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	<title>José d&#039;Encarnação, autor em Duas Linhas</title>
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	<title>José d&#039;Encarnação, autor em Duas Linhas</title>
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		<title>MAÇONS BENEMÉRITOS E DESPEJOS ODIOSOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 09:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem a ajuda de Jorge Afonso, mui prestável técnico do arquivo da Câmara Municipal de Loures, &#160;esta crónica jamais teria sido escrita e, por isso, deveria ser também assinada por ele, pois Jorge Afonso teve a gentileza de me ajudar cabalmente a pôr os pontos nos is. Quem mandou construir os edifícios inacabados existentes na [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/macons-benemeritos-e-despejos-odiosos/">MAÇONS BENEMÉRITOS E DESPEJOS ODIOSOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>Sem a ajuda de Jorge Afonso, mui prestável técnico do arquivo da Câmara Municipal de Loures, &nbsp;esta crónica jamais teria sido escrita e, por isso, deveria ser também assinada por ele, pois Jorge Afonso teve a gentileza de me ajudar cabalmente a pôr os pontos nos is.</p>



<p>Quem mandou construir os edifícios inacabados existentes na vetusta Quinta do Guarda-Mor foi o proprietário dos Armazéns Grandella, o empresário e filantropo Francisco de Almeida Grandella (1853-1934)?</p>



<p>Saíram os seus projectos da prancheta do célebre arquitecto Rosendo Carvalheira (1861-1919), a quem se ficaria também a dever o então chamado Sanatório de Santana, na Parede (Cascais), de magnífica traça arquitetónica?</p>



<p>Grandella deixou muitos edifícios por acabar. Já aqui contámos a fabulosa história do <strong><a href="https://duaslinhas.pt/tag/cabeco-de-montachique/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/tag/cabeco-de-montachique/">Sanatório Albergaria</a></strong> para tuberculosos no Cerro de Montachique, no mesmo concelho de Loures.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="606" height="211" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cabeco-de-montachique.jpg" alt="" class="wp-image-51697" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cabeco-de-montachique.jpg 606w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cabeco-de-montachique-300x104.jpg 300w" sizes="(max-width: 606px) 100vw, 606px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/tag/cabeco-de-montachique/">Arquivo de Cabeço de Montachique &#8211; Duas Linhas</a></figcaption></figure></div>


<p>O que se passou em Camarate foi um tudo-nada diferente. A primeira pedra dos edifícios de Camarate deve ter sido lançada no início do século XX. Ou, talvez, nos finais do século XIX.</p>



<p>A ideia de Grandella seria instituir ali uma casa de repouso. Por alguma razão a obra não foi concluída. Mas, segundo rezam os documentos arquivados na Câmara Municipal de Loures, ter ali uma casa de repouso voltou a ser ideia dos proprietários que sucederam a Grandella.</p>



<p>Em 1974, José Maria Gonçalves, na qualidade de “proprietário” da Fundação Santa Maria da Silva apresenta novos pedidos de alteração à propriedade, acrescentando um edifício de traça semelhante ao alterado e um, mais baixo, para garagem de ambulâncias e instalação do pessoal afecto à, agora, clínica, que aí se propunha edificar.</p>



<p>Mesmo sem terem sido concluídos, os edifícios foram utilizados pelo IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais) em 1975, para receber “retornados” das colónias africanas que se tornaram independentes. Seiscentas pessoas viveram ali, em edifícios inacabados, não sabemos em que condições sanitárias, até meados dos anos de 1990.</p>



<p>Em 1993, o tribunal decide a desocupação total dos edifícios. Os ocupantes são despejados com alguma violência e forte presença policial, despejo que teve larga repercussão na Comunicação Social, houve quem lhe chamasse “O escândalo de Camarate”, aliás, <strong><a href="https://arquivos.rtp.pt/conteudos/tribunal-ordena-despejo-de-camarate/" type="link" id="https://arquivos.rtp.pt/conteudos/tribunal-ordena-despejo-de-camarate/">reportagens televisivas</a></strong> foram várias. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="213" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1024x213.png" alt="" class="wp-image-51694" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1024x213.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-300x63.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-768x160.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1536x320.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-696x145.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1392x290.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1068x223.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos-1320x275.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/filme-despejos.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">imagens relativas a reportagens da RTP em 1993 sobre os despejos de Camarate</figcaption></figure>



<p>A Fundação Santa Maria da Silva recupera a posse da propriedade e, até ao momento (Outubro de 2026), não foi realizada qualquer obra de recuperação.</p>



<p>Embora localizados numa das várias quintas nobres existentes nos arredores da capital, os edifícios degradados que parecem vigiar o campo santo de Camarate nada têm de sacrossanto histórico que remonte a prístinos séculos. São, como vimos, obras inacabadas, com pouco mais de um século, e a intenção de virem a constituir um «Lar Panorâmico» (de facto, a vista dali é deveras panorâmica), com vertente de lar, um, e de residência de pessoal, o outro, não se insere numa lógica predominante de benemerência. Hoje, o lar ao lado do cemitério seria uma oportunidade rara de rentabilizar o negócio&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51701" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/10/cemiterio-camarate.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Os edifícios e o cemitério, fotografia de outubro de 2026</figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>O QUE PAREDES ANTIGAS ESCONDEM</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/09/o-que-paredes-antigas-escondem/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2026 10:58:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
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		<category><![CDATA[arqueologia em Abrantes]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia urbana]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo em Abrantes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> «A Arqueologia Urbana ao Serviço da Comunidade»</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim, a arqueóloga Célia Silva – que já descobrira, num buraco de parede, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/recado-escondido-no-interior-de-uma-parede/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2025/09/recado-escondido-no-interior-de-uma-parede/">uma carta de 1721 a encomendar coelhos</a></strong> – encontrou,  no forro desse mesmo edifício, um carrinho de linhas de madeira, tampas de publicidade redigida em francês (!) a uma pomada da marca ELGA – «pomada superior de cera sem ácido para calçado» –  e a uma outra, essa portuguesa, pois que a legenda proclama: «Só a Rosinha dá brilho assim!!».</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="267" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1024x267.png" alt="" class="wp-image-51606" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1024x267.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-300x78.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-768x200.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1536x401.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-696x182.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1392x363.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1068x279.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4-1320x345.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/tampas-4.png 1582w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="588" height="567" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carrinho.png" alt="" class="wp-image-51607" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carrinho.png 588w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/carrinho-300x289.png 300w" sizes="auto, (max-width: 588px) 100vw, 588px" /></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p> </p>



