Repórter da RTP sozinho enfrenta covid

A pandemia tem causado grandes estragos na saúde mental das Televisões que enviam repórteres de imagem para uma frente de batalha, como se ainda houvesse o Vietname. As empresas de televisão tornaram-se miserabilistas e alimentam um voyeurismo que põe os melhores repórteres de imagem em perigo de vida.

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Fiquei chocado quando vi um dos melhores repórteres de imagem sentado sozinho num banco de hospital. Todo equipado para filmar o que já não necessita de ser filmado.

Carlos Pinota esteve, nestes últimos anos, nos piores cenários de guerra. No Líbano bombardeado. Na Líbia a ser bazucada. Na Síria, por entre os escombros. No Haiti, a carregar às costas com um camarada redactor que caiu de um primeiro andar, durante um sismo. Nos Balcãs, entre ameaças de grupos armados. Na Grécia, nas manifestações violentas. Para já não falar no Iraque, na Guiné ou no Congo. Entre outros locais pouco tranquilos. Parece que Carlos Pinota tirou um passe-para-o-inferno.

Mas vê-lo sentado num banco de hospital, sozinho! mete dó e é uma afronta. O código deontológico dos jornalistas proíbe o voyeurismo. A RTP é uma estação de serviço público de Televisão, que não permite o sensacionalismo. E o Carlos Pinota e todos os repórteres de imagem audazes não podem ser escadotes para redactores com salários milionários. Os salários que se praticam nas chefias das TVs, incluindo a RTP.

A imagem de Carlos Pinota sentado naquele banco é um dedo apontado à RTP, a escarrapachar  a necessidade de rever a deontologia. O Covid-19 não é uma novela, nem uma guerra. É uma pandemia. Os portugueses querem ser informados. Os jornalistas têm leis, regras e códigos para cumprir. Quanto mais não seja o bom-senso. Não matem o Carlos Pinota.
Não transformem a Televisão num circo romano.

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