“Conversas em Família”, os políticos e a televisão

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A razão dos políticos gostarem muito de aparecer na televisão é a popularidade que isso lhes dá. Eles sabem que as pessoas votam em quem conhecem, em quem julgam conhecer. Através da televisão eles entram em casa das pessoas e isso cria uma sensação de proximidade.

As “Conversas em Família” de Marcelo Caetano não tinham outra finalidade. Depois da revolução de abril de 1974, a simbiose entre políticos e canais de televisão passou a ter maior expressão. Com eleições frequentes e variadíssimos partidos políticos concorrentes, passou a ser evidente que quem aparecia mais na pantalha tinha mais votos.

Os políticos passaram a viver nos estúdios de televisão. Um deles chegou à Presidência da República. E depois tivemos o caso de José Sócrates, que não passava de um tipo atrevido até se ter tornado popular nos debates com Pedro Santana Lopes, primeiro na RTP e depois na SIC. O caso mais recente é o de André Ventura, que antes da televisão era um obscuro militante do PSD. E é assim que Marques Mendes, Paulo Portas, Ana Catarina Mendes, Lobo Xavier, João Galamba, Augusto Santos Silva e dezenas de outros já passaram pelas televisões, ou ainda por lá permanecem, na tentativa de virem a ser mais do que são.

Para além da projeção pessoal que o pequeno ecrã lhes dá, a atividade é lucrativa. Marcelo Rebelo de Sousa, antes de ser Presidente era líder nas audiências e confirmou a um jornal receber dez mil euros por mês pelo seu comentário semanal na TVI. Há dois anos, Marques Mendes recebia na SIC cerca de 7.500 euros brutos por mês. Paulo Portas ganhava 7.200 € na TVI. Em 2017, Fernando Medina declarou 40.680 euros só de rendimentos nos comentários que fazia na TVI e numa coluna que tinha no Correio da Manhã. Uma escadinha para o poder e dinheiro no bolso.

O problema disto é que a tal proximidade com o público da pantalha faz com que as pessoas sintam simpatia pelo que dizem, mesmo quando dizem coisas sem sentido, como é o caso nestas autárquicas com as candidaturas de Nuno Graciano e Suzana Garcia, que decidiram fazer uma incursão na política a partir da atividade que têm ou tiveram como apresentadores ou participantes em programas de televisão.

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