanta.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="425" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1024x425.png" alt="" class="wp-image-49085" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1024x425.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-300x124.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-768x318.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1536x637.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-696x289.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1392x577.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1068x443.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta-1320x547.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/cortejo-casamento-infanta.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O momento simbólico da &#8220;Entrega da Infanta&#8221; &#8211; a transição formal para o séquito espanhol &#8211; foi encenado na ponte sobre o Rio Caia e em Badajoz, evocando o ato diplomático que selou o destino de Isabel.</p>



<p>Ao casar em Sevilha, a 11 de março de 1526, Isabel não foi apenas uma rainha consorte; foi a alma do Império. Inteligente e sensível, governou como Regente de Castela durante as longas ausências do marido, a quem escrevia incansavelmente, provando que a sua educação humanista a preparara para os mais altos voos da governação. O ambiente poliglota em que viviam não era apenas um reflexo da árvore genealógica, mas uma ferramenta essencial de governação. Isabel, educada na corte de D. Manuel I, cresceu num Portugal que era o centro de um império global, dominando o português e o castelhano, além do latim. Já Carlos V, embora fosse o monarca mais poderoso da cristandade, teve de aprender a equilibrar o seu francês nativo com o neerlandês, o alemão e, mais tarde, o castelhano, que se tornaria a língua do coração do casal.</p>



<p>Diz-se, inclusive, que a relação entre ambos foi uma das raras exceções de afeto real genuíno na época, e a língua terá sido a ponte para essa união num império onde, como Carlos dizia, &#8220;o sol nunca se punha&#8221;.</p>



<p>Apesar de ter desempenhado de forma exemplar os papéis de mulher, mãe e soberana, a morte colheu-a precocemente aos 36 anos, mergulhando o seu nome num esquecimento de séculos, guardado apenas pela lenda e pela arte. Hoje, o seu olhar sobrevive na obra-prima de <strong>Ticiano</strong>, a imagem que o Imperador, apaixonado, contemplou até ao fim dos seus dias.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="845" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-845x1024.jpg" alt="" class="wp-image-49082" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-845x1024.jpg 845w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-247x300.jpg 247w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-768x931.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano-696x844.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/La_emperatriz_Isabel_de_Portugal_por_Tiziano.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 845px) 100vw, 845px" /><figcaption class="wp-element-caption">Retrato da Infanta D.Isabel por Ticiano, 1548 &#8211; Museu do Prado</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/500-anos-do-casamento-da-infanta-d-isabel/">500 ANOS DO CASAMENTO DA INFANTA D. ISABEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>ANTÓNIA RODRIGUES: ENTRE O SEGREDO E A ESPADA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Apr 2026 09:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Antónia Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antónia Rodrigues é a Joana d’Arc portuguesa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Oriunda de uma família numerosa e pobre de pescadores, mandaram-na ainda criança para casa da irmã mais velha, em Lisboa, onde enfrentou maus-tratos. Com apenas 12 anos, tomou uma decisão ousada: cortou o cabelo, vestiu-se de rapaz e partiu em busca de um destino diferente. No movimentado cais da Ribeira lisboeta, conseguiu convencer o mestre da caravela <em>Nossa Senhora do Socorro</em> a levá-la como grumete, embarcando numa viagem que transportava trigo até Mazagão, atual El-Jadida, na costa de Marrocos.</p>



<p>Mal chegou, Antónia (usando o nome de António Rodrigues)&nbsp; denunciou irregularidades no carregamento dos cereais na caravela, chamando a atenção das autoridades. Impressionado com a sua inteligência, o governador Diogo Lopes de Carvalho decidiu mantê-la na praça e alistá-la como soldado.</p>



<p>Mazagão era uma praça-forte estratégica do império português: uma cidade totalmente fortificada, com muralhas renascentistas preparadas para resistir a ataques constantes. Funcionava como um ponto de apoio às rotas marítimas e como bastião da presença portuguesa em África. No seu interior, vivia uma pequena comunidade de militares, famílias e comerciantes, organizada segundo modelos europeus. &nbsp;</p>



<p>Foi nesse cenário que o cavaleiro António construiu a sua reputação. Durante vários anos, participou na defesa da cidade contra os ataques dos mouros, distinguindo-se pela coragem. Tornou-se conhecido como um dos mais destemidos combatentes de Mazagão, ganhando o apelido de “jovem fronteiro de África”, sem que ninguém suspeitasse da sua verdadeira identidade feminina.</p>



<p>Vivendo entre soldados, António partilhava a rotina militar, mantendo sempre o cuidado de preservar o seu segredo. No entanto, a sua crescente reputação levou-a a frequentar os círculos sociais mais nobres da praça, onde despertou a atenção de várias jovens mulheres. Entre elas, Beatriz, a filha de um cavaleiro local, apaixonou-se perdidamente por António Rodrigues, ao ponto de cair de cama doente.</p>



