Histórias da Galiza

Foi apresentado no sábado, 10, com pompa e circunstância, o livro História(s) da Galiza, que conta as vicissitudes por que passou esse rincão de S. João do Estoril desde finais do século XVII.

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E foi oportuna a solenidade de que o acto se revestiu. Primeiro, porque – como o próprio título indica – se procurou fazer não apenas a história dum sítio, mas também as histórias das pessoas, das famílias que nele viveram e intervieram.

Depois, porque essa história, deveras singular, conta como um aglomerado de barracas, envolvido nas imaginadas condições de ínfima salubridade e propenso, pela génese dos seus habitantes, a submeter-se a ‘pressões’ de todo o género, abarca também o tempo anterior às barracas do «Fim do Mundo» (assim se chamava o bairro) e narra, de modo especial, como – mercê do sacrificado labor conjunto da freira salesiana Irmã Elvira, do ATL da Galiza e dos competentes serviços camarários logrou um resultado de excelência.

Pôde a Irmã Elvira obter ‘carta branca’ da sua congregação, as Filhas de Maria Auxiliadora, para, sem constrangimentos, se dedicar de alma e coração ao incondicional apoio a essas famílias carenciadas; ergueu-se, a braços, o ATL; houve, da parte dos técnicos camarários, indesmentível compreensão da singularidade da obra a que estavam a meter ombros.

«Sabes que no dia 6 de Fevereiro o nosso A. T. L. faz um ano? Sabes que ele já mudou muito? Queres vir ver a nossa exposição, onde mostramos como ele era dantes e como ele é agora? Então vem, porque nós convidamos-te». Rezava assim, em letra, quase gatafunhada, de criança, o convite para o 1º aniversário das Actividades nos Tempos Livres, em 1985. O repórter do Jornal da Costa do Sol foi lá e regressou encantado, não resistindo a publicar a imagem da cadeira ali exposta, que estava «a ser feita por 3 crianças». Estava-se, então, bem longe de vir a saber o que aconteceria depois!

Na sessão do passado dia 10, saudou-se esse ingente trabalho, sempre levado a efeito sob a diligentíssima orientação de Maria Gaivão, a incansável alma-mater deste projecto da Santa Casa da Misericórdia de Cascais.

Compreende-se, pois, que o resultado haja sido auspicioso por, ao longo de todo o processo, sem titubear, terem sabido dar as mãos a Irmã Elvira, a Misericórdia e os técnicos da autarquia, sem quaisquer preconceitos políticos, sociais ou religiosos.

O livro

Saliente-se, desde já, que o livro – de excelente apresentação gráfica, com coordenação, texto e seleção de imagens de João Miguel Henriques e de Maria Conceição Santos (do Departamento de Arquivos, Bibliotecas e Património Histórico da Câmara Municipal de Cascais), não é para ser lido de um só fôlego: é obra que vai merecer miúda consulta, atendendo à densidade de informação que veicula.

Um aspecto se deve realçar, porque, se não erro, é a primeira vez que se lança mão, com maestria (diga-se), do relevante espólio do Arquivo Técnico do Urbanismo, na medida em que houve o cuidado de se apresentarem os projectos de algumas das casas mais antigas do povoado. Assim se prova como a boa organização de um arquivo deste género se reveste de grande interesse histórico.

E, no que concerne à informação, para além das histórias das pessoas e da abundante documentação reproduzida, refiram-se apenas dois pormenores, significativos precisamente do que por ali está disseminado, em jeito de ‘como quem não quer a coisa’:

– Mostram-se, por exemplo, a Casa dos Cedros, «onde, em 1957, decorreu o 5º Congresso do PCP», e o «projecto da Vivenda Montalvinho, onde se refugiou Álvaro Cunhal, em 1960».

– Mostra-se o «apeadeiro da Parede», em 1889, que ostenta – pasme-se! – o letreiro PAREDE-GALLIZA, demonstração clara da importância de que já então a Galiza dava mostras, porquanto, recorde-se, na actualidade, na Linha de Cascais, entre as estações do Estoril e da Parede, há outras duas, a de S. João e a de S. Pedro, povoações que só umas décadas depois viriam a ganhar relevância.

Foi muito concorrida a sessão do dia 10, a mostrar o empenho da população na festa. Actuou o grupo de cantares dos anciãos.

Usaram da palavra: o Doutor João Miguel Henriques, a dar conta da obra e do seu conteúdo; a Dra. Isabel Miguéns Bouças, Provedora da Santa Casa, que, acerca do ATL, salientou, entre outros aspectos, o elevado alcance de que se revestiu, do ponto de vista educativo, a criação, no seu seio, de uma equipa de râguebi; falou o presidente da autarquia, congratulando-se vivamente com o trabalho desenvolvido e que, em grande parte, lhe fora dado acompanhar.

Encerrou a cerimónia a actuação do Rancho Infantil, muito aplaudida.

                                              

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