Ele perdeu toda a família

Francis tem 43 anos, é chef de cozinha em Cardiff, no País de Gales, onde vive desde 2015 quando toda a família saiu da África do Sul. Em 2016 os pais e o irmão voltaram definitivamente para Portugal e Francis ficou em Cardiff.

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A história vem contada na edição online da BBC News, mas também noutros media britânicos. Na verdade tudo começou no Facebook, quando Francis Gonçalves contou as circunstâncias em que morreram os pais e um irmão, em Lisboa.

Segundo o relato de Francis, a família tinha recusado a vacina anti-covid “por medo”, assustados pela “desinformação” e mal aconselhados por amigos mais próximos. O pai de Francis, Basílio Gonçalves, tinha 73 anos. A mãe, Charmagne, 65 anos. O irmão mais novo, Saúl, tinha 40 anos. Nenhum deles estava vacinado quando os três ficaram infetados, na sequência de um jantar em que todos estiveram sentados à mesma mesa. A origem da contaminação não foi determinada.

os pais de Francis

No dia 10 de junho surgiram os primeiros sintomas, o pai de Francis foi o primeiro a ser hospitalizado, alguns dias depois, a 14 de julho. Depois foi a mãe e três dias depois foi a vez do irmão ser internado. O primeiro a morrer foi o mais novo, Saul, no dia 18. Esteve apenas 24 horas hospitalizado. Em 20 de julho, Francis foi informado pelo hospital de que o pai morrera e repetiu-se a notícia sobre a mãe, a 24 de julho. Numa semana, a família dele foi eliminada pelo covid-19.

Francis com o irmão Saul

Uma semana depois, em 1 de agosto, os três foram enterrados no cemitério do Alto de São João, em Lisboa.

Francis decidiu contar esta história porque espera que a partilha da dor, embora “extremamente difícil”, contribua para encorajar outros a se vacinarem, principalmente aqueles que, como a sua família, têm medo das vacinas.

O jornal Guardian cita Francis a afirmar que “eles foram apanhados no meio de muita propaganda anti-vacinação”, como quem aponta o dedo aos negacionistas responsabilizando-os pela morte dos familiares.

Francis Gonçalves não perdeu apenas familiares. Diz ele que o pai “era capaz de calçar sapatos rotos para poder oferecer alguma coisa aos filhos”, que a mãe “amava o pai e era amada por ele e que fazia tudo pela família” e que o irmão “era o meu melhor amigo”.

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