<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Óscar Barbosa &quot;Cancan&quot;, autor em Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/author/oscar-barbosa/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/author/oscar-barbosa/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Tue, 26 May 2026 11:30:20 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Óscar Barbosa &quot;Cancan&quot;, autor em Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/author/oscar-barbosa/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>PORTUGAL RECONHECE OS COMBATENTES AFRICANOS QUE SERVIRAM A SUA BANDEIRA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/portugal-reconhece-finalmente-os-combatentes-africanos-que-serviram-a-sua-bandeira/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/05/portugal-reconhece-finalmente-os-combatentes-africanos-que-serviram-a-sua-bandeira/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 23:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a nova lei da nacionalidade portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[comandos africanos na Guerra Colonial]]></category>
		<category><![CDATA[combatentes africanos de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Colonial]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=49203</guid>

					<description><![CDATA[<p>“Nós lembramo-nos do vosso serviço.”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/portugal-reconhece-finalmente-os-combatentes-africanos-que-serviram-a-sua-bandeira/">PORTUGAL RECONHECE OS COMBATENTES AFRICANOS QUE SERVIRAM A SUA BANDEIRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje, mais de cinquenta anos depois, com a promulgação pelo Presidente da República Portuguesa de um regime especial de acesso à <strong><a href="https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2026/05/presidente-da-republica-promulga-decreto-da-assembleia-da-republica/" type="link" id="https://www.presidencia.pt/atualidade/toda-a-atualidade/2026/05/presidente-da-republica-promulga-decreto-da-assembleia-da-republica/">nacionalidade</a></strong> para antigos combatentes africanos , assistimos não apenas a uma decisão jurídica, mas sobretudo um acto histórico de reconhecimento moral, político e humano.</p>



<p>Trata-se de uma medida tardia, mas profundamente simbólica. Portugal demorou meio século para admitir, de forma clara, que aqueles homens africanos não eram simples auxiliares descartáveis da máquina colonial. Foram soldados ao serviço do Estado português. Vestiram a farda portuguesa. Defenderam posições militares portuguesas. Muitos derramaram sangue por uma pátria que, após as independências, rapidamente os esqueceu.</p>



<p>A nova lei vem, finalmente, reparar, ainda que parcialmente, uma injustiça histórica. Não estamos perante um favor político nem perante um gesto de caridade administrativa. Estamos perante o reconhecimento de uma dívida histórica acumulada ao longo de décadas. O serviço militar prestado por estes africanos não pode ser apagado da memória colectiva nem reduzido a uma nota de rodapé da história colonial portuguesa.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/BanjziU.jpg" alt="" class="wp-image-11761"/></figure>



<p>A decisão possui igualmente uma forte dimensão ética. Pela primeira vez, o Estado português aceita que o vínculo criado pelo serviço militar pode fundamentar um direito especial à nacionalidade, dispensando exigências normalmente impostas a estrangeiros comuns, como longos anos de residência ou provas complexas de integração. O princípio é simples, justo e civilizacional: quem serviu o Estado português em armas merece reconhecimento do próprio Estado português.</p>



<p>Mas esta medida levanta também uma reflexão mais profunda sobre memória histórica e reconciliação. Durante muito tempo, os antigos combatentes africanos viveram numa espécie de limbo político. Em muitos países africanos independentes, eram vistos com desconfiança por terem combatido ao lado da administração colonial. Em Portugal, foram praticamente esquecidos pelas instituições que serviram. Ficaram entre dois mundos. Sem reconhecimento pleno de um lado nem do outro.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/q5Q9W0V.jpg" alt="" class="wp-image-11756"/></figure>



<p>Por isso, esta lei ultrapassa a simples dimensão burocrática da nacionalidade. Ela toca directamente na dignidade humana de milhares de famílias africanas que viveram décadas de silêncio e invisibilidade.</p>



<p>Na Guiné-Bissau, esta questão possui uma carga emocional e histórica particularmente sensível. A guerra de libertação foi uma das mais intensas do antigo império português. Muitos guineenses combateram pela independência no PAIGC, enquanto outros integraram as forças portuguesas, por múltiplas razões: sobrevivência, circunstâncias locais, alianças tradicionais, convicções pessoais ou simples imposição histórica.</p>



<p>A reconciliação nacional exige maturidade suficiente para compreender que a História raramente é linear ou absoluta. Reconhecer direitos a antigos combatentes africanos não diminui a legitimidade das lutas de libertação nacional. Pelo contrário. Demonstra maturidade democrática e capacidade de enfrentar a História com serenidade e verdade.</p>



<p>Importa agora garantir que esta lei não fique apenas no plano simbólico. O verdadeiro desafio começa na sua aplicação prática. Muitos antigos combatentes enfrentam enormes dificuldades documentais: arquivos militares incompletos; cadernetas desaparecidas; diferenças de nomes; registos destruídos pelo tempo e pela guerra.</p>



<p>Sem mecanismos flexíveis de prova, muitos dos verdadeiros beneficiários poderão continuar excluídos. Portugal deve, por isso, assegurar acesso facilitado aos arquivos militares, cooperação consular eficaz, assistência administrativa simplificada e reconhecimento de testemunhos complementares quando os documentos oficiais forem insuficientes.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/TxcFPUe.jpg" alt="" class="wp-image-11757"/></figure>



<p>Seria igualmente desejável que as autoridades portuguesas trabalhassem em articulação com associações de antigos combatentes africanos, que conhecem profundamente a realidade social destas famílias e podem ajudar a identificar beneficiários legítimos. Neste contexto, merece referência o trabalho desenvolvido pela ANACHEP &#8211; Associação Nacional de Apoios aos Combatentes Heróis da Pátria, que poderá desempenhar um importante papel de orientação, apoio documental e acompanhamento dos processos junto dos interessados.</p>



<p>No fundo, esta nova lei portuguesa lança uma mensagem importante ao mundo lusófono: os laços da História não desaparecem apenas porque o tempo passou. Há feridas históricas que exigem reconhecimento. Há homens que envelheceram esperando apenas uma palavra de dignidade institucional.</p>



<p>Demorou cinquenta anos. Mas chegou finalmente o momento de Portugal dizer, oficialmente, a milhares de africanos: “Nós lembramo-nos do vosso serviço.”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/portugal-reconhece-finalmente-os-combatentes-africanos-que-serviram-a-sua-bandeira/">PORTUGAL RECONHECE OS COMBATENTES AFRICANOS QUE SERVIRAM A SUA BANDEIRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/05/portugal-reconhece-finalmente-os-combatentes-africanos-que-serviram-a-sua-bandeira/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">49203</post-id>	</item>
		<item>
		<title>ÁFRICA NÃO PODE CONTINUAR À PORTA DA HISTÓRIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/africa-nao-pode-continuar-a-porta-da-historia/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/05/africa-nao-pode-continuar-a-porta-da-historia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 12:52:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[África quer lugar no Conselho de Segurança da ONU]]></category>
		<category><![CDATA[reforma da ONU]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=49089</guid>

					<description><![CDATA[<p>Reformar a ONU</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/africa-nao-pode-continuar-a-porta-da-historia/">ÁFRICA NÃO PODE CONTINUAR À PORTA DA HISTÓRIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A recente posição assumida pelo Secretário-Geral da ONU, António Guterres, ao defender a presença permanente de países africanos no Conselho de Segurança das Nações Unidas, não constitui apenas uma declaração diplomática. Trata-se de um reconhecimento histórico tardio de uma profunda injustiça política internacional que dura desde 1945. África já não pode continuar a ser o único grande bloco civilizacional do planeta excluído do núcleo duro da governação mundial.</p>



