ARQUEOLOGIA ‘ACIDENTAL’

Vinho de talha, uma tradição bem alentejana, hoje a ser cotado de novo e a ganhar fama. E quem diria que poderia o seu nome estar na origem duma das mais sensacionais descobertas arqueológicas nacionais!...

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A história é referida por António Carlos Silva no livro Memórias das Pedras Talhas, a que o autor houve por bem dar o subtítulo «Fragmentos na vida de um arqueólogo acidental».

‘Acidental’, diz ele, porque acha ter sido «por acidente» que, um dia, se encarreirou pelas lides das escavações pré-históricas. Confessa-se incréu e essa é a justificação por lhe parecer que terá sido o acaso a indicar-lhe tal caminho. Não foi, bem no sei eu; mas isso é outra conversa, na medida em que é, a todos os títulos, notável trabalho levado a cabo por António Carlos Silva. Fez parte, por exemplo, da equipa que, nos primórdios da década de 70, mui corajosamente, se prontificou a efectuar, pioneiramente, o levantamento das gravuras rupestres do vale do Tejo que iam ficar submersas pelas águas da barragem de Fratel, a famosa «Geração Tejo». A esse trabalho de campo se seguiria toda a actividade burocrática que, após a superintendência, no quadro da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, S. A.), de todas as intervenções arqueológicas na vastíssima área que as águas do Alqueva iam inundar. E, nos últimos tempos, antes da aposentação em 2017, no âmbito da moribunda Direcção Regional de Cultura do Alentejo.

Lembrou-se de ir anotando, no blogue Memórias das Pedras Talhas, o que, dia a dia, lhe merecia reflexão. Vive «há mais de um quarto de século» no Monte das Pedras, em Guadalupe, freguesia dos arredores de Évora, vizinha do conhecido e classificado cromeleque dos Almendres. Merece, pois, para já, dar-se a conhecer por que razão o monte se chama assim e o blogue «das pedras talhas».

Estava o arqueólogo Henrique Leonor de Pina a dirigir, em 1964, a escavação dum outro monumento arqueológico classificado, a chamada Anta Grande do Zambujeiro, ao pé de Évora, quando…

Ora demos a palavra a Galopim de Carvalho, que, a 20 de Maio de 2018, evocando a memória desse arqueólogo, é quem contou a história, que  António Carlos transcreve na p. 398 do seu livro:

Dá-se-lhe o nome de cromeleque, por ser um conjunto de grandes pedras ao alto, colocadas em forma de círculo, a rodear, portanto, um espaço interior. Toda a gente já ouviu falar em Stonehenge, na Inglaterra. Pois já se designou o cromeleque dos Almendres de «o Stonehenge português». Acredita-se que a disposição espacial das pedras tem a ver com crenças e observações astronómicas desde tempos ancestrais. Por isso, os equinócios da Primavera e do Outono aí têm sido celebrados, assim como os solstícios de Inverno e de Verão. Há pedras alinhadas com o nascer do Sol nesses dias…

Cromeleque dos Almendes ao pôr do sol

Classificado como Monumento Nacional pelo decreto n.º 4/2015, publicado no Diário da República, 1.ª série, n.º 44, de 4 de Março, o sítio merece, de facto, uma visita. Acede-se-lhe a partir da estrada Montemor-o-Novo / Évora, a cerca de 10 km de Évora. Está bem sinalizado o desvio para Guadalupe. Uma visita que vai requerer serenidade, para melhor se captar o génio que, queira-se ou não, daquele lugar inevitavelmente se desprende

capa do livro

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