DA LUTA DE CLASSES

É uma história intensa e fascinante, a vida de uma jovem cantora que se embrenha nas lutas políticas da sociedade francesa a partir dos anos 60 do século XX

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Chamam-lhe romance gráfico, é uma história muito autobiográfica. Mas, enfim, quem na Europa viveu essa época e as décadas seguintes, reconhece-se em muitas situações que são retratadas nesta narrativa, seja em que lado se coloque da barricada: o da direita ou o da esquerda.

“Elise e os Novos partisans” é a narrativa da luta de classes, da repressão policial, das guerras coloniais, da imigração dos bidonville e da pobreza dos imigrantes, fossem eles argelinos ou portugueses.

A história foi escrita por Dominique Grange e desenhada por Jacques Tardi (um mestre da BD) e foi já publicada em muitos países, incluindo Portugal, e proscrita em alguns, incluindo a Alemanha. Há convicções que desagradam a alguns democratas e a tendência para a proibição está cada vez mais evidente nas decisões políticas.

Na narrativa há várias referências a Portugal e a emigrantes portugueses que viveram os violentos combates de rua com a polícia de choque francesa, as greves selvagens, a clandestinidade. E a boa surpresa que foi a revolução do 25 de abril de 1974 na esquerda francesa, nomeadamente nos grupos maoistas que tinham o lema “ousar lutar, ousar vencer” que o MRPP adotou em Portugal.

No fim, muitas desilusões e uma única certeza: a luta continua. É um livro imperdível, uma banda desenhada que, com emoção, nos transporta no tempo.

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