Guiné-Bissau, igreja católica de Gabú vandalizada

Era de noite e arrombaram a porta. Entraram e partiram quase tudo. Na confusão que restou, não se sabe se desapareceu alguma coisa ou se a intenção dos assaltantes foi, apenas, destruir a igreja. A polícia investiga...

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Gabú é a principal cidade do Leste da Guiné-Bissau. A maioria da população é muçulmana ou animista. Os católicos são poucos por ali, como são poucos no resto do país. A pequena igreja católica não consegue rivalizar com as inúmeras mesquitas que existem em todos os bairros da cidade e em todas as aldeias nas imediações.

A Guiné-Bissau está numa linha de fronteira entre o mundo cristão e o muçulmano. Apesar disso, o jornalista Carlos Amadú Baldé disse-nos que ninguém acredita, ainda, que este assalto possa ser visto como um ataque aos católicos.

“Isso não, olhando para os antecedentes históricos de Gabú, aliás da Guiné-Bissau. Se for, será  um fenómeno novo e surpreendente. Em Gabú todos se cruzam, casam-se muçulmanos com  cristãos, todos comemoram as festas do Natal e do Ramadão ou Tabaski, sem problemas. É uma das riquezas da cultura guineense,” diz-nos Carlos Amadú Baldé.

Aliás, o relato deste jornalista garante que “já se vê a solidariedade das outras comunidades religiosas e das organizações da sociedade civil.”

Carlos Amadú Baldé acredita que tenha sido um ato de vandalismo, talvez uma tentativa de roubo. As questões de segurança são cada vez mais notórias em “todo o território nacional”, tem havido um aumento exponencial de “furtos, roubos, violações e espancamentos”, explica Carlos Amadú Baldé.

O jornalista Carlos Amadú Baldé

“É bom salientar que um ato como este, vandalizar um local de culto religioso, é inédito na Guiné-Bissau,” diz o jornalista. Por vezes, explica, noutros assaltos que ocorreram em locais semelhantes, a intenção foi ficar com “relógios de parede, bateria ou megafones, nunca, mas nunca vandalizar imagens sagradas”.

A possibilidade de se tratar de um ataque com motivações religiosas é “muito preocupante” e Carlos Amadú Baldé não quer acreditar nisso. Ele sabe bem o que tem acontecido noutras paragens de mundo, onde diferendos religiosos são alibi para a guerra. “Imagine isso num país de 2 milhões de habitantes, onde toda a gente se conhece”, diz-nos o jornalista.

Seria uma repetição do conflito de 1998/99, dizemos nós. Esperemos que nunca se repita na Guiné-Bissau.

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