Quatro paredes caiadas, um cheirinho a alecrim

0
148

O mercado imobiliário de luxo vai previsivelmente sofrer uma quebra, com a entrada em vigor das novas regras para obtenção de vistos gold.

A atribuição da residência para investimento em Portugal é uma espécie de negócio promovido pelo Estado que, a troco de um investimento, concede autorização de residência ao cidadão, independentemente da sua proveniência. Houve tempos em que essa via foi muito utilizada por angolanos e brasileiros, tem sido agora mais utilizada por chineses e russos, mas também por norte-americanos e turcos. Enfim, por todos aqueles que tenham dinheiro suficiente para comprar um imóvel a partir de 500 mil euros. A pronto pagamento.

As novas regras vêm colocar um entrave neste negócio. Até aqui, a quase totalidade das aquisições de imóveis centraram-se nas zonas de Lisboa, Porto e Algarve. Agora, a lei proíbe a obtenção de visto gold através da compra de propriedade residencial nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e na maioria das regiões do litoral.

Claro que a maioria das compras não visava a obtenção de quaisquer mais-valias. O interesse era, quase sempre, a obtenção da autorização de residência. O imóvel adquirido ficou, muitas vezes, vazio e sem qualquer utilização. É um acessório. De modo que talvez não seja muito importante a localização da “residência”.

O programa Atribuição de Residência para Investimento foi criado em 2012 para captar investimento estrangeiro para Portugal. Desde então, de acordo com o SEF, foram captados 5.934 milhões de euros, a maioria através da compra de imóveis, num total de 9.875 vistos. Em 2020, mesmo em ano de pandemia, os vistos gold captaram 370 milhões de euros de investimento internacional.

Tem sido um bom negócio para construtores e mediadores imobiliários.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here