<p>Este carrinho de linhas de madeira levou-me aos meus tempos de menino e, confesso, acabei por não seguir com a devida atenção a brilhante exposição da Dra. Célia Silva.</p>



<p>E que a um carrinho de linhas assim, nós, moços pequenos, cortávamos as extremidades de modo a ficarem em jeito de rodas dentada e imaginávamo-las rodas dos tanques de guerra, que fazíamos movimentar à força de elásticos enrolados no sítio da linha e que, desenrolando-se devagar, faziam o ‘blindado’ avançar. Por vezes, até canhão lhe púnhamos: um pau de fósforo servia às mil maravilhas para o efeito!</p>



<p>Pode acontecer que haja desses brinquedos imaginados em Museus de Brinquedos ou em imagens de livros infantis. Adorava saber!</p>
</div>
</div>



<p>Aliás, no decorrer do colóquio organizado, no passado dia 26 pela Câmara Municipal intitulado «A Arqueologia Urbana ao Serviço da Comunidade», Célia Silva mostrou tábuas com inscrições deveras curiosas, como esta em que se lê:</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="350" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1024x350.png" alt="" class="wp-image-51603" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1024x350.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-300x103.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-768x262.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1536x525.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-696x238.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1392x476.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1068x365.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3-1320x451.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/malaquias-3.png 1867w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Realizado no auditório do Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, este primeiro Colóquio da série prevista para mostrar a cidade na sua relação com o rio ao longo dos séculos – «Abrantes, o Tejo e o Tempo» – teve por objectivo mostrar como as intervenções arqueológicas levadas a efeito no âmbito da própria cidade, além de não serem “empatas” do desenvolvimento urbano, acabam por enriquecer o património, inclusivamente dos prédios que vão ser renovados ou dos novos que aí virão a ser construídos.</p>



<p>Daí que se fale em “serviço da comunidade”, porque, tal como as árvores necessitam das suas raízes para se alimentarem, assim a população duma cidade carece de saber de onde veio, das fases por que passou, para melhor compreender o seu presente.</p>



<p>Deu-se conta, pois, das intervenções feitas no centro histórico de Abrantes, cujos conventos e colégios foram sendo paulatinamente adaptados a outras funcionalidades. Luis Peri e André Freitas (da empresa Gestcult) mostraram, por exemplo, as fases por que passou a transição do antigo Convento de Nossa Senhora da Esperança para o Colégio de Nossa Senhora de Fátima.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="477" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1024x477.png" alt="" class="wp-image-51613" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1024x477.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-300x140.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-768x358.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1536x715.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-696x324.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1392x648.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1068x497.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x-1320x615.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-castelo-2x.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Por outro lado, a cidade de Abrantes deteve – e continua a deter – uma posição estratégica, tanto do ponto de vista militar (veja-se o papel que desempenhou no quadro das invasões francesas) como económico, pela sua proximidade do Tejo (ia-se por via fluvial de Lisboa a Abrantes!&#8230;). Haja em vista que os trabalhos de reabilitação do Cineteatro São Pedro permitiram concluir que o local fora utilizado como cemitério entre 1810 e 1811, ou seja, precisamente por altura das referidas invasões.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-rotated.jpg" alt="" class="wp-image-51616" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-rotated.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abrantes-necropole-2-696x928.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /></figure>
</div>
</div>



<p>A cidade careceu, por conseguinte, de estar bem defendida e não deixou de ser curioso que, ao se proceder a escavações nos edifícios pertença da Misericórdia local, se haja encontrado um pouco da linha defensiva militar da cidade. Por seu turno, o Convento de São Domingos estudado por Filomena Gaspar e Vânia Janeirinho também sofreu alterações, de modo que as investigadores apontam para o local a seguinte trilogia em sequência: convento, quartel e necrópole!</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51617" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-51618" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/necropole-abrantes-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">imagens partilhadas de https://jornaldeabrantes.sapo.pt/cultura/descobertas-arqueologicas-atrasam-cineteatro-s-pedro-c-audio-e-fotos </figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>Esse, de resto, o espírito que preside às intervenções no âmbito da Arqueologia Urbana: na sua estrutura urbana, a cidade está viva e, por isso, o que se vai modificando não pode destruir, mas reabilitar, o que está para trás, como memória a preservar. Nesse aspecto e também para esse efeito, Abrantes dispõe já de uma notável rede museológica, de que podem citar-se o referido Museu de Arte Contemporânea e o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, galardoado este, pela Associação Portuguesa de Museologia, em 2023, com o prémio &#8220;Museu do Ano&#8221;.</p>
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		<title>QUEREMOS O FESTIVAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2026 08:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Festival de Música Estoril Lisboa]]></category>
		<category><![CDATA[música clássica]]></category>
		<category><![CDATA[Piñeiro Nagy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>o criador do Festival Estoril-Lisboa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Faleceu José António Piñeiro Nagy em julho passado. Nascera em Lisboa, filho de pai galego e mãe húngara. As notícias – inclusive as veiculadas por um departamento camarário – salientavam que fora o criador e diretor do Festival Estoril-Lisboa e que, devido ao seu falecimento, se cancelavam todas as iniciativas previstas para 2026. O tema desta 52ª edição cancelada era «Celebramos Património».</p>



