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	<title>António da Cunha Justo, autor em Duas Linhas</title>
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	<title>António da Cunha Justo, autor em Duas Linhas</title>
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		<title>OS MILHÕES QUE SEPARAM O “OLIMPO” DA TERRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 09:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A distância entre o «céu» e a «terra» tornou-se  tão grande... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os membros dos conselhos de administração das empresas do DAX, que é o principal índice bolsista alemão, ganham, em média, uns confortáveis 3,9 milhões de euros por ano, incluindo bónus. Confortáveis, pelo menos, para quem os recebe.</p>



<p>Segundo uma análise da Associação Alemã de Proteção dos Acionistas (DSW) e da Universidade Técnica de Munique, as remunerações dos gestores de topo aumentaram cerca de 4% em relação ao ano anterior. Em média, os membros dos conselhos de administração das empresas do DAX receberam 42 vezes mais do que os seus trabalhadores.</p>



<p>Mas, como em qualquer campeonato digno desse nome, também aqui há quem consiga destacar-se. Na Adidas, a direção recebeu 106 vezes mais do que um trabalhador médio; na Volkswagen, 75 vezes mais; e na Fresenius, 70 vezes mais. Aparentemente, quanto mais alto se sobe na escada empresarial, mais pequenos parecem aqueles que ficam lá em baixo.</p>



<p>Quando se passa dos membros dos conselhos de administração para os presidentes executivos, as alturas tornam-se ainda mais olímpicas. Segundo a análise, a remuneração média dos dirigentes máximos das empresas do DAX referente a 2025 rondou os 6,14 milhões de euros. O presidente da SAP recebeu 10,9 milhões.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>E NOS STATES&#8230;</strong></h4>



<p>E, contudo, o Olimpo alemão ainda parece uma modesta colina quando comparado com o americano. Nos 30 grupos que integram o Dow Jones Industrial Average, a remuneração média dos dirigentes atingiu cerca de 30,5 milhões de euros. No topo encontra-se David M. Solomon, da Goldman Sachs, com o equivalente a 105,3 milhões de euros, seguido de Satya Nadella, da Microsoft, com 85,5 milhões, e Tim Cook, da Apple, com 65,8 milhões.</p>



<p>Há números que dispensam comentários; estes, porém, quase os exigem.</p>



<p>A palavra mágica utilizada para justificar semelhantes remunerações chama-se concorrência. É preciso pagar muito para conseguir os melhores, argumenta-se. O salário transforma-se, assim, numa espécie de medalha atribuída em função do sucesso empresarial, das expectativas dos mercados e, não raramente, de especulações sobre aquilo que amanhã poderá valer mais do que vale hoje. O problema não está em reconhecer competência, responsabilidade, risco ou mérito; está sim na perda da medida.</p>



<p>Uma sociedade precisa de diferenças para reconhecer responsabilidades e desempenhos diferentes, mas não precisa de abismos. Quando a remuneração de uns se torna possível à custa da crescente desvalorização do trabalho de muitos outros, a diferença deixa de ser apenas económica e passa a ser também uma questão moral e política.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>MAS O ABISMO SOCIAL AUMENTA</strong>&#8230;</h4>



<p>Por isso, seria legítimo discutir limites máximos para remunerações desta natureza e perguntar se aquilo que ultrapassasse determinados patamares não deveria reverter, pelo menos em parte, para instituições de utilidade pública. Não se trata de castigar o sucesso, mas de recordar que nenhuma empresa prospera graças a uma única pessoa. Por detrás de cada presidente executivo há milhares de trabalhadores, fornecedores, técnicos, investigadores, consumidores e uma sociedade inteira que disponibiliza escolas, universidades, infraestruturas, segurança e estabilidade. Nenhum deus do Olimpo empresarial construiu sozinho a montanha onde se encontra sentado.</p>



<p>A distância entre o «céu» e a «terra» tornou-se entretanto tão grande que, cá em baixo, o cidadão comum começa a sentir tremuras. Enquanto no Olimpo se discutem milhões, na planície contam-se euros para a renda, para a eletricidade, para os alimentos e para chegar ao fim do mês. E, curiosamente, é precisamente ao povo que produz grande parte da riqueza que mais frequentemente se recomenda moderação, contenção salarial, produtividade, paciência e, naturalmente, satisfação. A moral, ao que parece, continua a viajar em classe económica.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>&#8230; E NO ENTANTO A MONTANHA É SUSTENTADA POR QUEM ESTÁ EM BAIXO</strong></h4>



<p>O êxito económico é necessário e o lucro faz parte da vida empresarial. Mas uma sociedade em que o lucro deixa de ser um instrumento e se transforma no objetivo supremo corre o risco de converter também as pessoas em instrumentos. Quando remunerações milionárias coexistem com trabalhadores obrigados a contar cada euro, já não estamos apenas perante uma questão de mercado, para estamos perante uma questão de humanidade e de medida.</p>