<p>O atual Conselho de Segurança da ONU nasceu num contexto geopolítico completamente diferente do mundo contemporâneo. Foi concebido após a Segunda Guerra Mundial, num período em que grande parte de África ainda estava sob ocupação colonial. Os vencedores da guerra desenharam uma arquitetura internacional baseada nos seus interesses estratégicos e militares, ignorando por completo centenas de milhões de africanos que nem sequer tinham direito à autodeterminação.</p>



<p>Passaram mais de oitenta anos. Hoje, África representa mais de 1,4 mil milhões de habitantes, possui 54 Estados soberanos, detém enormes reservas minerais, energéticas e ambientais estratégicas, dispõe da população mais jovem do mundo e tornou-se um dos espaços centrais da disputa económica e geopolítica internacional. Ainda assim, continua sem um único assento permanente no Conselho de Segurança. Esta realidade tornou-se moralmente insustentável e politicamente indefensável.</p>



<p>Como pode a ONU falar de democracia global, equilíbrio internacional ou legitimidade multilateral quando todo um continente continua excluído das decisões permanentes sobre paz, segurança e guerra? Como pode o Conselho de Segurança decidir sobre conflitos africanos sem representação africana permanente? Quantas vezes tropas africanas morreram em missões internacionais decididas por potências que jamais aceitariam semelhante exclusão sobre os seus próprios destinos? A verdade é simples: o atual modelo tornou-se obsoleto.</p>



<p>A posição de <strong><a href="https://www.un.org/sg/en/content/sg/statements/2026-05-12/secretary-generals-remarks-the-opening-of-the-africa-forward-summit" type="link" id="https://www.un.org/sg/en/content/sg/statements/2026-05-12/secretary-generals-remarks-the-opening-of-the-africa-forward-summit">António Guterres</a></strong> revela lucidez política e consciência histórica. Guterres compreendeu que a ONU corre sérios riscos de perder legitimidade internacional caso continue presa às estruturas herdadas do pós-guerra. O mundo tornou-se multipolar. A distribuição do poder internacional mudou. As economias emergentes ganharam peso. Novos centros de influência surgiram. África deixou de ser apenas objeto da política internacional para se transformar progressivamente num sujeito incontornável das grandes decisões globais. Mais do que nunca, a reforma do Conselho de Segurança tornou-se uma necessidade estratégica para salvar a credibilidade da própria ONU.</p>



<p>E neste contexto, ganha enorme relevância a possibilidade de o antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, poder vir a assumir futuramente funções de Secretário-Geral das Nações Unidas. A eventual ascensão de um líder africano experiente à liderança da ONU teria um profundo significado político e simbólico. O Senegal sempre ocupou uma posição diplomática respeitada no espaço africano e internacional, sendo reconhecido pela estabilidade institucional relativa, tradição diplomática e capacidade de diálogo.</p>



<p>Mas a questão central ultrapassa nomes ou nacionalidades. O verdadeiro debate é civilizacional. O século XXI não poderá continuar organizado segundo os equilíbrios de poder do século XX.</p>



<p>África já não aceita ser apenas fornecedora de matérias-primas, palco de conflitos geopolíticos externos ou simples mercado consumidor das grandes potências. O continente quer participar na definição das regras internacionais, na construção das soluções globais e na arquitetura da paz mundial. E isso é legítimo.</p>



<p>Nenhuma reforma séria da governação global será sustentável sem África. Nenhuma estratégia internacional sobre clima, migração, terrorismo, segurança alimentar, minerais estratégicos, energia ou crescimento demográfico poderá funcionar ignorando o continente africano.</p>



<p>As grandes potências sabem disso. Os Estados Unidos sabem disso. A China sabe disso. A Rússia sabe disso. A União Europeia sabe disso. Por isso, a disputa pela influência em África tornou-se hoje uma das principais batalhas geopolíticas do planeta.</p>



<p>A ONU precisa agora de demonstrar coragem política para adaptar-se ao novo mundo que emerge. A entrada de países africanos como membros permanentes do Conselho de Segurança não deve ser encarada como um favor diplomático, mas sim como uma reparação histórica e uma necessidade de equilíbrio global.</p>



<p>O continente africano exige respeito político. Exige representação. Exige justiça histórica. E, acima de tudo, exige que o futuro da humanidade deixe finalmente de ser decidido sem África sentada à mesa principal das grandes decisões mundiais.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/africa-nao-pode-continuar-a-porta-da-historia/">ÁFRICA NÃO PODE CONTINUAR À PORTA DA HISTÓRIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/05/africa-nao-pode-continuar-a-porta-da-historia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">49089</post-id>	</item>
		<item>
		<title>QUANDO A NACIONALIDADE IGNORA A HISTÓRIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/quando-a-nacionalidade-ignora-a-historia/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/05/quando-a-nacionalidade-ignora-a-historia/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 12:09:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[a nova lei da nacionalidade portuguesa]]></category>
		<category><![CDATA[CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[crise na CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[lusofonia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=48903</guid>

					<description><![CDATA[<p>O que emerge desta lei é um Portugal mais fechado, menos atento à sua história.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/quando-a-nacionalidade-ignora-a-historia/">QUANDO A NACIONALIDADE IGNORA A HISTÓRIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A recente alteração à Lei da Nacionalidade em Portugal, aprovada pela Assembleia da República e promulgada pelo Presidente António José Seguro, não é apenas uma mudança técnica no regime jurídico da cidadania. É, sobretudo, um sinal político, um sinal que merece ser analisado com rigor e sem complacência.</p>



<p>Portugal não é um Estado qualquer no contexto europeu. A sua história construiu-se para além das suas fronteiras geográficas, através de uma projeção global que deu origem a uma comunidade de povos ligados por uma língua comum, por traços culturais partilhados e por uma história complexa, por vezes dolorosa, mas indissociável. É esse legado que sustenta, hoje, a existência da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.</p>



<p>Ora, ao endurecer os critérios de acesso à nacionalidade, o Estado português parece optar por uma leitura estritamente administrativa da cidadania, desligada dessa memória histórica e dessa responsabilidade política. A nacionalidade passa a ser tratada como um mecanismo burocrático, regulado por prazos e requisitos formais, e não como a expressão de uma pertença construída ao longo de séculos. Esta opção levanta questões fundamentais.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Primeiro, a coerência histórica</strong></h4>



<p>Portugal beneficiou, ao longo da sua trajetória, de uma identidade aberta, marcada pela mobilidade e pelo encontro de culturas. Ignorar essa realidade é, em certa medida, negar a própria base sobre a qual o país se projetou no mundo. A relação com países como a Guiné-Bissau não pode ser reduzida a um simples estatuto migratório; ela assenta em vínculos históricos e humanos profundos.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Segundo, a dimensão estratégica</strong></h4>



<p>Num contexto internacional cada vez mais competitivo, os Estados que conseguem mobilizar redes culturais e linguísticas ampliam a sua influência. A lusofonia constitui um dos maiores ativos estratégicos de Portugal. Ao introduzir barreiras mais rígidas ao acesso à nacionalidade, o país arrisca fragilizar essa rede e enviar um sinal de distanciamento aos seus parceiros naturais.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Terceiro, a responsabilidade política</strong></h4>



<p>É legítimo que um Estado regule o acesso à sua nacionalidade. Mas essa regulação não é neutra: ela traduz uma visão de país. E a visão que emerge desta lei é a de um Portugal mais fechado, menos atento à sua história e menos disponível para assumir o papel que lhe cabe no espaço lusófono.</p>



