O HOLOCAUSTO PALESTINIANO

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Tudo indica que chegou ao fim o “estado de graça” de que Israel tem beneficiado desde 1948. O momento que assinala essa viragem terá sido agora, quando o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Yoav Gallant. E o TPI  não ficou por aí, emitiu uma ordem para Israel parar com ações militares que se limitam a matar civis indiscriminadamente, seja através de bombardeamentos ou pela supressão de medicamentos e comida.

Esta decisão do TPI deve-se à ausência de medidas preventivas ou condenatórias do próprio sistema de justiça israelita que nunca tentou sancionar crimes de guerra cometidos pelos militares israelitas nem tentou nunca censurar decisões governamentais manifestamente ilegais face ao direito internacional e aos direitos humanos.

Israel nega ter intenção de praticar genocídio contra o povo palestiniano, diz que persegue o Hamas. Mas dezenas de milhar de vítimas civis, na maioria mulheres e crianças, desmentem esse argumento.

crianças mortas pelos soldados israelitas

Hoje, não há quem não publique vídeos nas redes sociais e os israelitas não fogem à regra. As redes sociais estão cheias de vídeos que retratam abusos de toda a ordem sobre os palestinianos, praticados por militares e civis israelitas. Os palestinianos também exibem sem pudor os seus mortos e a destruição arrasadora das infraestruturas civis, dos bairros residenciais, dos hospitais, que resulta dos ataques militares de Israel.

Abster-se de cometer genocídio não é apenas o cumprimento da norma mais fundamental do direito internacional, mas também devia ser um imperativo moral primordial. Israel, tendo sido vítima deste crime às mãos do regime nazi alemão, deveria considerá-lo evidente.

O Ministério da Segurança Social da Palestina publicou uma série de dados sobre a situação da população, onde se destacam os mais de 35 mil mortos, mais de 79 mil feridos, 493 médicos e enfermeiros mortos, 33 hospitais destruídos, 1 milhão de crianças necessitadas de tratamento psiquiátrico…

O TPI também ordenou que Israel permita que a ajuda humanitária chegue aos palestinianos sobreviventes e que as comissões de inquérito das Nações Unidas não sejam impedidas de entrar na Faixa de Gaza para investigar suspeitas de violações da Convenção sobre o Genocídio.

Permitir que as coisas tenham chegado a este ponto é o sinal da derrota política de Israel. Deveria ser Israel a punir os seus próprios militares que cometem crimes de guerra em vez de tentar impedir que a investigação se faça através das organizações da ONU ou de outros Estados.

manifestações de apoio à Palestina multiplicam-se por todo o mundo

Seja o que for que venha a acontecer, não será possível continuar a pretender que Israel é a “única democracia” do Médio Oriente, o Estado moderno e civilizado, evoluído e ético. Não é, provavelmente nunca foi.

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