<p>Poder-se-ia historiar o que foi a ação do músico, desde que, na década de 60, veio para Cascais com a sua guitarra clássica, a sua ampla cabeleireira a emoldurar-lhe o rosto, e ousou propor a realização de concertos seus, numa altura em que este instrumento não era popular nem concitava grande interesse, mesmo por parte dos artistas. Recordo-o, tímido, na Sala de Música do Condes de Castro Guimarães, o dedilhar a fazer-se eco da suavidade das ondas a espraiar-se sob a ponte da Praia de Santa Marta…</p>



<p>Pouco e pouco, porém, os concertos e, de modo especial, os cursos que ministrou acabaram por suscitar entusiasmo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="859" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-859x1024.jpg" alt="" class="wp-image-51544" style="width:599px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-859x1024.jpg 859w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-252x300.jpg 252w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-768x915.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-696x829.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1-1068x1272.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Pineiro-Nagy-1.jpg 1149w" sizes="auto, (max-width: 859px) 100vw, 859px" /><figcaption class="wp-element-caption">Piñeiro Nagy</figcaption></figure></div>


<p>Pelo seu dinamismo, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/partiu-pineiro-nagy/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/07/partiu-pineiro-nagy/">Piñeiro Nagy</a></strong> começou a integrar a equipa responsável dos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/07/festival-antigo-bem-vivo/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2023/07/festival-antigo-bem-vivo/">Cursos Internacionais de Música do Estoril</a></strong> que, desde 1962, traziam à então Costa do Sol, com o apoio da Junta de Turismo, presidida pela clarividência de Joaquim Miguel de Serra e Moura, mestres conceituados das mais variadas latitudes. Recordo a pianista Helena Sá e Costa, o violinista Sándor Vegh, o maestro Manuel Ivo Cruz (um dos grandes responsáveis pela iniciativa), a maestrina Nadia Boulanger, o violoncelista Maurice Eisenberg. Não será nada despiciendo lembrar que aí foram alunos a pianista Maria João Pires e o maestro Álvaro Cassuto (falecido a 6 de Abril, p. p.)</p>



<p>Essa mesma equipa tornou possível o Festival Internacional de Música, numa altura em que – importa frisá-lo – apenas o Festival de Sintra, no então Carlos Manuel, estava presente num calendário das iniciativas musicais do País. O Festival foi fundado em 1975, no seio da Junta de Turismo da Costa do Sol, com o nome Festival de Música da Costa do Sol, sob proposta de Piñeiro Nagy e o aval do compositor Fernando Lopes-Graça, do musicólogo João de Freitas Branco e da pianista Helena de Sá e Costa, em complemento dos Cursos Internacionais de Música. Em 1981 é assinado o protocolo que confere a organização e gestão do Festival à Associação Internacional de Música da Costa do Estoril, criada exclusivamente para esse efeito, e altera o nome para Festival de Música da Costa do Estoril.</p>



<p>Hoje, que os festivais de música (mas não de música clássica) pululam por Portugal de lés a lés, não se faz a mínima ideia do que era propor superiormente, e ver aprovada, a realização de um Festival de Música! Primeiro, porque se partia do princípio de que não haveria público, o que depressa se revelou falacioso; segundo, porque, ainda não estando em clima revolucionário (o 25 de Abril viria depois) a Música Clássica era ainda vista como destinada a uma elite endinheirada – outra falácia! E não será de somenos assinalar que por cá, nesse âmbito, estiveram o bailarino Rudolfo Nureyev e o mimo Marcel Marceau!</p>



<p>Vale, pois, voltar atrás, ao que ficou cancelado: o 52º Festival Internacional de Música. Façam-se, então, as contas: 2026-52 = 1964! Piñeiro Nagy sempre presente, lutando contra tudo e contra todos. Sempre ansioso se os prometidos apoios não chegavam… Tanta vez o entrevistei, inclusive na esperança de virem a desatar-se os cordões às bolsas!&#8230;</p>



<p>Extinta a Junta de Turismo – cuja atividade cultural ainda não terá sido devidamente posta em relevo, quiçá por essa sua atividade ser considerada direta emanação do poder político central (puro engano!) – foi preciso bater a muitas incrédulas portas e também por isso se tornou necessário estender a Lisboa o Festival, dado que os responsáveis pelos organismos locais não estavam ainda devidamente consciencializados da sua importância. Uma história por fazer!&#8230; </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="316" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1024x316.png" alt="" class="wp-image-51551" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1024x316.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-300x93.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-768x237.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1536x474.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-696x215.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1392x430.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1068x330.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx-1320x408.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/logo-festival-estoril-lx.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Sangrou-se-me, pois, o coração com o silêncio autárquico, aquando do passamento do Professor, a total ausência de eleitos, no seu funeral, a 4 de Julho, em Alcabideche. Piñeiro Nagy não merecia. Esteve apenas – e a título particular, de amizade – Catarina Roquette, da Casa-Museu Verdades de Faria, uma das joias que Piñeiro Nagy tanto prezou, o Museu da Música Portuguesa. O silencioso e significativo abraço que trocámos entre nós e com Dulce Nagy (a viúva) e os familiares simbolizou o que ambos desejaríamos ter sido um outro abraço maior.</p>



<p></p>
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		<title>ABRAÇADEIRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 10:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[falar português]]></category>
		<category><![CDATA[gramática da língua portuguesa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O "Dr. Serálhe"</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Guardei religiosamente o papelinho no porta-moedas. Quando cheguei à drogaria, dei-o ao Ricardo:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="477" height="56" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira.jpg" alt="" class="wp-image-51493" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira.jpg 477w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-300x35.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 477px) 100vw, 477px" /></figure></div>


<p>Eu trouxe o papelinho na mesma, não fosse haver engano. Não houve. Era mesmo disso que o Chico canalizador precisava para acabar de vez com a história do entupimento que nos massacrara a cabeça. E mostrou-me como é que tudo ficara. A água começou a correr normalmente. Eficaz fora a solução adoptada.</p>