<p>Uma economia que perde a medida acaba por perder também a legitimidade. E uma política que contempla estes abismos como se fossem fenómenos meteorológicos inevitáveis contribui para o descrédito das próprias instituições democráticas. Certamente não será necessário expulsar os deuses do Olimpo. Bastaria recordar-lhes, de vez em quando, que a montanha é sustentada por quem trabalha cá em baixo. </p>



<p><sub>(adaptação de crónica publicada no blog <a href="https://antonio-justo.eu/?p=11320" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11320">Pegadas do Tempo</a>)</sub></p>



<p> </p>



<p></p>
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		<title>SALÁRIOS DOS MERCENÁRIOS NA UCRÂNIA E NA RÚSSIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Aug 2026 18:39:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>um mar de soldados mutilados</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os números mais recentes, divulgados pelas autoridades ucranianas em julho de 2026, pintam um retrato eloquente da dimensão internacional do conflito: 16 mil mercenários, oriundos de 72 países, combatem atualmente ao lado dos soldados de Kiev. Deste contingente heterogéneo, cerca de 40% têm origem na América Latina, num fluxo alimentado pela promessa de ganhos fáceis e pela precariedade económica dos seus países de origem. Do outro lado da linha da frente, fontes ucranianas estimam que mais de 18 mil combatentes estrangeiros engrossem as fileiras russas, com um recrutamento que se foca fortemente em cidadãos asiáticos, cubanos e africanos.</p>



<p>No que toca à remuneração, as disparidades salariais entre os dois exércitos são notórias, mas não isentas de armadilhas. Na Ucrânia, o salário base militar ronda os 700 dólares mensais, um valor que sofre um incremento exponencial para os soldados de infantaria destacados na linha da frente, onde a média mensal atinge os 7.000 dólares. Na Rússia, o vencimento base para quem combate pelo Ministério da Defesa é mais elevado à partida, situando-se entre os 2.100 e os 2.500 dólares mensais. Para efeito de comparação, enquanto um operário da construção civil aufere, em média, entre 670 a 810 euros brutos na Rússia, na Ucrânia esse valor ronda os modestos 460 a 480 euros brutos.</p>



<p>A ilusão de obter independência financeira rápida e escapar à crise laboral nos países de origem esbarra, porém, numa taxa de desgaste humano brutal, alimentada pelas táticas modernas de guerra de atrição. De uma forma geral, estes mercenários são tratados como mera carne de canhão, sendo maioritariamente integrados em unidades de assalto de vanguarda, onde a esperança de vida operacional se mede em semanas. As estatísticas internacionais, baseadas em dados oficiais, são aterradoras e revelam a verdadeira natureza do negócio: regista-se uma taxa de 45% a 50% de baixas médicas por ferimentos graves, com amputações ou traumas severos que inviabilizam a conclusão do contrato já antes do terceiro mês de destacamento.</p>



<p>A par disso, a taxa de abandono voluntário atinge os 30% a 35%, ao contrário dos soldados nativos, os estrangeiros beneficiam de cláusulas contratuais que permitem a rescisão unilateral. Cerca de um terço dos recrutas opta por quebrar o vínculo e regressar ao país de origem nas primeiras semanas, vencido pelo choque psicológico da guerra de desgaste e pela quebra de expetativas face à brutalidade da fronte. Por fim, a taxa de óbitos, desaparecidos ou capturados (estes últimos sem direito ao estatuto de prisioneiro de guerra) fixa-se nos 15% a 20%. Uma parte expressiva desta percentagem entra na categoria jurídica de “desaparecido em combate” devido à impossibilidade física de recuperar os corpos em zonas sob intenso fogo ou sob controlo russo.</p>



<p>O resultado deste caldeirão humano é uma Ucrânia cada vez mais dizimada, uma sociedade que se afoga num mar de soldados mutilados e psicologicamente devastados. Este cenário transforma-se num verdadeiro pesadelo para a Europa, que não hesitou em utilizar o território ucraniano como cavalo de Troia para a prossecução dos seus fins estratégicos, servindo de palco para as ambições geopolíticas das grandes potências, designadamente dos EUA e da União Europeia, enquanto a população nativa paga o preço mais alto em sangue e destruição.</p>



<p><sub>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11285" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11285">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sub></p>
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		<title>EUROPA MURALHA QUANDO FOI CHAMADA A SER MAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 08 Aug 2026 23:00:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>o movimento tectónico da pobreza a chocar contra a muralha rica da indiferença</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/europa-muralha-quando-foi-chamada-a-ser-mar/">EUROPA MURALHA QUANDO FOI CHAMADA A SER MAR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há uma imagem que a imprensa europeia repete, um mapa com setas vermelhas a atravessarem o Estreito de Gibraltar, uma mancha densa de corpos anónimos a escalar a cerca de Ceuta. Fala-se em números de pelo menos 50 000, mais de 80 afogados, fala-se em «pressão migratória», em «defesa das fronteiras», mas raramente se fala no que esses braços que nadam procuram, para além da linha imaginária que separa a África da Europa.</p>



