Rodolfo: A Música Que Passa

"Músico que não está se virando está morrendo de fome", considera Rodolfo sobre os seus companheiros artistas, brasileiros e não só, que enfrentam a era da pandemia de coronavírus com dificuldades. "Nessas alturas, não tem restaurante, não tem hotel, não tem bar..." diz Rodolfo Reichmann, músico de jazz, bossa nova e instrumental.

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Todos os dias, este brasileiro de Curitiba dá música a quem passa no túnel conhecido por muitos como “Túnel Debaixo do Arco” em Algés, concelho de Oeiras. Guitarra e piano dão corpo aos sons deste viajante que já viveu em Portugal (de 1991 a 1998), voltou ao Brasil e retornou a terras lusas, onde aguarda melhores dias para voltar a terras de Vera Cruz.

Já com seis discos gravados e um canal de Youtube onde apresenta alguns dos seus trabalhos (instrumentais de piano), que espera chegar em breve ao patamar de mil subscritores e mais além, Rodolfo Reichmann anima, contra ventos e coronavírus, o silêncio apenas cortado pelos passos e pelos ruídos de vozes naquela zona de passagem. 

Rodolfo Reichmann

“Quando a gente toma uma atitude na vida, não é só uma coisa que pesa, tem vários factores”, diz este músico. “Eu coloquei na balança, pesou pra cá e eu vim”. “A minha vida inteira, a única coisa que eu fiz foi música, nunca fiz nada a não ser tocar”, revela o curitibano, que acrescenta ter estudado 13 anos de piano clássico e 5 de violão, bem como canto coral e até gaita de beiços. “Gaita de boca” como o curitibano lhe chama, achando muita graça à designação portuguesa desse instrumento de sopro bem popular. 

Rodolfo Reichmann tem um cantinho para exercer a sua música numa loja de telemóveis e acessórios graças à amizade travada por acaso com o proprietário da loja, e daí até fazer mais amizades, foi uma nota musical ou um passo. “São muito simpáticos comigo, a gente foi ficando amigo, todo o mundo foi se aconchegando, se aproximando, quando dei por isso estava a fazer parte… porque a música faz bem a toda a gente, ela agrega as pessoas”. De manhã, Rodolfo toca violão e à tarde é a vez de um órgão piano. “É um local privilegiado” e “as pessoas estão a ser muito simpáticas comigo, não tenho a reclamar”, sorri o músico, que volta e meia recebe uma moeda para ajudar às despesas.

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