<p>Quando, no entanto, me dispunha a pôr o recado no cesto dos papéis, hesitei, “não ponho” e cá está ele a servir-me para a conversa de hoje.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="400" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1024x400.jpg" alt="" class="wp-image-51494" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1024x400.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-300x117.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-768x300.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-696x272.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1068x417.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda-1320x516.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/A-encomenda.jpg 1331w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Primeiro: eu diria ‘braçadeira’, que me parecia o termo correcto. Não é. O Chico Castro tem razão: abraçadeira está bem, porque, de facto, abraça. Faltou o ‘s’ do plural, mas… ninguém repara!</p>



<p>Segundo: &nbsp;o Chico pôs todas as palavras com inicial maiúscula. Escreveu-as assim, decerto, sem motivo especial; o normal seria pôr todas as palavras em minúscula. Recordo-me, no entanto, do Celestino Costa, canteiro: quando, no cemitério, lhe encomendavam um letreiro, ele escrevia tudo em maiúsculas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="622" height="80" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-2.jpg" alt="" class="wp-image-51495" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-2.jpg 622w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/abracadeira-2-300x39.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 622px) 100vw, 622px" /></figure></div>


<p>Confusão tem, contudo, muita gente no uso das maiúsculas. Não se estuda Gramática (ponho Gramática com g grande para chamar a atenção) e desconhece-se a função da maiúscula como elemento atribuidor de importância especial ao significado da palavra. Por exemplo, Igreja (com maiúscula) refere-se a uma confissão religiosa; já igreja matriz é com minúscula, um substantivo comum.</p>



<p>Tanto o Ricardo como o Chico sabiam exatamente o que ali estava escrito. Sabiam o que era uma ‘abraçadeira de espigão’; o que era um ‘tubo P.V.C. (que é habitual escrever-se PVC, siglas do policloreto de vinila); sabiam o que significava 40 (seguramente, digo eu, 40 milímetros de diâmetro)…</p>



<p>Como sói dizer-se: «Cada macaco no seu galho». O político, nomeadamente, deve saber falar; saber distinguir ‘sob’ de ‘sobre’ (e, aí, as asneiras diárias são muitas!&#8230;); conhecer a conjugação pronominal dos verbos… Tenho um colega que sistematicamente se refere a um senhor ministro chamando-lhe «Dr. Serálhe»; compreende-se porquê: sai-se, de vez em quando, com «será-lhe entregue…».</p>



<p>O Ricardo trabalha na drogaria; o Chico Castro é canalizador. Conhecem ambos, como a palma das mãos, os nomes das ferramentas do seu dia-a-dia. Fale-lhes eu, epigrafista, em ‘campo epigráfico,’ ‘estela’, ‘cipo’ – e olharão para mim a sorrir. Como eu, ao princípio das andanças na pedreira, em miúdo, sabia lá o que era uma bujarda, o forro-a-melão, um camartelo!&#8230;</p>



<p>Todavia, voltando atrás: político que se preze não pode arriscar-se a dizer «será-lhe». Se não sabe distinguir ‘Igreja’ de ‘igreja’, vá que não vá, o Povo perdoa; mas «será-lhe entregue…», senhor ministro?!&#8230;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/abracadeira/">ABRAÇADEIRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>TANTO CORAÇÃO DE MÁRMORE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 17:25:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[campas fúnebres]]></category>
		<category><![CDATA[cemitérios]]></category>
		<category><![CDATA[corações de pedra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O campo santo acabou por ficar pintalgado de corações marmóreos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/">TANTO CORAÇÃO DE MÁRMORE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Campas a perder de vista, quase a invadir a paisagem envolvente! Saudades, lamentos, esperanças, datas de nascimento e morte, «ETERNA SAUDADE», «TÃO CEDO QUE TU PARTISTE» – tudo isso viria a ser gravado no mármore pela perícia do canteiro. Era preciso um canteiro. Ou mais. O pessoal do Marmorista do Lumiar, por exemplo, foi um dos que viria a pontificar no mester. Cruz, sim, poderia gravar-se ou mesmo esculpir. «Mas, senhora, não lhe parece que um coração ficava bem? A mostrar a todos quanto amor ali para sempre ficava perpetuado?»… E o campo santo acabou por ficar pintalgado de corações marmóreos, polidos, exultando na brancura do mármore de Estremoz/Vila Viçosa. Sensibilizaram-me esses corações.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>– Que horas são, meu senhor?</p>



<p>A inesperada pergunta fez-me voltar à realidade do mundo de cá. Surgira, quase a medo, de uma das duas ciganas integralmente revestidas da negridão da partida, decerto há uns dias, de um dos familiares. Ali estavam, seguramente, desde que o guarda lhes franqueara o portão. Sentadas na berma da avenida central, à sombra fresca de uma das poucas árvores subsistentes.</p>



<p>– São quase 11, Amiga!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="338" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1024x338.png" alt="" class="wp-image-51398" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1024x338.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-300x99.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-768x253.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1536x506.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-696x229.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1392x459.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1068x352.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas-1320x435.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/ciganas-duas.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Cemitério Municipal de Camarate</figcaption></figure></div>


<p>Olharam uma para a outra, sem comentários. A fazerem contas, porventura, do tempo que ainda ali estariam. Se alguém mais do seu clã viria fazer-lhes companhia e chorar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Minutos após minutos, rompia o silêncio o forte roncar esforçado de um avião a descolar. Recordei 4 de dezembro de 1980, trágico, ocorrido a dois passos dali, justamente após a descolagem. Tal como nesse dia, também agora um som forte era portador de sonhos, vontades de mudança, amores, tristezas… E lá se perderam todos na lonjura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="287" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1024x287.png" alt="" class="wp-image-51400" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1024x287.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-300x84.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-768x215.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1536x430.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-696x195.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1392x390.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1068x299.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao-1320x370.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/aviao.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Chegou o carro funerário.</p>



<p>A barreira ergueu-se. Entrou. Seguimos em silenciosa marcha lenta até ao crematório. Último olhar ao caixão, na recordação – para mim – da camaradagem, das cumplicidades, das peripécias por que ambos, colegas de curso há 50 anos, havíamos passado. A vénia ritual aquiescente da viúva e, devagar, a urna deslizou para o seu destino.</p>



