Um País Fechado

Os trabalhadores dos restaurantes são as grandes vítimas da dramática pandemia. Quando percorremos a Rua Portas de Santo Antão deparamos com o desespero de centenas de pessoas perdidas, tal como no Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. São um exemplo do estado da restauração.

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A sociedade gizada por Cavaco Silva empurrou os portugueses para o restaurantezinho como forma de sobrevivência. No tempo do homem “que nunca se engana”, deitámos fogo aos barcos de pescas. Aceitámos receber subsídios para não cultivar. Encolhemos os ombros perante a PAC – Politica Agrícola Comum, que nos limitou a produção de leite e manteiga. Deixámos morrer a reparação naval da Lisnave, os vidros da Covina, as carruagens de comboios da Sorefame, a Metalurgia da outra banda. 

Cavaco Silva arrasou tudo, éramos um paraíso. De serviços. O homem “que raramente tem dúvidas” deixou-nos um deserto económico. O que restou foi desbarato por Guterres, entusiasmado com a privatização da EDP e da GALP. Depois por Durão Barroso, que insistia na tanga, até se pirar daqui. E, por fim, por Passos Coelho que nos enfiou em buracos com a TAP e os CTT.

Todo o conhecimento de gerações foi desbaratado. Milhões de portugueses que batalharam para ter um País sustentável ficaram de mão estendida, muito contentes por ter melão e uvas em Janeiro, enquanto as nossas laranjas estão no chão do Ribatejo e do Algarve.

Fomos cegos. Votámos duas maiorias absolutas e dois mandatos para um Cavaco cuja ambição era apenas fazer a revisão do seu automóvel. Que raio ideia teve Marcelo Rebelo de Sousa quando o propôs para líder no distante congresso do PPD na Figueira da Foz? E agora quantos abraços vai o Presidente Marcelo dar aos trabalhadores dos restaurantes?

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