SNS sem vasos comunicantes

Venho relatar um caso que se passa comigo. Na sequência de um internamento hospitalar, depois de vários exames realizados durante e após o internamento, descubro que esses dados clínicos ficam vedados ao conhecimento do meu médico de família. Ora, isto não faz qualquer sentido.

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O Serviço Nacional de Saúde é muito mais do que urgências hospitalares ou internamentos. Devia ser um circuito integrado, desde os cuidados de saúde primários até todos os outros níveis do atendimento hospitalar. Mas não é. Infelizmente, funciona mal.

Por exemplo, um cidadão que tenha ido a um hospital público fazer um exame pedido por um médico que ocasionalmente o atendeu numa consulta hospitalar, só consegue disponibilizar os resultados desse exame ao seu médico de família se cumprir um trâmite burocrático que o obriga a responder a um inquérito com perguntas como, por exemplo, o nome do clínico que elaborou o relatório do exame, o dia exacto da realização do exame, etc., questões que o hospital sabe sem precisar de perguntar a mais ninguém. Com a deliciosa nota de que a “informação solicitada será disponibilizada num prazo indicativo que vai até aos 60 dias”.

Num mundo cheio de computadores por todo o lado, em que sabemos ao minuto o que se passa no outro lado do mundo, o médico de família não tem acesso a um dado clínico do seu paciente. Porque ainda fazem dos computadores caderno de notas manuscritas.

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