<p>A decisão presidencial de promulgar o diploma, ainda que acompanhada de reservas, deve também ser lida à luz deste quadro. O Presidente poderia ter optado por um veto político, afirmando uma posição mais clara sobre o sentido desta mudança. Ao não o fazer, privilegiou a estabilidade institucional, uma escolha legítima mas não isenta de consequências.</p>



<p>A questão que se coloca, portanto, não é apenas jurídica. É profundamente política: que Portugal se quer construir? Um Portugal que se fecha sobre critérios administrativos e prazos formais? Ou um Portugal que reconhece na sua história e na sua língua uma base para uma comunidade de destino mais ampla?</p>



<p>A resposta a esta pergunta ultrapassa o debate interno português. Ela diz respeito a todos os países que partilham essa história comum e que veem na lusofonia não apenas um legado do passado, mas uma possibilidade real de futuro. Ignorar essa dimensão é mais do que uma opção legislativa. É uma escolha de rumo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/quando-a-nacionalidade-ignora-a-historia/">QUANDO A NACIONALIDADE IGNORA A HISTÓRIA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/05/quando-a-nacionalidade-ignora-a-historia/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">48903</post-id>	</item>
		<item>
		<title>QUANDO A MEMÓRIA É OFENDIDA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/04/quando-a-memoria-e-ofendida/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/04/quando-a-memoria-e-ofendida/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 23:00:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[comandos africanos]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Guerra Colonial]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelino da Mata]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=48512</guid>

					<description><![CDATA[<p>Há propostas políticas que são atos de provocação</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/quando-a-memoria-e-ofendida/">QUANDO A MEMÓRIA É OFENDIDA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há propostas políticas que não são apenas erros de julgamento, são atos de provocação. A tentativa de atribuir o nome de Marcelino da Mata a uma rua em Portugal, levada ao Parlamento português por setores ligados ao Partido Social Democrata e ao Chega, não pode ser lida como um gesto inocente. Trata-se de uma escolha política carregada de simbolismo e, no atual contexto guineense, de uma gravidade que não deve ser subestimada.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não é sobre uma rua. É sobre memória, dignidade e poder</p>



<p>A atribuição de um nome a um espaço público é um ato político de consagração. É uma forma de dizer quem merece ser lembrado. E como deve ser lembrado. Ao propor a elevação de Marcelino da Mata à condição de referência pública, certos setores políticos portugueses procuram impor uma narrativa que ignora, deliberadamente, a memória histórica de um povo que sofreu diretamente as consequências da guerra colonial.</p>



<p>Para muitos em Portugal, Marcelino da Mata pode ser apresentado como um “herói militar”. Para os guineenses, porém, essa leitura é, no mínimo, incompleta e ofensiva. A sua atuação enquanto membro dos chamados Comandos Africanos está associada, na memória coletiva, a operações de repressão brutal contra populações locais, num contexto de dominação colonial.</p>



<p>Não é irrelevante que esta proposta surja num momento particularmente sensível da vida política da Guiné-Bissau. Quando um país enfrenta tensões internas, disputas de narrativa e tentativas de deslegitimação institucional, iniciativas externas com forte carga simbólica podem funcionar como instrumentos de pressão indireta.</p>



<p>A pergunta impõe-se: porquê agora?</p>



<p>A resposta mais plausível é desconfortável: porque há setores políticos em Portugal, particularmente na extrema-direita representada pelo Chega, que continuam a instrumentalizar o passado colonial como arma ideológica. Ao fazê-lo, não apenas reabilitam figuras controversas, como também enviam sinais políticos a determinados atores internos africanos que se alimentam de divisões históricas.</p>
</div></div>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A falsa neutralidade da História</strong></h4>



<p>Há quem argumente que “a História deve ser vista no seu contexto”. Esse argumento, embora tecnicamente correto, é frequentemente utilizado como escudo para evitar julgamentos morais. Mas há um limite. Uma democracia madura não é neutra face à violência histórica. Não pode ser.</p>



<p>A tentativa de glorificação acrítica de figuras associadas à repressão colonial revela uma recusa em confrontar o passado com honestidade. E pior: revela uma hierarquização implícita das vítimas, onde o sofrimento africano continua a ser relativizado.</p>



<p>A bravura em combate, por si só, não é critério suficiente para a consagração pública. A História está repleta de figuras militarmente eficazes que, ainda assim, não são, nem devem ser, celebradas.</p>



<p>O que está em causa não é negar a existência de Marcelino da Mata. É recusar a sua elevação simbólica num espaço público que representa valores universais: dignidade humana, justiça e memória inclusiva.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Portugal perante o seu próprio espelho</strong></h4>



<p>Esta proposta coloca Portugal diante de uma escolha clara: ou assume uma leitura crítica e responsável do seu passado colonial, ou cede à tentação revisionista de sectores políticos que procuram reescrever a História à luz de nostalgias imperiais.</p>



<p>O chumbo da proposta no Parlamento português, se confirmado e mantido, não será um ato de fraqueza. Será, pelo contrário, um sinal de maturidade democrática e de respeito pelas relações históricas com os povos africanos.</p>



<p>Guiné-Bissau não é um detalhe na História portuguesa. Há uma linha que não pode ser ultrapassada: a desconsideração pela memória de um povo. A Guiné-Bissau não é um apêndice da História de Portugal. É uma nação soberana, com a sua própria narrativa, construída com sangue, resistência e dignidade. Ignorar essa realidade é mais do que um erro político. É uma forma de violência simbólica.</p>



<p>A proposta de homenagear <strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelino_da_Mata" type="link" id="https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcelino_da_Mata">Marcelino da Mata</a></strong> revela que, décadas após o fim do colonialismo, persistem forças que se recusam a aceitar plenamente as implicações morais desse período.</p>



<p>Mas também revela algo mais importante: que há resistência, que há memória e que há dignidade. E essa, ao contrário de qualquer rua, não pode ser renomeada.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/quando-a-memoria-e-ofendida/">QUANDO A MEMÓRIA É OFENDIDA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/04/quando-a-memoria-e-ofendida/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>2</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">48512</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A NORMALIZAÇÃO DO INACEITÁVEL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/04/a-normalizacao-do-inaceitavel/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/04/a-normalizacao-do-inaceitavel/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 17:21:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[CNN Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pacheco Pereira debate com André Ventura]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=48506</guid>

					<description><![CDATA[<p>A reabilitação do discurso colonial e a banalização do racismo sob a capa de “patriotismo” ou “revisão histórica”</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/a-normalizacao-do-inaceitavel/">A NORMALIZAÇÃO DO INACEITÁVEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O recente debate entre Pacheco Pereira e André Ventura não foi apenas um confronto de ideias. Foi, acima de tudo, um espelho perturbador de um fenómeno que cresce silenciosamente, e perigosamente, no espaço público: a reabilitação do discurso colonial e a banalização do racismo sob a capa de “patriotismo” ou “revisão histórica”.</p>



<p>O que está em causa não é uma simples divergência académica sobre terminologias, “guerra colonial” ou “guerra do ultramar”, é algo muito mais grave: a tentativa deliberada de reescrever a história para relativizar crimes, diluir responsabilidades e, no limite, legitimar um sistema baseado na opressão, na violência e na desumanização de povos inteiros.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A estratégia da falsificação</strong></h4>



<p>Ao tentar colocar no mesmo plano a violência estrutural da ditadura antes do Revolução dos Cravos com episódios isolados do período pós-revolucionário, constrói-se uma narrativa perversa: a de que “todos foram igualmente culpados”. Esta lógica é intelectualmente desonesta e politicamente tóxica.</p>



<p>Não se trata de negar que houve excessos após o 25 de Abril. Trata-se de recusar a manipulação grosseira que tenta equiparar décadas de repressão sistemática, com milhares de presos políticos, tortura institucionalizada e execuções, a casos pontuais num contexto de transição.</p>



