Os bufos jogadores de mikado

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O que se passou com os ativistas russos anti-Putin evidenciou várias práticas que são exemplo da pouca vergonha em que vivemos.

A recolha de dados sobre promotores de manifestações e o envio dessa informação (denúncia…) a entidades estrangeiras, sejam embaixadas ou outras, é uma prática miserável e indigna. Revela o desprezo dos políticos de topo pelo ativismo de base. Quando lhes dá jeito ensaiam as habituais palmadinhas nas costas com que julgam que recompensam os serviços prestados, mas vemos agora que não sofrem de nenhum prurido no exercício da bufaria. Tudo depende do que colocam em cada prato da balança.

Inquéritos foram abertos e juras de arrependimento foram feitas, mas sabemos que não será possível encontrar o culpado ou culpados pelo ato. Neste caso, como noutros, há uma lei que permite este tipo de atuações. A legislação que regula a realização de manifestações que está em vigor foi aprovada em 2011 pelo Governo liderado por Passos Coelho. Qual dos críticos de Medina quer pendurar Passos Coelho num candeeiro da Avenida da Liberdade?

Estamos a assistir a mais um joguinho entre clubes da política caseira. Afinal, a culpa é de Passos Coelho e o executor da denúncia teria sido, segundo foi erradamente publicado por um jornal de referência, um discreto militante do CDS, Alberto Laplaine Guimarães, secretário-geral da autarquia lisboeta.

O senhor Laplaine é mais um daqueles boys partidários que tem feito a vida sossegadamente à conta de fidelidades político-partidárias. Tem tido a habilidade de navegar entre o CDS e o PS, quase sem se dar por ele. Foi um apagado assessor do Presidente da República Jorge Sampaio e chegou à CML na sequência desse brilhante desempenho. Sabemos bem como um assessor fiel nunca fica desempregado.

A CML está carregada desse tipo de gente, uns mais competentes que outros, todos boys partidários, jogadores mais ou menos habilidosos de mikado. Fernando Medina que se cuide. Por mais boys socialistas que o rodeiem, não deixa de estar rodeado de inimigos políticos.

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