<p>Ninguém nada contra as correntes do Mediterrâneo por desporto ou espírito de aventura. A água salgada não é um convite; é um desespero líquido, um último recurso e aqueles jovens carregam nas costas uma história inteira de injustiças, séculos de extração de riqueza, mapas de países traçados por outrem onde os seus recursos naturais e o seu trabalho foram sempre o combustível para o progresso alheio.</p>



<p>Quando Bruxelas ergue o tom e fala em «invasão», comete dois erros fatais porque troca a causa pelo efeito, e a pessoa pela estatística. Mas não se invade aquilo a que se pertence, ainda que por direito de humanidade partilhada. O que vemos não é uma mancha militar, mas o movimento tectónico da pobreza a chocar contra a muralha rica da indiferença.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Por trás da Onda há uma Economia de Exploração e a Atração pelo Abismo</strong></h4>



<p>Há uma verdade incómoda que os discursos oficiais evitam: a Europa e os Estados Unidos são os grandes beneficiários de um sistema que mantém o Sul global numa dependência perene. Extraem-se minerais, explora-se a mão de obra, transferem-se lucros e depois, de maneira surpreendente e hipócrita, erguem-se barreiras para impedir que os corpos desses mesmos trabalhadores sigam o caminho do capital.</p>



<p>A solução proposta é quase sempre a mesma: contenção, devolução, dissuasão. Raramente se pergunta: porque é que a Europa é tão atrativa? E a resposta é cruelmente óbvia, porque concentra a riqueza que foi, em boa parte, construída sobre os ombros daqueles que agora batem à porta.</p>



<p>Mas há um caminho alternativo, um caminho de empenho, não de luta. A palavra lutar traz já em si a mecha masculina guerreira. Por isso é melhor falarmos de empenho. Empenho em criar filiais industriais nos países de origem. Empenho em transferir tecnologia e em pagar preços justos pelas matérias-primas. Empenho em reduzir a atratividade da Europa, não a tornando pior, mas tornando o mundo melhor.</p>



<p>Não se trata de uma caridade paternalista nas de inteligência estratégica com rosto humano. Se os jovens da margem sul tiverem escolas, empregos dignos, hospitais e esperança, a travessia mortal deixa de fazer sentido. A pressão migratória não se resolve com arames farpados; resolve-se com estradas, fábricas e universidades. E isto fica mais barato e é mais justo e sobretudo mais eficaz.</p>



<p><sup>(adaptação da crónica publicada em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11281" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11281">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>



<p></p>
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		<item>
		<title>A NATUREZA NÃO ENGANA NEM REJEITA O HUMANO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 23:00:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cidade de Berlim marcada pelo sangue e pelo medo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A cidade de Berlim, marcada pelo sangue e pelo medo após o atentado islamista contra as pessoas no CSD (Christopher Street Day), não clama apenas por justiça, mas também por um exame de consciência. O sangue que corre é um eco doloroso que expõe a ferida de civilizações que desaprendem a comungar com a essência humana. Assistimos à triste e vergonhosa metamorfose de termos como “diversos”, “trans” e “homossexuais” em autênticos gritos de guerra. Em vez de designarem a riqueza da biografia humana, estas palavras são hoje instrumentalizadas por instituições que utilizam vidas individuais como meros peões para atingir fins de ordenamento social. Reduzem o Homem a objeto, onde o ser humano é despido da sua dignidade tanto por defensores como por opositores, num jogo de forças que ignora a pureza da natureza inerente a cada indivíduo e a soberania da consciência individual como defende o cristianismo leal.</p>



<p>A sociedade não tem donos. Ninguém é senhor do tecido social. Quando casais homossexuais ou indivíduos diversos são empurrados para as margens, ou quando grupos tentam estabelecer “zonas privadas” de aceitação e exclusão na praça pública, quebra-se o respeito pelo humano, pelo Todo criado. É legítimo que cada instituição crie as suas normas internas, mas há um limite sagrado e este pressupõe que deve permanecer sempre um espaço reservado onde a humanidade geral tenha lugar independentemente da regra e da excepção. A existência não pode ser regulada pela exclusão.</p>



<p>Diante do terror de Berlim, onde a natureza humana básica foi barbaramente aniquilada, impõe-se uma pergunta que é essencial: porque é que alguém culpa o outro por aquilo que a natureza, criada por Deus, planeou? A criação não comete erros; a sua assinatura é a pluralidade que mostra a sua tinta na diversidade. Se olhássemos para a biosfera sem as lentes do preconceito, veríamos que a natureza não discrimina a folha que nasce torta nem a flor que exibe uma cor singular. Ela acolhe todas as manifestações da vida na sua harmonia vasta. O preconceito não é uma lei natural; é uma projeção humana. É o esgoto interior dos indivíduos que transborda, invadindo o discurso público com comentários desdenhosos e violência física, destilando um ódio cego que tenta apagar o rosto que a natureza preservou em cada ser. Também a gritaria social de um lado ou do outro não serve o “diferente” e até o compromete quando é usado por forças ideológicas que tendem criar o caos numa sociedade ordeira que querem destruir.</p>



