Razia na restauração

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Quando se dizia que a pandemia do covid-19 ia mudar muita coisa na vida das pessoas, não se sabia bem o que isso queria dizer. Era o desejo vago de nos tornarmos mais afetuosos, mais respeitadores da Natureza, era a miragem no deserto. A realidade é outra. O bicho humano não mudou, não irá mudar por causa da pandemia, aconteceu apenas que desapareceram os modos de vida de alguns. Uma perda que só atinge os mais fracos. 

Negócios de família, exemplo da Casa Aleixo, famoso restaurante na Campanhã, Porto, que fechou durante o primeiro confinamento e que deixou funcionários no desemprego e com salários em atraso.  No Facebook, a última publicação na página do restaurante Casa Aleixo data de abril de 2020 e deseja boa Páscoa aos clientes.

Para quem lá trabalhava, foi o início de uma luta. É em situações de aperto que vemos de que massa foi feitas as pessoas e, neste caso, os patrões ficaram com o que não era deles.

Em Lisboa, a história da Adega da Bairrada não é muito diferente, começa na década de 1940, atravessa três gerações de proprietários, sempre da mesma família, para terminar também sob os efeitos da covid-19. Recentemente, no mesmo local, abriu um novo espaço de restauração já adaptado para o negócio takeaway. É a isto que se chama evolução. Esperemos que os atuais empreendedores consigam mesmo adaptar-se a este novo ambiente do negócio da restauração.

World Food, em Alvalade, onde era a Adega Bairrada

Em março de 2020, o jornal público noticiava que perto de 200 restaurantes já tinham encerrado em Portugal, incluindo três com estrelas Michelin, devido à epidemia da covid-19. Por esses dias, um estudo da Iberinform dizia que a hotelaria e a restauração eram o setor com o maior índice de falências. No início de agosto, a AHRESP, uma associação do setor, dizia que 43% das empresas de restauração e bebidas ponderavam fechar definitivamente as portas.

Em setembro, as notícias falavam em 5.670 restaurantes, cafés, pastelarias e bares a fechar portas, informação baseada em dados da Autoridade Tributária.

Nas cidades portuguesas havia um restaurante, café ou uma pastelaria em todas as esquinas. Era fácil tomar uma bica em qualquer lugar. Um hábito interrompido durante os meses de confinamento. Vamos ver quantos lugares desses irão sobrar no final da pandemia.

A razia também se sente nos centros comerciais. Em Lisboa, por exemplo, o Centro Comercial Roma fechou em janeiro, com o segundo confinamento, para não voltar a abrir. Os lojistas foram informados que terão de sair até ao final de março. Este Centro comercial, inaugurado em 1988, tinha 3 pisos, uma área comercial de 2800m2, onde estavam 43 lojas e 3 restaurantes.

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