<p>A saudade viera para ficar. Os aviões continuaram a descolar. As ciganas ainda lá estavam, em silêncio. </p>



<p>Desse triste arrabalde de Lisboa vou querer recordar, acima de tudo, aqueles corações de mármore. Muito mais fortes, dolorosos e sinceros que os emojis perturbadores do meu cotidiano…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="265" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1024x265.png" alt="" class="wp-image-51401" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1024x265.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-300x78.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-768x199.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1536x398.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-696x180.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1392x360.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1068x276.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan-1320x342.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/cemiterio-pan.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/tanto-coracao-de-marmore/">TANTO CORAÇÃO DE MÁRMORE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PERGUNTAR PORQUÊ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Sep 2026 09:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[citações fora do contexto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>"Em ciência, não são as respostas que são importantes, as perguntas é que o são"</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>De sabonete na mão (teria aí uns três aninhos), eu soletrava:<br>– FENO DE PORI U GAL.<br>E voltei-me para a minha mãe:<br>– Ó mãe, o que é PORI U GAL?<br>– Não é PORI U GAL, filho, é PORTUGAL! Não vês que tem um travessãozinho lá em cima? É Portugal.</p>



<p>O que me chamara a atenção fora a estranheza do nome, porque ‘feno’ eu sabia bem o que era. Dava-o, às vezes, eu à burra da tia Chica e o Ti Zé Romão dava-o aos machos que tinha. Era seco. Portanto, não me passou pela ideia indagar a razão por que se havia de ter dado o nome de ‘feno’ a sabonete tão bem cheiroso. Que relação podia haver entre o sabonete e o feno?</p>



<p>Ainda em clave de recordações, lembro-me, como se fosse hoje, da cara espantada do Dr. Sanches e Brito, meu professor de Matemática, logo na 2ª aula do ano lectivo de 1956-1957, ao ver-me o caderno diário, leu que eu escrevera, como sumário da lição passada, «Revisão da materidade». Também aí eu ouvira materidade, escrevi materidade – e nem me pus a questão do que é que aquilo significava.</p>



<p>– É matéria dada, Zé Manel, matéria dada!</p>



<p>Jamais me esqueci! Nem da expressão que, depois, como docente, também usei, nem da observação do Dr. Brito.</p>



<p>Recordei-me, agora, dessa cena do <em>poriugal </em>e dessoutra da <em>materidade, </em>quando se me pôs a questão de importância de levantar os problemas. Aliás, posta a questão do ‘feno’, decidi-me a ir procurar a razão da nomenclatura. Achei-a: a designação «feno» foi pensada e adoptada pela Fábrica Santa Clara, a empresa que o criara, nos anos 30 do século passado, para destacar a fragrância fresca, herbáceo-verde e natural a feno cortado que distinguia o sabonete.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="648" height="464" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/FENO-DE-PORTUGAL.jpg" alt="" class="wp-image-51243" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/FENO-DE-PORTUGAL.jpg 648w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/FENO-DE-PORTUGAL-300x215.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 648px) 100vw, 648px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Nessa altura, importa frisá-lo, esse cheiro a feno cortado de fresco faria parte do quotidiano de larga percentagem dos Portugueses; raro seria aquele que, um dia, não tivesse parado, pela manhã, junto a seara acabada de ceifar, a haurir esse odor de restolho ainda com resquícios da brandura da noite: um cheirinho mesmo bom!&#8230;</p>



<p>Hoje, claro, «feno» é vocábulo que só nas aldeias se ouve. E esse cheiro é natural que seja ínfima a parcela da população portuguesa actual que, alguma vez, o tenha sentido.</p>



<p>Seja como for, é de aplaudir a empresa que soube manter a designação, no convite (raramente escutado, mas real), a um regresso aos bons e fortes odores campestres.</p>



<p>O sabonete contribuiu agora, no entanto, para chamar a atenção para uma frase – essa, sim, assaz sentida no dia-a-dia: «Tem piada, nunca tinha pensado nisso!». Sintoma evidente de que boa parte do nosso quotidiano se reveste de forte dose de passividade e distracção.</p>



<p>Escreva-me assim de repente o nome da rua onde mora, tal e qual ele está gravado na placa. Mais: a sua rua tem uma ou duas placas toponímicas? De mármore ou de azulejo? O mais normal é a resposta: «Tem piada, olhe, não sei, nunca tinha pensado nisso!».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Lembro-me sempre de ter entrado num café em Salamanca e ter perguntado ao proprietário: </p>



<p>&#8211; Desculpe: esta igrejinha aqui em frente do café é a de Santa Madalena?</p>



<p>O proprietário não me soube responder. E, por sinal, também nenhum dos clientes de ocasião tinha a menor ideia do nome da igreja.</p>



<p>Cito frequentemente, sem me preocupar muito, a propósito deste tema, a frase que li na nota 1 da pág. 14 do livro <em>Génesis – A Origem do Homem e do Universo, </em>de John Gribbin (Mem Martins, PEA, 1988), aí atribuída a Sir Fred Hoyle: </p>



<p>«As respostas não são importantes, as perguntas é que o são».</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Desta feita, porém, quis ir mais além. Primeiro, quem fora Sir Fred Hoyle, de que deJohn Gribbin citava duas obras na bibliografia do seu livro – e fiquei a saber tratar-se de um astrónomo britânico (1915-2001). Tentaria, pois, descobrir em qual das duas a frase estaria consignada e em que contexto; preferia não continuar a fazer uma citação indirecta, como tem acontecido até aqui.</p>



<p>As primeiras diligências levaram-me a conhecer a frase no inglês original:</p>



<p>“In science answers are not important, it is the questions that are important.”</p>



