MANUAL PARA USO DE ALOJAMENTO LOCAL

No início do Verão peguei no meu “híbrido” e fazendo dupla com a minha companheira de 38 anos vividos, aventurámo-nos por algumas regiões de França, as quais desconhecíamos por completo, a não ser o disfrutarmos algumas fotos publicadas em revistas de viagens, ou dos velhinhos livros de francês do liceu, ainda do tempo da ditadura. A escola, digam lá o que disserem, é um repositório de experiências e aprendizagens, que mais tarde ou mais cedo regurgitam nesta memória já um pouco envelhecida no tempo. Foi o meu caso.

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Escolhi as duas grandes regiões vitivinícolas de França. A Gasconha, tendo por capital Bordéus, e a Bourgogne, tendo como capital, Dijon.  Apesar de ter visitado mais localidades durante a estadia, foi aí, nessas duas cidades, que assentei arraiais, por vários dias, fazendo depois incursões com algumas dezenas de quilómetros a outras tantas urbes vizinhas, umas com mais carga histórica e arquitetónica, outras com mais beleza paisagística. Não dei a minha viagem por mal empregue.

Escolhi a opção AL, sigla para Alojamento Local, para pernoitar, negócio que parece estar a disseminar-se pelo planeta fora, sendo que na Europa está a atingir o seu ponto de saturação.

Mas este tipo de alojamento, alternativo ao tradicional Hotel/Pousada, por norma mais económico e mais livre de horários, já teve melhores dias. A proliferação dos espaços de AL por todo o lado, acaba por tornar as cidades numa autentica selva de moradores ocasionais, onde muitos proprietários vendem o que não existe, sem se aperceberem que mais cedo ou mais tarde, serão eles mesmos a suas próximas vitimas.

Por norma não reservo nada sem ver as avaliações dadas pelos clientes anteriores. O problema é que a maioria de nós utiliza estes espaços e não pontua nem os comenta, no final da sua estadia. Na sua escolha limitam-se a olhar para a pontuação no cimo da publicação e não leem os comentários produzidos por outros. Mas devíamos fazê-lo, pois compra-se muito gato por lebre. Eu sou bastante exigente nos locais que escolho. Mas tive surpresas agradáveis onde a pontuação era apenas 7,9 em 10, e desagradáveis onde essa mesma pontuação era 8,7 em 10. Só que na pontuação mais baixa, essa média correspondia à avaliação de 1500 clientes. Na pontuação mais alta, a média correspondia apenas a 67 utilizadores.

Devemos procurar sempre ir para sítios com mais de uma centena de avaliações, no mínimo. Ler os comentários, ainda que não todos, é uma maçada, acredito, mas fundamental para os alojamentos que tiverem pontuações mais baixas e os mais recentes. Nomeadamente com reclamações e recomendações. Algumas delas são especificas e esclarecedoras, com respostas e desculpas dadas pelo proprietário. Só assim poderemos escolher conscientemente, evitando incómodos, sendo servidos com mínimo de qualidade e dignidade. A avaliação do critério limpeza da habitação e proximidade de transportes públicos deve ser importante. Até porque na maioria das vezes, entramos e saímos do imóvel sem nos cruzarmos com ninguém, pois recebemos um código com um conjunto de números que nos abre uma porta desse imóvel, onde no seu interior, fixo na parede, está uma caixa tipo cofre, que se abre com outro código, e no qual está a chave do apartamento reservado.

Entras e sais do local onde estás a residir por uns dias, sem saberes se o dono daquilo é um proprietário individual ou uma imobiliária.

Enfim, sinais dos tempos …

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