<p>As pessoas “diversas” ou diferentes partilham da mesma vulnerabilidade que une toda a espécie humana; conhecem o cárcere do medo, mas não precisam e não devem implorar por serem aceites. O direito à existência e à busca da felicidade é intrínseco, inalienável e universal. As ideologias gémeas, que tentam impor o silêncio e o esquecimento às minorias, falham porque tentam lutar contra a própria Criação. Actos de agressão e terrorismo urbano não geram a verdadeira visibilidade que edifica; pelo contrário, camuflam os problemas reais e estruturais da sociedade, funcionando como uma cortina de fumo para a nossa incapacidade coletiva de promover a paz.</p>



<p>O caminho para a cura exige uma viagem interior. Se cada cidadão prestasse mais atenção à sua própria hostilidade interna, purificando os seus ressentimentos e dogmas, o contágio do ódio exterior perderia a sua força motriz. Uma sociedade que tolera em demasia o espírito negativo e a barbárie acaba, inevitavelmente, por castigar o bom e o justo. Urge, por isso, resgatar um mundo que tenha a natureza como espelho, garantindo um lugar seguro para todos e para cada um, onde a única lei universal seja o respeito absoluto pela dignidade humana.</p>


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<p></p>
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		<title>BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2026 23:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[geopolítica europeia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Europa deve olhar para os seus povos, não para os seus generais. </p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/07/bruxelas-empenhada-em-reduzir-a-cultura-europeia-a-instrumento-de-guerra/">BRUXELAS EMPENHADA EM REDUZIR A CULTURA EUROPEIA A INSTRUMENTO DE GUERRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dois milhões de euros, ninharia para os cofres opulentos de Bruxelas, mas cifra vital para a alma de uma Bienal que sempre se quis universal, ficaram suspensos por um capricho geopolítico. A senhora comissária, Henna Virknen, brande o seu telemóvel como outrora se brandia uma espada, anunciando na efémera praça digital que a cultura deve pagar o preço da desobediência. Eis o primeiro sintoma da bílis de que fala o povo: a razão turva-se quando o poder resolve vestir a farda do moralismo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="785" height="295" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg" alt="" class="wp-image-50501" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal.jpg 785w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-300x113.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-768x289.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-696x262.jpg 696w" sizes="(max-width: 785px) 100vw, 785px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.dn.pt/cultura/ue-anuncia-fim-de-subsdio-de-dois-milhes-de-euros-bienal-de-veneza-devido-participao-da-rssia#goog_rewarded">UE cancela subsídio de dois milhões de euros à Bienal de Veneza devido à participação da Rússia</a></figcaption></figure></div>


<p>Ora, independentemente do xadrez económico e político que se joga na Ucrânia, essa pobre terra transformada em cavalo de Troia dos grandes estrategas globais, uma coisa se nos afigura cristalina. A Europa, velha de séculos mas surpreendentemente imatura na sua gerontocracia, julga rejuvenescer apostando apenas nas suas qualidades guerreiras. É um equívoco trágico e profundamente irónico: um continente que inventou a universidade, a sinfonia e a declaração dos direitos do homem reduz-se agora à retórica do bombardeiro e ao gesto do diplomata que só conhece a provocação como forma de diálogo. O poder, nessa Bruxelas asfixiante, parece ter esquecido todas as línguas, excepto a do dinheiro e a da sanção. Impõem-se “valores subversivos” contra “valores sagrados”, mas ninguém se dá ao trabalho de definir quais são uns e outros, porque, neste conflito surdo contra o povo europeu e contra o povo russo, parece reger o argumento cínico do tudo vale.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="506" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg" alt="" class="wp-image-50507" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1024x506.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-300x148.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-768x380.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-696x344.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-1068x528.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-324x160.jpg 324w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte-648x320.jpg 648w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-arte.jpg 1183w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Escutemos, com atenção, os hinos do fanatismo contemporâneo. Lá longe, do outro lado do Atlântico, ouvimos o eco gutural de “América acima de tudo”. Aqui, no velho continente, respondemos com o timbre melífluo, mas igualmente vazio de “Valores democráticos da Europa acima de tudo”. É a mesma moeda, cunhada em lados diferentes, servindo o mesmo espírito do globalismo que sopra das torres de marfim financeiras para as planícies do sofrimento real. Cada vez se tem mais a impressão, e o senso comum, esse bem raro, teima em confirmá-lo, de que a grandeza das potências tem como condição necessária a humilhação metódica do cidadão comum. A dissidência, nessa Europa embriagada de si mesma, é simplesmente pensar de forma diferente; a heresia, hoje, é querer a paz sem submeter a alma ao dogma.</p>