<p>Por conseguinte, o autor situa-se no domínio da Ciência – eu é que ousei atirá-la para todos os domínios do conhecimento. E não estou arrependido, porque se me afigura ser essa uma legítima transposição.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A questão de saber do contexto da frase era, todavia, também importante para mim, que vejo, com demasiada frequência, frases de autores célebres citadas fora do contexto, nomeadamente como ‘epígrafes’ de livros – e, sabe-se, o contexto é fundamental para se ajuizar do real sentido duma afirmação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="778" height="477" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes.jpg" alt="" class="wp-image-51244" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes.jpg 778w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes-300x184.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes-768x471.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/epigrafes-696x427.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 778px) 100vw, 778px" /></figure></div>


<p>A frase já aparecia outras vezes citada, sempre referida ao astrónomo, mas sem indicação de proveniência, referindo, porém, Philip Morrison como fonte. De facto, num artigo publicado, em 1964, na revista American Journal of Physics, Morrison explica que Sir Fred Hoyle proferira a frase, no decorrer duma reunião científica: «Estávamos juntos na assistência de uma reunião e, em resposta a uma observação feita da tribuna, ele deu-me um toque com o cotovelo e disse que estava errada. O orador tinha dito: «Estas são questões a que não podemos responder; não sabemos como lhes responder.» Hoyle sussurrou-me: «Em ciência, não são as respostas que são importantes, as perguntas é que o são» (p. 442).</p>



<p>Possam estas reflexões servir para que, pouco a pouco, todos saibamos pôr as questões nos seus parâmetros adequados, a fim de também se lograr obter, assim, a resposta mais lúcida.</p>
</div></div>
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		<title>VIGÁRIOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 09:00:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[burlas online]]></category>
		<category><![CDATA[conto do vigário]]></category>
		<category><![CDATA[vendas online]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tomei o pulso a dois muito bem engendrados contos do vigário</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Vigário, para mim, era assim um senhor importante, de cargo público. Quiçá, até, sacerdote, porque ouvia referir por vezes «o senhor vigário» e eu achava que era o prior da freguesia. Pelo que ouvia falar desses contos, imaginei ser o vigário homem de boas falas, capaz de bem levar a água ao seu moinho.</p>



<p>As notícias veiculadas pelos canais televisivos ainda o retratavam recentemente como alguém que, fazendo-se passar por médico, funcionário da câmara ou, até, membro de uma instituição religiosa, abordava as pessoas (nomeadamente idosas) na rua ou à porta de casa e logravam impingir uma peta qualquer, susceptível de com ela caçarem, por exemplo, dinheirinho longamente aconchegado numa gaveta escusa…</p>



<p>Foi, por isso, com enorme surpresa e não menor admiração (sincera mesmo!), que tomei o pulso a dois muito bem engendrados contos, quase em jeito de novela. Apareceram-me de supetão, um depois do outro, assim sem mais nem menos quando abri o Facebook. Duas histórias lindas, contadas a rigor, com todos os pormenores, vírgulas e outra pontuação toda no devido sítio, que até dava gosto ler! Os apontamentos curiosos sucediam-se, a prender a atenção – quase em jeito desses <em>reels </em>que, hoje, a cada passo nos martirizam. Como é que esta história vai acabar? – ocorria perguntar, parágrafo após parágrafo. E a curiosidade aumentava, aumentava…</p>



<p>A primeira história que me surgiu é a do puto órfão de pai e mãe que, devotadamente, sendo neto único, se disponibiliza a tratar do avô quase paralítico já. Apesar de ter ganhado bolsa e ter nota para entrar no Técnico (é lógico, fizera a pulso e com êxito os estudos anteriores), opta por, diariamente, tratar da higiene do avô.</p>



<p>Um dia, porém, surge o milagre: um senhor doutor médico, que até deixara a medicina convencional para, abnegadamente, desenvolver uma pomada (outrora falava-se em “banha-da-cobra”), que, aplicada à maneira, rapidamente transformou o avô decrépito no homem que voltou a conduzir agilmente o seu 4L, há anos parado ali. Milagre!</p>



<p>No final da história, assim como quem não quer a coisa, indicava-se de soslaio o acesso a uma página. Acedi. Comprava-se uma embalagem por 29 € sem portes, pagos, no acto de entrega da encomenda, de que, poucos instantes depois de encetada a conversação telefónica, se vinha a saber que o êxito só era garantido após tratamento de cinco embalagens, ou seja, após se terem desembolsado 5 x 29 €! Embalagem única não se vendia.</p>



<p>A segunda história traz também imagens. Não a do Senhor Doutor Médico da outra, porque o assunto é bem diferente.</p>



<p>À senhora (sim, vem a fotografia dela) e respectivo cônjuge (imaginamos) deu-lhes na veneta de irem passar uma noite inesquecível em hotel de luxo. Vem mesmo o nome famoso, quase lendário (tinha que ser!): Ritz!</p>



<p>Os ingredientes da noite são contados ao pormenor (sim, aqueles passíveis de ser contados); a bebida extraordinária; a iluminação exótica; os cómodos; os acepipes; o roupão passível de ser adquirido por 300 €; o banho em condições únicas e, sobretudo – sobretudo! – aquele afago da toalha em que a menina se enxugou. Que toalha, senhores! Que fibra maravilhosa! Que aconchego! De nos sentirmos num céu estrelado e lindo!&#8230;</p>



<p>E por aqui me fico nesse enlevo, porque – como se imagina – no final vem indicado o acesso à página da firma fornecedora – única e em exclusivo! – dessa toalha, insuspeitada fonte de prazer! Que inaudita macieza, senhores!</p>



<p>Resisti (confesso) à curiosidade e fiquei sem saber quanto custava a toalha e quantas teria de comprar para, mesmo sem me hospedar no Ritz, poder gozar do seu afago meigo, após a banhoca inesquecível, única!&#8230;</p>
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		<title>AMO-TE APAIXONADAMENTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2026 14:09:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
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		<category><![CDATA[comunicar por emojis]]></category>
		<category><![CDATA[concursos televisivos]]></category>
		<category><![CDATA[emojis]]></category>
		<category><![CDATA[escrever cartas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>comunicar por emojis</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Arrepiar-nos-á a muitos verificar, por exemplo, no concurso televisivo Joker, um concorrente desconhecer quem foi o ministro do rei Dom José I que superintendeu na reconstrução de Lisboa, após o terremoto; não saber em que data esse terremoto ocorreu.</p>



