UMM português ao preço de um Jaguar

Um veículo todo-o-terreno UMM com 40 anos, pode custar mais de 30 mil euros. Uma verdadeira fortuna no mercado dos carros clássicos.

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É quase o mesmo preço que um Jaguar de colecção XJS de 6 litros, motor V12, convertível de 1974. Um modelo raríssimo. Ou um Jaguar MKII, com apenas 1814 quilómetros, de 1960. Basta instalar a app Catawiki, para ter acesso imediato aos leilões internacionais online de clássicos.

Em Odivelas, numa garagem discreta, Silvino Alves pega num chassis de um velho UMM e reconstrói ao pormenor o todo-o-terreno português, que reúne centenas de associados no Clube UMM liderado pelo incansável Norberto Liberato.

Silvino Alves e Tucha (Carlos Barbosa) foram dois grandes mecânicos da UMM (União Metalo-Mecânica), que arrancou em 1977. Pretendia-se contornar a contingentação automóvel. A Mocar dos irmãos Batista da Silva queriam importar Peugeots sem restrições. Precisavam por isso de um todo-o-terreno Made in Portugal.

Dois Cournis vieram a salto de França. Era um trator do pós guerra com chassis Williams. Precisava de um mecânico para o motor Perkins e de um serralheiro para a chapa e o resto.

Pedro Cortês olhou para os Cournis  e contruiu um UMM de raiz, equilibrado, com o motor Peugeut 2.5, ao centro, com o apoio de José Megre. Tucha e Silvino Alves eram duas pedras fundamentais.

UMMs participam no Paris Dakar

Cinco anos depois 3 UMMs participaram, em 1982, no mais duro Rally de sempre, o Paris Dakar, criado por Sabine em 1978. Um ano depois participam 4 UMMs. E em 1984, 5 UMMs. A UMM foi a única marca que conseguiu levar até ao fim do Rally todos os veículos. Uma proeza.

O exército americano impressionou-se. Encomendou 500 para testar. Foi o princípio do fim da UMM, que chegou a ter um protótipo idêntico ao Range Rover.

Mira Amaral tinha a proposta da Ford Volkswagen para Palmela. Cavaco Silva deixou cair o todo-o-terreno nacional. O mais sórdido festim foi a destruição à martelada do molde de pormenor da versão proposta do homem que nunca se engana e raramente tinha dúvidas.

O veículo rejeitado por Cavaco vale hoje uma fortuna, num bom nicho de mercado. há centenas a circular. Silvino Alves em Odivelas não tem mãos a medir.

Toda esta história foi contada na RTP, em 2018.

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