<p>É preciso, pois, que o povo desperte. Não o povo abstracto dos discursos oficiais, mas a carne e o osso que pagam impostos e criam os filhos. Bruxelas estende-se como um polvo de braços tecnocráticos, avassalando até os sagrados espaços da cultura, transformando a arte num campo de batalha rasteiro. A Bienal de Veneza, que devia ser um oásis de contemplação, arrisca-se a tornar-se um museu da censura. E esta é a maior tragédia: quando os burocratas se arrogam o direito de definir o que é ou não “democrático” na paleta de um pintor ou na música de um compositor, estamos a trocar a utopia pela polícia.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="556" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg" alt="" class="wp-image-50506" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1024x556.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-300x163.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-768x417.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-696x378.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca-1068x580.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/bienal-de-veneza-danca.jpg 1158w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O humanismo, esse velho amigo esquecido, dita que a cultura não é instrumento de guerra, mas trégua. A cultura não é arma de arremesso, mas ponte. Se a Europa quer verdadeiramente rejuvenescer, que olhe para os seus filhos, não para os seus generais; que se inspire nos seus filósofos e teólogos, não nos seus comissários. Que guarde o cinismo para a política, que é, afinal, a sua matéria-prima e a generosidade para a arte. Caso contrário, a Bienal de Veneza não será a única a afogar-se nas suas águas turvas; afogar-se-á a própria ideia de Europa, vítima da sua própria bílis, sufocada pelo polvo que criou para a defender.</p>



<p>E quando isso acontecer, não digam que o povo não avisou.</p>



<p><sup>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11163" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11163">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>
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		<title>PORTUGAL NO TABULEIRO DA GUERRA OU NO PALCO DA LUSOFONIA?</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/portugal-no-tabuleiro-da-guerra-ou-no-palco-da-lusofonia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Jul 2026 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>atingimos finalmente a meta sagrada da NATO que é destinar 2% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) para as despesas militares</p>
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<p>Com um orgulho que quase faz esquecer as listas de espera das urgências hospitalares, o Estado anunciou que atingimos finalmente a meta sagrada da NATO que é destinar 2% do nosso Produto Interno Bruto (PIB) para as despesas militares. Na atual cimeira da NATO em Ancara Portugal afirmou que o ano passado e de acordo com os padrões NATO, os 2,01 por cento do PIB, o equivalente a 6 mil milhões de euros <strong><a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cimeira-para-reafirmar-o-pilar-europeu-da-nato-aliados-reunem-se-em-ancara_n1751772" type="link" id="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cimeira-para-reafirmar-o-pilar-europeu-da-nato-aliados-reunem-se-em-ancara_n1751772">foram atingidos</a></strong>. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="649" height="132" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/2-do-pib.jpg" alt="" class="wp-image-50350" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/2-do-pib.jpg 649w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/2-do-pib-300x61.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 649px) 100vw, 649px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/cimeira-para-reafirmar-o-pilar-europeu-da-nato-aliados-reunem-se-em-ancara_n1751772">Cimeira para reafirmar o pilar europeu da NATO. Aliados reúnem-se em Ancara</a></figcaption></figure></div>


<p>É um feito extraordinário para um país onde o maior perigo costeiro costuma ser a erosão das praias ou o preço do peixe fresco. Enquanto os cofres públicos se abrem com uma fluidez invejável para enviar milhões em assistência militar para o leste europeu, o cidadão comum assiste a um espetáculo de ilusionismo orçamental. Para a Defesa e para os blindados que alimentam a forte e próspera indústria metalúrgica de Berlim ou Paris, há sempre linhas de crédito sem burocracia. Já para o Serviço Nacional de Saúde, para os reformados que tentam esticar pensões de miséria até ao final do mês, ou para os sem-abrigo que multiplicam as suas tendas pelas capitais lusas, a resposta estatal é a clássica melodia da austeridade e da “escassez de recursos”.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A engrenagem de Berlim e a nossa “austeridade atlântica”</strong></h4>



<p>Há uma ironia profunda na forma como o dinheiro dos impostos portugueses é canalizado para esta cruzada moderna. Sob o pretexto de proteger os valores democráticos, o erário público financia indiretamente um complexo industrial-militar que serve, prioritariamente, os grandes interesses do E3 (Portugal serve mais as agendas da França, Alemanha e Reino Unido e do complexo industrial-militar do que a proteção real do cidadão comum). É reconfortante saber que, enquanto um idoso em Portugal escolhe entre comprar medicamentos ou pagar o aquecimento, algures num escritório em Frankfurt se celebram os dividendos da indústria pesada!</p>



<p>Filosoficamente, a paz ocidental foi reduzida a um paradoxo romano: si vis pacem, para bellum (se queres a paz, prepara a guerra). O Estado português adoptou esta máxima com o fervor dos convertidos, esquecendo-se de que a verdadeira paz não se constrói empilhando munições, mas sim edificando dignidade social. Uma sociedade que investe mais voluntariamente na engenharia da destruição externa do que na saúde e no bem-estar interno padece de uma inversão crónica de valores. A segurança de uma nação mede-se pela robustez do seu tecido social e não pelo calibre dos seus obuses.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Da trincheira europeia ao abraço lusófono</strong></h4>



