QUAKE Museum? A Sério???

Eu sei que nos títulos não se põe pontuação. Eu sei as regras todas do Jornalismo. Mas parece-me que só assim se poderá aquilatar da minha indignação.

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Há tempos que se falava do Museu do Terramoto, que ia abrir em Lisboa. Coisas de antes da pandemia. Depois, foi tudo adiado, tal como as nossas vidas…

Num dia destes, li sobre um Quake Museum – Centro do Terramoto de Lisboa e tive muita dificuldade em ‘engolir’ esta denominação. Em inglês para quê? O Terramoto de 1755 faz parte da nossa História e, sobretudo, da de Lisboa. Uma vez que se trata de um museu interactivo, será que vão dizer que o Marquês de Pombal rebuild a capital? Ou também vão traduzir a famosa frase do Marquês de Alorna ao D. José: ‘Enterrem-se os mortos e tratem-se os vivos’?

Cristophe Clavé, um professor de gestão francês, escreveu sobre o QI médio da população mundial, dizendo que, em alguns aspectos, diminuiu nos últimos 20 anos. Apontando causas para a situação, Clavé adianta que ‘vários estudos mostram a diminuição do conhecimento lexical e o empobrecimento da linguagem: não é apenas a redução do vocabulário utilizado, mas também as subtilezas linguísticas que permitem elaborar e formular pensamentos complexos’.

Não me vou alongar no texto de Clavé, nem voltar ‘a bater no ceguinho’ dos erros que se dão em Português. Mas depois de ver textos ilegíveis para quem não fale inglês ou francês, cheios de talk show, replay no desporto, cliks, check-up, gay e bad boy, brainstorm, briefing e coffee break, entre muitos outros, fico muito zangada.

Todas estas palavras têm tradução no Português. A nossa é uma língua ‘muito rica’ e não precisa de ‘muletas’ ou estrangeirismos para se entender. Admito as excepções numa geração ligada a computadores e a uma linguagem universal que adoptaram. Mas são excepções e na estrita comunicação profissional. Fora isso, só posso implorar que leiam mais e procurem falar melhor.

Por isso, que os edifícios do Estado, e nomeadamente um museu dedicado a um acontecimento tão, mas tão português, tenham o nome em inglês, é, para mim, um verdadeiro insulto.

Não é a primeira vez que me insurjo. Detentora que sou de carteira profissional de Jornalista há mais de 40 anos, fiquei indignada quando criaram o NewsMuseum em Sintra. Tão indignada que nunca pus lá os pés.

Quanto ao Quake Museum, logo se verá!

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