<p>A insistência num possível casamento colocou Antónia numa situação insustentável. Temendo ser descoberta, decidiu confessar a verdade ao padre de Mazagão. A revelação espalhou-se rapidamente, obrigando-a a assumir-se finalmente como mulher&#8230;</p>



<p>Apesar do choque inicial, a sua coragem e os feitos militares foram reconhecidos e o governador perdoou-lhe a “mentira”. O facto de ser mulher redobrou-lhe a fama; todos queriam conhecer “a Cavaleira”. Acabou por casar-se com um dos seus antigos companheiros de armas e mudou-se para Lisboa.</p>



<p>A sua história tornou-se lendária. Em 1619, o rei Filipe II de Portugal quis conhecê-la pessoalmente, aumentando a sua pensão anual em reconhecimento pelos serviços prestados ao reino e distinguindo também o seu único filho com o cargo de moço da Real Câmara.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="626" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-1024x626.png" alt="" class="wp-image-48489" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-1024x626.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-300x183.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-768x470.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1-696x426.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/mapa-mazagao-1.png 1066w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">mapa de Mazagão, século XVI</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/antonia-rodrigues-entre-o-segredo-e-a-espada/">ANTÓNIA RODRIGUES: ENTRE O SEGREDO E A ESPADA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A médica que deu voz às mulheres</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Jan 2026 00:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Formou-se em 1900 com uma tese que já revelava a sua missão: proteger as mulheres grávidas pobres como forma de garantir um futuro digno às crianças que nasceriam</p>
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<p>Nasceu em Elvas, a 25 de janeiro de 1867, numa terra de fronteira onde a resistência faz parte da paisagem e do carácter. Adelaide de Jesus Brazão, filha de uma família humilde, tornou-se, ainda criança, o apoio da mãe viúva e dos irmãos mais novos. Trabalhou como criada de servir em casas abastadas e em montes alentejanos, enquanto, nas horas roubadas ao cansaço, estudava para alcançar a única instrução possível: a quarta classe.</p>



<p>Cantava enquanto trabalhava. Diz-se que foi ao ouvi-la cantar que o futuro marido se apaixonou. Manuel Cabete, sargento republicano de Elvas, progressista e culto, identificou desde logo grande ambição e inteligência naquela jovem alta e forte, de cabelos negros brilhantes e olhos vivos que o cativara.</p>



<p>Casaram-se em 1886. Manuel não a confinou à vida doméstica. Acreditou nela quando quase ninguém acreditava nas mulheres e incitou-a a prosseguir os estudos. O seu casamento, num tempo em que tantas mulheres eram silenciadas, tornou-se para ela um espaço de apoio e emancipação. Manuel vendeu terras, partilhou tarefas de casa, tudo para que pudessem sustentar o sonho de Adelaide: ingressar na Escola Médico Cirúrgica. Juntos partiram para Lisboa, onde Adelaide enfrentaria o maior desafio da sua vida: estudar Medicina num meio quase exclusivamente masculino e profundamente marcado por preconceitos.</p>



<p>Formou-se em 1900, apresentando uma tese cujo tema já revelava a sua missão: proteger as mulheres grávidas pobres como forma de garantir um futuro digno às crianças que nasceriam. Para Adelaide, a medicina não era apenas ciência — era uma forma de intervenção social. Iniciou o exercício clínico na especialidade de Ginecologia, uma área sensível, ainda envolta em tabus, prestando especial atenção a mulheres em situações de grande vulnerabilidade, incluindo as que viviam da prostituição.</p>



<p>Abriu consultório em Lisboa, mas não se limitou ao atendimento individual. Sem esquecer as suas origens, promoveu sessões públicas sobre alimentação, pedagogia e puericultura, denunciando as causas invisíveis da mortalidade infantil e impulsionou um projeto-lei para garantir licença de maternidade às mulheres trabalhadoras.</p>



<p>Com frontalidade, afirmou que moda das mulheres devia obedecer à saúde e não à vaidade: condenou espartilhos que deformavam corpos, saltos altos usados por grávidas, saias longas e de tecidos pesados (ajudam à proliferação dos ácaros) dietas perigosas e substâncias como o vinagre para emagrecer. Alertou para os riscos do álcool e do tabaco quando ainda eram sinais de estatuto social.</p>



<p>Republicana e feminista, entrou na Maçonaria em 1907, adotando o nome Louise Michel, em homenagem à revolucionária francesa. Fundou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, com sede no seu consultório e liderou associações, escreveu manifestos, organizou congressos. Em 1910, acreditou que a República poderia melhorar a condição das mulheres e, ao lado de Carolina Beatriz Ângelo, bordou as novas bandeiras — num gesto simbólico de esperança.</p>



