Inês, engenheira, professora de Tango

A vida de bailarina de Inês Gomes é uma bela história na comunidade que dança tango em Portugal. Foi engenheira de projectos mas abandonou a profissão para se dedicar ao Tango. É bailarina profissional e professora. Já lá vão dez anos.

0
516

Inês Gomes deixou o estirador e os cálculos de engenharia, porque a magia do Tango falava mais alto.

É difícil viver das artes e a pandemia piorou tudo, ainda mais. Mesmo assim, Inês Gomes tem continuado a dar aulas individuais, com todos os cuidados, na sua escola Entre Dos.

Nas aulas, Inês Gomes explica a importância do caminhar. É a construção de uma história de vida, diz, em três minutos de música, repetidos quatro vezes. As quatro danças são uma tanda. Depois é aconselhado trocar de par.

O Tango é uma dança social com grande intimidade. Antes do abraço, a mulher “mira” a sala e os homens fazem o “cabeceo”. A mulher cortejada dá um discreto sim. Caso contrário, o homem não avança e disfarça. A boa apresentação conta e dança mais vezes, quem melhor dançar. Durante a dança não se fala.

O Tango nasceu na Argentina para pôr fim à solidão e estabelecer contacto físico entre pessoas. Portugal tem um dos mais consagrados festivais internacionais do mundo.   Em 2019, o Festival Internacional de Tango de Lisboa reuniu mil tangueiros na Voz do Operário, 800 eram estrangeiros.

Nos tempos de hoje, o Tango estimula o convívio, combate a solidão e cultiva o gosto pela arte. Quando terminarem as restrições pandémicas, Inês voltará a abrir as portas da Entre Dos às aulas de grupo e às milongas.

E a engenharia? – insistimos nós. “Já nem me lembro. Eu vivo para o Tango sentido, de alma e coração”, responde de imediato Inês.

Leave a reply

Please enter your comment!
Please enter your name here