ANA GOMES E O “CRIME” DA PISCINA

A reportagem evolui do sentido acusatório para a possibilidade de, afinal, a antiga eurodeputada vir a ter direito a ser indemnizada pela decisão do atual elenco camarário.

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Quando a TVI passou em “Exclusivo” a reportagem sobre a piscina e os anexos da casa de Ana Gomes, em Sintra, a notícia já tinha dias. Era um tema requentado.

O enquadramento feito por Sandra Felgueiras, no lançamento da reportagem, fala em “casa de luxo”, avaliada em 2 milhões de euros, onde foi construída uma piscina que, agora, a Câmara de Sintra obriga a demolir. Sem esquecer que se trata de uma casa construída em plena reserva natural. Um conjunto de factos que adensam a sensação de ilegalidade, aparentemente mais condenável quando se trata de uma figura política de esquerda.

Acontece que estamos a falar de uma herança por falecimento do marido, António Franco. Quando a casa foi adquirida (1993), António Franco e Ana Gomes ainda não eram casados. O que hoje é considerado ilegal, obteve licenciamentos nos tempos dos autarcas Edite Estrela (PS) e Fernando Seara (PSD). Acontece, ainda, que Ana Gomes tem tido notória atividade no combate à corrupção, malhando sem olhar a quem. O que é muito desagradável e lhe tem granjeado muitas inimizades, no seu próprio partido, noutros partidos, no meio empresarial, por todo o lado. Relacionar Ana Gomes a um caso de corrupção, mesmo por herança, é demasiado apetecível para ficar na gaveta.

A TVI não esconde nenhum pormenor desta história e não deixa de ser interessante vermos documentos camarários assinados por Manuel Lage, um funcionário que foi acusado por mulheres agentes da Polícia Municipal de atitudes impróprias no relacionamento hierárquico com elas. Mas isso é outra história, claro.

Hoje, a Câmara de Sintra aceita que houve tratamento de favor no passado e manda demolir. Mas a penalização cai em cima de quem não teve nada a ver com o caso. Os alegados beneficiários do favor camarário já morreram, os autarcas alegadamente alheados do interesse público já lá não estão.

Este caso poderia ter sido denunciado pela própria Ana Gomes, não fossem as circunstâncias familiares que a colocam no olho do furacão. E é isso que torna a coisa tão apetecível. Do mesmo modo que antes houve alegadamente favorecimento, poderá agora haver perseguição.

Ana Gomes vai demolir a piscina, no cumprimento do despacho camarário. Depois, há um caminho jurídico a fazer para ser ressarcida dos prejuízos causados por compadrios alheios. Nessa eventualidade, os atuais responsáveis camarários já lá não estarão para pagar a conta.

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