<p>Se o destino dos nossos impostos é expandir a nossa influência e garantir a estabilidade, por que motivo o Estado insiste em olhar para o mundo através da mira de uma espingarda apontada ao leste, em vez de olhar através da luneta da nossa própria história? Portugal possui uma plataforma diplomática, cultural e económica única que não necessita de tanques para se impor e que é a Lusofonia.</p>



<p>Em vez de subsidiar os interesses geoestratégicos da Europa Central, os recursos nacionais colheriam muito melhor proveito se fossem direcionados para empreendimentos de cooperação cultural, científica e económica dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Financiar infraestruturas de saúde partilhadas, investir na transição energética em parceria com Moçambique ou Angola, ou criar fundos de apoio social e de habitação que dignifiquem os povos que partilham a nossa língua seriam verdadeiros investimentos numa cultura de paz. Faz muito mais sentido construir pontes com quem partilha o nosso idioma do que cavar trincheiras para agradar a Berlim e a Bruxelas.</p>



<p>Trocar o fardamento cinzento da NATO pela diplomacia cultural do mar não é apenas uma escolha moral pois corresponde a uma urgência prática. Afinal, para um país plantado à beira-mar, faz muito mais sentido construir pontes de desenvolvimento com quem partilha o nosso idioma do que cavar trincheiras para sustentar o grande capital europeu. Resta saber se o Terreiro do Paço prefere continuar a ser o bom aluno de Berlim ou voltar a ser o coração do seu próprio mundo.</p>
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		<title>OS INVISÍVEIS INDISPENSÁVEIS DO SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jul 2026 09:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[cuidados de saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[técnicos auxiliares de saúde]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sem o seu trabalho, o funcionamento das instituições de saúde seria impossível.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao longo dos últimos anos, estes trabalhadores assistiram a sucessivas alterações da sua designação profissional. Foram Auxiliares de Ação Médica, passaram a Assistentes Operacionais e, desde a publicação do Decreto-Lei n.º 120/2023, integram a carreira especial de Técnico Auxiliar de Saúde. Muitos esperavam que esta mudança significasse uma verdadeira valorização da profissão. Contudo, segundo inúmeros testemunhos, a realidade quotidiana pouco mudou.</p>



<p>Continuam a desempenhar funções indispensáveis junto dos doentes, garantindo a higiene, o conforto, o transporte de pessoas vulneráveis, a preparação de materiais e espaços clínicos, a colaboração com médicos e enfermeiros e inúmeras outras tarefas essenciais para que os cuidados de saúde possam ser prestados com segurança e dignidade. Sem o seu trabalho silencioso, o funcionamento das instituições de saúde seria impossível.</p>



<p>Apesar disso, muitos destes profissionais afirmam sentir-se desvalorizados. Denunciam a escassez de recursos humanos, equipas insuficientes para responder ao crescente grau de dependência dos doentes, horários exigentes, desgaste físico e emocional e remunerações que consideram desproporcionadas face às responsabilidades assumidas.</p>



<p>A sua missão não termina nos momentos de esperança. São também eles que acompanham os doentes nas horas mais difíceis, prestam apoio às famílias, colaboram na preparação dos corpos após a morte e realizam tarefas que poucos querem ver, mas que todos reconhecem como necessárias. Trata-se de um serviço profundamente humano, exigente e marcado por uma enorme carga emocional. Também eles precisam do sol que afague a sua vida para o poderem transmitir melhor em rostos ensombrados pelas circunstâncias.</p>



<p>É legítimo perguntar se uma profissão com estas características não merece um estatuto mais digno, melhores condições de trabalho, oportunidades reais de progressão na carreira, reconhecimento do desgaste inerente às suas funções e formação contínua devidamente valorizada.</p>



<p>Não se trata de estabelecer hierarquias entre profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros, técnicos superiores, assistentes técnicos e técnicos auxiliares formam uma única equipa, onde cada elemento é indispensável. A qualidade dos cuidados depende precisamente dessa cooperação.</p>



<p>Uma sociedade mede-se também pela forma como trata aqueles que trabalham diariamente ao serviço dos mais frágeis. Os Técnicos Auxiliares de Saúde não pedem privilégios. Pedem respeito, valorização e condições que lhes permitam exercer a sua missão com dignidade.</p>



<p>Talvez tenha chegado o momento de deixar de falar apenas dos protagonistas mais visíveis do Serviço Nacional de Saúde e dar voz àqueles que, discretamente, sustentam uma parte essencial do sistema. Porque os invisíveis indispensáveis merecem, finalmente, ser vistos e mais reconhecidos pela política, pelo sistema e pelo público.</p>
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		<title>HOMENS SÃO 94% DA POPULAÇÃO RECLUSA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 23:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[criminalidade na Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Homens são 94% da população reclusa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O rosto masculino da agressão revela-se de forma gritante nas estatísticas: os homens dominam as tabelas do abismo, representando 94% da população reclusa e concentrando os mais alarmantes índices de violência. Perante este cenário, impõe-se uma conclusão inadiável: precisamos de uma mudança de paradigma. Não se trata de substituir o masculino (androgénico) pelo feminino, mas de transcender a lógica vigente, rumo a um novo modelo, feminino-masculino, que reconheça a complementaridade como alicerce do desenvolvimento humano e social.</p>



