Das notícias e das “dicas”

Certa imprensa portuguesa vive à boleia dos interesses de magistrados. O caso Benfica-Vieira está a mostrar à evidência esse facto, mais uma vez. As grandes investigações jornalísticas parecem ser apenas fugas dos processos em investigação. Têm pouco mérito e conduzem à morte dos jornais.

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Alguns jornalistas até já escrevem abertamente quem lhes dá as informações para as manchetes diárias. Veja bem este recorte de jornal:

Há mal? Há! Os favores dos jornalistas hão de sair caros, para poderem manter o fluxo de notícias bombásticas. A promiscuidade entre as magistraturas e o jornalismo augura o fim próximo dos jornais. 

Os jornalistas misturam-se com os acontecimentos. Um jornalista deve investigar e relatar. Pode até opinar. Mas não pode ser o correio de ninguém. Seja de quem for. Deve trabalhar por dever e convicção, não para fazer fretes e deste modo subir às editorias e direções. 

Se assim for, os leitores sentem orgulho em comprar o jornal e os anunciantes em anunciar. Porque sabem que esses jornais não são a “Dica” Lidl, que tirava centenas de milhar de exemplares para vender salsichas, legumes ou carnes com uns textos na capa .

Eu sei que o “Watergate” começou com uma “garganta funda”, mas não foi com fugas programadas de magistrados judiciais. O Washington Post sempre viveu do crédito dos seus leitores. Tem sido independente. 

Por cá, os portugueses dizem mal da Justiça e naturalmente deixam de ler os poucos jornais que ainda não faliram, mas para lá caminham.

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