Covid matou Marcelino

Morreu o soldado portugues mais medalhado. Marcelino da Mata. E o mais controverso. Era companheiro de Jaime Neves, que conheci e admirei. Foram dois guerreiros que deixam saudades, porque encaravam a guerra como um limite ao caos e que respeitavam as armas, que são sempre perigosas.

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Marcelino da Mata morreu vítima de Covid-19. Um inimigo traiçoeiro. Não era de esperar, porque Marcelino fazia parte dos heróis que abraçam causas na esperança de enfrentar os inimigos de forma leal, sem cor, nem credo, nem motivações  económicas.

Marcelino da Mata acreditava estar do lado certo. Queria pôr um ponto final rápido numa guerra que dilacerou um País sem sentido.  As Forças Armadas são o último recurso e não vencem guerras. São soluções transitórias, até que os políticos se entendam. Marcelino e Jaime Neves sabiam disso.

Na luta armada enfrentaram outros exércitos e mais tarde abraçaram os inimigos. As guerras são feitas por homens que não conhecem os inimigos e não sabem porque lutam. Por causa de homens poderosos que se conhecem e têm pavor de se enfrentar.

Marcelino e Jaime Neves sabiam ao que iam Sem eles a desordem teria sido absoluta. As guerras tornar-se-iam guerras civis. Não fosse a pronta intervenção de Jaime Neves e o 25 de Novembro de Carlos Antunes e Isabel do Carmo teria sido um descalabro.

 Não fosse Eanes e as armas distribuídas e o Partido Socialista teria sumcubido. Não fosse o apoio de Jaime Neves e os comícios do PPD teriam sido locais de chacina. Esteve quase a acontecer no dia em que Sá Carneiro resolveu fazer três comícios simultâneo: na Brandoa, em Setúbal e em Beja. Há 46 anos.

Marcelino da Mata e Jaime Neves foram o último recurso. Evitaram que as guerras se transformassem em banhos de sangue entre civis. Como pode um vírus matar um herói?

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