Por causa do debate, foi-se o jantar

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Há quem tenha levado os debates presidenciais muito a sério e colocado em risco boas amizades e jantares. 

Há dias senti que uma amiga ficou menos amiga porque não dei muita importância a um debate para as próximas eleições. Ao fim de 47 anos de Democracia, encaramos um debate como se fosse uma batalha. Ou, mais modernamente, como um grande jogo de futebol.

Em boa verdade, eu estava ansioso pelo jantar com essa minha amiga e, zás! não houve jantar. A indiferença ou a diferença de opinião não deveriam dar cabo de um jantar. E deram. Mas as coisas já foram piores. Há 40 anos lembro-me de amigos a oferecerem-se generosamente para nos poupar a vida. De um lado e do outro, à esquerda e à direita. E até ao centro. “Safo-te, se a revolução vencer, “. “Livro-te, se dermos cabo dos gajos”. Nessa altura éramos todos, em simultâneo, comunas, fachos, reacionários, extremistas. Dependia só de quem nos avaliava. E nunca se escapava a um rótulo imediato. Uma alegria.

Durante anos, vivemos dias agitados. Eanes subia para o tejadilho do automóvel, em pleno tiroteio no Alentejo. Mário Soares levava um apertão nas bochechas. E as coisas melhoraram, embora os debates continuem devastadores. Sofre muito quem quer ser presidente. E para se ouvir os debates. É preciso estômago para lá estar e também para ouvir. Seja como for, 47 anos depois da implantação da Democracia não faz sentido, por causa de um debate, perder um jantar.

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