<p>Essa falsa simetria não é inocente. Ela serve um propósito: limpar a memória da ditadura e tornar aceitável, ou até desejável, o seu legado.</p>



<p>Neste contexto, a intervenção de Pacheco Pereira assume particular relevância. Não por representar uma posição política específica, mas por traduzir uma exigência elementar de rigor histórico. Ao recusar a equivalência entre a violência estrutural da ditadura e episódios isolados do período pós-Revolução dos Cravos, Pacheco Pereira não está a “defender um lado”, está a defender a integridade da memória colectiva. A sua insistência na desproporção dos factos, entre milhares de vítimas de um regime e casos pontuais numa transição, expõe precisamente o núcleo da manipulação: transformar a exceção em regra para absolver um sistema inteiro. É esse rigor, hoje tão raro no espaço público, que impede que a história seja capturada pela demagogia.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O racismo implícito: negar a legitimidade da luta dos povos africanos</strong></h4>



<p>Talvez o momento mais revelador, e mais inquietante, do debate tenha sido a recusa em reconhecer a legitimidade das lutas de libertação africanas.</p>



<p>Quando se afirma que atacar o exército colonial português não pode ser considerado um acto político, está-se, na prática, a negar aos povos de Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau o direito fundamental à autodeterminação. Isso é racismo. Porque pressupõe que os africanos não tinham legitimidade para lutar pela sua liberdade. Que deveriam aceitar a dominação como destino. Que a sua resistência não era política, era criminal.</p>



<p>Esta visão é herdeira directa da ideologia colonial: aquela que considerava os povos colonizados como sujeitos inferiores, incapazes de decidir o seu próprio futuro. Aceitar esse discurso, ou pior, normalizá-lo, é abrir a porta ao regresso de uma mentalidade que nunca foi verdadeiramente erradicada.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A nostalgia colonial</strong></h4>



<p>A ideia de que a descolonização foi uma “traição” não é apenas historicamente absurda. É moralmente obscena. Significa, em termos simples, que milhões de africanos deveriam ter permanecido sob domínio estrangeiro contra a sua vontade. Significa que a liberdade desses povos é vista como um erro histórico.</p>



<p>Esta nostalgia colonial não é uma opinião legítima no quadro democrático. É uma forma de extremismo ideológico que tenta reabilitar um sistema baseado na exploração, na segregação e na violência.</p>



<p>E aqui reside o verdadeiro perigo: quando este tipo de discurso entra no espaço público e é tratado como “mais uma opinião”, ele deixa de ser marginal e passa a ser normalizado.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Quando o inaceitável se torna tolerável</strong></h4>



<p>Conviver com racistas e nostálgicos do colonialismo não é um exercício de pluralismo. É uma forma de cumplicidade passiva. Porque estas ideias não são neutras. Elas têm consequências concretas: alimentam a discriminação; distorcem a memória colectiva; enfraquecem os valores democráticos; criam as condições para o regresso de práticas autoritárias.</p>



<p>A história já demonstrou, de forma trágica, que o extremismo não começa com violência explícita. Começa com palavras. Com “debates”. Com a banalização do inaceitável.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Uma responsabilidade histórica inadiável</strong></h4>



<p>Para países como a Guiné-Bissau, este debate não é teórico. É existencial. A nossa independência não foi um acidente. Foi conquistada com sacrifício, com luta e com uma consciência política clara: a de que nenhum povo deve viver sob dominação.</p>



<p>Aceitar discursos que relativizam essa luta é trair essa memória. Mais do que isso: é permitir que se reabra uma ferida histórica que ainda não cicatrizou completamente. Não há neutralidade possível.</p>



<p>O debate entre Pacheco Pereira e André Ventura deixou uma coisa clara: a batalha pela memória não terminou. E perder essa batalha não é uma questão académica. Porque quando o racismo e o colonialismo deixam de ser combatidos, começam, inevitavelmente, a regressar.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/a-normalizacao-do-inaceitavel/">A NORMALIZAÇÃO DO INACEITÁVEL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/04/a-normalizacao-do-inaceitavel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">48506</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A ESCRAVIDÃO NÃO FOI UM ACIDENTE DA HISTÓRIA, FOI UM NEGÓCIO. A DÍVIDA CONTINUA EM ABERTO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/a-escravidao-nao-foi-um-acidente-da-historia-foi-um-negocio-a-divida-continua-em-aberto/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/03/a-escravidao-nao-foi-um-acidente-da-historia-foi-um-negocio-a-divida-continua-em-aberto/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Mar 2026 19:52:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[escravatura]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Vaz]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau e Portugal]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=48203</guid>

					<description><![CDATA[<p>A estratégia de negação que regressa ciclicamente sempre que se tenta falar de reparações históricas, de colonialismo, de racismo estrutural e da responsabilidade dos Estados que enriqueceram à custa da escravização de povos africanos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/a-escravidao-nao-foi-um-acidente-da-historia-foi-um-negocio-a-divida-continua-em-aberto/">A ESCRAVIDÃO NÃO FOI UM ACIDENTE DA HISTÓRIA, FOI UM NEGÓCIO. A DÍVIDA CONTINUA EM ABERTO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="848" height="149" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/observador.png" alt="" class="wp-image-48206" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/observador.png 848w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/observador-300x53.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/observador-768x135.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/observador-696x122.png 696w" sizes="(max-width: 848px) 100vw, 848px" /></figure></div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="787" height="268" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/fernando-vaz.png" alt="" class="wp-image-48207" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/fernando-vaz.png 787w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/fernando-vaz-300x102.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/fernando-vaz-768x262.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/fernando-vaz-696x237.png 696w" sizes="(max-width: 787px) 100vw, 787px" /></figure></div>


<p>Há textos que não apenas respondem a uma opinião: restabelecem a dignidade da verdade. Foi isso que fez Fernando Vaz, ao enfrentar, com coragem, lucidez e sentido de justiça, uma velha estratégia de negação que regressa ciclicamente sempre que se tenta falar de reparações históricas, de colonialismo, de racismo estrutural e da responsabilidade dos Estados que enriqueceram à custa da escravização de povos africanos.</p>



<p>A sua resposta merece ser saudada. Porque foi clara onde muitos preferem a ambiguidade. Porque foi moralmente firme onde muitos tentam relativizar o horror. E porque disse o que ainda hoje demasiados europeus recusam admitir: a escravatura transatlântica não foi apenas uma página triste da História, foi uma arquitetura internacional de pilhagem humana que financiou impérios, construiu fortunas, alimentou bancos, portos, companhias comerciais, indústrias e Estados modernos.</p>



<p>Não foi apenas escravidão. Foi desumanização organizada. Aqueles que hoje procuram esvaziar o debate sobre reparações recorrem quase sempre ao mesmo expediente: dizem que “a escravidão sempre existiu”, que “também houve escravos em África”, que “não se pode julgar o passado com os olhos de hoje”.</p>



<p>Mas esse argumento é intelectualmente fraudulento. Porque aquilo que a Europa organizou no Atlântico não foi apenas mais uma forma de dominação antiga. Foi uma máquina global de comércio humano, sustentada por leis, teologia, violência militar, finanças, seguro marítimo, classificação racial e uma narrativa de inferiorização do africano que haveria de contaminar séculos inteiros de relações internacionais.</p>



<p>Pela primeira vez em escala planetária, milhões de seres humanos foram &nbsp;transformados em mercadoria racializada, reduzidos a peças, avaliados como ativos económicos, transportados como carga e explorados como força de trabalho descartável.</p>



