Valores do imobiliário estabilizam em novembro

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O mercado imobiliário tem registado valores recorde ao longo dos últimos anos. Se a pandemia afetou o desempenho de inúmeras áreas de atividade a nível global, por cá, este foi um segmento que continuou a pautar-se por números impressionantes.

Fruto da capacidade de adaptação ímpar dos seus profissionais e movida pelo interesse financeiro nacional e estrangeiro, é ainda incerto considerar se já assistimos aos valores máximos transacionados.

Vamos olhar em maior detalhe para o desempenho do último ano, da prestação destes últimos meses e refletir acerca do futuro do setor imobiliário em Portugal.

Valores estabilizam

Tal como indicado anteriormente, os valores no mercado de venda estabilizaram em novembro deste ano. Atualmente, a média nacional situa-se nos 367.543€. Este montante é praticamente semelhante aos 368.011€ de outubro.

Montantes estes que impressionam qualquer um, nomeadamente por em muito refletirem o impacto do mercado de luxo no setor. Distritos como Lisboa, Faro, Região Autónoma da Madeira e Porto contribuem para este peso díspar na balança.

Consulte de seguida os preços médios de venda nestes quatro distritos:

  • Lisboa com 576.305€
  • Faro com 504.285€
  • Região Autónoma da Madeira regista 379.992€
  • Porto regista 333.640€

Em todos estes, registou-se um considerável aumento ao longo do último ano. Lisboa com 5,9% e Faro com impressionantes 10,5%. Porém, foi na Madeira que os valores mais subiram entre os distritos mais caros, com um aumento de 17,3%. Por fim, o Porto registou valores 7,5% superiores a novembro de 2020.

As diferentes realidades de Portugal

Apesar de o seu território ser relativamente pequeno, as diferenças são acentuadas e estendem-se também aos valores praticados no imobiliário.

Quem desejar comprar casa na Guarda encontra os valores médios mais económicos do país. Atualmente situam-se nos 112.969€, apenas 1,6% mais que no mês anterior. Porém, o distrito regista atualmente um valor -1,5% inferior ao de novembro de 2020, caso único no país ao longo do último ano.

Seguem-se Castelo Branco com 125.358€, Portalegre com 131.756€, Beja com 147.644€, ou Santarém com 171.035€. Em todos estes distritos, os valores aumentaram ao longo do último ano em proporções que vão dos 1,8% aos 11,2%.

O mercado imobiliário que queremos

É notório que a vida nos grandes centros urbanos do país está cada vez mais dispendiosa. Aos elevados valores de venda juntam-se arrendamentos dispendiosos. Lisboa regista em média 1295€, um contraste incomparável com a Guarda e os seus 491€.

À medida que as cidades vão ficando despojadas dos seus habitantes tradicionais e substituídas pelo imobiliário de luxo ou de natureza turística, quem procura casa encontra-se numa encruzilhada. Este é, aliás, um momento de enorme complexidade para quem procura habitação.

Aos elevados preços no mercado junta-se alguma escassez de imóveis um pouco por todo o país, o que coloca ainda mais pressão sobre os preços. Resultado da pandemia, os materiais de construção atingem valores recorde, resultando em novas casas ainda mais dispendiosas.

A equação é de solução complexa. Num mercado onde a procura assenta essencialmente na perspetiva da valorização dos imóveis, apenas ganha o investidor. Na sua génese, a habitação deve ser acessível e não um fardo incomportável para milhares de famílias.

Tudo no mercado continua, porém, a suportar a aquisição. O crédito barato abunda, par a par com perspetivas positivas relativas à economia global. Nesta conjuntura, o apelo de comprar uma casa mesmo que em valores inflacionados continua a atrair compradores. Resta-nos esperar para descobrir até quando.

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