Marcelo, a pandemia e os egoístas

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No primeiro dia do ano, Portugal registou  23.290 novas infeções com o coronavírus SARS-CoV-2 e 21 mortes associadas à covid-19.

Nos hospitais, a situação está ainda controlada, embora seja previsível que o stress vai aumentar bastante nas próximas semanas. Hoje, internados estão 1.023 doentes, menos um do que na sexta-feira, 142 dos quais em unidades de cuidados intensivos (menos três nas últimas 24 horas).

Das 21 mortes, sete ocorreram na região Norte, seis no Centro, quatro em Lisboa e Vale do Tejo, uma no Alentejo, uma no Algarve, uma na Madeira e uma nos Açores.

Hoje ainda, há notícia de se terem realizado cerca de 400 mil testes em 24 horas e que cerca de 9% tiveram resultado positivo. Isto significa que amanhã o número de novos casos registados no boletim da Direção Geral de Saúde irá ultrapassar largamente os 30 mil. Veremos se assim é.

E assim rezou Marcelo

No discurso de Ano Novo do Presidente da República, a pandemia esteve em destaque, como seria natural. Marcelo Rebelo de Sousa apelou ao bom senso e disse que “janeiro a março será o tempo crucial para que o inverno ajude a fechar um capítulo da nossa história, e converta preocupações e aflições em esperanças e confianças”, numa profissão de fé de que a pandemia será derrotada neste espaço de tempo. O Presidente parece esquecer que a pandemia não é um problema nacional, o vírus não conhece fronteiras e que nada depende apenas do comportamento social dos portugueses.

Marcelo proferiu um discurso de bom cristão, o próprio Papa não teria dito coisas muito diferentes sobre a necessidade de solidariedade e de apoio aos “mais sacrificados pela pandemia, pelo desemprego, pela insolvência pela paragem da vida”, mas a verdade é que vivemos numa sociedade tendencialmente egoísta e persecutória. Os portugueses praticam esparsamente a caridadezinha e quase nunca a solidariedade ativa.

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