O que empobrece o jornalismo

Há cada vez mais pessoas a gabarem-se de não ler jornais. E de não verem televisão. O jornalismo português está assim mais pobre, porque tem menos leitores. E fica menos independente, porque não tem suporte económico. Ao todo, os canais de televisão já não chegam aos 40 por cento de audiência.

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É o prenúncio do início de uma má Democracia, que ficará alicerçada num Facebook e num Instagram.

Há uns anos, um médico disse que já era jornalista porque escrevia num blogue. Um jornalista respondeu que já era médico dentista, porque arrancava os dentes de leite aos filhos.

Mas às vezes alguns jornalistas fazem perguntas anedóticas, disseram-me. E acontece porque existe um jornalismo de precaução. Disso já se queixava Armando Batista-Bastos.

Sem leitores e sem espectadores não há dinheiro para pagar ao advogado de defesa, quando os poderosos avançam com processos. E assim, as tais perguntas crescem porque os diretores e editores não querem  ter problemas.  Preferem as fugas do segredo de justiça.

O diário mais vendido em Portugal não ultrapassará os 70 mil exemplares. Retirada a margem de 50% da distribuição, mais custos de papel, impressão e instalações, sobra pouco para pagar aos jornalistas. Ouvi dizer que já existem jornalistas a receber  ao click nos jornais on-line.

A questão da Liberdade de Imprensa que afecta a qualidade do jornalismo não é de agora.  A questão estará no nosso ADN. Aqui ao lado, nas Espanhas, há muitas cidades com jornais diários pujantes. Basta ir ao sapo jornais e ver as capas. E nenhum necessita de ter página com títulos garrafais, porque por lá entende-se melhor a importância do jornalismo na vivência da Democracia.

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