<p>Isto não foi um desvio. Foi um modelo económico. A riqueza de uns nasceu da amputação histórica de outros. É aqui que o debate sobre reparações se torna incontornável.</p>



<p>Os países que hoje se apresentam como modelos de civilização, democracia, racionalidade económica e prosperidade esqueceram-se, convenientemente, de que uma parte decisiva do seu enriquecimento foi construída com base em captura e venda de africanos, trabalho forçado nas plantações e colónias, extração colonial de matérias-primas, destruição de estruturas políticas e sociais africanas, descapitalização humana de continentes inteiros.</p>



<p>A Europa moderna não nasceu apenas do Iluminismo, da Revolução Industrial ou do génio comercial. Nasceu também do porão dos navios negreiros. Nasceu também do sangue, do suor e da desumanização de milhões de africanos.</p>



<p>E é precisamente por isso que o argumento “isso aconteceu há muito tempo” é moralmente insustentável. Porque o tempo não apaga quando os efeitos permanecem vivos. A injustiça histórica continua a produzir injustiça presente.</p>



<p>As reparações não são um capricho ideológico. Não são um gesto de vitimização. Não são um favor. São, antes de mais, uma exigência de coerência histórica e de justiça internacional. Porque a linha entre escravidão, colonialismo, subdesenvolvimento, racismo estrutural, dependência económica e fragilidade institucional africana não é imaginária. É concreta. É estudável. É documentável. É visível.</p>



<p>Quando África continua a enfrentar desvantagens estruturais, dependência financeira, fragilidade infraestrutural e assimetrias brutais na ordem internacional, não estamos apenas perante “problemas internos”.</p>



<p>Estamos também perante as consequências prolongadas de séculos de pilhagem organizada. Quem lucrou com o crime histórico não pode hoje posar de neutro, de inocente ou de árbitro civilizacional. Não se pode invocar a participação africana para absolver o sistema europeu</p>



<p>Outro argumento recorrente dos negacionistas é lembrar que houve africanos envolvidos na captura e venda de escravos. Isso é historicamente verdadeiro em parte. Mas o uso político desse facto é profundamente desonesto. Porque uma coisa é reconhecer a existência de cumplicidades locais, guerras internas e intermediários africanos. Outra, completamente diferente, é fingir que isso elimina a responsabilidade de quem criou a procura, financiou o sistema, armou a logística, organizou a escala e acumulou os lucros.</p>



<p>Nenhum mercado de escravos atlântico teria existido naquela dimensão sem a engenharia económica, marítima, militar e jurídica.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/a-escravidao-nao-foi-um-acidente-da-historia-foi-um-negocio-a-divida-continua-em-aberto/">A ESCRAVIDÃO NÃO FOI UM ACIDENTE DA HISTÓRIA, FOI UM NEGÓCIO. A DÍVIDA CONTINUA EM ABERTO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/03/a-escravidao-nao-foi-um-acidente-da-historia-foi-um-negocio-a-divida-continua-em-aberto/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">48203</post-id>	</item>
		<item>
		<title>QUANDO O JORNALISMO ABANDONA A ÉTICA E ASSUME O PAPEL DE JUIZ</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2026 00:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[expulsão de jornalistas portugueses da Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau e Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lusa]]></category>
		<category><![CDATA[RTP África]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=46774</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Guiné-Bissau não é um protetorado mediático, nem um laboratório de narrativas pós-coloniais.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/">QUANDO O JORNALISMO ABANDONA A ÉTICA E ASSUME O PAPEL DE JUIZ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Referimo-nos, de forma direta e sem rodeios, a práticas recorrentes observadas em órgãos como a RTP, a RDP África e a Lusa. Não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão persistente de atuação que levanta sérias dúvidas quanto à ética, à imparcialidade e ao profissionalismo de alguns dos seus protagonistas.</p>



<p>Convém recordar um facto histórico que muitos parecem querer esquecer: a decisão soberana da Guiné-Bissau de afastar determinados órgãos de comunicação do seu território.</p>



<p>Essa decisão não foi arbitrária nem emocional. Resultou, entre outros fatores, da constatação de que alguns jornalistas passaram a confundir deliberadamente a sua função com a de magistrados, arrogando-se o direito de validar, deslegitimar ou reinterpretar atos institucionais de um Estado soberano.</p>



<p>O jornalismo é, por definição, uma profissão nobre, ao serviço do interesse público. Mas deixa de o ser no momento em que abandona o rigor factual, a isenção e o respeito pelas instituições, para se transformar num exercício de escárnio, insinuação e militância disfarçada.</p>



<p>O exemplo recente da cobertura da inauguração das obras de dragagem dos portos de Bissau é paradigmático. Em vez de informar sobre um evento estruturante para a economia nacional &#8211; presidido legitimamente pelo Primeiro-Ministro -, optou-se por um registo enviesado, carregado de subentendidos e comentários laterais. Quando uma jornalista se refere a Ilídio Vieira Té como alguém “apresentado como Primeiro-Ministro”, a pergunta impõe-se: existe alguma dúvida sobre quem exerce essa função, ou estamos perante a pretensão inadmissível de um órgão de comunicação social se arrogar o poder de conferir legitimidade aos cargos da República?</p>



<p>Mais grave ainda: a peça em causa praticamente ignora o facto noticioso central, desviando-se para frustrações pessoais, como a alegada ausência de entrevistas concedidas. É necessário reafirmar um princípio elementar do Estado de Direito e da liberdade de imprensa: não existe qualquer obrigação legal ou moral de um governante conceder entrevistas a órgãos que considera não credíveis ou não confiáveis. A escolha das entrevistas é um direito, não uma imposição.</p>



<p>A insistência em misturar opinião com informação, julgamento com relato, e frustração pessoal com cobertura noticiosa não é apenas um desvio deontológico. É uma violação grave dos princípios que regem a profissão jornalística e que deveriam ser escrutinados pela ERC, entidade reguladora a quem estes profissionais devem contas.</p>



<p>É legítimo, portanto, que se levantem dúvidas incómodas: trata-se apenas de incompetência e arrogância profissional, ou estaremos perante agendas externas, cumplicidades políticas ou mesmo práticas eticamente reprováveis que explicariam por que são quase sempre os mesmos jornalistas e os mesmos órgãos a protagonizar este tipo de ações?</p>



<p>A <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/rtp-rdp-e-lusa-expulsas-de-bissau/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/08/rtp-rdp-e-lusa-expulsas-de-bissau/">Guiné-Bissau não é um protetorado mediático</a></strong>, nem um laboratório de narrativas pós-coloniais. É um Estado soberano, com instituições próprias, com responsabilidades internas e com plena capacidade de definir quem informa com seriedade e quem apenas procura interferir.</p>



<p>Aos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/sobre-a-expulsao-da-imprensa-portuguesa-da-guine-bissau/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/08/sobre-a-expulsao-da-imprensa-portuguesa-da-guine-bissau/">jornalistas em causa</a></strong> &#8211; expulsos ou não &#8211; fica um apelo simples e direto: deixem a política para os políticos, deixem os tribunais para os juízes e regressem ao essencial da vossa profissão. Exercitem o jornalismo com elevação, rigor e honestidade intelectual. Façam jus à vossa carteira profissional.</p>



