Desconfinar para votar

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O que amanhã vai ser discutido no Ministério da Administração Interna é aquilo a que se chama vulgarmente “discussão de lana caprina”. Faz parte do jogo de sombras da política, uma falsa questão que apenas ganhou relevo porque algum agente político considerou que o tema daria para argumentar na campanha eleitoral. Atrás de um vieram os outros, e o alarido fez o resto.

Assim, durante todo o dia, a ministra Francisca van Dunen vai receber os partidos políticos para ouvir, de viva voz, o que eles preconizam para o dia das eleições, de modo a tornar possível o voto de pessoas que estejam confinadas. É um tema delirante, num país a braços com uma nova vaga pandémica e que, mesmo sem pandemia, há muito tempo que deixou de ter percentagens elevadas de votantes.

Segundo um comunicado do Ministério da Administração Interna, na manhã de segunda-feira Francisca van Dunem tem previstos encontros de meia hora a partir das 10:00, começando com a Iniciativa Liberal, seguida do Chega, Verdes, PAN e CDS. À tarde, estão previstos encontros com uma hora de duração, começando às 15:00 com o PCP, seguido do Bloco de Esquerda, PSD e PS.

No boletim epidemiológico de hoje, Portugal regista mais 61 pessoas internadas com covid-19, num total de 1.449, e 26.419 novos casos de infeção e 22 mortes. Teme-se que estes números possam subir e que obriguem ao confinamento de centenas de milhar de pessoas. Têm sido as medidas de contenção a conseguir evitar uma desgraça generalizada, ao nível de contágios, internamentos hospitalares e mortes. Fazer do ato eleitoral uma exceção pode ser um risco.

Quebrar o confinamento parece ser a intenção dos partidos da direita que levantaram esta questão. Apesar de ser uma ideia peregrina, ninguém quer ficar com o ónus da maior abstenção de sempre em eleições legislativas. Mas se a apatia eleitoral não se alterar, nada impedirá que a abstenção seja elevada.

Nas eleições legislativas de 2019, votaram menos de metade dos eleitores inscritos: 48.57%. Em 2015, votaram 55,86% dos eleitores. Um pouco mais de metade. Nas eleições de 2011, votaram 58,07%. Em 2009, votaram 59,74%. Ou seja, tem vindo sempre a descer a percentagem de votantes, não será por se quebrar o confinamento que as pessoas se vão por a caminho da assembleia de voto.

Claro que estes problemas não se colocariam se houvesse alguma possibilidade de votar à distância, pela net. Hoje já quase tudo se faz online, menos votar.

Fontes: Lusa e Eleições – Resultados dos Escrutínios Provisórios (mai.gov.pt)

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