Moçambique, a falta que Dhlakama faz

As chacinas no norte de Moçambique são da culpa da Frelimo que está no poder há 46 anos. Com a bênção da África do Sul desde 1986. A Frelimo não administra o país de forma uniforme. E Portugal vai agora envolver-se, de forma directa, num vespeiro de negócios internacionais, anunciou o ministro Augusto Santos Silva

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A martirizada vila de Palma fica a uma dezena de quilómetros da foz do rio Rovuma, a fronteira física com a Tanzânia. A mais de três mil quilómetros de Maputo. Foi na Tanzânia, em Dar-es-Salam, que nasceu a Frelimo, resultante da união de três movimentos de libertação, mas com base regionalista.

Os principais ataques às tropas coloniais portuguesas vieram dessa fronteira. Mas o governo moçambicano anda a acenar com um estado islâmico, como se as armas caíssem do céu. A zona está empestada de gás natural. E esse é um grande problema.

O imaginado território do tal micro estado islâmico é parte das vastas terras dos Macuas, maioritários no norte de Moçambique e no sul da Tanzânia. Professam um monoteísmo com mistura animista.

Há vários anos, estive quatros meses na base Maringué com Afonso Dhlakama, líder da Renamo, rodeado por uns  velhos teimosos da Mozambique African National Union, MANU. Pouco antes dos Acordos de Paz. Mas a maior ambição política era fundar um novo país, partindo Moçambique ao meio. 

Rombézia propunha Dhlakama. Macua, dizia outro. Zambézia teimava o senhor Favor. Havia mais nomes.

O senhor Favor era um ex-guerrilheiro maoísta, desencantado com os “Samoras” da Frelimo. Dizia ele, que se tinham acoitado em Maputo, para fazer os recados aos racistas do Apartheid. Nessa altura já uma generosa senhora fornecia fatos vistosos a Dhlkama, para o integrar no movimento internacional da direita. Um erro, disse-lhe eu. Na foto estou pronto para seguir para Nampula, ao encontro do coronel Leão. Por detrás vêm-se guerrilheiros descalços. Dhlakama está embrulhado naquele fato.

Afonso Dhakama acabou por ter um fim semelhante a Savimbi. Julgavam que já não servia no contexto internacional.

Os povos do norte ficaram sem o seu velho. Depois o governo deu a exploração das reservas de gás da zona de Palma aos franceses. Os britânicos não gostaram. Afinal Moçambique é membro da Commonwealth -Comunidade Britânica. 

E é aqui que chegámos! Para infelicidade do povo Macua. O Dhlakama foi morto, como um Viriato. E os povos do norte necessitam de outro velho que os defenda da falta de bom senso e da ganância dos empresários de Maputo. Não vejo como entram os portugueses agora nesta história manhosa.

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