Câmara de Sintra não sabe se Edifício Impala tem as licenças para funcionar

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A meio da manhã publicaram nas redes sociais que “É hoje a grande abertura do melhor espaço de entretenimento localizado em Sintra!!!”, mas depois não disseram mais nada. Nada sobre os preparativos da festa. Nada sobre os convidados. Nada sobre a alegria da festa. Nenhuma declaração do patrão a vangloriar-se da festa. Chegou a meia-noite e nada mais foi dito.

Gente que acompanha de perto e por dentro as novidades empresariais do pequeno mundo de Jacques Rodrigues garantem que a festa já tinha sido adiada porque coincidia com um jogo da seleção nacional de futebol. Ora, o senhor Rodrigues sabe bem que nada pode contra o senhor Cristiano. E a festa terá sido adiada por causa disso.

No Instagram e Facebook, em páginas acabadas de surgir, a chamada Impala Entertainment anuncia um restaurante, o minigolfe e uma exposição de Lego (mas com outro nome).

Com festa ou sem ela, a verdade é que o evento e os novos negócios no Edifício Impala foram tema de discussão na reunião de Câmara do dia 22. Vereadores da oposição a Basílio Horta quiseram saber se a Câmara Municipal tinha licenciado o Edifício Impala para novas atividades. Basílio mostrou-se surpreendido. Jurou nada saber sobre o que se passava e prometeu que iria informar-se. A questão prende-se com a eventualidade de não haver licença camarária para as atividades que passaram a ter lugar no edifício. Há uma licença para escritórios. Uma licença que não permite utilização pública, como será o caso de um minigolfe. E que também não serve para restauração. Além das licenças camarárias, tem de haver igualmente projetos aprovados em relação à segurança de um edifício onde se pretende levar muitas centenas de visitantes em simultâneo. Aquilo passou a ser “um local de espetáculos e eventos” como se pode ler na publicidade dos próprios.

Já em 14 de setembro de 2020, citando a Lusa, o jornal online Observador escrevia que a Impala estava a transformar o edifício sede, em Ranholas, Sintra, “com o objetivo de o rentabilizar. “

E assim foi. Desligaram os computadores e levaram as mesas e cadeiras, derrubaram paredes e arrancaram as calhas técnicas, enviaram alguns trabalhadores para casa e despediram outros. O patrão mandou dizer que o teletrabalho seria adotado em definitivo. E em cima dos destroços fizeram um minigolfe.

Rezam as crónicas que a Impala (aka DescobrirPress) acumula um passivo que já deve ultrapassar os 50 milhões de euros. Da lista de mais de 300 credores da empresa, fazem parte a Segurança Social, o fisco e mais de 200 ex-trabalhadores (em muitos casos, pessoas que foram despedidas e que não receberam as indemnizações estipuladas pela Lei).

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