<p>A coexistência harmoniosa entre a feminilidade e a masculinidade, tanto nos homens como nas mulheres e na própria organização da sociedade, é hoje inviabilizada por uma matriz profundamente enraizada que molda o nosso pensamento e a nossa existência. Esta matriz, de feição exclusivamente masculina, confinou o elemento feminino aos domínios do natural e do religioso, despojando-o do seu legítimo lugar na esfera pública e intelectual. Paralelamente, ao impor uma mentalidade materialista e práticas orientadas unicamente para o progresso funcional, a eficiência e o lucro, esta estrutura reprime a dimensão espiritual e emocional do ser humano.</p>



<p>As mulheres, para ocuparem espaços de decisão, são muitas vezes coagidas a atuar contra o seu próprio princípio feminino, integrando-se apenas ao nível do funcionamento mecânico da sociedade, um mecanismo cujo leme permanece firmemente nas mãos do masculino. O homem age, assim, quase exclusivamente sobre os sintomas da desumanização, mas nunca sobre as causas profundas que alimentam a brutalidade, a beligerância e a indiferença perante o sofrimento.</p>



<p>Como documenta Boris von Hessen na sua obra “O que os homens custam”, os homens são responsáveis pelo dobro dos acidentes rodoviários, pela maioria esmagadora dos crimes e por 94% da população prisional. São eles os protagonistas de 75% das mortes relacionadas com o álcool e de mais de 80% dos casos de violência doméstica. Para além do sofrimento humano incalculável, estes dados traduzem-se em custos sociais astronómicos. Estamos perante uma realidade que clama por uma reflexão radical.</p>



<p>Face a esta realidade sombria e à aptidão bélica de uma sociedade que privilegia uma cultura de guerra em detrimento de uma cultura de paz, impõe-se uma pergunta incómoda e urgente: o que é que correu mal connosco, homens? Porque razão nos agarramos, com tamanha obstinação, a esta matriz masculina, sem a questionar, e nos apegamos a papéis que sistematicamente recompensam a dureza, a dominância e a exagerada propensão para o risco? Se não rompermos com este padrão arcaico, todas as estratégias de prevenção e as reformas institucionais se tornarão letra morta, servindo apenas para paliar os estragos ou, pior ainda, para consolidar e perpetuar a própria matriz que gera o problema.</p>



<p><sub>(crónica adaptada do original publicado em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=11124" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11124">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sub></p>



<p></p>
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		<title>MILITARIZAÇÃO EM CURSO EM UNIVERSIDADES ALEMÃS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/07/militarizacao-em-curso-em-universidades-alemas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 11 Jul 2026 23:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As chaminés da Rheinmetall e da KNDS Deutschland exalam o aço frio dos tanques e das munições que a Europa novamente reclama</p>
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<p>Há cidades cuja geografia é marcada pelo rio, pela serra ou pelo mar. Kassel, no coração da Alemanha, também tem o rio Fulda, mas nela vê-se a marca da cinza. Quem percorre as suas ruas da cidade baixa, mesmo nas manhãs mais límpidas, sente um peso na terra um eco subterrâneo de 1943, quando 75% da cidade ruíram sob o fogo dos Aliados, pagando o preço de ser, já nessa altura, um bastião da indústria bélica. Hoje, as chaminés da Rheinmetall e da KNDS Deutschland não fumegam pólvora, mas exalam o aço frio dos tanques e das munições que a Europa novamente reclama. E é precisamente nesta cidade, tão linda e com tantos parques, onde a História parece ter-se esquecido de sarar, que se trava uma batalha silenciosa, mas fundamental, pelo futuro da razão académica.</p>



<p>Em causa está a revogação da chamada «Zivilkausel», a cláusula civil de paz, na Universidade de Kassel. Setenta instituições de ensino superior alemãs subscreveram, outrora, o compromisso de que a investigação científica se consagraria, exclusivamente, a fins pacíficos. Kassel era uma dessas vozes éticas no deserto do progresso técnico. Contudo, a nova vaga de rearmamento que varre a Alemanha, esse <em>Zeitenwende</em> que tantos aplaudem como necessidade geopolítica, ameaça agora transformar os laboratórios em extensões dos quartéis. A ciência, que deveria ser o farol da humanidade, corre o risco de se tornar a bússola da artilharia.</p>