<p>Em português, em crioulo ou em qualquer outra língua, na Guiné-Bissau compreendemos perfeitamente não apenas o que é dito, mas também &#8211; e sobretudo &#8211; o que se tenta insinuar nas entrelinhas.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/">QUANDO O JORNALISMO ABANDONA A ÉTICA E ASSUME O PAPEL DE JUIZ</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/01/quando-o-jornalismo-abandona-a-etica-e-assume-o-papel-de-juiz/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46774</post-id>	</item>
		<item>
		<title>AMÍLCAR CABRAL: A ACUSAÇÃO SILENCIOSA QUE O PAIGC JÁ NÃO CONSEGUE CALAR</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/01/amilcar-cabral-a-acusacao-silenciosa-que-o-paigc-ja-nao-consegue-calar/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/01/amilcar-cabral-a-acusacao-silenciosa-que-o-paigc-ja-nao-consegue-calar/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jan 2026 16:22:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Amílcar Cabral]]></category>
		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=46711</guid>

					<description><![CDATA[<p>Cinquenta e três anos após o assassinato de Amílcar Cabral, o seu nome continua a ser repetido com solenidade ritual. Mas essa repetição já não é homenagem: é fuga. É a tentativa desesperada de esconder, atrás de uma memória gloriosa, a falência ética, política e histórica do projeto que deveria ter dado corpo ao Estado [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/amilcar-cabral-a-acusacao-silenciosa-que-o-paigc-ja-nao-consegue-calar/">AMÍLCAR CABRAL: A ACUSAÇÃO SILENCIOSA QUE O PAIGC JÁ NÃO CONSEGUE CALAR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cinquenta e três anos após o assassinato de Amílcar Cabral, o seu nome continua a ser repetido com solenidade ritual. Mas essa repetição já não é homenagem: é fuga. É a tentativa desesperada de esconder, atrás de uma memória gloriosa, a falência ética, política e histórica do projeto que deveria ter dado corpo ao Estado guineense.</p>



<p>Cabral não foi um mito fundador para ser venerado em discursos vazios. Foi um critério. Um padrão de exigência. Um espelho implacável no qual a mediocridade política do presente se recusa a olhar. Por isso incomoda tanto. Por isso é citado e não seguido. Por isso é celebrado e não aplicado.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O projeto de Amílcar Cabral não se esgotava na independência formal. A libertação era apenas o início de um caminho duro: construir um Estado digno, produtivo, moralmente responsável e ao serviço do povo. A luta armada era instrumento; o fim era a transformação estrutural da sociedade. Onde hoje há improviso, ele exigia método. Onde hoje há clientelismo, ele exigia ética. Onde hoje há dependência, ele exigia produção. Nada disto foi cumprido.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="615" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9-1024x615.jpeg" alt="" class="wp-image-46714" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9-1024x615.jpeg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9-300x180.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9-768x461.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9-696x418.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9-1068x642.jpeg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-9.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="825" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10-1024x825.jpeg" alt="" class="wp-image-46716" style="width:393px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10-1024x825.jpeg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10-300x242.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10-768x619.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10-696x561.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10-1068x860.jpeg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-10.jpeg 1269w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A Guiné-Bissau tornou-se independente, mas não soberana. Criou instituições, mas não um Estado funcional. Multiplicou partidos, mas não consolidou uma cultura democrática. Golpes, crises, manipulação das Forças Armadas, captura do erário público e empobrecimento estrutural da população não são acidentes da história: são o resultado direto da traição continuada ao horizonte cabraliano.</p>



<p>Mais grave ainda foi transformar Amílcar Cabral num símbolo inofensivo. Um nome para efemérides. Uma citação para discursos oportunistas. Uma fotografia para legitimar práticas que ele teria combatido sem hesitação. Cabral advertiu: “não mentir ao povo”. O que se fez, durante décadas, foi exatamente o contrário.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="982" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7-982x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-46715" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7-982x1024.jpeg 982w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7-288x300.jpeg 288w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7-768x801.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7-696x726.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7-1068x1114.jpeg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-7.jpeg 1227w" sizes="auto, (max-width: 982px) 100vw, 982px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="794" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-13-794x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-46719" style="width:429px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-13-794x1024.jpeg 794w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-13-233x300.jpeg 233w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-13-768x991.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-13-696x898.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/amilcar-cabral-13.jpeg 992w" sizes="auto, (max-width: 794px) 100vw, 794px" /></figure></div></div>
</div>



<p>É neste contexto que se impõe uma pergunta que muitos evitam por conveniência, medo ou cálculo político: está Domingos Simões Pereira à altura de presidir ao PAIGC de Amílcar Cabral? A resposta é clara e deve ser dita sem rodeios: não está.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Domingos Simões Pereira pode ser um político experiente. Pode dominar o discurso democrático. Pode ter reconhecimento internacional. Nada disso está em causa. O que está em causa é a ética do poder. E é precisamente aí que falha o critério cabraliano.</p>



<p>Sob a sua liderança, o PAIGC deixou de ser um instrumento coletivo e transformou-se num campo de fratura permanente. A exclusão sistemática de correntes críticas, a personalização excessiva da liderança, a incapacidade de gerar consensos estratégicos duradouros e a ambiguidade ética em momentos decisivos enfraqueceram o partido e, por arrastamento, o próprio Estado.</p>



<p>Cabral via o partido como servidor do povo, nunca como extensão do ego de um dirigente. Via a liderança como sacrifício, não como carreira. Via a unidade consciente como condição de sobrevivência nacional. Tudo o que hoje é relativizado, instrumentalizado ou ignorado.</p>



<p>O PAIGC não é um partido banal. É um partido-fundador. Carrega uma responsabilidade histórica que não pode ser gerida com lógica de facção, ressentimento interno ou obsessão pelo controlo. Quando o líder se torna fator de divisão e subordina o futuro do partido à sua própria trajetória, o problema deixa de ser apenas político.</p>



<p>Perguntemo-nos com honestidade brutal: Amílcar Cabral sentir-se-ia confortável com esta liderança? A resposta é evidente. Cabral exigiria autocrítica, recuo estratégico e renovação ética. Exigiria dirigentes capazes de perder poder para salvar o projeto coletivo. Nada disso aconteceu.</p>



<p>E não, o problema não se resolve com mais discursos, mais resoluções ou mais apelos vazios à legalidade. Resolve-se com coragem política. Com grandeza pessoal. Com a aceitação de que o PAIGC precisa menos de um chefe e mais de um guardião ético do seu legado.</p>
</div></div>



<p>A unidade Guiné-Bissau/Cabo Verde terminou enquanto projeto de Estado comum. Isso é um facto histórico. Mas a verdadeira traição a Amílcar Cabral não foi a separação entre Estados. Foi a separação entre política e moral. Entre poder e serviço. Entre liderança e responsabilidade histórica.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Recordar Cabral hoje não é um ato de saudade. É uma acusação silenciosa ao presente. Ele continua a fazer falta porque continua a exigir o que os dirigentes se recusam a dar.</p>



<p>A pergunta decisiva já não é quem tem razão nas disputas internas. É outra, mais dura e mais urgente: quem está disposto a recuar para que o país avance?</p>



<p>Essa foi a lição maior de Amílcar Cabral. E é exatamente por isso que ela continua a ser tão sistematicamente traída.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/amilcar-cabral-a-acusacao-silenciosa-que-o-paigc-ja-nao-consegue-calar/">AMÍLCAR CABRAL: A ACUSAÇÃO SILENCIOSA QUE O PAIGC JÁ NÃO CONSEGUE CALAR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/01/amilcar-cabral-a-acusacao-silenciosa-que-o-paigc-ja-nao-consegue-calar/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46711</post-id>	</item>
		<item>
		<title>CPLP EM CONTRAMÃO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/cplp-em-contramao/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/12/cplp-em-contramao/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2025 11:44:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[golpe de Estado na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[Guiné-Bissau corta com CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[instabilidade política na Guiné-Bissau]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=46061</guid>

