A inclusão dá trabalho e… satisfação!

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Quis frequentar uma aula de uma atividade física. Mas não fui admitida. Não podia usar sapatos, só aquelas meias antiderrapantes. Disse que desinfetaria os sapatos antes de entrar. Essa solução não foi aceite. Não por excesso de zelo anticovid, já que sou a única a usar máscara, a querer manter a distância e a não querer tocar nas mãos dos outros. E há pessoas que fazem outras aulas com os sapatos com que andam na rua, sem os desinfetar. Mas se tiro os sapatos, as dores nas plantas dos pés são insuportáveis e perco o equilíbrio facilmente.

Senti-me triste e frustrada. Afinal, se quero ser compreendida e aceite, tenho de assumir as minhas limitações e explicá-las. E logo eu que preferia esquecê-las! Só queria ir aquela aula! 

Mas a inclusão implica explicação, aceitação, decisão, é uma provação e dá um trabalhão!

Bem, mas já sei como conseguir ultrapassar todas estas exigências acrescidas! 

É a primeira vez que farei atividade física com uma placa de metal acima do tornozelo e seis parafusos, que me dão limitações de equilíbrio e de mobilidade. Explorarei esta outra dimensão – a da limitação, e a da superação da frustração e da inclusão! Relatarei durante os momentos de partilha da aula os novos desafios que estas me colocam, como os supero, incluindo… como sinto o chão através dos meus sapatos! Fá-lo-ei também por escrito e assim a professora terá a minha participação como uma mais-valia para apresentar à sua orientadora. É uma realidade diferente que obriga a uma experiência nova, a da inclusão que é a solução!

Ou seja, mais um desafio, e desta feita aos setenta anos! Queixar-me? Prefiro desafiar-me e dinamizar-me! Fazem-me sentir bem e é mais divertido. Afinal, rir é gratuito e isento de impostos! Que mais é que quero!?! 

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