<p>Em 1929, viúva e desiludida com o rumo autoritário do país, partiu para Angola com o sobrinho, a quem criava como filho. Em Luanda, abriu um consultório, denunciou condições degradantes, defendeu maternidades, creches e redes de apoio social. Recusou aceitar a miséria como destino — nem em Portugal, nem no mundo colonial.</p>



<p>Regressou a Lisboa enfraquecida e doente, mas fiel a si mesma até ao fim. Morreu a 19 de setembro de 1935. Pediu um enterro simples, amortalhada com a bata médica que a acompanhara toda a vida.</p>



<p>Décadas depois, o país reconheceu-a com a medalha de Grande Oficial da Ordem da Liberdade. Mas Adelaide Cabete, muito antes de títulos ou honras póstumas, já tinha um lugar na história das grandes mulheres portuguesas: aquelas que ousaram estudar, dar voz às outras mulheres e resistir.</p>
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		<title>O Presidente Sem Fronteiras</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 Nov 2025 13:37:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Bernardino Machado]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Presidente da República]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Duas vezes subiu à presidência; duas vezes foi derrubado</p>
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<p>Bernardino Machado nasceu no calor do Rio de Janeiro, em 1851, filho e neto de emigrantes portugueses. Aos nove anos, cruzou a primeira fronteira — o oceano— levando na bagagem as recordações de brincadeiras ao sol tropical e um sonho português: as colinas verdes de Joane, a terra natal do pai.</p>



<p>O pai de Bernardino, tendo feito fortuna no Brasil, juntamente com outros brasileiros de “torna-viagem”, investiu na sua terra de origem. Mandou construir o “Palacete dos Machados” em Vila Nova de Famalicão, segundo o estilo arquitetónico que ficou conhecido como “casa de brasileiro”. Foi nesta casa que Bernardino passou a sua juventude. No interior, os tetos trabalhados em estuque, incluíam pinturas que recordavam as paisagens tropicais brasileiras da sua infância.</p>



<p>Ambicioso, aos quinze anos, já estudava em Coimbra. Tornou-se o mais jovem catedrático de Filosofia da Universidade. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="549" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-1024x549.png" alt="" class="wp-image-45705" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-1024x549.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-300x161.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-768x412.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x-696x373.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-2x.png 1052w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bernardino Machado, à esquerda ainda estudante de Matemática e Filosofia na Universidade de Coimbra, à direita já doutorado em Filosofia pela mesma universidade</figcaption></figure>



<p>Mas Bernardino queria mais do que ideias: queria ação. Aos vinte e um, optou oficialmente pela nacionalidade portuguesa e entrou na política. Foi ministro, embaixador de Portugal no Brasil, o país que o viu nascer, e Presidente. Em cada função política que ocupou, Bernardino procurava romper fronteiras e aproximar mundos diferentes.</p>



<p>No princípio do século passado viajar —&nbsp;principalmente além-fronteiras&nbsp;—&nbsp;não era ainda uma rotina, incluindo para os chefes de Estado. Na jovem Républica Portuguesa, a primeira viagem oficial ao estrangeiro foi organizada pelo Presidente Bernardino Machado, em 1917, no contexto da participação portuguesa na I Guerra Mundial. Ele quis visitar o Corpo Expedicionário Português, e foi recebido também pelos chefes de Estado de Espanha, França, Reino Unido e Bélgica.</p>



<p>Num período em que os submarinos alemães constituíam uma ameaça à navegação, e em que viajar de automóvel era difícil, o comboio foi a escolha óbvia para a primeira viagem presidencial. O comboio presidencial, partiu do Rossio e atravessou a fronteira em Vilar Formoso, onde fez uma breve paragem, com grande pompa.</p>



<p>Mas a política é um terreno movediço. Bernardino duas vezes subiu à presidência; duas vezes foi derrubado. Exilado em França, voltou a atravessar a fronteira de Vilar Formoso e, ao mesmo tempo a linha invisível entre o poder e o esquecimento.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="980" height="705" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio.png" alt="" class="wp-image-45709" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio.png 980w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio-300x216.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio-768x552.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/11/bernardino-machado-no-comboio-para-o-exilio-696x501.png 696w" sizes="auto, (max-width: 980px) 100vw, 980px" /><figcaption class="wp-element-caption">Bernardino Machado a bordo do comboio que o vai conduzir ao exílio em Paris, na sequência do golpe de Estado de Sidónio Pais, em 1917</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/11/o-presidente-sem-fronteiras/">O Presidente Sem Fronteiras</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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