Livros e batatas

Parecia uma boa ideia ter milhares de livros em supermercados. Mas afinal é um desastre. Ninguém lê, porque estamos todos hiperactivos. Candidatos a AVCs e a Infartos. E os livros têm o reconhecimento de meras batatas. Tal como aconteceu em Inglaterra.

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Ouvi Saramago dizer que a leitura foi sempre coisa de poucos. Quem tinha dinheiro não lia, porque não faltavam coisas para fazer. E a maioria, com pouco dinheiro, ia pelo mesmo caminho porque tinha de fazer muito para viver.

Vasco Teixeira, patrão da Porto-Editora, disse-me que um escritor de muito sucesso em Portugal anda na casa dos 70 mil de tiragem. O que equivale a 500 mil em Espanha e a 2 milhões nos EUA. Quer dizer, os países mais pobres, periféricos e baralhados leem menos. Mas a leitura é essencial ao foco, à reflexão e à qualidade de vida.

Vender livros num supermercado é banalizar o livro. Tratá-lo como batatas. Se não existisse em Portugal a “política do preço fixo”, os livros seriam dados como cromos. Eram ainda mais desconsiderados e as poucas livrarias fechavam.

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