Lisboa, chão de mouros

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Francisco Martinho

Não é por ter nascido na Mouraria que gosto do bairro. Gosto de outros sítios igualmente. Curiosamente, há semelhanças entre todos eles. Do mesmo modo como gosto da Mouraria, gosto da Ilha de Moçambique ou de Bissau Velho, gosto de Zanzibar e de Mombaça, gosto de Salvador da Bahia e de Bolama. Gosto de muitos outros sítios que também tenham chão antigo, ruas estreitas, paredes brancas, portas pesadas, cheiros e sons que não se dissipam no vento.

A Mouraria tem tudo isso e mais um pouco. Tem a memória gravada nas paredes das casas. Pelas ruas do bairro descobrimos essa memória, as caras dessa gente que lá viveu ou que por ali se encantou.

Amália Rodrigues

Não é só para inglês ver que o bairro exibe a galeria dos mais famosos fadistas de Lisboa. É porque vive sinceramente a herança por eles deixada. E nem todos são fadistas, porque a Mouraria ama todos os que a amaram.

Vítor da Costa Pereira, fundador do Grupo Desportivo da Mouraria

Quando António Costa, autarca, foi à rua do Capelão inaugurar esta galeria ao ar livre provou que a portugalidade não depende da cor da pele, até porque a maioria dos portugueses tem mais melanina do que julga. Os velhos moradores da Mouraria sabem-no perfeitamente e não é por o barbeiro do bairro ter vindo do Bangladesh que deixam de lá ir cortar o cabelo e fazer a barba.

o barbeiro da Mouraria

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