Morar na Alta de Lisboa não sai barato

Rendas de casa na ordem dos 300 € não podem ser consideradas caras mas tamb~em não são propriamente rendas de habitação social. Quem viva de salário mínimo nacional e tenha alguém a seu cargo (filho ou conjuge desempregado, por exemplo), não conseguirá pagar uma renda de 300 € e continuar a comer.

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O Bairro da Cruz Vermelha vai ser demolido. Trata-se de um bairro social, as pessoas que ali vivem são, maioritariamente, trabalhadores não qualificados e que recebem salários muito baixos ou estão desempregadas. A Câmara Municipal de Lisboa vai realojar a maioria dos residentes no antigo quartel de Santa Clara, instalações que foram da GNR e agora estão devolutas.

Trata-se de um realojamento temporário, uma vez que há a intenção de entregar a estes lisboetas apartamentos novos construídos pela CML na Alta de Lisboa. Mas estes novos apartamentos trazem novos problemas às cerca de 300 pessoas que vivem hoje no bairro da Cruz Vermelha.

A empresa que gere o parque habitacional da autarquia lisboa, Gebalis, informou estas pessoas que as rendas vão aumentar. Muitos dos residentes já fizeram saber que não aguentam pagar rendas a rondar os 300 € mensais. As reclamações mais veementes vêm de famílias monoparentais, de reformados e, evidentemente, dos que estão desempregados.

Na maioria dos casos, as atuais rendam não ultrapassam os 100 € mensais. Uma subida de 200% significaria para muitas destas pessoas terem de deixar de comer ou de comprar medicamentos na farmácia. A terceira alternativa será deixarem de pagar renda de todo. Se a CML não acautelar esta questão, vamos ter mais um problema social a agudizar-se em Lisboa.

Além desta questão das rendas, os moradores da Cruz Vermelha dizem que os novos apartamentos estão equipados com placas de indução, em vez dos tradicionais fogões a gaz. Esta modernice vai obrigar as pessoas a trocar tachos e panelas, e os utensílios próprios para placas de indução são bastante caros. Outra reclamação diz respeito às dimensões das divisões das novas casas, mais pequenas que nas casas atuais. Muitos moradores dizem que os móveis que têm não vão caber nas novas casas. Ou os serram ao meio ou os deitam no lixo e compram novos. Morar em sítios finos tem destas coisas. A Alta de Lisboa não é para qualquer um.

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