A conta-gotas

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O decreto-lei que alivia as medidas de confinamento da população e da atividade económica já entrou em vigor, mas não em todo o lado. É verdade que o próprio decreto dá às autarquias o poder de o cumprir ou não, o que é algo estranho, haver uma lei nacional que cada autarquia pode ou não executar.

Freguesia do Lumiar, em Lisboa. Os bancos dos jardins continuam selados. Quem se quiser sentar aqui, não sabe se pode ou não fazê-lo. Aparentemente, não pode. É verdade que os cafés reabriram e as lojas estão a vender ao postigo, mas sentar no banco à sombra da árvore a apanhar a brisa que sopra pelas ruas de Telheiras parece ser mais difícil.

Às duas da tarde, a situação ainda era esta que as imagens documentam. As pessoas passeavam os cães e os filhos, olhavam para os bancos e continuavam de pé. Talvez a junta de freguesia queira estimular o exercício físico, mas seria bom deixar que as pessoas pudessem escolher se o querem fazer.

É claro que há já quem tenha perdido a paciência e alguns bancos e mesas de jardim já estão libertos da fita proibidora. Provavelmente nem foi hoje que as retiraram.

O confinamento também se nota nos passeios mal cuidados, com ervas altas junto às paredes das casas e nos canteiros das árvores. Mas isso é o menos, todas estas plantas silvestres dão flores bonitas e a primavera está a chegar.

Concelho de Loures, uma loja de grande superfície retoma a atividade. Aqui dentro vendem-se artigos desportivos. Não se pode entrar. Nestas condições, muitos artigos não se conseguem vender, como é o caso, por exemplo, das tendas de campismo. Outros vendem-se com dificuldade, como é o caso dos ténis ou dos fatos de treino. Os sapatos ainda se podem provar, depois de serem pagos e, se for preciso trocá-los, será preciso voltar para a fila… roupa, nem por isso, só em casa. É um negócio mitigado, para uma loja tão grande.

Desconfinar a conta-gotas deve ser isto.

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