Abstencionismo é o funeral da Democracia

Podemos não saber em quem votar, mas certamente sabemos em quem não queremos votar. Basta então votar contra esses.

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Uma das razões para a abstenção ser muito elevada é a chamada “abstenção técnica” provocada por pessoas que, entretanto, emigraram ou morreram mas continuam “vivos” e a constar nos cadernos eleitorais. Serão cerca de 1 milhão, segundo dados revelados por especialistas em recenseamento e estatística. A maioria desses eleitores fantasma serão emigrantes.

Nestas eleições autárquicas, o total de inscritos nos cadernos eleitorais era de 9.319.551 eleitores. Votaram apenas 5.000.132 pessoas. A abstenção situou-se, em média, à volta dos 46%. Mas em alguns municípios foi bem superior.

Se eliminassem os que emigraram e os que morreram, aceitando que esse número ronde 1 milhão de pessoas é verdadeiro (os portugueses emigram muito), teriamos uma abstenção a rondar os 40%. O que seria menos mau.

Mas isto não ilude a realidade. Boa parte dos portugueses não votam. Estranhamente não votam, mesmo quando a oferta partidária aumenta. Os novos partidos não conseguiram atenuar a abstenção, acabam por andar a roubar eleitores uns aos outros, dentro daquele universo de pessoas que votam sempre.

Na opinião de alguns politólogos da nossa praça, as eleições não deveriam estar apenas confinadas ao dia em que se pode ir depositar o voto na urna. Deveria ser possível votar por antecipação, por correspondência e até eletrónicamente. Facilitar o voto. Nas últimas eleições presidenciais foi possível votar por antecipação. Deveria ter servido de ensaio para eleições futuras, independentemente de haver pandemias.

Lisboa teve mais de 49% de abstenção. Na Amadora, 57% das pessoas não foram votar. Em Oeiras, a abstenção ficou um pouco acima dos 48%. Cascais, 55,45% ficaram em casa. Sintra foi uma vergonha, com 59,88% de abstencionistas.

Estamos quase a chegar aos 50 anos de vida democrática e haver abstenções de 50%, 60% ou mais é algo que deveria envergonhar a classe política. E se nada resultar, então que se torne obrigatório ir votar. As pessoas podem votar branco ou nulo, ou escolher um qualquer candidato. Mas têm de ir votar. Ou então que emigrem para a Bielorrúsia, onde até preferem que as pessoas não se incomodem com estas coisas.

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