Representar a sério…

… e contracenar com actores de carreira feita é o desafio habitual de Carlos Avilez e de toda a sua equipa do Teatro Experimental de Cascais e da Escola Profissional de Teatro de Cascais (EPTC) aos estudantes que assim terminam, com essa prova ‘de fogo’, o seu Curso de Interpretação.

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Este ano, mais de 50, na Trilogia do Teatro Impossível que Miguel Graça reformulou e actualizou, a partir do que já Federico Garcia Lorca reunira de três das suas peças: O Público, de 1930, Assim que Passarem Cinco Anos, de 1932, e Comédia Sem Título, 1936!

E se, de facto, não podemos ficar indiferentes ao texto que Miguel Graça preparou; se continua a agradar-nos sobremaneira o jeito com que Fernando Alvarez concebe o cenário e os (sempre originais!) figurinos; se consideramos bem apropriadas a música original de Pedro Jóia (um bom achado) e as (nada fáceis de executar!) coreografias de João Lara – magistral é, não há dúvida, a forma como Carlos Avilez consegue pôr toda aquela gente no palco, adestrando-os nos mais diversos aspectos da representação teatral: a movimentação, a atitude, o gesto, a dança, o canto, tudo!… Um palco cheio, em que o mínimo pormenor conta e é tido em consideração.

Neste aspecto – e vemo-lo pelos resultados, quantos artistas, hoje com nome já, passaram pela EPTC?! Largas centenas! – neste aspecto, o labor, nem sempre fácil, levado a cabo pela Escola Profissional de Teatro de Cascais, não padece comparação, situa-se ao nivel do que melhor se faz. Há que aplaudir!

Largo encómio ao valor do Teatro como veículo de informação, de consciencialização, de… murro no estômago da indiferença e do ‘laisser faire, laisser passer’ (‘deixar fazer, deixar passar’), que tão impunemente caracteriza os nossos dias – esse, o grito de alerta desta representação. Teatro-vida, teatro-revolução, teatro-manifesto! Sentimo-lo no decurso de toda a peça, mormente no ‘sermão’ da «directora» que, à boca de cena, no princípio e no fim, expressamente se dirige aos espectadores – e até há um casal que reage às suas falas. Aliás, este espicaçar os espectadores é permanente, eficaz.

Escreve-se na folhinha do programa (onde continuam a faltar as informações de quem é que faz de quem, um ‘anonimato’ que, pessoalmente, me constrange, confesso…), escreve-se aí que «a liberdade do Amor, o Tempo, as Máscaras e a Revolução são os grandes temas dos textos». São. Numa roupagem espanhola, para homenagear García Lorca. Por isso, há um toque de ‘nuestros hermanos’ em pormenores dos figurinos e há, sobretudo, aqueles vibrantes sapateados em que os estudantes, bem aprumados, acabam por saber mostrar quanto aprenderam.

Participam os actores Renato Pino, Luiz Rizo, Sérgio Silva e Teresa Côrte-Real, do TEC.

O espectáculo, estreado, com vibrantes aplausos de pé, na noite do passado dia 4 deste mês de Julho, vai estar em cena, no Mirita Casimiro, até ao próximo dia 27.

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