PRESIDENTE DA GUINÉ-BISSAU NÃO QUER RETALIAR

Na Guiné-Bissau há sinais de que a sociedade civil apoia a decisão do Presidente da República de dissolver o parlamento e convocar eleições legislativas intercalares.

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Depois do Presidente Umaro Sissoco Embaló ter anunciado que haverá novo governo constituído na próxima semana, a central sindical União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG -CS) divulgou um comunicado onde diz ter havido abusos nas “despesas públicas a favor de empresas duvidosas e não auditadas”, o mesmo argumento que serviu ao Ministério Público para mandar deter o ministro das Finanças e o secretário de Estado do tesouro. Na sequência dessas detenções, o país viveu 48 horas de grande sobressalto, com tiroteios nas ruas de Bissau entre a Guarda nacional e a Guarda Presidencial.

A posição da central sindical UNTG hoje divulgada pode ser entendida como apoio às decisões políticas do Presidente da República, uma vez que no comunicado condena “o comportamento negativo de um dos responsáveis máximos de órgão de soberania, de incitar à violência”, uma referência clara a dirigentes do PAIGC, partido base do Governo e da coligação com maioria de deputados na Assembleia Nacional Popular.

comunicado da UNTG datado de 7 dezembro 2023

O presidente Umaro Sissoco Embaló afirmou que não haverá retaliações contra os elementos da Guarda Nacional que terão tentado um golpe de estado no passado dia 30. “Houve uma tentativa de golpe de Estado, mas na guerra quem se render não pode ser violentado e isso não pode fazer parte de nós”, disse o Presidente, no discurso em que anunciou a próxima constituição do governo interino.

Entretanto, o Governo português repudiou as declarações do presidente do parlamento da Guiné-Bissau, feitas terça-feira à Lusa, nas quais Domingos Simões Pereira acusou Portugal de se deixar usar pelo Presidente guineense.

“O Governo português repudia as declarações do Presidente da Assembleia Nacional Popular da República da Guiné-Bissau quanto à posição de Portugal sobre a atual crise política no país”, diz em comunicado o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Portugal “espera que as instituições guineenses encontrem, no respeito pela ordem constitucional, as necessárias soluções para ultrapassar o atual momento que se vive no país”, termina o referido comunicado divulgado em Lisboa.

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