<p>Não me refiro apenas a dados históricos, mas também a aspectos concretos da vida quotidiana. Cada vez se troca menos correspondência por via postal. Não admira, por isso, que se desconheça a possibilidade de, na correspondência externa, se fazer anteceder o código postal da sigla do país de destino. Assim, quando se dá para o estrangeiro o nosso código postal deve-se fazê-lo preceder de P: P-2027-700.</p>



<p>O que habitualmente acontece é que também o nosso correspondente não consciencializa o significado do P e, na resposta, não hesita em incluir o P e, no fim do endereço, pespega PORTUGAL com todas as letras.</p>



<p>Também o desconhecimento da geografia portuguesa é flagrante no referido programa. Se determinada localidade fica no Norte ou no Alentejo; de que rio é afluente o Zêzere…</p>



<p>Não é estranho – ou talvez seja apenas vontade de simplificar – ouvires perguntar ao teu colega da Universidade de Coimbra que vai de fim de semana para Loures:</p>



<p>– Já vais, então, até Lisboa, não?</p>



<p>Loures não é Lisboa.</p>



<p>Como acerca de um teu familiar que vive em Penge, localidade dos arredores londrinos, tu respondas, para maior facilidade: «Está em Londres». A grande cidade engole os arredores na conversação diária.</p>



<p>Estranho me pareceu, porém, por vir de quem veio, o endereço aposto na encomenda de livro que fizera a um livreiro de Vila Nova de Gaia. Veio escrito: <strong>Cascais – Lisboa</strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="303" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-1024x303.jpg" alt="" class="wp-image-51149" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-1024x303.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-300x89.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-768x228.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-696x206.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-1392x413.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-1068x316.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco-1320x391.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/endereco.jpg 1478w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Nesse aspecto das moradas, confesso que ri a bandeiras despregadas quando a secretária de um vereador municipal, a quem pelo telefone eu ditara “Rua Egas de Moniz 79”, enviou o convite para o número <strong>70 i 9</strong>. Secreta influência, quiçá, de recente estada no Reino Unido, onde o código postal se apresenta, de facto, assim estranho: SE20 8RL.</p>



<p>É consensual ser o uso militante dos signos ditos emojis pela grande maioria da população (gente culta incluída) o grande responsável pelo progressivo abandono do vocabulário concreto, num aparente retorno à escrita hieroglífica dos egípcios antigos…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="202" height="202" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/emoji-do-amor-edited.png" alt="" class="wp-image-51145" style="width:243px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/emoji-do-amor-edited.png 202w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/emoji-do-amor-edited-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 202px) 100vw, 202px" /></figure></div>


<p>Às vezes. até me interrogo se haverá vergonha em expressar claramente sentimentos fortes, se é que se sabe exatamente o que tais signos querem dizer. Assim, uma face sorridente, ornada de três corações bem vermelhos, quer dizer «Amo-te apaixonadamente!». E tanto quem envia como quem recebe terá real consciência de declaração amorosa tão ardente?</p>



<p>Enfim, começámos por falar de programa político republicano a privilegiar a instrução, uma política de pés assentes na terra, de maior atenção à vida quotidiana e, sem disso quase nos apercebermos, acabámos por ser atraídos por sinais muito usados agora e cujo significado, se autêntico, assim se prefere representar, e não exprimir por palavras – na impressão de que estas foram perdendo o sentido. Perderam?</p>
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		<title>MURMÚRIOS&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Aug 2026 09:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Lídia Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[livro A Costa dos Murmúrios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>falava, mas muito  pouco se ouvia</p>
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<p>Numa comunidade – qualquer que ela seja! – constar a existência de murmúrios é, de um modo geral, mau indício. Algo a não merecer generalizado consenso e, daí, a conversa à puridade, na esperança de que, paulatinamente, o desagrado ouse vir ao de cima e quem manda possa, finalmente, agir. É mau esse murmúrio, denuncia falta de coragem e nefasto será se se arrastar.</p>



<p>Na sessão de massagem, Zuleica opta, naturalmente, por inundar o ambiente de serenas melodias, murmúrio de violinos, dolências de saxofone, a flauta do Rão Kyao, uma tecla de piano de timbre a esvoaçar…</p>



<p>Murmúrios há também numa Sala Snoezelen, espaço de estimulação multisensorial que induz relaxamento e bem-estar físico e emocional: luzes, sons, cores, texturas, aromas a proporcionar múltiplos estímulos; todos os sentidos a ficarem envolvidos, ambiente de tranquilidade, de segurança, proteção e conforto.</p>



<p>Gosto da brisa a beijar ao de leve os ramos da buganvília em flor e as pétalas espreguiçam-se e deixam-se embalar no volteio até ao chão. Um murmúrio imaginado, esse.</p>



<p>Quero o mergulho da água a cair na malga negra de Bisalhães. Um chapinhar brincalhão. A suavidade de um motor a acompanhar os minutos do porvir. Ecoarão os murmúrios da fonte sem parar. Jamais terão o ritmo do meu pedalar; mas tal desconcerto é música suave a carregar energia para a jornada prestes a iniciar: atabafará palavras ríspidas, respostas desabridas e ânsias que se não conseguem reprimir. Perpassarão sempre aqueles matinais murmúrios no ar. Abençoados!</p>



<p>Recordo a Fonte da Tareja, em S. Brás de Alportel, a deixar-me o eco dessa eloquente quadra de Bernardo de Passos:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1136" height="848" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras.jpg" alt="" class="wp-image-51073" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras.jpg 1136w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-300x224.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-1024x764.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-768x573.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-696x520.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-1068x797.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-265x198.jpg 265w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fonte-tareja-sbras-530x396.jpg 530w" sizes="auto, (max-width: 1136px) 100vw, 1136px" /></figure></div>