					<description><![CDATA[<p>"O Estado guineense não rompe com a CPLP por capricho, mas por princípio"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/cplp-em-contramao/">CPLP EM CONTRAMÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>As recentes declarações do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, sobre a situação política na Guiné-Bissau constituem um episódio politicamente infeliz e diplomaticamente irresponsável. Num momento em que a região exige prudência, escuta ativa e mediação serena, optar por declarações públicas inflamadas equivale a lançar gasolina sobre o fogo, quando o dever de um estadista deveria ser o de contribuir para a contenção da crise e a promoção do diálogo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="644" height="293" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-2.png" alt="" class="wp-image-46065" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-2.png 644w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-2-300x136.png 300w" sizes="auto, (max-width: 644px) 100vw, 644px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/estranhas-noticias-sobre-a-guine-bissau/">ESTRANHAS NOTÍCIAS SOBRE A GUINÉ-BISSAU</a></figcaption></figure></div>


<p>A gravidade destas declarações não reside apenas no seu conteúdo, mas sobretudo no contexto em que foram produzidas. Moçambique enfrenta, ele próprio, desafios profundos de natureza política, social e securitária. Esperava-se, por isso, maior sensibilidade, moderação e respeito pela complexidade da realidade guineense. O que se seguiu — uma vaga de condenações apressadas — expôs um problema ainda mais sério: a precipitação política da CPLP.</p>



<p>A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa posicionou-se sem cumprir um princípio elementar da diplomacia multilateral: avaliar antes de julgar. Não foi enviada qualquer missão independente de averiguação ao terreno, não houve escuta institucional do Estado guineense, nem esforço visível de compreensão das causas profundas que conduziram ao atual quadro político. Em vez de diálogo, optou-se pela sentença sumária.</p>



<p>Este comportamento é tanto mais grave quanto a Guiné-Bissau não é um país recém-chegado à cena internacional, nem um Estado sem história. São 53 anos de independência, marcados por luta, resistência, erros, aprendizagens e sacrifícios. Ignorar este percurso é não compreender o país. Mais ainda: fazê-lo quando a Guiné-Bissau exerce a Presidência em Exercício da CPLP representa uma quebra clara das regras do jogo institucional.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="941" height="139" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb.png" alt="" class="wp-image-46079" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb.png 941w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb-300x44.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb-768x113.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/cplp-gb-696x103.png 696w" sizes="auto, (max-width: 941px) 100vw, 941px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte https://secretariadoexecutivo.cplp.org/informacoes/noticias/noticias-detalhe/?id=23244</figcaption></figure></div>


<p>A Presidência em Exercício não é um detalhe protocolar; é um pilar do funcionamento da Organização. Ao excluir a Guiné-Bissau de reuniões e decisões, a CPLP violou os seus próprios Estatutos, que consagram a igualdade soberana dos Estados membros, a participação plena e a concertação político-diplomática. Este desrespeito não atinge apenas Bissau — atinge a credibilidade da CPLP enquanto organização internacional.</p>



<p>Curiosamente, a CEDEAO, frequentemente acusada de rigidez, demonstrou na sua última Cimeira uma postura mais equilibrada. Embora tenha formulado reparos e preocupações legítimas, evitou condenações automáticas e manteve aberta a via do acompanhamento político e do diálogo. A comparação é inevitável e desfavorável à CPLP.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="638" height="147" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-1.png" alt="" class="wp-image-46068" style="width:638px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-1.png 638w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/gb-1-300x69.png 300w" sizes="auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/dizer-que-umaro-sissoco-embalo-organizou-o-golpe-de-estado-e-mentir/">«DIZER QUE UMARO SISSOCO EMBALÓ ORGANIZOU O GOLPE DE ESTADO É MENTIR»</a></figcaption></figure></div>


<p>É neste contexto que deve ser lida a decisão do Governo da Guiné-Bissau de auto-suspender a sua participação nas atividades da CPLP, anunciada a 15 de dezembro de 2025 pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades. Trata-se de uma decisão soberana, politicamente firme e juridicamente fundamentada.</p>



<p>Ao invocar as reiteradas violações dos Estatutos, a ausência de transparência processual e o não reconhecimento da Guiné-Bissau na sua qualidade de Presidente em Exercício, o Estado guineense não rompe com a CPLP por capricho, mas por princípio. A suspensão é um gesto de dignidade institucional e um sinal claro de que a soberania não é negociável.</p>



<p>Este episódio revela uma contradição profunda da CPLP: proclama valores elevados — solidariedade, diálogo, respeito mútuo — mas falha na sua aplicação quando confrontada com crises políticas reais. Uma organização que não respeita os seus próprios mecanismos internos dificilmente pode exigir legitimidade aos seus membros.</p>



<p>A Guiné-Bissau não pede privilégios. Exige apenas o cumprimento rigoroso dos Estatutos e o respeito pela sua condição soberana. Até que isso aconteça, a suspensão da participação guineense é não apenas legítima, mas politicamente necessária.</p>



<p>A CPLP está, assim, perante uma escolha clara: corrigir o rumo, restaurar a legalidade interna e reafirmar a sua utilidade, ou continuar a perder relevância, credibilidade e autoridade moral no espaço&nbsp;lusófono.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="678" height="894" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/comunicado-gb.jpg" alt="" class="wp-image-46073" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/comunicado-gb.jpg 678w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/comunicado-gb-228x300.jpg 228w" sizes="auto, (max-width: 678px) 100vw, 678px" /><figcaption class="wp-element-caption">comunicado do Governo da Guiné-Bissau onde se auto-suspende da CPLP</figcaption></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/cplp-em-contramao/">CPLP EM CONTRAMÃO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/12/cplp-em-contramao/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46061</post-id>	</item>
		<item>
		<title>TRIBUTO A MÁRIO SOARES</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/tributo-a-mario-soares/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/12/tributo-a-mario-soares/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Óscar Barbosa "Cancan"]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Dec 2025 00:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[CPLP]]></category>
		<category><![CDATA[Democracia]]></category>
		<category><![CDATA[descolonização]]></category>
		<category><![CDATA[Mário Soares]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=45850</guid>

					<description><![CDATA[<p>O centenário de Mário Soares, celebrado a 7 de dezembro de 2024, constituiu uma oportunidade histórica para reavaliar, com serenidade e profundidade, o papel singular que este estadista desempenhou na construção da democracia portuguesa, na redefinição das relações entre Portugal e África e na edificação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).A sua figura [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/tributo-a-mario-soares/">TRIBUTO A MÁRIO SOARES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O centenário de Mário Soares, celebrado a 7 de dezembro de 2024, constituiu uma oportunidade histórica para reavaliar, com serenidade e profundidade, o papel singular que este estadista desempenhou na construção da democracia portuguesa, na redefinição das relações entre Portugal e África e na edificação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).<br>A sua figura transcende fronteiras e, na Guiné-Bissau, permanece associada a um período crucial de afirmação nacional, reconhecimento internacional e cooperação política baseada no respeito mútuo.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Mais do que líder político, Soares foi um arquiteto da paz num momento de transição complexa e sensível — o fim da guerra colonial e o início da convivência entre Estados soberanos unidos pela língua portuguesa.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="728" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira-1024x728.png" alt="" class="wp-image-45855" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira-1024x728.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira-300x213.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira-768x546.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira-696x495.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira-1068x759.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-com-nino-vieira.png 1072w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mário Soares com Nino Vieira, quando o Presidente da Guiné-Bissau visitou Lisboa</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Estadista da Descolonização e o Reencontro com África</strong></h4>