<p>O problema não reside na pureza abstrata da investigação, sabemos que o conhecimento é, por natureza, ambivalente e que os frutos da física podem alimentar hospitais ou mísseis. A questão crucial é a <em>intencionalidade</em> e a <em>influência.</em> Quando a maior concentração de indústria armamentista do país se instala à porta da universidade, abolir a cláusula de paz não é um gesto de transparência; é um convite aberto para que o dinheiro sujo da guerra dite as prioridades científicas. E a tragédia anuncia-se em dois atos: em primeiro lugar, os fundos públicos, que deveriam nutrir o espírito crítico e a coesão social, poderiam ser desviados para financiar a morte. Em segundo lugar, e mais sinistro, a universidade deixaria de ser o templo do debate para se tornar o escritório de projetos das multinacionais do aço.</p>



<p>Perante este cenário, o Senado da Universidade hesita. Composto por apenas três estudantes, nove professores, três académicos e dois administrativos, este órgão reflete um desequilíbrio de poder gritante, a voz dos que aprendem é abafada pelos que já decidiram. Após três horas de discussão, o Conselho Académico adiou a decisão. Mas o adiamento, longe de ser uma vitória, cheira a tática de dilação. A sugestão de criar uma comissão de ética é, no limite, uma manobra burocrática, uma cortina de fumo para ganhar tempo e esvaziar a resistência que, entretanto, se ergue com cartazes e gritos do lado de fora do campus. A ASTA, representação estudantil, apela a uma votação geral, um gesto democrático que a razão louva, mas que a urgência do momento condena – porque, enquanto se contam votos, os canhões continuam a ser forjados.</p>



<p>Mas o que está em jogo transcende as fronteiras do estado do Hesse. A Alemanha, pela sua força económica e moral, é um modelo. E quando a Alemanha se militariza, todo o continente estremece. Países como Portugal, situados na margem atlântica, sentem a pressão tectónica deste rearmamento. Num país que deveria semear o espírito social, a cultura de paz e a resiliência comunitária, a onda belicista germânica ameaça impor uma lógica de subalternidade: “Se a Alemanha se rearma, nós também temos de o fazer.” Mas esta é uma falácia perigosa. A Europa não precisa de mais exércitos; precisa de mais pedagogia. Precisa de dominar a arte da diplomacia e da fraternidade, em vez de competir na corrida ao armamento.</p>



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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="624" height="402" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Lockheed-Martin-Rheinmetall.jpg" alt="" class="wp-image-50277" style="width:464px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Lockheed-Martin-Rheinmetall.jpg 624w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/Lockheed-Martin-Rheinmetall-300x193.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px" /></figure></div></div>
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<p>A vontade militar e o delírio belicista avançam a passos largos na sociedade germânica, infiltrando o discurso político, a imprensa e agora a academia. Para onde caminha a Alemanha dos nobres poetas e dos pensadores? Mas as universidades devem ser os baluartes contra essa maré. Criar espaços de guerra dentro dos muros onde se cultiva o saber é uma contradição tão absurda como cultivar espinhos num jardim de flores. O exército já tem os seus quartéis onde pode ter os seus laboratórios; a ciência deve ter os seus laboratórios de paz.</p>



<p>A memória de Kassel, essa cidade arrasada até aos alicerces, deve servir de advertência. Os fantasmas de 1943 não pedem vingança; pedem memória. Revogar a cláusula de paz agora, quando o dinheiro manda e a Europa rearma, não é apenas um precedente perigoso para outras universidades que observam este caso; é uma traição àqueles que, sobre os escombros, juraram que nunca mais.</p>



<p>Apelamos, pois, à razão e ao coração de cada cidadão europeu. A razão diz-nos que a investigação civil e a ética não são obstáculos ao progresso, mas a sua única garantia de sustentabilidade. O coração diz-nos que os jovens que hoje protestam em Kassel são a consciência viva de um continente que já se despedaçou duas vezes. Não os deixemos sós. Que a Europa não se deixe cegar pelo brilho efémero do aço. Que a cláusula de paz não seja um papel rasgado ao vento, mas o alicerce sobre o qual construímos, finalmente, uma cultura de paz duradoura. Porque, se a universidade deixar de ser o lugar onde se sonha com um mundo melhor, quem o fará por nós?</p>
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		<title>AMOR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 09:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[sentido da vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O amor pode ajudar a dar sentido à vida</p>
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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="692" height="95" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/neruda.jpg" alt="" class="wp-image-50592" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/neruda.jpg 692w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/07/neruda-300x41.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 692px) 100vw, 692px" /></figure></div>


<p>A frase de Neruda é sábia e provoca reflexão! Sugere que, embora o amor não possa vencer a inevitabilidade da morte, ele pode dar sentido, esperança e força para enfrentar a vida.</p>



<p>No entanto, a frase parece incompleta porque não é apenas o amor que nos “salva” da vida. Também a amizade, a fé, os sonhos, a arte, o conhecimento e os propósitos podem tornar a existência mais cheia.</p>



<p>Talvez o verdadeiro sentido da frase esteja em reconhecer que a vida, por si só, pode ser difícil, e que o amor é uma das experiências mais poderosas para a tornar suportável e significativa, sem ser a única.</p>
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