Lisboa, cidade muito cara

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Lisboa está transformada numa cidade para ricos e negócios “esquisitos”. Para ricos porque só eles poderão pagar o m2 a 10 mil € e negócios “esquisitos” porque aos preços a que as lojas e escritórios estão a ser anunciados não se percebe que tipo de negócio pode aguentar tamanhos encargos.

Quanto ao imobiliário para habitação, a notícia agora veiculada diz que “os bairros do Chiado, Santo António, Misericórdia e Estrela são ‘os mais caros’ de Lisboa, segundo dados de 2020 da imobiliária Engel & Völkers (que também vende iates de luxo), apresentando um preço médio dos imóveis em torno dos 900 mil euros”. Ou seja, quase 1 milhão para viver em bairros sem estacionamento automóvel na rua, mas com o tipicismo de ir à mercearia comprar os frescos.

Quanto ao imobiliário para serviços e comércio, fomos ver o caso de uma loja para arrendar na zona do Chiado, num prédio muito antigo. Cá fora, o típico é não haver estacionamento, o que para um negócio é um entrave ao sucesso. Dentro da loja, neste caso, o r/c e o 1º piso de pé direito alto possibilitaram um piso intermédio, o que soma um total de 432 m2 , área que faz dos 5.500 € de renda uma espécie de bagatela, uma pechincha. Mas qual o negócio de porta aberta que aguenta um encargo destes? Talvez um atelier de arquitetura… ou uma empresa de import/export.

Mas trata-se de uma loja espetacular. Vejam as fotografias que a agência de imobiliário exibe na internet. Madeiras antigas, chão de soalho ou mármore, paredes de tijolo antigo. Um luxo de bom gosto.

Na fachada, uma nota de degradação. O varandim secular está apodrecido e, um dia destes, vai cair em cima de algum transeunte. Se o desmontarem, o prédio perde uma marca característica e única.

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