<p>Evoco Augusto Gil: «Batem leve, levemente | Como quem chama por mim». É o murmúrio que o chama: «Fui ver. A neve caía | do azul cinzento do céu. | Branca e leve branca e fria»&#8230;</p>



<p>Escreveu Lídia Jorge <em>A Costa dos Murmúrios.</em> Certamente inspirada, diria eu, nos sons do seu/nosso Barrocal: abelhas a poisar na esteva (inaudível fremir de doce contentamento), descompassado pingar da água a rever da parede de poço antigo, no lamento do lençol freático a fenecer… Afinal, não: Lídia foi para outros murmúrios sérios – o contraste entre o que se escrevia oficialmente sobre a guerra colonial e aquilo que realmente se passava no terreno. Captar o último murmúrio, antes que, para sempre, se queira fazer silêncio. Não são os da água os murmúrios de Lídia Jorge, são os da História – o que apenas se capta, e de maneira imperfeita, por baixo do discurso oficial: rumores, vozes marginais, memórias, silêncios, coisas que não foram ditas ou deliberadamente ocultadas, as vozes subterrâneas da memória… Um murmúrio que, provindo da aragem invisível, se passeava no ar em ondas amplas, e falava, mas muito &nbsp;pouco se ouvia – que a água murmura sem querer dizer nada; nós é que escutamos nela alguma coisa; já os murmúrios de Lídia Jorge queriam dizer – mas foram atabafados.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="470" height="719" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/a-costa-dos-murmurios.jpg" alt="" class="wp-image-51071" style="width:467px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/a-costa-dos-murmurios.jpg 470w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/a-costa-dos-murmurios-196x300.jpg 196w" sizes="auto, (max-width: 470px) 100vw, 470px" /><figcaption class="wp-element-caption">Capa do livro «A Costa dos Murmúrios»</figcaption></figure></div>


<p>É contínuo o murmúrio da água; é fragmentado o da História. Um corre. O outro fica, desaparece, reaparece, chega-nos deformado; mas ambos nos obrigam a aproximar o ouvido.</p>



<p>Sussurrando, murmuro, ao longo do dia, na cantilena de um fado antigo, a embalar silêncio de reflexão. Na verdade, porém, aqueles sete minutos iniciais para palmilhar, parado, uma sacrossanta légua, de fonte a murmurar a meu lado, constituem panaceia contra o buzinar do condutor impaciente, o intermitente ladrado do cão irrequieto, o alvoroço do rádio alto do jovem apressado a bradar ao bairro «Cheguei! Passei!»…</p>



<p>Fica, porém, lá no fundo – e, de vez em quando, emerge – esse lado oculto da História – que se murmura e que nem sempre se ousa contar!</p>
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		<title>HÁ CARRASCOS NO BAIRRO!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 07:30:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[carrascos]]></category>
		<category><![CDATA[cobertura florestal antiga de Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[tinta cor púrpura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Poderia considerar-se estranho falar disso, mas não é, porque, de facto, esse bairro nasceu, a partir de meados do século passado, numa zona que era, na verdade, de mato. Hoje, detém todas as características de bairro suburbano; mas nessa rua foi deixada parte da vegetação original – e já se vai explicar a razão do [&#8230;]</p>
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<p>Poderia considerar-se estranho falar disso, mas não é, porque, de facto, esse bairro nasceu, a partir de meados do século passado, numa zona que era, na verdade, de mato. Hoje, detém todas as características de bairro suburbano; mas nessa rua foi deixada parte da vegetação original – e já se vai explicar a razão do seu interesse.</p>



<p>É conhecido que, no concelho de Cascais, existem várias povoações chamadas Carrascal (Carrascal de Manique, por exemplo, Carrascal de Alvide…), a dar ideia de que o carrasco era aí uma das espécies dominantes na vegetação original do concelho, designadamente nesta sua zona ocidental.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/nDUjDJ4.jpeg" alt="" class="wp-image-51019"/><figcaption class="wp-element-caption">Os carrascos e as bolotas de carrasco</figcaption></figure></div>


<p>Ora porque é que terá importância, do ponto de vista histórico, além da importância do ponto vista botânico, manter uma vegetação que é original?</p>



<p>É que vive associado ao carrasco<em> (Quercus coccifera,</em> de seu nome científico) um pequeno insecto, a cochonilha-do-carrasco, também chamada o quermes (<em>Kermes vermilio</em>). Ora, a cochonilha introduz-se nos tecidos vegetais e alimenta-se da seiva. Reage a planta à sua presença produzindo uma espécie de tumefacção. Essa estrutura acaba por envolver o insecto, que fica praticamente imóvel. O corpo da fêmea, sobretudo quando cheio de ovos, já os romanos o recolhiam, secavam e obtinham assim um corante vermelho-carmesim que, sub-repticiamente, adicionavam à púrpura verdadeira com que se tingiam os mantos imperiais e as togas dos senadores.</p>



<p>A púrpura era obtida através do que se retirava da «purpura haemastoma», o molusco marinho também chamado «stramonita haemastoma». Dele foram encontradas muitas conchas no povoado romano dos Casais Velhos, perto da Praia do Guincho; e daí se considerar que Casais Velhos, até por aí também se terem encontrado tinas, tenha sido um centro de produção de púrpura. Ora, juntar ao líquido extraído do molusco o resultado da maceração da cochonilha era um bom negócio, porque se vendia o resultado como se fosse púrpura verdadeira!…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/THQuIBW.jpeg" alt="" class="wp-image-51021"/><figcaption class="wp-element-caption">Cochonilhas nas folhas de carrasco e a excrescência</figcaption></figure></div>


<p>Por isso se pugna em manter os carrascais onde eles ainda existem: preserva-se um revestimento vegetal antigo, ligado, neste caso concreto, a uma história antiga também.</p>
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