Lisboa vai evitar acumulação de animais em casa das pessoas

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Já há políticas definidas para as colónias de animais abandonados. Em vários bairros da cidade, existem colónias de gatos que, por terem sempre vivido em condições precárias e selvagens (sim, a cidade pode ser uma selva), dificilmente se adaptarão a ambientes fechados, como apartamentos, ou a viver em família com humanos. Já existem políticas de esterilização de animais nestas condições que, depois, são normalmente devolvidos ao “habitat” onde aprenderam a viver. Matilhas de cães são menos vulgares, mas também surgem em arrabaldes urbanos ou locais ermos e abandonados.

Mas, em cidades como Lisboa, o mais comum é serem as pessoas a propiciar o surgimento de concentrações de animais, normalmente nas suas próprias residências. Quase sempre, são casos de pessoas solitárias e, por vezes, com perturbações psíquicas. Muitas vezes, são pessoas idosas. Quase sempre, animais e humanos acabam a viver demasiado confinados, em situações degradantes que podem até constituir um problema de saúde pública.

Tornaram-se conhecidos casos como o dos 29 cães que viviam em condições degradantes num apartamento em Campolide ou dos cerca de 100 gatos encontrados num apartamento na Avenida Almirante Reis.

É para evitar isto que a Assembleia Municipal aprovou a recomendação do PAN que visa a criação de equipas multidisciplinares para prevenção e intervenção em casos de acumulação de animais no município. A proposta foi aprovada por maioria, com o voto contra do PCP e abstenção de um deputado independente.

A recomendação prevê a criação de um manual de procedimentos e de uma equipa composta por psicólogos, médicos veterinários, autoridades de saúde e associações zoófilas para prevenir, intervir e acompanhar os casos identificados. A ideia é, ainda, que sejam definidos protocolos com a Casa dos Animais de Lisboa e com as associações zoófilas locais para assegurar a recolha, esterilização e encaminhamento para adoção destes animais. A proposta aprovada pela Assembleia Municipal pretende que se crie, também, um mecanismo de acompanhamento psicossocial das pessoas acumuladoras, uma vez que está em causa uma perturbação mental que requer tratamento. Dado que os estudos apontam para uma taxa de reincidência entre 60% a 100%.

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