Eles sabem onde está o dinheiro da corrupção

Há juízes que sabem onde estão as fortunas, que vários banqueiros portugueses fizeram desaparecer. “É uma questão de vontade política, nós sabemos onde está o dinheiro”.

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“Uma nota nunca se perde. Tem número e ninguém a deita fora”. A declaração foi feita logo a seguir à entrevista. Eu percebo. É horrível ter a casa assaltada ou cão envenenado. Mas revolta. E então não se faz nada?

Hoje fui identificado para depositar um cheque na minha conta. Mas quem faz desaparecer milhares de milhões anda de costas direitas e faz manchetes constantes nos jornais diários e capas das revistas. Sempre com um sorriso santo. E a driblar os juízes.

Na entrevista que fiz ao super-juiz Carlos Alexandre fiquei estarrecido. Ao primeiro minuto e 20 segundos, Carlos Alexandre revela ter sido ameaçado por um superior. “Disse que eu me devia meter com pessoas do meu tamanho, porque precisava do ordenado para sobreviver, para comer”. Foi na reportagem “O Juiz”, 30 minutos, no Linha da Frente da RTP-1.

Assim, de forma clara. Sem meios-mas. E o que aconteceu? O super-juiz teve um processo disciplinar por ter explicado a embrulhada do computador que se enganou duas vezes. Até o processo de José Sócrates ser distribuído a um juiz que voltara ao Tribunal Central de Competência Territorial Alargada, conhecido por Ticão.

José Sócrates e Ricardo Salgado têm sido apontados como alegados coveiros da Portugal Telecom, uma mina de ouro desbaratada. “Trocada” pela empresa brasileira Oi, alegadamente falida. O que ficou foi vendido à Altice, que poderá vir a despedir, em breve, 2 mil trabalhadores.

De Carlos Alexandre já pouco se ouve falar. Ele não disfarçou o embrulhanço do computador. Nem a vontade de voltar costas ao crime rendilhado. Conta desde então os dias que lhe faltam para a reforma.

E nós? Os portugueses que não sabem onde está a massa! Continuamos a assistir às ópera-bufas da Justiça do vai-que-não-vai nas TVs. Todas as noites.

Na revista Sábado, José António Vilela publica mais um novo cabaz: “Todos os documentos Secretos do Processo”. Talvez assim o poder político perceba que a Sábado cumpre o seu dever jornalístico. E que todos temos o mesmo compromisso.

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