<p>A Revolução de 25 de Abril abriu em Portugal a urgência de resolver conflitos coloniais prolongados que desgastavam o país e bloqueavam o seu próprio desenvolvimento democrático. Como Ministro dos Negócios Estrangeiros do I Governo Provisório, Mário Soares assumiu a pesada responsabilidade de conduzir, em tempo curto, um processo histórico de enorme sensibilidade: negociar com os movimentos de libertação africanos a passagem de um império para uma comunidade fraterna de nações livres.</p>



<p>A Guiné-Bissau foi o primeiro grande teste dessa nova política externa. O PAIGC já controlava grande parte do território, exercia autoridade real sobre vastas zonas libertadas e tinha proclamado unilateralmente a independência a 24 de setembro de 1973, apoiado por um amplo reconhecimento internacional. O governo português não podia ignorar esta realidade nem prolongar uma guerra perdida no terreno.</p>



<p>Foi nesse contexto que surgiu o primeiro gesto político-diplomático de grande alcance de Mário Soares: sentar-se à mesa com o PAIGC, reconhecendo implicitamente a sua legitimidade histórica e política.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>As Negociações Preliminares de Londres: o Primeiro Passo Corajoso</strong></h4>



<p>Em maio de 1974, apenas semanas após a queda do regime, Soares deslocou-se a Londres para manter contactos preliminares com dirigentes do PAIGC. Eram conversações discretas, mas decisivas. Portugal pretendia explorar possibilidades de cessar-fogo e modalidades de transição; o PAIGC reafirmava que a independência era irreversível e já exercida no terreno.</p>



<p>As negociações não produziram acordos imediatos, mas a sua importância não residiu no desfecho, e sim no gesto político: Portugal abandonava, pela primeira vez, a postura colonial e reconhecia que só um diálogo sério e de igual para igual com o movimento de libertação poderia construir a paz.<br>Foi em Londres que se iniciou a demolição diplomática do edifício colonial português.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Argel: a Viragem Histórica</strong></h4>



<p>Um mês depois, em junho de 1974, Soares dirigiu-se a Argel, onde o PAIGC se encontrava em posição de força política e moral. Acabaria por ser ali, e não em Lisboa, que Portugal reconheceria finalmente o essencial: a Guiné-Bissau já era um Estado soberano desde 24 de setembro de 1973.</p>



<p>As negociações de Argel foram mais formais e mais duras. Incluíram a definição do cessar-fogo, o calendário de retirada das tropas portuguesas, o estabelecimento de relações diplomáticas e a própria modalidade de reconhecimento político. O PAIGC mostrou capacidade organizativa, visão estratégica e coerência diplomática; Portugal demonstrou lucidez e coragem ao aceitar a inevitabilidade da história.</p>



<p>O resultado mais importante foi a decisão de Portugal de proceder ao reconhecimento formal e definitivo da independência, culminando no Acordo assinado em Lisboa a 10 de setembro de 1974.</p>



<p>Este desfecho deve-se, em grande medida, ao sentido de Estado de Mário Soares: reconheceu que a dignidade de Portugal e a paz com África só seriam possíveis se fundadas na verdade histórica, na igualdade soberana e no respeito pelas lutas de libertação dos povos africanos.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Relevância Política e Diplomática para a Guiné-Bissau</strong></h4>



<p>A Guiné-Bissau encontrou em Mário Soares não apenas o negociador da descolonização, mas um aliado duradouro na construção de relações bilaterais estáveis. Como Presidente da República, entre 1986 e 1996, Soares retomou e aprofundou uma política de cooperação com os PALOP baseada na confiança política, no diálogo permanente e no apoio à consolidação institucional.</p>



<p>Os sucessivos governos guineenses — de Luís Cabral a Nino Vieira — encontraram nele um parceiro que tratava a Guiné-Bissau com respeito e igualdade, defendia soluções políticas e diplomáticas para crises internas, promovia a formação de quadros e programas de assistência técnica, apoiava a integração do país nos mecanismos multilaterais lusófonos.</p>



<p>Este relacionamento contribuiu para consolidar a presença da Guiné-Bissau no cenário internacional e para reforçar laços que continuam estruturantes no âmbito da CPLP.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Mário Soares e a CPLP: o Visor Estratégico da Lusofonia</strong></h4>



<p>A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, criada em 1996, não nasceu por acaso. Resulta de uma visão política formulada anos antes por Soares, que defendia a necessidade de transformar a antiga relação colonial num espaço multilateral horizontal, livre de complexos e assente em valores democráticos.</p>



<p>A CPLP viria a espelhar precisamente essa visão: igualdade soberana entre todos os Estados membros; difusão e valorização da língua portuguesa; cooperação para o desenvolvimento; resolução pacífica de diferendos; promoção da democracia, governação e Estado de Direito.</p>



<p>Soares compreendeu antes de muitos que a lusofonia não era um resíduo histórico, mas sim uma plataforma geopolítica com futuro, capaz de unir África, Europa, América e Oceânia em torno de uma herança linguística e cultural comum.<br>A Guiné-Bissau, como membro fundador, é parte essencial desse projeto.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="687" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1024x687.jpeg" alt="" class="wp-image-45859" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1024x687.jpeg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-300x201.jpeg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-768x515.jpeg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1536x1031.jpeg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-696x467.jpeg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1392x934.jpeg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1068x717.jpeg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1920x1288.jpeg 1920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao-1320x886.jpeg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-descolonizacao.jpeg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mário Soares com os líderes angolanos, José Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Legado para Portugal, para África e para a Guiné-Bissau</strong></h4>



<p>O legado de Mário Soares é plural, profundo e duradouro. Em Portugal, simboliza a democracia, a liberdade e a abertura ao mundo. Em África, representa o estadista europeu que mais compreendeu e respeitou as lutas de libertação. Na Guiné-Bissau, é recordado como o líder que transformou um processo doloroso de guerra numa relação de cooperação soberana. Na CPLP, é visto como um dos seus principais inspiradores, defensor de uma comunidade global unida pelo português e pelos valores democráticos.</p>



<ol class="wp-block-list">
<li></li>
</ol>



<p>Neste centenário, o tributo a Mário Soares é, portanto, mais do que um exercício de memória: é o reconhecimento de que a sua visão política continua atual, especialmente num mundo onde a paz, o diálogo e a solidariedade estão novamente ameaçados.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="548" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2-1024x548.png" alt="" class="wp-image-45862" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2-1024x548.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2-300x160.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2-768x411.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2-696x372.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2-1068x571.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-2.png 1219w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Atualidade de um Legado</strong></h4>



<p>Celebrar Mário Soares é celebrar a coragem de negociar quando outros insistiriam na força, a capacidade de transformar derrotas em oportunidades de paz, a inteligência diplomática que permitiu reconciliar Portugal com África, a visão estratégica que lançou as bases da CPLP, o respeito profundo pelos povos que conquistaram a sua liberdade.</p>



<p>Na Guiné-Bissau, onde a história tem sido marcada por desafios contínuos, a memória de Mário Soares permanece como referência de diálogo, respeito mútuo e cooperação construtiva.</p>



<p>A sua vida política ensinou que a descolonização não é o fim de uma relação, mas o início de uma nova parceria, que deve ser nutrida com verdade, dignidade e visão. Esse é, talvez, o maior legado que deixou à lusofonia e à Guiné-Bissau.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="728" height="329" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-ficha-pide.png" alt="" class="wp-image-45863" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-ficha-pide.png 728w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-ficha-pide-300x136.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/mario-soares-ficha-pide-696x315.png 696w" sizes="auto, (max-width: 728px) 100vw, 728px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mário Soares, ficha da PIDE</figcaption></figure></div></div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/tributo-a-mario-soares/">TRIBUTO A MÁRIO SOARES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/12/tributo-a-mario-soares/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">45850</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
